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No ano 2000, o Brasil possuía 104 Faculdades de Medicina e colavam grau, 7 mil médicos por ano. 80% das Escolas eram públicas e de excelente qualidade, 20% privadas e que nada deviam às Públicas, exemplo mor é em Salvador, onde a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Publica não guardava nenhuma diferença com a FAMED/UFBA.
Raros eram os professores que não atuavam nas duas muitos figuravam como ícones da Medicina Brasileira e alguns da Medicina internacional, não citarei nomes para não cometer injustiças com os demais.
Hoje, 2026, são 400 escolas, 80% privadas e apenas 20% Públicas, houve uma brutal inversão. Colam grau de 35 a 50 mil médicos por ano, fora os oriundos do MERCOSUL, muitos por liminar na graduação e no revalida. Na última prova de proficiência, em 2025, o resultado nacional foi pífio e preocupante.
A medicina brasileira virou comércio e classificada como produto, foi mercantilizada. Gasta-se por aluno de 1,0 a 1,2 milhão de reais para formar um médico, que equivale a 200 mil dólares para concretizar o sonho de uma família e o resultado termina em pesadelo.
Os alunos que passavam nos vestibulares de ambas as faculdades, que eram de igual qualidade, geralmente eram conhecidos nos respectivos colégios.
Os colegas, os professores e todos falavam: "Os alunos que mais se dedicam e tiram as melhores notas farão Medicina, engenharia e física", para cursar medicina a vontade vinha do âmago, vinha do Eu de cada estudante, ao ler o seu nome na lista dos aprovados era regozijo para a família, vizinhos, amigos, colegas e todos que viram o seu crescimento, do nascimento até aprender a voar para outras plagas em busca do conhecimento. A disputa era ferrenha, pois mais de 98% dos alunos eram desta qualidade, o curso científico era levado a sério.
Os jovens eram focados no respeito aos pais, no suor de cada um dos genitores, dos avós e deviam gratidão aos dedicados professores na sua formação.
O aluno era admirado e respeitados pelos seus professores e colegas de turma, do curso fundamental e médio à faculdade. O compromisso era acadêmico, altruísta
e dedicado à comunidade, mais de 60% eram oriundos do interior e de capitais de todo o Nordeste, muitos vinham de escolas públicas.
O custo mensal, em dinheiro, das Escolas Privadas era justo, era ao alcance da sociedade, tanto que muitos passavam nas duas e optavam pela Bahiana de Medicina, outros cursavam Odontologia na Federal e Medicina na Bahiana, alguns colaram grau nas duas.
Muitos eram agraciados com bolsas proporcionais ao poder aquisitivo da família e outros eram agraciados pelo crédito educativo, criado e implantado na década de 1970, chamado Programa de Crédito Educativo, precursor do FIES. Era voltado para estudantes de baixa e média renda, e de estudantes oriundos dos mais longínquos rincões do semiárido Nordeste, na maioria das vezes, o primeiro da família a entrar numa Universidade. Cursavam com sangue, fibra, coragem e dedicação. O programa era financiado e operado pela Caixa Econômica Federal.
O mais admirável era a consciência de algumas famílias e dos próprios jovens, muitos falavam:
" Deixarei a minha vaga para os mais necessitados e vou cursar Medicina na PARTICULAR".
Veja a que ponto chegava a ética na sociedade, uma vez que os futuros médicos, dos anos 50 até os anos 90, eram filhos de professores do interior, pequenos e médios comerciantes, comerciários, militares, bombeiros, agricultores e pecuaristas de subsistência, carteiros, Pastores, funcionários do IBGE, ESTATAIS, BB, BNB, CEF, BANEB, outros de família de melhor poder aquisitivo e de nível superior, o normal na sua trajetória de vida.
Não se falava de sexo, etnias, raças ou direcionamento sexual, todos gozavam dos mesmos direitos e deveres, quando um pobre entrava na faculdade, por cursar o fundamental e médio numa escola publica de qualidade, não era manchete de jornais e nem Outdoor, não era combustível e nem buchas de campanhas para políticos ou partidos.
O injusto, devido os quatro séculos de escravização, era o pequeno número de negros e indígenas, porém, os 4% que cursavam medicina, geralmente estavam entre os 5 melhores alunos da turma, mesmo porque todos os brasileiros são da mesma raça, o que diferencia é o poder aquisitivo e a escolaridade dos genitores.
Assim eram distribuídos os alunos de acordo com o declarado no censo do IBGE: 69,9%% Brancos, 26% Pardos, 4% negros e não mais de 0,01% de etnia indígena ou descente de terceiro ou quarto grau.
Quanto ao sexo, 36% feminino e 64% masculino. Algo de bom aconteceu, a democratização da Medicina. Hoje 51% dos profissionais da medicina são mulheres e na Residência ultrapassam os 53%, inclusive nas áreas antes masculinas, as cirúrgicas.
Foi este modelo, até o ano 2000 implantado em todo o Brasil, que deu origem a uma das melhores medicina do
Mundo e de médicos de destaques no país e no mundo. Este modelo de escola proporcionou a formação
de excelentes profissionais generalistas e em todas as áreas de atuação, e que foram capilarizados pelo Brasil, levando a seiva da vida e da ética para todo o território nacional.
Os Profissionais Médicos, que adotavam uma cidade para morar, atuavam com amor, beneficência, benevolência e gratidão ao seres humano que permitiam a sua labuta em tão nobre profissão, tinham consciência que os mais pobres precisavam dos seus cuidados.
Mesmo sem os modernos equipamentos e exames laboratoriais avançados, os médicos atuavam com proficiência, seu principal trunfo era a SOBERANA CLINICA e o legado de cada professor, chamados de MESTRES.
Ao examinar ou operar um ser humano, vinha e vem na cabeça as palavras, os ensinamentos, as manobras, o rosto, o interesse e a dedicação de cada professor, de cada colega do internato, da Residência e a gratidão a todos os pacientes atendidos na sua formação, muitos foram tão fortes e marcantes, que ainda hoje têm nome, endereço e voz. O verdadeiro médico, além da ciência, traz consigo infindáveis formações, principalmente no tocante ao social e ao coletivo.
O que marcava nos médicos era o prazer, o orgulho e a humildade de SER MÉDICO, pois desde o ensino infantil, fundamental e médio já se enxergava quem era a mórula, embrião, feto e depois um profissional da Medicina, UM MÉDICO.
Foi assim que muitos resolveram ser Médicos e é assim que muitos ainda sonham, porém, o país não permite mais a realização deste sonho: "SER MÉDICO, REALMENTE MÉDICO".
Salvador, 31 de Janeiro de 2026
Iderval Reginaldo Tenório
Primeiro ano de Medicina em 1976 . FAMED/ H. DAS CLINICAS
Formado em Medicina em 1982. FAMED/UFBA
HUPES. HGV. MATERNIDADE CLIMÉRIO DE OLIVEIRA. HOSPITAL COUTO MAIA. ARISTIDES MALTEZ. MATERNIDADE TSYLA BALBINO. HOSPITAL PORTUGUÊS. HOSPITAL ESPANHOL. HOSPITAL ANA NERY . HOSPITAL CENTRAL ROBERTO SANTOS.
VALE A PENA SER MÉDICO.
ASSISTAM PELO MENOS OS 30 PRIMEIROS MINUTOS.
DEPOIS DAS PALAVRASDO DR FRANCISCO HORA, TENHO CERTEZA QUE ASSISTIRÃO MAIS DE UMA VEZ. DIVULGUEM PARA TODOS OS SERESS HUMANOS.
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