Morreu em Juazeiro do Norte a Sra Maria de Lourdes Marques.
Juazeiro do Norte, Sul do Ceará, Capital do Cariri e a Capital da Fé perdeu hoje uma de suas páginas viva de sua história, DONA LOURDES, deixando órfãos toda a população e principalmente o bairro do SOCORRO, no qual era a última das rainhas vivas para todos nós criados no coração da Cidade do Padre Cícero, e que tínhamos como uma verdadeira mãe.
À proporção que as mães biológicas iam para o Céu, dona Lourdes, maternalmente, além dos seus 13 filhos biológicos, ganhava esta titularidade e exercia este mister com todo o rigor materno.
Filha de João Marques da Silva e de Maria Carmina da Conceição, Lourdes Marques, nasceu no dia 25 de janeiro de 1929 em Juazeiro do Norte, na Quadra São Vicente, próximo da Rua do Salgadinho, Rua Praça do Cinquentenário, hoje chamada de Trav. Maria Gonçalves ou Praça do Memorial.
Todos estamos de LUTO e eu mais ainda.
Iderval Reginaldo Tenório
"Eita moreno, tu estais é bonito"
Esta era a sua recepção quando chegava de Salvador para visitar dona Lourdes em Juazeiro, depois de viajar opara Salvador para estudar em 1974.
Dizia que eu estava com a cara de baiano, porém com o jeito, o sotaque, o caminhar e a alegria do típico cearense, ele não muda, é um danado. É médico em Salvador e aqui continua um menino.
Falava que o sol da Bahia, o vatapá, o acarajé e as praias de Salvador conseguiram bronzear a pele, porém não conseguiram apagar o seu interior e sim aumentaram a sua cearencês.
" Eita menino inteligente"
Era assim que a minha mãe biológica, Antonia Reginaldo da Silva e a mãe substituta Maria de Lourdes Marques me tratavam.
Iderval Reginaldo Tenório
Em nome de Lairton Marques e Luzenilde Marques, os meus queridos BITO e Nilde, estendo para toda a familia os meus sentimentos. Dona Lourdes morreu para o mundo material e continua viva no âmago de cada um de nós. Iderval Reginaldo Tenório
Lourdes Marques e sua história de vida
Filha de João Marques da Silva e de Maria Carmina da Conceição, Lourdes
Marques, nasceu no dia 25 de janeiro de 1929 em Juazeiro do Norte, na
Quadra São Vicente, próximo da Rua do Salgadinho, hoje chamada de Trav.
Maria Gonçalves, ou Praça do Memorial. Ela conta que quando tinha de
três a quatro anos, ia com seus pais para escutar os conselhos do Padim
Cícero, quando ele pregava em sua residência, na Rua São José, onde
hoje funciona o Museu Padre Cícero. Em suas palavras ela diz: “Eu ficava
bem quietinha, calada, em obediência aos meus pais, porque eles
ensinavam que quando os mais velhos estavam falando criança tinha que
ficar calada. Minha mãe sentava no chão, me colocava no colo, e eu
adormecia. Quando Padim Cícero terminava o sermão, ela me acordava, e a
gente ia para casa. Era gente demais, o quarteirão ficava praticamente
lotado. Minha mãe contava que meu pai recorria a ele para pedir a
opinião sobre um determinado trabalho, um aconselhamento na verdade.
Lembro do dia de sua morte. Do caixão em cima da janela para o povo ver.
Gente gritando, chorando, o luto, o clamor abalou o Juazeiro. Tecidos e
mais tecidos pretos foram comprados para vestir a população em luto
pela morte do seu maior benfeitor.” O tempo foi passando e Lourdes na
companhia de seus oito irmãos. Vicente, Lia, Duca, Tonho, Zeca, Ciada,
Cila e Maroly aproveitaram na medida do possível a infância, porque
mesmo crianças já ajudavam nos afazeres domésticos as mulheres e os
homens ajudavam o pai como ajudantes de pedreiro. Quando criança, ela
contou que deu uma topada e arrancou a cabeça do dedo naquela época não
existia antibiótica, usava somente uma pomada amarela para cicatrizar,
mas doía demais. E à noite quando deitava era que doía, então começava a
chorar não deixando os irmãos dormirem. Duca e Tonho não suportavam
vê-la chorando e o que faziam, deixavam-no no quintal e fechavam a
porta. O choro aumentava ainda mais, além da dor e o medo do escuro! São
memórias que ela ainda guarda presente e que me confidenciou. A
primeira Eucaristia fez com a idade de 11 anos. E sempre alimentou um
grande desejo de participar de uma Lapinha, como cigana, porque achava
linda a roupa toda colorida. Sua mãe, porém, sempre dava uma desculpa
alegando que não dava certo. Até que ela descobriu que a roupa da sua
primeira comunhão daria certo para ser a lua e dessa vez sua mãe
permitiu. E ela com sua lucidez e um sorriso cativante canta para nós o
versinho da lua:
“Sou a lua que dos astros venho
A lapinha de Belém
Sou a lua do alto da princesa
Que adorna imensa grandeza
Sou a lua que dos astros venho,
A lapinha de Belém.”
Algumas vezes ia ficar com Lia em Missão Velha e lá aprendeu a fazer
bainha de vestidos, de calças e os primeiros ensaios na arte de bordar à
mão. No ano de 1950 casou com Luiz de Souza Lima, tendo treze filhos,
oito homens: Luilson, Lázaro, Luiz Filho, Lailson, Lairton, Lécio,
Luzivaldo e Luiz Carlos; e cinco mulheres: Luciene, Luzenilde,
Luzeneide, Luzilânia e Maria do Carmo. Os nomes foram escolhidos pelo
pai, com exceção de Maria do Carmo, que teve seu nome ligado a uma
promessa feita a Nossa Senhora do Carmo. O parto era de alto risco e
Luordes se apegou com muita fé pedindo a intercessão de nossa Senhora e
como foi atendida, batizou a filha com o nome de Maria do Carmo. Assim,
com exceção deste, os nomes dos demais filhos do casal começam sempre
com a letra L. Como os negócios de Luiz não iam muito bem, ele resolveu
ir trabalhar fora e levando junto seu filho mais velho, Luilson, para
morar em Belo Horizonte. Lá conseguiu trabalho e mandou buscar a
família. Lourdes ficou com medo de levar uma família tão numerosa, ela
e os doze filhos, e decidiu não ir. Mandou dizer para Luiz que ele
mandasse o sustento dos filhos e ela iria também trabalhar para ajudar
no sustento da família. Começou a vender calçados, perfumes, acompanhada
de seu filho, Luiz Filho. As filhas cuidavam dos afazeres domésticos e
dos irmãos menores. Entretanto, a despesa era alta, aluguel para pagar e
débitos nas bodegas, então, sua irmã, Maroly, que estava morando
sozinha após a morte da mãe, dona Carmina, convidou-a para morar com
ela, na mesma casa que ela nasceu. Sem nenhuma cerimônia aceitou o
convite e mudou-se definitivamente com os filhos, e é nesta casa que
reside até hoje. O marido Luiz não quis acordo e resolveu nunca mais
voltar para o convívio da família em Juazeiro, chegando a falecer por
lá. As dificuldades, os filhos para estudar, fardamentos, livros,
remédios, muitas despesas, enfim. Lia, sua irmã, como forma de ajudá-la
levou para morar com ela mais uma filha, Luzilânia, porque Luciene já
morava com ela. Maroly, sua irmã caçula trabalhava no escritório de seu
Severino Alves, na loja A Vencedora, e contribuía financeiramente. Zeca,
seu irmão que morava bem próximo, na Rua da Conceição soube das suas
preocupações e disse: “Lourdes, todo sábado à tarde, quando eu voltar da
feira de Barbalha, venha ou mande um dos meninos buscar uma mesada que
darei para ajudar”. Lourdes acrescenta: Por muitos anos recebi essa
contribuição do meu irmão tão generoso. Mas, mesmo assim faltava
dinheiro porque as despesas eram altas demais por causa da família
numerosa. Lourdes conta ainda que dona Marlúcia Almeida, vizinha do seu
irmão Zeca, fabricava e ainda fabrica confecções me ofereceu para dar o
abanhado, pregar botões e casear as confecções que ela fabricava.
Aceitei e junto com Nilde, Neide e Lânia ficávamos até tarde da noite
executando esse trabalho, que nos ajudou bastante. Também ajudei muitas
vezes a De Jesus Batista preparando caldo nos eventos políticos. E foi
graças a esses meus préstimos que consegui um contrato no Estado e no
Município como Merendeira e Auxiliar de Serviços. Trabalhei na Escola do
Menor; Escola 3 de junho; Grupo Padre Cícero e Secretária de Educação.
Ministrei no ano de 1979 Alfabetização Funcional pelo Mobral”. E haja
coisa, como ela mesmo diz. Sem contar com os bordados, fuxico, crochê,
panos de prato e ponto de cruz. É uma verdadeira artista com as mãos.
Ela faz um desabafo: “Até hoje não deixo de fazer algumas coisinhas,
apesar das meninas não gostarem muito, porque eu fico com dor de cabeça
por ficar com a cabeça abaixada. Não consigo parar; é de mim, ficar
fazendo alguma coisa, se não fizer fico triste”. Apreciadora de eventos
no Memorial, como palestras, apresentação de festivais escolares, show
de cantores etc. faz questão de estar presente. Convidada por famílias
amigas para participar da Renovação do Coração de Jesus, não falta. Ela
conta mais da sua vida: “Faço parte do Apostolado da Oração há muitos
anos e fui incentivada por minha irmã, Lia, para me associar. No mês de
junho consagrado ao Sagrado Coração de Jesus compareço diariamente
acompanhada de uma filha para fazer minha hora de guarda como manda os
preceitos do associado. Estive presente na despedida de Lia da
Presidência dessa entidade na qual ela esteve à frente durante quarenta e
oito anos, entregando para Marinalva. Faço parte como associada da
Irmandade de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Sou uma pessoa feliz,
abençoada por Deus e por Nossa Senhora das Dores e Padim Cícero”. Ela é
avó de dezessete netos, sendo oito homens: Luilson Junior, Fabiano,
Davi, Jardel, Jailson, Ítalo, Tiago e Hariel; e nove mulheres: Patrícia,
Tatyana, Girlene (falecida), Magdalene, Magnólia, Laís, Vitória, Bruna e
Héren. Bisnetos tem nove: cinco homens, Uriel, Henrique, Pedro André,
João Miguel e Luiz Arthur; quatro mulheres: Mayana, Samira, Nicole e
Melissa. Em minhas observações, como sobrinha por afinidade, porque ela é
a única tia viva de Daniel, meu esposo, por parte do seu pai, Zeca
Marques, percebi ao longo da minha convivência com ela, tratar-se de uma
pessoa muito simpática, amável, carismática. Em todos os lugares onde
trabalhou deixou sua marca de boa funcionária e boa amiga. É uma
excelente contadora de histórias, se deixa encantar nas narrativas.
Várias vezes foi entrevistada pelos meios de comunicação para narrar o
que sabe e o que viu a respeito do Padre Cícero. Toda a família tem uma
verdadeira admiração por ela, por tudo que passou e venceu. Os filhos se
sentem orgulhosos desta mãe tão abnegada e batalhadora que hoje
comemora oitenta e nove anos com uma lucidez maravilhosa e a vaidade não
fica de lado, sempre anda muito arrumada, não dispensa os brincos, o
batom e o rouge, como ela diz rindo. Que grande dádiva de Deus, que Ele a
abençoe lhe proporcionando mais anos de vida para alegria e felicidade
dos que a cercam. Parabéns tia Lourdes! Meus e do meu esposo Daniel, seu
sobrinho. Todos nós lhe queremos muito bem. Felicidades!
Galeria de fotos
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Um comentário:
Que Deus a acolha em seus braços. Benedito Morais (Benê)
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