Hora do almoço-
Dona Maria era uma das funcionárias de um grande hospital da Bahia, trabalhava na cozinha, era uma funcionária terceirizada.
Na rampa do restaurante, colocava os alimentos nas bandejas de aço dos comensais, utensílios estes divididos em 04 ou 05 compartimentos.
Neste dia seria servido, como complemento, cubinhos de abóboras, por sinal muito gostosos, principalmente quando untados na manteiga.
Eu na fila, bandeja na rampa e do outro lado dona Maria. Senhora pícnica, rosto redondo, olhos atentos, braços curtos e voz estridente, beirava os 50 anos, porém com a aparência dos 60. Roupa comum, um grande jaleco branco por cima, touca na cabeça e luvas de polietileno incolor.
Fila longa, cada um dos comensais com a sua bandeja tangenciando a bancada de aço.
No outro lado do balcão, três senhoras a servir os alimentos e a fila a andar. Dona Maria, defronte da sua cuba, pergunta ao comensal da vez, este que vos fala: " Quer abroba dotô Reginaldo, o sinhô quer abroba na manteiga ?" Já com a concha cheia de cubinhos a despejar na minha bandeja.
"Dona Maria, na minha terra, na Serra do Araripe, lá no meu Ceará, terra do Padre Cícero, quem come abóbora é porco".
Dona Maria não contou conversa e nem titubeou, na bucha, na lata, sorriso no rosto e em tom de gozação emendou:
"Aqui tumem dotô, aqui tumem, quer mais um pouco?"
Não ficou nenhum funcionário que não caísse na risada
Foi assim os melhores dias naquela casa, que era uma verdadeira família.
No café da manhã, os colegas sempre desciam comigo para o refeitório, tinham certeza que algo diferente existia, precisamente fatias de queijos e uma boa manteiga.
Iderval Reginaldo Tenório
Um comentário:
Muito bacana o relato👏👏👏👏.
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