quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Mais Médicos: abandono de cubanos leva ministro a Havana


Mais Médicos: abandono de cubanos leva ministro a Havana

  • Associação Médica Brasileira vai ajudar quem desistir do programa
Marcelle Ribeiro (Email · Facebook · Twitter)
 

A médica cubana Ramona Matos Rodriguez na Câmara, após anunciar que abandonou o Mais Médicos
Foto: Jorge William / Agência O Globo
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A médica cubana Ramona Matos Rodriguez na Câmara, após anunciar que abandonou o Mais Médicos Jorge William / Agência O Globo



BRASÍLIA e SÃO PAULO - A polêmica em torno das condições de trabalho e da remuneração dos cubanos contratados para o programa Mais Médicos levou nesta quinta-feira o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, a Havana. Figueiredo conversou sobre o assunto com o chanceler de Cuba, Bruno Parrilla. Foi a primeira vez que duas autoridades do primeiro escalão de Brasil e Cuba tratam do tema desde que começou a debandada de médicos cubanos, alguns se queixando do fato de só receberem uma pequena parte do salário pago aos médicos pelo Ministério da Saúde.
 
O teor da conversa não foi revelado pelo Itamaraty. A posição do governo brasileiro é evitar que o problema, iniciado pelo abandono do programa pela médica cubana Ramona Matos Rodríguez, transforme-se em um incidente diplomático. Outros quatro profissionais inscritos no Mais Médicos também deixaram o programa sem comunicar formalmente a desistência.
Segundo fontes, Figueiredo teria tratado com Parrilha sobre formas de evitar que o programa seja esvaziado, incluindo a melhora da remuneração dos médicos. O governo de Cuba estaria preocupado com esse cenário, uma vez que os médicos enviadas ao Brasil são produtos de exportação da ilha caribenha.
Programa
Em São Paulo, depois de criticar severamente a contratação de médicos cubanos, a Associação Médica Brasileira lançou um programa para recrutar profissionais vindos do exterior e que estejam insatisfeitos com o Mais Médicos. Chamado de Programa de Apoio ao Médico Estrangeiro, o projeto tem como objetivo proteger “a liberdade e integridade dos profissionais trazidos de outros países”.
Segundo o presidente da AMB, Florentino Cardoso, desde que a médica cubana Ramona Rodrigues procurou a entidade médica, mais de dez cubanos já pediram ajuda à associação. Para o dirigente, a iniciativa não tem o objetivo de prejudicar o mais Médicos, mas apenas dar condições mínimas de trabalho para os profissionais que recebem menos do que os de outras nacionalidades.
— A iniciativa faz parte de algo para mostrar à população brasileira e a todos os médicos estrangeiros que os médicos brasileiros são solidários às questões que os envolvem. Nós não temos nada contra os médicos estrangeiros. Só defendemos princípios e as leis brasileiras. Se o médico quer ficar no Brasil, ele deve revalidar o diploma — disse Cardoso.
De acordo com Cardoso, as condições dos médicos cubanos no programa do governo federal têm sido “análogas à escravidão”. Cardoso disse que a médica Ramona Rodrigues está com medo de permanecer no país. Segundo nele, a Polícia Federal a procurou no abrigo onde ela permanecia. Cardoso afirmou que a própria médica poderá atender médicos que procurarem ajuda. Para os médicos estrangeiros "em situação de risco no Brasil", a AMB disponibiliza ajuda pelo telefone (11) 97078-4610 ou pelo e-mail medicoestrangeiro@amb.org.br.


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2 comentários:

almira reuter disse...

Em que ponto chegamos. Olha que foi aquela batalha para o Governo não fazer isto, e ele não ouviu a aclamação dos médicos e do povo. È uma vergonha o que está acontecendo, ainda bem AMB está até com telefone a disposição para ajudar. Que falta de responsabilidade deste Governo.

Juliano Carvalho disse...

Este programa eleitoreiro e cheio de mistério nas entre linhas, sem duvida é mais uma manobras destas corjas do PT de lesar o cidadão brasileiro.