quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O BRASIL DOS SONHOS , EMPREGOS PARA OS CHEFES DE FAMILIA

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O BRASIL DOS SONHOS

COLUNA- EM TEXTOS DO AUTOR




O BRASIL DOS SONHOS
O Mundo moderno caminha a passos largos para a elevação do desemprego e o aumento das doenças desocupacionais.

Com este preâmbulo , que parece mais uma invenção do autor ou até mesmo um ato irresponsável,  procurarei centrar o pensamento e chamar a atenção para um futuro não muito distante.

O homem nasce e cresce no intuito de perpetuar a espécie, para isso passa por um período de aprendizado que é peculiar à raça humana sempre no aprimoramento do intelecto em substituição à força motora.

Neste  mundo moderno, diferente do mundo anterior,  quando os músculos falavam mais alto , onde dominavam os mais troncudos, os mais valentes , os mais musculosos, aos poucos o cérebro foi tomando espaço e na escala da evolução passou a predominar, fazendo com que o homem fosse medido pelos pensamentos, pelas ações e pelo intelecto.

Com esta evolução, o aperfeiçoamento cerebral fez com que o encéfalo passasse a dominar, trazendo a comodidade de trabalhar menos para o seu sustento.

Naquela época se fazia necessário o trabalho ininterrupto e duro para a obtenção apenas do pão, não se falava no intelecto, o importante era a sobrevivência da matéria, da massa, do corpo.

Nos tempos atuais e modernos, com a necessidade cada dia menor da força na execução das tarefas, o homem foi substituído pelas máquinas, e  como uma máquina passou a conviver com movimentos repetitivos  na manipulação dos  líquido e gases poluentes, nas engrenagens, nas manivelas  que geram múltiplas doenças ocupacionais,  sucateando-o. 

Com a revelação destes infortúnios, a indústria sucateadora de seres humanos banida dos países dominantes pousaram nos periféricos , instalaram as suas parafernálias em regiões metropolitanas, contaminando as reservas naturais ,  distanciando o trabalhador por mais de 14 horas e por mais de 50 quilômetros de distancia do seio familiar e da vida social, tendo como álibi eliminar o desemprego , matar a fomer, propiciar conforto com a criação de escolas, saúde para toda a família e criar um mercado consumidor para manterem vivo a saga do lucro e da concentração do Capital.

Nasceu nesta época as grandes empresas de transportes, as grandes construtoras, as empresas de saúde de grupo , promovendo o famigerado êxodo rural, desabitando as terras , matando a agricultura de subsistência , causando um verdadeiro facetamento da família.

Os primeiros operários hoje pagam caro por trabalharem anos após anos sem uma proteção adequada, muitos mutilados, cegos, surdos e com miríades de patologias ocupacionais.

O exercício da cidadania foi conquistado em 1938 com Getúlio Vargas , reforçada em 1943 com o mesmo Getúlio e em 1946 com o governo Dutra, abalado com o governo da revolução em 1964 , reaparecendo 20 anos depois com a luta operária no Estado de São Paulo, tendo como um dos baluartes um torneiro mecânico que mais tarde se tornaria o primeiro operário a ocupar o mais alto cargo da nação, a Presidência da República.

O tempo passou, com ele a modernização mecânica foi velozmente substituída pela eletrônica e a informática , que junto à robótica passaram a dominar.

Os humanos das décadas passadas se perderam no  tempo, cansados pela sobrecarga e pelas horas dentro de conduções na tarefa ir e vir, na procura do pão de cada dia perderam o laço familiar e passaram a funcionar como uma máquina em decadencia , exigente e que necessita de multipla manutenção, principalmente no viés psiquico, o homem entrou em decomposição social  .Veio a globalização.

Hoje o padrão humano de desgaste não guarda diferenças em relação ao  físico e à mente, com a multiplicação dos movimentos repetitivos e a hibernação dos neurônios pensantes , necessários apenas nas cabeças dos donos do Capital, no além mar, surgem exércitos de deficientes multiocupacionais ,  que abandonados pelo Capital selvagem  e à procura de proteção  peregrinam pelos institutos governamentais, o diferencial é que  naquela época apesar da falta do  progresso, o  sucateamento que existia era menor, a seguridade social, a alimentação, o transporte , a  escola e a saúde eram  para todos os componentes da família, pois o operário até o ano 1998 era o provedor mor  , o contratado era o pai e em cascata eram pulverizados os benefícios como    plano de saúde e educação   para todos os componentes da família, muitas vezes até para os seus genitores. 

Naquela época   os salários eram para sustentar a família com toda a sua complexidade na compra dos mantimentos e dos bens de consumo doméstico,   hoje o homem não é prioridade,   o emprego  é terceirizado e sem   garantia, o contrato é avulso, é precário,  o homem virou uma    máquina  descartável, como  eram os escravos no século 18,  que labutavam por mais de 16 horas por dia até a exaustão  , que o digam os funcionários das minas e  da saúde, inclusive os médicos.

Hoje o operário é o filho, aquele jovem que não tem família atrelada , aquele que não adoece, que come mal, que não tem compromisso familiar, que não tem despesas com o lar, que não transfere nenhum direito social aos componentes da família, é um trabalhador avulso, que não tem transporte digno e o que percebe é apenas para alimentar o pequeno e estreito sonho de consumo do mundo moderno, como motos, celulares, bebidas , roupas e todas as parafernálias eletrônicas, num gasto egoísta e pessoal, quiçá nos mais ajuizados na transferência quase total dos ganhos para uma Faculdade particular , que muitas vezes em nada melhorarão o seu futuro. O pior é leva  ao surrado operário pai, a pecha de preguiçoso, desocupado e oportunista, levando à baixa estima, à depressão e a perda do primeiro posto no seio familiar, o provedor,  transformando-os em verdadeiras sucatas, em alcoólatras e doentes por não possuírem ocupação, são as doenças desocupacionais.

Que venham as fábricas com todo o seu progresso, que apareçam os empregos mesmo com as suas ressalvas produtivas sem esquecer o social, mas, que empreguem os pais,que empreguem os chefes de famílias,  que elevem as suas estimas e resgatem a dignidade familiar, núcleo mor de uma civilização avançada . 

Que o progresso e o emprego  transformem estes jovens em homens aprendizes , proporcionando ensinamentos profissionais em todas as áreas, notadamente nas áreas do pensamento e da criatividade , sedimentado na prática , na ética e na cidadania, assim , quem sabe, com muito trabalho o Brasil do futuro e  dos sonhos poderá ser realidade.

Salvador, 28 de Janeiro de 2001

Iderval Reginaldo Tenório

SOBRAMES -BA

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