quinta-feira, 10 de agosto de 2017

JUVENTUDE PERDIDA/ NUMA PENITENCIARIA


                                                                  

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JUVENTUDE PERDIDA/
 NUMA  PENITENCIARIA

Vaticino que quem acabou e detonou o país foi a falta de escola até os dezoito anos, foi a ausência do Estado no ensino fundamental de qualidade  para todas as classes sociais, foi a vacância do Estado na formação Técnica dos seus jovens, foi o incentivo ao consumo  sem lastro e a não preparação  da juventude  para enfrentar a vida após os dezoitos, quando realmente ela começa com todo o seu pulsar, com todo o seu rompante testosterônico e estrogênico.

  Sem a escola , sem a caneta, sem o livro e sem a ética dos abnegados professores , as armas de fogo ou branca , os roubos e os assaltos  serão os ensinamentos, serão os seus afazeres .   Sujo será o futuro, o futuro de um povo. 

 Passamos no governo 14 anos e nada foi feito por estes jovens, pisamos na bola, merecemos castigos , deveremos dar as mãos à palmatória, o nosso governo não tem defesa, não merece gratuitamente  o perdão, muitas juventudes foram roubadas, muitas vidas foram ceifadas, sem rumo e sem prumo a juventude tomou um equivocado  caminho e caiu na vala comum, na vala da marginalidade e da  ausencia da cidadania , muitas vidas foram perdidas e assim continuarão.  .

O Brasil precisa mudar o modus de educar,  em vez de priorizar o Ensino Superior, verdadeiras fábricas de desempregados, verdadeiras arapucas, precisa olhar para a sua desamparada juventrude . 

Sem base , aos trancos e barrancos priorizou o ensino susperior e o consumismo, alimentou     a destruição e a falencia da família por intermédio das diversas mídas, incentivou a desobediencia aos pais e criou os artificiais estatutos  desestruturando o convivio entre os seus membros, quando deveria priorizar o Ensino Fundamental  de Qualidade para todos, para todas as classes sociais.   Um ENSINO FUNDAMENTAL COM ISONOMIA  EDUCACIONAL, COM RESPEITO AOS PROFESSORES, AOS  GENITORES E AO CONVIVIO SOCIAL . 

 A JUVENTUDE IMPLORA POR ESTE DIA, CHORA PELO SABER. 

Iderval Reginaldo Tenório


                                   
                SEU QUINCÓ E O PRESIDIÁRIO

JUVENTUDE PERDIDA NUMA  PENITENCIARIA

O mestre Quincó ao  visitar uma penitenciaria, tipo colonia agrícola,   e dialogar com uma variedade de moradores, ficou  impressionado com a  sabedoria de alguns e pelos ensinamentos lá adquirido,

Relata que um  velho de barba branca, cabelos longos e rabo de cavalo , tatuagem  de um dragão cuspindo fogo em ambos os deltóides, voz  rústica, arrastada e encatracada, pouca leitura , pele  encolhida, olhar perdido e sem direção com ele confabulou.

Aduz o  mestre , que o velho após  um bom papo, olhou para o mundo, mirou  o infinito, lá onde o céu se encontra com a terra ou com o mar , com um cavador na mão e escanchado no ombro um pesado bornal de lona amarela   cheio de grampos e  martelos, um pé de cabra para esticar arames , mãos grossas e cheias de calos justo falanges proximais e unhas com as pontas escuras aparadas à faca cega, olhou para o sol fechando e abrindo os olhos devido a sua  claridade, enxugou o suor que caia sobre a ressecada tez, falou com a sua rouca e entrecortada voz, quase gutural, fazendo careta com os músculos da face .

Pausadamente como encatracado deixa sair da banguela boca estas saudosas palavras.

___Di qui adianta viver num mundo como esse, de qui adianta?! O mundo pra mim num tem sentido, vivo cá há 26 anos, num tenho mué, num tenho pai, num tenho mãe, num pissuo fios e nem amigos, a vida é só drumir, acordar, comer, cagar , cavar buraco e insticar arame, num tem sentido:  drumo,  acordo, como, cago,  cavo buraco e dispois, dispois moço   vou insticar arame, num tem sentido.

Parou um pouco , tirou o chapeu em respeito ao interlocutor e soltou estas afirmações

___ Moço, quando ainda muito novo, quando minino não tinha escola prus pobres , só prus ricos ,  os pobres iam trabaiar e os ricos iam pra escola, muitos dos meus amigos de infança , lá do meu interior  estão nas capitais e nas cidades , uns tem cumercio, outros são doutores, professores e homens de sucesso, eu aqui , aqui perdido neste pardieiro, neste fim de mundo  como cachorro vira-lata abandonado, se o gunverno tivesse oiado pra nós , si tivesse dado ensino bom, ensino de qualidade  até ficar taludim a coisa e a vida seria outra ,  quem aprende arguma profissão dispois si vira moço, dispois si vira , moço esta cantilena vai continuar por muitos anos, o gunverno num quer qui o povo aprenda não moço, ele quer que o povo continui besta, inquanto mais besta mió pru gunverno, invez di fazer penitenciára, devia fazer era escola, divia fazer era escola.

Parou de balbuciar estas palavras, olhou para o sol a pino, coçou a cabeça, colocou o seu chapéu de palha, pôs o cordão por debaixo do queixo , arregaçou as mangas da grossa camisa  cinza do mais puro  brim, aberta até o umbigo e falou  resmungando para si e para o mestre Quincó  com pausas  entre as palavras. O mestre ficou  boquiaberto com o seu fechamento:

___Hum!,   qui dureza!,   afe!   qui  sóle quente ,  já comí,  já caguei,   já cavei meus buracos  e agora meu  sinhor    , vou insticar  arame.

E com o tom da voz cada vez mais baixa foi falando, abaixando a voz  e se afastando:

____Vou insticar arame , vou insticar arame  .hum! inté mais. inté.

Saiu à procura de arames farpados soltos e de estacas carcomidas pelos cupins , estacas prestes a serem substituídas.

Indiferente e claudicante sumiu beirando a cerca, puxa aqui , puxa alí, uma martelada , um grampo que cai, um grampo que se perde, um resmungo, uma cusparada, uma  estaca frouxa, mole quase a cair e lá vai o velho cheio de desilusão acostumado com a vida recebida e agora em consumo.

Come depois descome, cava buraco , estica arame, olha para o sol, enxuga a testa, bota a mão no bornal, dá uma martelada, assoa o nariz, estica a coluna com as mãos nos quartos , coça as nádegas e continua a deambulação . 

É a sua rotina , é a vida .

 Salvador, 21 de abril de 1998

 Iderval Reginaldo Tenório-  




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