O
REBENTO
CAPITULO I
Ao sentir as vibrações do
mar no qual mergulhava, pressentia que não estava só. Sentia que além do escuro casulo, das rajadas que sopravam o seu corpo e o presente tum tum tum, existia algo sublime. Existia outro mundo distante do seu, jurava que se achava seguro no seu pequeno, morno e
aconchegante ecossistema.
Observava que diariamente, o seu mundo ficava menor
ou ele estava crescendo e algo sobrenatural, ao seu ver, afagava
o seu dorso, abdômen, face, corpo e o esboço do cérebro.
Notava que com o passar do tempo, ouvia ruídos diferentes dos confortantes tum tuns e passou a decifrá-los. Eram sons de cordas vocais, os noturnos sempre os mesmos, os diurnos, variados.
Enquanto o casulo ia ficando apertado, iam surgindo novos sons e misturados. Sons não humanos como latidos, miados, relinchos, metais, tambores, pratos, surdos, sopros e vozes, todos transportados pelas ondas das águas do oceano, no qual encontrava-se mergulhado. Aos poucos foram
apurados pelos seus ouvidos, impregnados na tênue massa cinzenta e familiarizados.
O interessante é que eles sozinhos ou
em conjunto, faziam bem ao seu neófito
encéfalo, organizavam os pensamentos, traziam tranqüilidade e um lampejo de paz.
CAPÍTULO II
Num
belo dia os sons sumiram, o mar secou, abriram as
cortinas e uma claridade invadiu o ambiente, caiu num mundo novo e desconhecido. Os tum-tum-tuns silenciaram,
as rajadas desapareceram e lá estava ele envolvido em macias plumas. Olhos semi abertos e narinas a captar odores. Destaque a dos dois que revelam os seus genes e que levará até os últimos dias de sua vida.
As vozes noturnas, que o acompanhou por nove meses, estava agora ao seu lado. Os baticuns de outrora e que nunca o abandonaram, agora
encostados aos seus baticuns.
Circulando no novo e claro casulo, diversas vozes, como também as suas velhas, constantes e
conhecidas sintonias: Bach,
Beethoven, Mozart, Vivaldi, Gonzaga, Belchior, Ivone
Lara, Kathleen Battle, Nana Mouskouri e Bob Dylan. Sons a encherem os ouvidos, encéfalo, a vida, a alma, a consciência e a empregnarem-se no subconsciente.
Neste dia mudou de casulo no mesmo mundo, porém noutro ecossistema, no mesmo planeta, sistema, galáxia e universo. Neste dia consolidou a vida
junto à sua família. Neste dia, iniciou a sua autonomia para com a sua vida, neste infinico casulo, o MULTIVERSO com as suas complexidades.
( O REBENTO)
Iderval Reginaldo Tenório
5:24
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YouTube · Belchior - Topic · 20 de jul. de 2018
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