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sexta-feira, 24 de julho de 2026

COMO SURGIU O SÃO JOÃO, SEGUNDO SEU ZÉ TOTÔ

 

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Reviva a Magia do São João na Roça

           Como surgiu o São João, segundo seu  Zé Totô

Relata seu Zé que anos atrás, três irmãos: Toinho, Joãozinho e Pedrinho,  na Serra do Araripe, inventaram uma brincadeira e deram o nome  de Noite   de São João.

Trabalhavam o dia inteiro na roça de segunda a sexta e no sábado iam para a vila fazer  compras. Domingo era dia de descanço.

Num belo domingo ensolarado tiveram uma ideia e inventaram uma brincadeira.

Carregaram lenha o dia inteiro, o pai providenciou carnes, batatas e milho verde, a mãe e as irmãs fizeram bolo, aluá, café e chá. Foram até um sítio no Exú, pois lá morava um agricultor que tocava sanfona Pé de Bode, chamado Januário e o convidaram para tocar, ele trouxe  a  família inteira, montada numa tropa de jumentos.  

Todo o povoado tomou conhecimento. Á  noite ascenderam uma fogueira e começou o fuzuê até amanhecer o dia. 

Toinho inventou  a brincar de casamento, o Joãozinho de batizado e o Pedrinho é que mandava o povo entrar pra brincar. Foi assim que surgiu o São João.

Muitos foram os casamentos e os batizados na redondeza. Devido a inteligência  do Pedrinho,  todos ficaram conhecidos na região. A festa foi tão boa que   todos os anos era realizada.  

Os comentários invadiram toda a região e depois  todo o Nordeste. Escolas,  clubes,  fazendas  e até as residências comuns passaram a fazer a festa. Muitos queriam aprender a tocar sanfona. Tocador tinha cartaz e arranjava muitas namoradas. A juventude e a igreja aguardavam o ano inteiro e a cada ano a festa foi aprimorada.  

Jackson do Pandeiro que não é besta, falou com os três irmãos e solicitou o direito de compor e cantar uma música com este tema, prontamente  permitido. 

Diz seu Zé Totô que neste dia estava na festa, dançou a noite toida,  foi batizado e ficou compadre de seu Januário. Comeu  bolo de puba com café e aluá de abacaxi, não era permitido cachaça, a festa era de família. 

Conheceu Zefinha, a irmã dos meninos, o casamento foi celebrado por Toinho, os batizados por Joãozinho e o Pedrinho fazia as cobranças. Hoje é pai de 18 filhos,  uma ruma de netos e bisnetos. 

Lembra como se fosse hoje uma história contada por Dona Santana, a esposa do velho Januário. Foi contada na última festa na casa do vaqueiro Raimundo Jacó, seu sobrinho, em Serrita. 

Dona Santana contou que tem um filho que toca sanfona e que fugiu de casa por causa de  surra que ela deu nele. 

O bicho queria matar um grande amigo e professor do Exu por causa de um namoro.  Falei braba com ele: " Nossa famia não pode ter assassino cabra safado" e baixei o reio de couro cru no seu espinhaço, ele correu e na saída  pensava que Januário ia defender, o velho emendou e ele saiu catando ficha, neste dia dormiu nas capoeiras

No outro dia mentiu dizendo que tinha achado um samba para tocar no Crato. Saiu cedinho, nós o abençoamos, vedeu a sua sanfona, pegou um caminhão que passava na Serra,   se  escafedeu no mundo e não mandava noticias. Só apareceu  numa madrugada  20 anos depois. Safonona bonita, vestido na casimira, gordo que só um major, dirigindo  um carrão. 

Bateu na porta, Januário com um candeeiro aceso na mão não reconheceu. Ele disse que era o seu filho que tinha fugido. Januário não  contou conversa e falou: "Isso é hora de chegar em casa seu corno". 

O velho acordou todo mundo, era noite de lua, filhos como diabo. Foi  uma madrugada de alegria  e festas durante 15 dias. Aquele menino amarelo, zaroe, buchudo, franzino, zambeta,  cabeça de papagaio, feio pra peste, era o agora  Rei do Baião, o homem que deu alma e identidade ao povo nordestino.

Não sabe precisar a data, acha que foi por volta de 1947, pois tem lembranças que naquela época,  acontecia uma guerra  política muito grande por causa do Getúlio Vargas, que foi exopulso do governo pelo exécito.     

Assim contou seu Zé Totô. Disse também  que na Serra do Araripe todo mundo sabe desta história.  

Iderval Reginaldo Tenório                

Zé Totô foi um grande contador de historias e leitor de Horóscopos  da Serra do Araripe. Lia todos os Almanaques impressos no Brasil dos anos 50 e 60. Trabalhava com Papai, era um faz tudo e de tudo. Só contava histórias verídica e falava: "Não sou homem de mentira", só conto o que vi. Era a enciclopédia da região. Sabia ler mão, quando ia chover, quando aconteceriam os eclipses e se iria ter fartura, seguia literalmente o ditado:" Numa terra de cego, quem tem um olho é rei". Iderval Reginaldo Tenório


Provided to YouTube by The Orchard Enterprises Acenderam a Fogueira · Jackson Do Pandeiro São João Autêntico ℗ 1980 Jackson Do Pandeiro ...
YouTube · Jackson do Pandeiro - Topic · 9 de abr. de 2025


quinta-feira, 23 de julho de 2026

A Asa Branca 1947. HUMBERTO TEIXEIRA E LUIZ GONZAGA

                                                            




                                                    


                                                         A Asa Branca em quatro etapas

       

                                                          PARTE I- 1947. 

                                                           A ARRIBADA        

                                     HUMBERTO TEIXEIRA E LUIZ GONZAGA

O Nordeste Brasileiro,   esquecido e vilipendiado por mais de quatro séculos, guarda  segredos culturais, humanos  e riquezas  para o mundo. 

Caatinga   escaldada, desidratada, queimada pelo causticante sol, sacudido pelas  lufadas dos ventos quentes e que reflete os raios solares como miragens, mimetizando espelhos  de lagoas e tendo o céu azul  cristalino  como teto.

Bioma documentado por   Raquel de Queiroz, em o Quinze e Graciliano Ramos, em Vidas Secas

Ecossistema que   guarda  mistérios, como reverberaram   o carioca Luiz Carlos Pereira de Sá, o Sá, e o  baiano, da cidade de Barra, Guttemberg Nery Guarabyra Filho,  o Guarabyra, em 1977, no clássico,  O Sertão Vai Virar Mar, vaticinado pelo cearense de Quixeramobim,  Antônio Conselheiro, líder da  Guerra de Canudos,  que aconteceu de  1896 a 1897, na Bahia, estraçalhada pelo Exercito Brasileiro   no governo de Prudente de Moraes.

Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, os genitores  do baião,  fizeram  parceria para documentar o Nordeste. 

Queriam um símbolo fidedigno, que representasse a alma de um povo sofrido, e que o orientasse  na seca,  fome,  cheias  e  farturas. Estavam  comprometidos e jurados, pelo destino,  a compor uma obra musical irretocável. 

Pensaram  qual seria a figura viva  nordestina,  que poderia ser o seu símbolo e quais os acordes a serem  entoados.  

Não foi difícil para os dois gênios. Num estalo celestial, o predestinado   pernambucano da Serra do Araripe, da cidade do Exu, Luiz Gonzaga, explanou para o experiente advogado, o cearense  de Iguatu, Humberto Teixeira.  

Assim se manifestou o  iluminado sanfoneiro, filho de Santana e Januário, aquele que tirou o Nordeste da invisibilade.

" Dos seres vivos, da fauna nordestina,  é o pássaro ASA BRANCA,  o animal que prevê e foge da seca, e sabe quando ela terminará. 

Foge do sertão nas épocas do estio e volta nas grandes aguadas.  Foge da fome, do tédio e da tristeza, retorna nas chuvas, na alegria e na fartura, é o maior orientador deste povo".  

Foi prontamente aceito, e com os olhos a marejarem,  se abraçaram. 

Ao mesmo tempo,  Humberto matutava o outro tema, os acordes, a melodia. Fechou os olhos, apurou o cérebro, foi fundo, puxou pela   mente  e falou para o predestinado. 

"Existe uma música  folclórica, de domínio  popular, cantada  há mais de 200 anos e que  a melodia  continua viva na memória do povo, e é transmitida de geração em geração". 

Cantarolou,  de boca fechada, o gemido encravado na mente, e  lá do fundo, guturalmente, veio brotando e aflorando com toda a   força da natureza, a melodia regional, plantada e replantada  de geração em geração, e que, recuperada e com  refinamentos nos acordes, seria plantada em solo fértil  para toda a nação. 

O Luiz cerrou os olhos e viajou no tempo. Foi  fundo na memória,  resgatou  da seca de 1918, quando estava com 06 anos de idade, os episódios hibernados na mente, quando saboreava  mingau  da massa da mucunã, reforçada com massa do jatobá para saciar a fome.  

O abraço foi reforçado e os lenços  insuficientes para enxugarem as lágrimas dos dois sobreviventes, genuínas  Asas Brancas.

A  ASA BRANCA  foi oficializada, como  a representante do nordeste e a centenária melodia, o seu lamento. Juntos,  criaram a música Asa Branca, considerada a alma e o hino  do Nordeste.

Em pleno ano de sofrimento e dificuldades, 1947, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, autores de Baião,  Juazeiro, Respeita Januário e Meu Pé de Serra  conseguiram documentar o  êxodo do Nordestino  para o Sul, utilizando como símbolo a Asa Branca e as suas propriedades meteorológicas.  

Foram ao âmago de cada um, e aos prantos, documentaram com fidedignidade um povo, com  a pérola  ASA BRANCA. 

Ali nascia um mistério real, mostrando para a eternidade  o sofrimento, o labutar, a coragem e o quanto é forte  o homem do Nordeste brasileiro.

 

           Iderval Reginaldo Tenório

 

                                                 Posfácio

 

Luiz Gonzaga e os seus parceiros  foram os maiores documentadores dos fatos brasileiros, o país está retratado nas suas obras.  

Mais de 1000 músicas gravadas, mais de 100 LPs próprios, participação em mais de 1000 de outros artistas.  

Cada episódio, cada cidade, cada amigo, cada momento e cada povo está pinçado, ovacionado, registrado, imortalizado e reverberado na mais autêntica voz do Brasil, LUIZ  GONZAGA DO NASCIMENTO, o imortal rei do baião, um gênio que nunca desafinou.

" Vai, boiadeiro, que a noite já vem

Guarda o teu gado e vai pra junto do teu bem"

Klecius Caldas / Armando Cavalcante

 Luiz Gonzaga - Asa Branca (Rei do Baião) - YouTube

Vídeo para asa branca 2:56 2:56

 

Asa Branca

Compositores: Humberto Teixeira / Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga

Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação 

Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por falta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão 

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas légua
Numa triste solidão…

Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar ai pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração


Para onde vai a sociedade brasileira? O que mudou?

 

                                              .

Vivemos em uma SOCIEDADE DOENTE...!

            Para onde vai a sociedade  brasileira?

que mudou?

Na formação com os nossos pais ouvíamos que o homem tinha que ser honesto, solidário e  verdadeiro.

Hoje prega-se a mentira, desonestidade, ódio e  maledicência.

A mulher, esta pérola,  atuava com tanta lisura, que os filhos seguiam os seus ensinamentos sem pestanejar, uma vez que, é a mulher o bastião moral de uma família e leva enfileirada todas as suas gerações. Ao homem, além formação moral, cabia  a propriedade laboral para sustentar a  família.

Trabalhos mostram que a mãe é o espelho mor da família. Sendo ela  exemplar,  o comportamento duvidoso  do pai  pouco influenciará  na formação ética dos filhos.  Sendo os dois examplares, só a excessão tomará rumo deletério à sociedade. 

 

O que mudou? 

Mudou o modelo das famílias e que muitos ainda não entenderam.

A mulher se profissionalizou e passou a assumir outras propriedades. Uma das mais  importantes foi o sustento da família, muitas vezes sozinha, o que levou ao afrouxamento da educação dos filhos. Estes passaram a ser da responsabilidade do Estado Laico,  da sociedade desastida, dos gestores  e menos da mãe.  

Aos poucos foram perdendo a ligação com a mãe e ganhando propriedades artificiais dos códigos disciplinares, todos do imaginário humano e sob os ditames das leis, inclusive nos primeiros anos de vida com as creches. A formação e a família   passaram para  a seára cartorial. 

A mulher ganhou independência financeira, cognominada de crescer na vida e perdeu a autonomia na família. Tudo foi terceirizado.  A familia ficou sem rumo, sem prumo e sem raízes. 

Os  heróis deixaram de ser os genitores de primeira, segunda e terceira geração. Hoje esses heróis são  os artistas, os influenciadores e gestores públicos. Os consaguineos  passaram a ser conservadores e arcaicos.

A mãe ganhou na pecúnea e perdeu a liberdade, isto é,  o direito sublime de educar as crias. 

Hoje o importante não é a honestidade, a verdade e nem o respeito. As maiores virtudes são: dinheiro,  enganação,  mentira e o poder.

É uma sociedade doente. É uma ode a Lampião, Robin Hood,  Chi Jin Ping, Maduro, Ortega, Mao Tse Tung, Kim Jong-un, Putin, Khamenei e  semelhantes.

É o fim. É o sepultamento da Democracia. É a existência de muitos forjadores de idólatras que possuem técnicas infalíveis para fabricá-los, independente do nível financeiro, cultural e social, uma vez que mais de 80% dos seres humanos  são influenciáveis.   

Tem mais: na balança política, o Brasil está se aproximando demais dos regimes  DITATORIAIS. 

LEMBREM-SE DOS  KAMIKAZES DO JAPÃO E DOS SUICÍDAS DO AFGANISTÃO.

                 Iderval Reginaldo Tenório.

terça-feira, 21 de julho de 2026

A Asa Branca em quatro etapas. Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira, Zé Dantas, João Silva e Marcolino.

                                                                               



                                                    




                                                         A Asa Branca em quatro etapas

               Gonzaga, Humberto Teixeira, Zé Dantas, João Silva e Marcolino. 

                                                          PARTE I- 1947. 

                                                           A ARRIBADA        

                                     HUMBERTO TEIXEIRA E LUIZ GONZAGA

O Nordeste Brasileiro,   esquecido e vilipendiado por mais de quatro séculos, guarda  segredos culturais, humanos  e riquezas  para o mundo. 

Caatinga   escaldada, desidratada, queimada pelo causticante sol, sacudido pelas  lufadas dos ventos quentes e que reflete os raios solares como miragens, mimetizando espelhos  de lagoas e tendo o céu azul  cristalino  como teto.

Bioma documentado por   Raquel de Queiroz, em o Quinze e Graciliano Ramos, em Vidas Secas

Ecossistema que   guarda  mistérios, como reverberaram   o carioca Luiz Carlos Pereira de Sá, o Sá, e o  baiano, da cidade de Barra, Guttemberg Nery Guarabyra Filho,  o Guarabyra, em 1977, no clássico,  O Sertão Vai Virar Mar, vaticinado pelo cearense de Quixeramobim,  Antônio Conselheiro, líder da  Guerra de Canudos,  que aconteceu de  1896 a 1897, na Bahia, estraçalhada pelo Exercito Brasileiro   no governo de Prudente de Moraes.

Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, os genitores  do baião,  fizeram  parceria para documentar o Nordeste. 

Queriam um símbolo fidedigno, que representasse a alma de um povo sofrido, e que o orientasse  na seca,  fome,  cheias  e  farturas. Estavam  comprometidos e jurados, pelo destino,  a compor uma obra musical irretocável. 

Pensaram  qual seria a figura viva  nordestina,  que poderia ser o seu símbolo e quais os acordes a serem  entoados.  

Não foi difícil para os dois gênios. Num estalo celestial, o predestinado   pernambucano da Serra do Araripe, da cidade do Exu, Luiz Gonzaga, explanou para o experiente advogado, o cearense  de Iguatu, Humberto Teixeira.  

Assim se manifestou o  iluminado sanfoneiro, filho de Santana e Januário, aquele que tirou o Nordeste da invisibilade.

" Dos seres vivos, da fauna nordestina,  é o pássaro ASA BRANCA,  o animal que prevê e foge da seca, e sabe quando ela terminará. 

Foge do sertão nas épocas do estio e volta nas grandes aguadas.  Foge da fome, do tédio e da tristeza, retorna nas chuvas, na alegria e na fartura, é o maior orientador deste povo".  

Foi prontamente aceito, e com os olhos a marejarem,  se abraçaram. 

Ao mesmo tempo,  Humberto matutava o outro tema, os acordes, a melodia. Fechou os olhos, apurou o cérebro, foi fundo, puxou pela   mente  e falou para o predestinado. 

"Existe uma música  folclórica, de domínio  popular, cantada  há mais de 200 anos e que  a melodia  continua viva na memória do povo, e é transmitida de geração em geração". 

Cantarolou,  de boca fechada, o gemido encravado na mente, e  lá do fundo, guturalmente, veio brotando e aflorando com toda a   força da natureza, a melodia regional, plantada e replantada  de geração em geração, e que, recuperada e com  refinamentos nos acordes, seria plantada em solo fértil  para toda a nação. 

O Luiz cerrou os olhos e viajou no tempo. Foi  fundo na memória,  resgatou  da seca de 1918, quando estava com 06 anos de idade, os episódios hibernados na mente, quando saboreava  mingau  da massa da mucunã, reforçada com massa do jatobá para saciar a fome.  

O abraço foi reforçado e os lenços  insuficientes para enxugarem as lágrimas dos dois sobreviventes, genuínas  Asas Brancas.

A  ASA BRANCA  foi oficializada, como  a representante do nordeste e a centenária melodia, o seu lamento. Juntos,  criaram a música Asa Branca, considerada a alma e o hino  do Nordeste.

Em pleno ano de sofrimento e dificuldades, 1947, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, autores de Baião,  Juazeiro, Respeita Januário e Meu Pé de Serra  conseguiram documentar o  êxodo do Nordestino  para o Sul, utilizando como símbolo a Asa Branca e as suas propriedades meteorológicas.  

Foram ao âmago de cada um, e aos prantos, documentaram com fidedignidade um povo, com  a pérola  ASA BRANCA. 

Ali nascia um mistério real, mostrando para a eternidade  o sofrimento, o labutar, a coragem e o quanto é forte  o homem do Nordeste brasileiro.

 

 

                             PARTE II -1950- O RETORNO

                             A VOLTA DA ASA BRANCA

                         JOSÉ DANTAS E LUIZ GONZAGA 

O tempo passou, as chuvas  voltaram, o capim e as babujas renasceram, os pássaros cantaram, os sapos e as rãs coaxaram,  e a   Asa Branca ouvindo o ronco do trovão, retornou ao seu lar, numa salva de alegrias,  bucho cheio, água em abundância e muita esperança. 

Com este cenário, o médico pernambucano, de Carnaíba e dos sertões do Pajeú, José  Dantas, autor de Xote das Meninas, Acauã, Sabiá, Riacho do Navio,  Samarica Parteira e Vozes da Seca   escrevinhou A VOLTA DA ASA BRANCA. 

Tudo verde, tudo belo e muita fartura na Chapada do Araripe, da Borborema,   nos sertões do Pajeú, do Seridó, no  Cariri Cearense, no Cariri Paraibano e  em todos os recantos nordestinos.

Isto foi em 1950, para 02 anos depois, a Asa  Branca anunciar mais um período de seca, mais um período  para  esturricar o sertão e iniciar mais um êxodo à procura do  DICOMÊ. 

Sabe o sertanejo, que um ano de seca, consome  dez anos de fartura, está aí a segunda fase do Rei Luiz a cantar o seu sofrido povo e a sua esturricada terra. 

 

      PARTE III- 1983-   O PROJETO ASA BRANCA

        A IRRIGAÇÃO, A ÁGUA PARA O NORDESTE.

   JOSÉ MARCOLINO E LUIZ GONZAGA 

Em 1978, indicado pelo Presidente Ernesto Geisel, o Dr. Marcos Maciel  conduziu   o  Estado  de Pernambuco, como governador biônico. Este  prometeu ao  Luiz Gonzaga, água para o povo sofrido da Chapada do Araripe e criou o Projeto Asa Branca. 

 Para homenagear e documentar o fato,  o Luiz, junto ao  paraibano de Várzea Paraíba, distrito de São Tomé,  hoje município de Sumé, José  Marcolino Alves, autor de Numa Sala de Rebôco, Cacimba Nova, Quero Chá, Cantiga do Vem-vem e Pássaro Carão  lançaram em 1983 a música  PROJETO ASA BRANCA.

 

     PARTE IV. 1984 -A RODOVIA ASA BRANCA

UMA ESTRADA ASFALTADA PARA O EXÚ, BODOCÓ E OS SEUS SERTÕES.

JOÃO SILVA E LUIZ GONZAGA

João Silva, pernambucano de  Arcoverde,  autor de Nem se despediu de mim, Tá Danado de Bom, Pagode Russo, De fiá Pavi  e Viva meu Padim,  o maior parceiro do  Luiz da era moderna, o período  pós êxodo.

O João  que vivia ao  lado do rei, como vivia o  Dominguinhos,  resolveu, junto ao Rei, documentar a chegada do asfalto na terra de seu  Luiz. 

Dos anos de 1984 a 1986, o Governador do Ceará, LUIZ GONZAGA DA FONSECA MOTA e o  Governador  de Pernambuco, Roberto Magalhães Melo resolveram pagar uma dívida ao maior símbolo  musical do Nordeste. 

Para este intento decidiram asfaltar o trecho que vai  da Cidade do Crato, no Ceará,  ao Exu em Pernambuco, mais de 80 quilômetros, cortando a Chapada do Araripe, hoje patrimônio da humanidade.

 A esta estrada deram o nome- RODOVIA ASA BRANCA e coube a João Silva compor a música Rodovia Asa Branca, imortalizada na voz mais nordestina dos nordestinos, o filho de seu Januário e de dona Santana, Luiz Gonzaga do Nascimento.

 Estes episódios mostram, que a    arte é  uma das melhores maneiras de documentação desde os primórdios do mundo. É de alvitre saber que foram os cordelistas, os repentistas e os pequenos escritores que documentaram mais de mil anos da história da humanidade. Vide o cangaço, o Padre Cícero, as grandes batalhas e os diversos fatos que hoje são resgatados com precisão, no Brasil e no mundo. 

Conheça o Rodolfo Coelho Cavalcante, Otacílio Batista, Geraldo Amâncio, Patativa do Assaré, Pedro Bandeira de Caldas, Bule Bule,  Ivanildo Vila Nova e outros monstros do repente,  pulverizados em todo o Nordeste.

Luiz Gonzaga foi o maior documentador e documentarista dos fatos brasileiros. O Brasil está retratado nas suas obras. Cada episódio, cada povo, cidades, amigos e costumes  estão pinçados e reverberados na mais equilibrada e suave voz do Brasil, a do imortal  LUIZ GONZAGA DO NASCIMENTO.

Cinco imortais de peso. Luiz Gonzaga, Zé Datas, Humberto Teixeira, João Silva  e José Marcolino. Dentre eles, um gênio,  filho das cidades do  Exu,  Crato e de  Juazeiro do Norte, terra do Padre Cícero,  meu Padim,  o santo dos sertões. Gênio que resgatou a cidadania de um povo, o tirando da invisibilidade da vida, Luiz Gonzaga do Nascimento, o pernambucano do século.

Um pássaro, uma chapada, a seca, a chuva, uma estrada e depois a irrigação. Estes fatos, acontecidos no Nordeste Brasileiro, foram documentados  com o  nome ASA BRANCA por cinco nordestinos de valor, considerados pelos mesmos, verdadeiros   sobreviventes. 

           Iderval Reginaldo Tenório

 

                                                 Posfácio

 

Luiz Gonzaga e os seus parceiros  foram os maiores documentadores dos fatos brasileiros, o país está retratado nas suas obras.  

Mais de 1000 músicas gravadas, mais de 100 LPs próprios, participação em mais de 1000 de outros artistas.  

Cada episódio, cada cidade, cada amigo, cada momento e cada povo está pinçado, ovacionado, registrado, imortalizado e reverberado na mais autêntica voz do Brasil, LUIZ  GONZAGA DO NASCIMENTO, o imortal rei do baião, um gênio que nunca desafinou.

" Vai, boiadeiro, que a noite já vem

Guarda o teu gado e vai pra junto do teu bem"

Klecius Caldas / Armando Cavalcante

 

 

Asa Branca

Compositores: Humberto Teixeira / Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga

Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação 

Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por falta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão 

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas légua
Numa triste solidão…

Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar ai pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Luiz Gonzaga - Asa Branca (Rei do Baião) - YouTube

Vídeo para asa branca 2:56 2:56

www.youtube.com/watch?v=cWiJL0_yj9c

  

A VOLTA DA ASA BRANCA -

 Zé Dantas e Luiz Gonzaga

 

Já faz três noites
Que pro norte relampeia
A asa branca
Ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas
E voltou pro meu sertão
Ai, ai eu vou me embora
Vou cuidar da prantação 

A seca fez eu desertar da minha terra
Mas felizmente Deus agora se alembrou
De mandar chuva
Pr'esse sertão sofredor
Sertão das muié séria
Dos homes trabaiador

Rios correndo
As cachoeira tão zoando
Terra moiada
Mato verde, que riqueza
E a asa branca
Tarde canta, que beleza
Ai, ai, o povo alegre
Mais alegre a natureza

Sentindo a chuva
Eu me arrescordo de Rosinha
A linda flor
Do meu sertão pernambucano
E se a safra
Não atrapaiá meus pranos
Que que há, o seu vigário
Vou casar no fim do ano.

Compositores: Luiz Gonzaga / Ze Dantas

Vídeo para AVOLTA DA asa branca 2:48 2:48

www.youtube.com/watch?v=whKGCQiD7iY

 

Rodovia Asa Branca

Luiz Gonzaga 

COMPOSIÇÃO -JOÃO SILVA


Eu vi um dia
Dois homens fazer um trato
De ligar Exu ao Crato
Pernambuco ao Ceará
O homem de cá
Trabalhou chegou primeiro
E o de lá também ligeiro
Num dançou eu chego lá

Olha o homem aí
É gente da gente
Olha o homem aí
Alegre e contente

Olha os homen aí
É o povo que diz
Olha os homen aí
Juntos com Luiz

Roda, rodada
Rodando, roda rodeia
Rodovia, Asa Branca
Tá todinha prá você

Olha o homem aí....

Rodovia Asa Branca - YouTube

Vídeo para RODOVIA asa branca 2:59 2:59

 

Projeto Asa Branca - YouTube

Vídeo para PROJETO asa branca 2:37 2:37

www.youtube.com/watch?v=NHkL54Gugjc

 

Projeto Asa Branca

Luiz Gonzaga/ ZÉ MARCOLINO

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Louvado seja Deus
Abençoada a canção
Louvado seja o homem
Que dá água pro sertão

Bendito foi o momento
De divina inspiração
Quando feita a conclusão
De um grande planejamento
Dia onze de dezembro
Do ano setenta e nove
Vem à tona e se promove
Uma idéia rica e franca
Marco Antonio Maciel
Criou o Projeto Asa Branca

Dia vinte e um de março
Data marcante, ano oitenta
Maciel num tempo escasso
Prevendo a seca cruenta
Na cidade de salgueiro
Promoveu o lançamento
Para o engrandecimento
Da terra em sua mensagem
Consagrou esse projeto
Pra salvação da estiagem

Parabéns sertão e agreste
Pela graça que hoje alcança
Com a cor da esperança
Toda a região se veste
Tantas obras preventivas
Por ele realizadas
Açude, barragem, estrada
Para comunicação
Prendendo as águas dos rios
Pela perenização