sexta-feira, 12 de junho de 2026

A GRANDE VIAGEM

 

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Viagem  no tempo.Uma  nunca deixa um filho no abandono.

A GRANDE VIAGEM  

Entrou  em interação com a natureza. Desligou  as lâmpadas, puxou as  cortinas,  abriu as  janelas e colocou  músicas eruditas,   só audíveis a olhos fechados.    Respiração em extremo silêncio,  incursões cadenciadas, compassadas e meticulosamente executadas. 

Deitou  numa  densa espuma   forrada com   uma  felpuda colcha branca,  aromatizada à patchouli. 

Concentrado, imóvel e em meditação  fechou os olhos, imaginou flutuar. À proporção que imaginava e se concentrava, paulatinamente  foi se afastando, flutuando e se desligando,  até sair totalmente da matéria.  Projetou-se no cosmo e  levitando,  mergulhou  no espaço sideral em sono profundo.

Tangenciando os planetas, um por um, vazou o sistema   solar, alcançou outras estrelas da via láctea. Atravessou  trilhões   de sistemas, da nossa galáxia, até mergulhar na escuridão intergaláctica. Passeando  por  bilhões de outras galáxias, atravessou o universo,  entrou  noutros  universos, passou a conhecer a imensidão  do cosmo e a infinitude do multiverso.

Longa foi a viagem,    uma volta através dos tempos.  Fez um verdadeiro regresso, chegou à primeira estação, 1914, choro de  criança. Era   18 de setembro, uma sexta-feira chuvosa, 5:30h da manhã,  naquele dia nascia uma menina,  mais um ser humano, mais uma semente para germinar e gerar outras vidas.

O vilarejo, a  casa e os aposentos  extremamente simples. Posicionou-se  no canto da sala ao lado de uma roseira, entravam e saiam pessoas, umas novas e outras mais velhas. Da cozinha vinha  um cheiro convidativo do verdadeiro café, torrado no caco e pisado no grande pilão, feito de tora de jatobá.  

O dia clareou, ninguém notou a sua presença, continuou no mesmo cantinho  ao lado do grande jarro observando o chegar, o sair, os sorrisos, os abraços e os cumprimentos das visitas. 

Choro de criança,  casa cheia, era  um dia de fartura,  muita comida, bebidas e  de   alegria. Tiros de bacamartes anunciaram a chegada de mais um rebento. O  levitante    no seu cantinho, silenciosamente  a observar, era um dia de festa. 

O sol apontou no horizonte, o orvalho salpicava  as folhas da densa e verde mata, os pássaros voavam e chilreavam alegres com a torrencial aguada da noite, os raios clarearam  o sertão. De repente, saiu pela porta do quarto, afagada e protegida  nos braços da parteira,   uma bela  menina, uma criança linda, cabelos lisos e pele cor de jambo. Chorava copiosamente, era uma criança chorona.  Ao chegar à sala, observou, olhou, arregalou os castanhos olhos e fixou os dois em cima do nobre visitante, só ela o enxergava.  Ao locomover-se,  a menina virava a cabecinha para onde ele se  deslocava,  sempre a sorrir. O dia foi passando.  Veio um  silêncio. A cena foi se desfazendo,  a luz foi cedendo espaço à penumbra, veio o luscofusco e anoitceu.  O mortal continuou a sua longa   viagem  no vasto espaço sideral,  no cosmo, no infinito  multiverso. 

Quarenta anos depois, entrou numa nova estação,  1954, 18 de março, quinta feira chuvosa,  7h da manhã.  Aquela criança de 1914,   mais uma vez era a estrela da cena. Cabelos pretos, voz segura, forças nos pulmões,  um rebento nos braços  e de olhos fixos  no viajante,  assim    se pronunciou :

” Seja bem-vindo ao reino dos humanos”.

Silêncio profundo. O perfume das rosas, o olhar e os sorrisos de uma criança afloraram da sua mente e se apossaram do ambiente. Em levitação, o viajante  mergulhou no espaço dando continuidade ao misterioso deslocamento.

Viajou por outras plagas, a observar as estrelas,  a profundidade do desconhecido e fez uma nova parada, estação    2013, 11 de setembro.    A estrela era  a mesma menina de 1914 e de 1954, agora  uma senhora de coque branco, tez macia, olhos fixos e brilhosos, voz em veludo, angelical, serena e musical.  Foi  ao seu encontro,  fixou o  olhar sobre o mesmo, o abraçou, o afagou, o beijou e mansamente balbuciou  nos seus ouvidos  depois de  coloca-lo no colo: 

   “ Fique calmo,  o Senhor está me chamando, irei pessoalmente  ao seu encontro, morarei definitivamente na casa do Pai” e se esvaindo das suas  mãos, dos seus braços  e dos seus olhos, foi se afastando, se distanciando, rindo, dançando,  cantando e cantarolando.   Cheia de vida e de alegria,   tomou o caminho da casa de Deus, o Criador lhe chamou.

O solitário, solto  no Multiverso,  fez a viagem de volta. Reviu tudo que foi visto na ida, entrou no quarto pela mesma  janela, olhou aquele corpo imóvel, inerte, descoberto e  vazio, agasalhou-se  nas suas entranhas  e mais uma vez nele se albergou, o sol bateu no seu rosto, abriu descansadamente os olhos e ao seu lado surgiu uma voz: 

” Seja bem-vindo ao seu mundo, estou  ao lado do Senhor, estou   bem, olhando por todos. Lembra daquele menino que  nasceu no ano de 1914, no dia 23 de julho,   numa manhã chuvosa de uma  quinta-feira?   manda lembranças.  Aqui estamos juntos orando e rogando por todos. Estamos cotidianamente com vocês. Onde estamos podemos continuar próximos de todos, somos onipresentes, uma vez que só Deus, o nosso Pai,  é onipotente, onipresente e onisciente”. 

Serenamente, o andarilho, ainda inebriado  moveu o corpo, mirou  bem para  onde vinha a voz  e irrefutavelmente  balbuciou:  

A benção mamãe

 Aguardou um instante e a voz, somente a voz, mais distante quebrou o silêncio:

 “ DEUS TE ABENÇOE”

                                                

                                                     Iderval Reginaldo Tenório 

 

ESCUTEM DO GRANDE LUIZ VIEIRA ESTAS DUAS PÉROLAS .

 

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