Estatísticas do blog Estatísticas do blog Mostra o número de visualizações de página no seu blog.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

A Asa Branca 1947. HUMBERTO TEIXEIRA E LUIZ GONZAGA

                                                            




                                                    


                                                         A Asa Branca em quatro etapas

       

                                                          PARTE I- 1947. 

                                                           A ARRIBADA        

                                     HUMBERTO TEIXEIRA E LUIZ GONZAGA

O Nordeste Brasileiro,   esquecido e vilipendiado por mais de quatro séculos, guarda  segredos culturais, humanos  e riquezas  para o mundo. 

Caatinga   escaldada, desidratada, queimada pelo causticante sol, sacudido pelas  lufadas dos ventos quentes e que reflete os raios solares como miragens, mimetizando espelhos  de lagoas e tendo o céu azul  cristalino  como teto.

Bioma documentado por   Raquel de Queiroz, em o Quinze e Graciliano Ramos, em Vidas Secas

Ecossistema que   guarda  mistérios, como reverberaram   o carioca Luiz Carlos Pereira de Sá, o Sá, e o  baiano, da cidade de Barra, Guttemberg Nery Guarabyra Filho,  o Guarabyra, em 1977, no clássico,  O Sertão Vai Virar Mar, vaticinado pelo cearense de Quixeramobim,  Antônio Conselheiro, líder da  Guerra de Canudos,  que aconteceu de  1896 a 1897, na Bahia, estraçalhada pelo Exercito Brasileiro   no governo de Prudente de Moraes.

Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, os genitores  do baião,  fizeram  parceria para documentar o Nordeste. 

Queriam um símbolo fidedigno, que representasse a alma de um povo sofrido, e que o orientasse  na seca,  fome,  cheias  e  farturas. Estavam  comprometidos e jurados, pelo destino,  a compor uma obra musical irretocável. 

Pensaram  qual seria a figura viva  nordestina,  que poderia ser o seu símbolo e quais os acordes a serem  entoados.  

Não foi difícil para os dois gênios. Num estalo celestial, o predestinado   pernambucano da Serra do Araripe, da cidade do Exu, Luiz Gonzaga, explanou para o experiente advogado, o cearense  de Iguatu, Humberto Teixeira.  

Assim se manifestou o  iluminado sanfoneiro, filho de Santana e Januário, aquele que tirou o Nordeste da invisibilade.

" Dos seres vivos, da fauna nordestina,  é o pássaro ASA BRANCA,  o animal que prevê e foge da seca, e sabe quando ela terminará. 

Foge do sertão nas épocas do estio e volta nas grandes aguadas.  Foge da fome, do tédio e da tristeza, retorna nas chuvas, na alegria e na fartura, é o maior orientador deste povo".  

Foi prontamente aceito, e com os olhos a marejarem,  se abraçaram. 

Ao mesmo tempo,  Humberto matutava o outro tema, os acordes, a melodia. Fechou os olhos, apurou o cérebro, foi fundo, puxou pela   mente  e falou para o predestinado. 

"Existe uma música  folclórica, de domínio  popular, cantada  há mais de 200 anos e que  a melodia  continua viva na memória do povo, e é transmitida de geração em geração". 

Cantarolou,  de boca fechada, o gemido encravado na mente, e  lá do fundo, guturalmente, veio brotando e aflorando com toda a   força da natureza, a melodia regional, plantada e replantada  de geração em geração, e que, recuperada e com  refinamentos nos acordes, seria plantada em solo fértil  para toda a nação. 

O Luiz cerrou os olhos e viajou no tempo. Foi  fundo na memória,  resgatou  da seca de 1918, quando estava com 06 anos de idade, os episódios hibernados na mente, quando saboreava  mingau  da massa da mucunã, reforçada com massa do jatobá para saciar a fome.  

O abraço foi reforçado e os lenços  insuficientes para enxugarem as lágrimas dos dois sobreviventes, genuínas  Asas Brancas.

A  ASA BRANCA  foi oficializada, como  a representante do nordeste e a centenária melodia, o seu lamento. Juntos,  criaram a música Asa Branca, considerada a alma e o hino  do Nordeste.

Em pleno ano de sofrimento e dificuldades, 1947, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, autores de Baião,  Juazeiro, Respeita Januário e Meu Pé de Serra  conseguiram documentar o  êxodo do Nordestino  para o Sul, utilizando como símbolo a Asa Branca e as suas propriedades meteorológicas.  

Foram ao âmago de cada um, e aos prantos, documentaram com fidedignidade um povo, com  a pérola  ASA BRANCA. 

Ali nascia um mistério real, mostrando para a eternidade  o sofrimento, o labutar, a coragem e o quanto é forte  o homem do Nordeste brasileiro.

 

           Iderval Reginaldo Tenório

 

                                                 Posfácio

 

Luiz Gonzaga e os seus parceiros  foram os maiores documentadores dos fatos brasileiros, o país está retratado nas suas obras.  

Mais de 1000 músicas gravadas, mais de 100 LPs próprios, participação em mais de 1000 de outros artistas.  

Cada episódio, cada cidade, cada amigo, cada momento e cada povo está pinçado, ovacionado, registrado, imortalizado e reverberado na mais autêntica voz do Brasil, LUIZ  GONZAGA DO NASCIMENTO, o imortal rei do baião, um gênio que nunca desafinou.

" Vai, boiadeiro, que a noite já vem

Guarda o teu gado e vai pra junto do teu bem"

Klecius Caldas / Armando Cavalcante

 Luiz Gonzaga - Asa Branca (Rei do Baião) - YouTube

Vídeo para asa branca 2:56 2:56

 

Asa Branca

Compositores: Humberto Teixeira / Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga

Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação 

Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por falta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão 

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas légua
Numa triste solidão…

Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar ai pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração


Nenhum comentário: