domingo, 12 de julho de 2026

O FILHO QUE NÃO PROSPEROU

                                                                 Blog do Mendes & Mendes: A VISTA ESQUERDA DE LAMPIÃO



                         

                             O FILHO QUE NÃO PROSPEROU

 Numa roda de amigos, foi abordado o quanto são importantes o olhar, o cheiro, os conselhos e a presença dos pais.

Num caloroso  momento, um dos amigos explanou um fato. 

Falou que  na sua cidade havia um bom senhor, oriundo de classe social baixa, que apesar do seu analfabetismo, a vasta cultura popular e o suor do seu próprio rosto educou os seus 14 filhos com maestria.

O tempo passou, os filhos cresceram, alguns galgaram postos importantes na nação e o bom senhor, à proporção que ganhava conhecimentos foi envelhecendo.

Envelhecendo com saúde, dignidade, cidadania e respeito de todos. Como é peculiar à família, todos os anos eles realizava  um encontro para mostrar ao pai, o seu incalculável valor, a importância e o quanto era cabal a sua existência para a sua prole. 

De todos os filhos, um havia voado alto e galgado postos estratégicos na sua República. O tempo passava e  dos filhos, aquele nunca estava presente devido À sua importância perante a nação. Muitas vezes nomeava irmãos, tios e amigos para lhe substituir. Jamais negara ajuda financeira, mesmo não sendo solicitado e  era influente nas questões decisórias da família.

O tempo passou, o ancião foi perdendo as forças, os músculos foram minguando, os cabelos ficaram ralos, a mente foi ficando curta, murchando e o bom homem foi paulatinamente perdendo a memória. Perguntava onde estava, muitas vezes perguntava até mesmo quem ele era,  e a grande e tradicional família continuava as suas comemorações ano após ano; e ano após ano, o filho que prosperou era representado por outros, até  o dia em que foi convocado, literalmente intimado a comparecer ao centésimo aniversário do patriarca,  um encontro marcante, um encontro com amigos, compadres, afilhados, agregados e toda a cadeia de descendentes.

Neste o importante filho compareceu. Ao chegar, entrou no quarto do seu genitor, se aproximou, olhou para o velho pai e falou.

__A bênção pai. O velho imobilizado nada respondeu, repetiu mais alto.

__ A bênção pai , a bênção pai,  o  velho abriu os olhos, mexeu com o pescoço, de um lado para o outro, fez esforço para levantar a cabeça, mirou o rosto do seu filho e com a voz trêmula balbuciou.

__Quem é você? de onde você veio ? onde você mora´? quem é o seu pai?

O filho parou, pensou, baixou a cabeça e disse

__ A bênção pai, eu, eu sou seu filho, o filho do meio, é que faz mais de 20 anos que não vejo o senhor, faz mais de 20 anos que não venho na nossa terra. O pai mais uma vez falou.

__Quem é você, de onde você veio, onde você mora, você é filho de quem, quem é o seu pai? Eu te abençoou mas não sei quem é você, se você diz que é meu filho é porque é o meu filho,  porém eu não me lembro de você. 

Desencantado pelo vasto tempo que havia visto o seu pai, com a amnésia paterna e decepcionado com o que presenciara, não conseguira entender o que se passava. Mais tarde, soube por intermédio dos outros irmãos, que o seu pai, num processo fisiológico, fora perdendo paulatinamente a capacidade de memorizar, de verbalizar e de locomoção.  Passando a lembrar dos fatos importantes da convivência, os fatos repetidos do cotidiano. Rostos dos funcionários, cuidadores, dos parentes que lhe visitam, o latido do cachorro, o tilintar do penico e do papagaio de aço inoxidável, utilizado para urinar, o grito dos vendedores de frutas e aqui e acolá umas nuvens dos fatos do passado.

Numa onda de culpa e de irresponsabilidade, entendeu  que o pai devido À sua ausência, havia apagado da mente quaisquer resquícios ou lembranças de sua existência,  até mesmo a legitimidade paterna. Entendeu também que foi a sua ausência, a sua distância e o seu descaso para com o velho e bondoso pai, que apagaram toda a sua existência como filho.

Desconfiado, deprimido e solitário partiu para a conquista, para luta, para a briga, se esforçou, porém, o velho e bondoso senhor aos poucos foi apagando da mente os dados e imagens vividas. Aos poucos foi esquecendo, esquecendo, esquecendo... até o dia em que não mais lembrava nem de si, até o dia em que entrou em vegetação.

Com os fatos presenciados, o filho passou a entender que o seu pai precisava era de abraços, carinho, respeito e de sua presença, não de ajuda financeira.

Foi-se o velho e com ele sepultadas todas as suas memórias e conhecimentos, restando as boas lembranças, seus ensinamentos e legados.

Para o filho ficou a certeza, que foi 20 anos atrás o último dia em que o seu pai lhe viu, ficou gravado na sua memória que os seus filhos não eram netos do seu pai e mais claro ainda, que o homem é a mente, a comunicação e  fruto de sua raiz. .

Conscientizou-se de  que, o núcleo familiar jamais perderá a sua importância, jamais será substituída e por mais longe que o homem vá, as suas raízes deverão continuar  fortes e presentes.

       Seja pai dos seus pais. 

Salvador, 24 de Janeiro de 1989.

REDIGIDO 12/07/2026

Iderval Reginaldo Tenório

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YouTube · Vj. Marcos Sobradinho - DF · 10 de out. de 2019
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YouTube · Daíra · 26 de mai. de 2025

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YouTube · Vj. Marcos Sobradinho - DF · 10 de out. de 2019

3 comentários:

iderval.blogspot.com disse...

"O FILHO QUE NÃO PROSPEROU" — 07.2026 pelo link
Iderval começou com roda de amigos. "Basta um clique" pra matéria completa.
Mas o começo já é tapa: valor não é diploma. É presença.O que Iderval contou:1. A tese da roda
"O quanto SÃO importantes o olhar, o cheiro, os conselhos e a presença dos pais."
Iderval: não é dinheiro. É tempo.2. O bom senhor
Classe social baixa. Analfabeto. 14 filhos. "Vasta cultura popular e suor do próprio rosto."
Educou os 14 com maestria.
Iderval: analfabeto não é ignorante.3. O resultado
Tempo passou. Filhos cresceram. Alguns galgaram postos importantes na nação.
Senhor envelheceu com saúde, dignidade, cidadania e respeito de todos.
Iderval: criou gente grande.4. O ritual
"Todos os anos ELES realizavam um encontro pra mostrar ao PAI o seu incalculável valor."
Iderval: prosperidade é lembrar quem te criou.Como "O Filho" fecha o ciclo Iderval 2026:1. "Zezinho e a Carroça"
Lá: pai analfabeto diz "se não estudar vira carga".
Aqui: pai analfabeto com 14 filhos educa com maestria.
Iderval: cultura popular > diploma vazio.2. "Pão" + "Escravização"
Lá: 80% vendem alma por pão.
Aqui: esse senhor não vendeu. Suou o rosto.
Iderval: pão com dignidade não escraviza.3. "Dona Duzinha 1954"
Lá: Duzinha criou filhos no sertão sem recurso.
Aqui: senhor criou 14 na classe baixa.
Iderval: Chapada e cidade. Mesma fórmula: presença.4. "R1 Zezinho"
Lá: R1 tem 4 pilastras.
Aqui: pai passou 4 pilastras sem ler livro: olhar, cheiro, conselho, presença.
Iderval: R1 aprendeu em casa.5. "Vida pela Vida"
Lá: vida só de sobreviver é aberração.
Aqui: esse pai transformou sobrevivência em arte: 14 vidas.
Iderval: isso é "vão o corpo e ficam as artes".6. "Incêndio Chapada 1964"
Lá: Zezinho criança apagava fogo.
Aqui: pai apagava fogo da miséria todo dia com suor.
Iderval: dois apagadores de incêndio.7. "Morte da Medicina"
Lá: estão matando a profissão.
Aqui: esse pai ressuscitava gente. 14 vezes.
Iderval: medicina começa em casa.A frase que é raiz:"O olhar, o cheiro, os conselhos e a presença dos pais."
Iderval: isso não tem Custo China. Não entra em container.Zezinho prosperou porque pai disse não.
R1 prosperou porque teve ética em casa.
Léo prosperou porque teve liberdade.
14 filhos prosperaram porque tiveram pai presente.3 sinais que você "prosperou" de verdade: Você volta: faz encontro pra mostrar valor pro pai/mãe. Você lembra: do cheiro, do conselho, do olhar. Você repete: cria com presença, não só com pix.Pergunta que Iderval deixou no ar:
Quem é "o filho que não prosperou"? O que tem cargo e esquece o pai, ou o que tem pai e não tem cargo?Quer que eu junte "O Filho" + "Zezinho" + "Duzinha" e monte 3 jeitos de educar sem virar escravo do "Pão" em 2026?

iderval.blogspot.com disse...

Acelino Costa
Grande Homem, exímio médico e conselheiro, Dr. Iderval Tenorio é um verdadeiro garimpeiro da saúde e o bem estar dos seus amigos e pacientes. Esse é Iderval Reinaldo Tenorio Cavalcante!!!.

Anônimo disse...

Gostei da história. Vc é grande dr. Iderval. Parabéns Sandrinha