AS ARTES, OS PRECONCEITOS
E SUCESSOS QUE SERIAM CRIMES NA ATUALIDADE.
Nos dias atuais, o João Bosco vem sendo criticado, devido uma música feita em parceria com Aldir Blanc.
GOL ANULADO.
"Quando você gritou 'Mengo' / No segundo gol do Zico / Tirei sem pensar o cinto / E bati até cansar".
HISTÓRICO
Músicas do cancioneiro brasileiro de todos os ritmos e tipos, dos 40 anos para atrás, eram consideradas entretenimentos em todos os tipos de artes, mesmo embebidas de preconceitos e depreciação de pessoas, que abordavam posição social, etnias, sexo, anatomia corporal, costumes e regionalismo.
Fizeram sucessos quando mulheres, anões, pobres, negros, feios, homossexuais, nordestinos, deficientes físicos, auditivos, visuais, mentais e todos os foras dos padrões normativos, inventados pelo homem não eram considerados cidadãos alforriados como um todo.
Eram tratados com desprezo, indiferenças, motivos de gargalhadas, pessoas de segunda ou terceira classe, dependiam e obedeciam a vontade dos NORMAIS sem contestar. DOS NORMAIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!.
Estes tipos de artes, se fossem produzidas hoje, seriam uma ode a todos os tipos preconceitos, notadamente as dirigidas às mulheres, aos negros, aos indígenas e aos homossexuais. Seria chancelar a misoginia, as agressões física e moral às mulheres.
É bom lembrar que com o avanço da sociedade, as demandas preconceituosas ganharam mais uma importante propriedade, a interseccionalidade.
Conceito que explica o cruzamento entre classe social, gênero, raça, etnia e outras diversidades. Características que podem se encaixar numa única pessoa.
Exemplo de interseccionalidade:
(Mulher, pobre, negra, gorda, homossexual, analfabeta, deficiente física, visual ou auditiva, alejada e manca de uma perna).
Veja o arsenal que os preconceituosos usam e que hoje constituem crimes.
O que seria dos nossos humoristas, compositores, cantores, diretores, novelistas, apresentadores de televisão do passado, na atualidade?
Tive um bate papo com um cantor famoso, que gravou jocosamente a música SEU REVERENDO.
Ele próprio me revelou que hoje não gravaria e que poderia até ser preso, veja a letra.
À epoca foi sucesso e motivo de chacota com as mulheres, um desrespeito.
Tempos passados, a falta de cidadania de uma classe ou atnias e o excesso de poder de outras, funcionavam como matéria prima até para as artes, a sociedade achava normal.
SEU REVERENDO.
Seu reverendo eu sou aquele rapaz
Que há 3 anos atrás me casei nesta capela
Seu reverendo dê o dito por não dito, apague o que está escrito, Que é melhor pra eu e ela
A música "Seu Reverendo", de Elias Soares, gravada em 1971 pelo alagoano Benedito Nunes fez sucesso, porém estrondou na mídia em 1986 com Genival Lacerda.
Para não encompridar o texto, basta lembrar das Mulatas do Sargentele, Chacretes e Boletes. Dos programas de humor da televisão brasileira e das diversas letras que coisificavam as morenas, as negras e as mulatas brasileiras.
Escutando bem os grandes artistas da época, é fácil enxergar as conotações dadas às mulheres.
As bonitas mostravam os corpos semi-nus( nádegas, cinturas e peitos) e a sensualidade, as demais eram motivos de MANGOFA. Todos riam, os maquiadores exageravam e a vida continuava como num circo, sempre a gargalhar.
O Brasil mudou e as propriedades classificatórias da sociedade também. Ficaram para trás o Gilberto Freyre com Casa & Senzala e o Sérgio Buarque de Holanda com Raízes do Brasil.
Obras que deveriam ser obrigatórias para todos os brasileiros. Sem conhecer a história da formação social e cultural de um povo, nada se conhecerá do presente e nem do futuro.
Todos os brasileiros são iguais e em busca da sonhada EQUANIMIDADE SOCIAL.
É dever do Estado, sem agressões, com educação e respeito, mostrar para toda a sociedade que os tempos mudaram.
Demandas que desqualifiquem quaisquer cidadãos ou comunidades são proibidas, notadamente os tratamentos e preconceitos que eram considerados normais em épocas pretéritas. Na atualidade constituem crimes .
Que não as apaguem da história e que sejam citadas para as novas gerações, sempre ancoradas na Constituição Federal e em todas as novas conquistas sociais. Frutos dos moveimentos das mulheres, iniciados em 1970 e sedimentados com o reforço do Movimento de Mulheres Negras em 1980. Uma articulação política autônoma no Brasil que combate o racismo, o sexismo e a desigualdade de classe, unindo raça e gênero em sua pauta central.
Não pode cair no esquecimento e nem renascer das cinzas.
Este assunto é sério e tem que ser levado a sério por uma SOCIEDADE SADIA.
Iderval Reginaldo Tenório
Da literatura musical brasileira do passado.
1. "O Teu Cabelo Não Nega"
De autoria de Lamartine Babo e Irmãos Valença, essa marchinha de 1931, um dos maiores clássicos do Carnaval, é considerada racista: "O teu cabelo não nega, mulata/Porque és mulata na cor/Mas como a cor não pega, mulata/Mulata, eu quero o teu amor".
2. "Fricote"
De autoria de Luiz Caldas e Paulinho Camafeu, e gravada por Luiz Caldas, essa canção de 1985, marco do Axé Music, é também associada ao racismo: "Nega do cabelo duro/Que não gosta de pentear/Quando passa na calçada/O negão começa a gritar".
3. "Se Te Agarro Com Outro, Te Mato"
Gravada por Sidney Magal em 1977, esse sucesso é visto hoje como uma apologia ao feminicídio. "Se te agarro com outro te mato/Te mando algumas flores e depois escapo".
4. "Minha Nega na Janela"
De autoria de Germano Mathias e Doca, essa faixa de 1957 traz temas sensíveis como racismo e violência doméstica. "Êta nega tu é feia/Que parece macaquinha/Olhei pra ela e disse/Vai já pra cozinha/Dei um murro nela/E joguei ela dentro da pia".
5. "Amor de Malandro"
Gravado por Francisco Alves em 1929, esse samba é criticado por romantizar a violência contra a mulher. "O amor é o do malandro, ó, meu bem/Melhor do que ele ninguém/Se ele te bate é porque gosta de ti/Pois bater-se em quem não se gosta/Eu nunca vi".
6. "Mulata Assanhada"
De autoria de Ataulfo Alves, a canção é considerada racista. "Ai, meu Deus, que bom seria/Se voltasse a escravidão /Eu comprava essa mulata/E prendia no meu coração".
7. "Faixa Amarela"
De autoria de Zeca Pagodinho, Jessé Pai, Luiz Carlos e Beto Gago, e gravada por Zeca Pagodinho em 1997, esse pagode traz na letra ameaças de agressão física contra a mulher: "Mas se ela vacilar/Vou dar um castigo nela/Vou lhe dar uma banda de frente/Quebrar cinco dentes e quatro costelas".
8. "Lôraburra"
De autoria de Gabriel, o Pensador e gravado por ele em 1993, esse rap é criticado por seu teor misógino e machista: "O lugar dessas cadelas era mesmo no puteiro
Só se preocupam em chamar a atenção/Não pelas ideias mas pelo burrão/Não pensam em nada/Só querem badalar".
9. "Robocop Gay"
Gravada com sucesso pelos Mamonas Assassinas em 1995, é vista por uma corrente de críticos como uma música homofóbica. "Abra sua mente/Gay também é gente/Baiano fala oxente/E come vatapá".
10. "Pequena Raimunda (Ramona)"
Versão da música dos Ramones, essa canção gravada pela banda Raimundos em 1997 é considerada misógina: "Quando eu a vejo, eu vou correndo pro bar/Encher a cara e conseguir encarar/Ela de quatro, fica maravilhosa/Essa bundinha, ela vai ter que virar".
11. "Sambas de Roda e Partido-Alto"
Gravada por Martinho da Vila em 1972, esse samba é criticado por exaltar a violência doméstica: "Se essa mulher fosse minha/Eu tirava do samba já, já/Dava uma surra nela/Que ela gritava, chega!".
12. "Maria Chiquinha"
Famosa nas vozes de Sandy & Junior, essa faixa é considerada problemática por sugerir feminicídio: "Então eu vou te cortar a cabeça, Maria Chiquinha/Então eu vou te cortar a cabeça/Que c'ocê vai fazer com o resto, Genaro, meu bem?/Que c'ocê vai fazer com o resto?/O resto? Pode deixar que eu aproveito".
13. "Aula de Piano"
De autoria de Vinicius de Moraes e Toquinho, a canção é criticada por normalizar e romantizar a relação entre a aluna (uma criança) e o professor de piano (um adulto): "A quatro mãos em concertos de amor/Mas na verdade tinham saudade/De quando ele era seu professor/E quando ela, menina e bela/Abria o berrador/Ai, ai, ai lá sol fá mi ré, tira a mão daí, dodó ré do si, assim não dá pé, mimi fá mi ré, e agora o sol fá para a lição acabar".
14. "Sambalelê"
De domínio público e gravada por diversos artistas infantis ao longo das décadas, essa cantiga retrata uma violência doméstica: "Sambalelê tá doente/Tá com a cabeça quebrada/Sambalelê precisava/É de uma boa lapada".
15. "Cabocla Tereza"
De autoria de Raul Torres e João Pacífico, esse clássico da música sertaneja de 1940 que ficou famosa na versão da dupla Tonico & Tinoco romantiza um feminicídio: "Agora já me vinguei/É esse o fim de um amor/Esta cabocla eu matei/É a minha história, dotor".
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