Redação Alô Alô Bahia
José Mion/Alô Alô Bahia
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A comunidade acadêmica da Universidade Federal da Bahia (UFBA) está de luto pela morte de Thaiz Pedrosa, primeira mulher trans a ingressar na graduação de Medicina da instituição. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (3) pelo Diretório Acadêmico de Medicina da UFBA, que destacou sua trajetória de representatividade, resistência e coragem. A causa não foi informada.
Thaiz se tornou um símbolo para a comunidade trans ao ocupar um espaço historicamente marcado por barreiras e desigualdades. Ao longo de sua trajetória, também carregou o desejo de inspirar outras pessoas trans a retomarem os estudos e a ocuparem lugares que muitas vezes lhes foram negados.
Para o Diretório Acadêmico, sua presença abriu caminhos e rompeu barreiras, deixando um legado que ultrapassa sua passagem pela universidade. “Hoje, a Medicina está em luto. Perdemos um sorriso único, uma alegria contagiante e uma presença impossível de passar despercebida”, afirmou a entidade no comunicado.
O texto também relembra a personalidade de Thaiz, descrita como alguém que levava alegria e afeto por onde passava. “Por onde passou, Thaiz fez festa, espalhou afeto, levou leveza e deixou sua marca entre nós”, destacou o Diretório.

Morre Thaiz Pedrosa, primeira mulher trans a ingressar na graduação de Medicina da UFBA -Ana Lucia Albuquerque/CORREIO
A entidade ressaltou ainda que a luta de Thaiz permanece por meio das pessoas que poderão se sentir mais encorajadas a ocupar espaços semelhantes. “Sua luta não termina aqui. Seu legado permanece em cada caminho que foi aberto, em cada pessoa que sentirá mais encorajada a ocupar lugares como o dela e em todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la”, diz o comunicado.
O Diretório Acadêmico afirmou ainda que a história da médica deve continuar como inspiração para novas gerações. “Que sua história continue inspirando coragem. Que sua luta jamais seja esquecida. E que, diante da sua escolha, outras pessoas continuem se encorajando a escolher a si mesmas”.
Mineira, Thaiz Pedrosa chegou à UFBA após seis tentativas malsucedidas de ingressar no ensino superior pelo Enem. Em 2018, com a criação de cotas para pessoas trans, descobriu pela internet que a modalidade já existia em instituições de São Paulo e na Bahia, como UFRB e Uneb. Quando já estava decidida a tentar uma vaga em Medicina em Salvador, a UFBA também passou a adotar, naquele mesmo ano, cotas para pessoas trans na graduação, abrindo o caminho que a levaria a se tornar a primeira mulher trans a ingressar no curso de Medicina da universidade.
