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domingo, 26 de julho de 2026

AS ARTES, OS PRECONCEITOS E SUCESSOS QUE SERIAM CRIMES HOJE.

 




             

AS ARTES,  OS PRECONCEITOS 

E SUCESSOS QUE SERIAM CRIMES NA ATUALIDADE.

Nos dias atuais, o João Bosco vem sendo criticado, devido uma  música feita em parceria  com Aldir Blanc.

 GOL ANULADO 

"Quando você gritou 'Mengo' / No segundo gol do Zico / Tirei sem pensar o cinto / E bati até cansar". 

 

                             HISTÓRICO

Músicas do cancioneiro brasileiro de todos os ritmos e tipos, dos  40 anos para  atrás, eram consideradas entretenimentos em todos os tipos de artes, mesmo embebidas de preconceitos e depreciação de pessoas, que abordavam posição social,   etnias, sexo, anatomia corporal, costumes  e regionalismo.  

Fizeram sucessos quando  mulheres, anões, pobres, negros, feios, homossexuais,  nordestinos,  deficientes físicos, auditivos, visuais, mentais  e todos os foras dos padrões normativos, inventados pelo  homem não eram considerados cidadãos alforriados como um todo. 

Eram tratados com  desprezo, indiferenças,  motivos de gargalhadas, pessoas de segunda ou terceira classe, dependiam e obedeciam a vontade dos  NORMAIS sem contestar.  DOS NORMAIS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!. 

Estes tipos de artes,  se fossem produzidas hoje,  seriam uma ode a todos os tipos   preconceitos, notadamente as dirigidas às mulheres, aos negros, aos indígenas e  aos homossexuais. Seria chancelar a misoginia, as agressões física e moral às mulheres.

É bom lembrar que com o avanço da sociedade, as  demandas preconceituosas ganharam mais uma importante propriedade, a interseccionalidade.

Conceito que explica o cruzamento  entre classe social, gênero, raça, etnia e outras diversidades. Características que   podem se encaixar numa única pessoa.  

Exemplo  de interseccionalidade

(Mulher, pobre, negra, gorda, homossexual,  analfabeta,   deficiente física, visual ou auditiva, alejada e manca de uma perna). 

Veja o arsenal que os preconceituosos usam e que hoje constituem crimes.  

   

O que seria dos nossos humoristas, compositores, cantores, diretores, novelistas, apresentadores  de televisão do passado, na atualidade? 

Tive um bate papo com um cantor famoso, que gravou jocosamente a música   SEU REVERENDO. 

Ele próprio me revelou que hoje não gravaria e que poderia  até ser preso, veja a letra. 

À epoca foi sucesso e motivo de chacota com as mulheres, um desrespeito. 

Tempos passados,  a falta de cidadania de uma classe ou atnias e o excesso de poder de outras, funcionavam como matéria prima até para as artes, a sociedade achava normal.

 

                        SEU REVERENDO.  

Seu reverendo eu sou aquele rapaz
Que há 3 anos atrás me casei nesta capela
Seu reverendo dê o dito por não dito, apague o que está escrito, Que é melhor pra eu e ela  

Com que parece uma mulher de perna fina 
Rua abaixo rua acima vestida de minissaia
Parece dois palitos enfiado num sabugo
Parece dois cambito segurando um caçuá
Tão chamando ela perninha de saracura
Tem até quem chame canela de sabiá
 
Seu reverendo eu sou um homem de paz
Mas assim já é demais, qualquer dia eu me dou mal
Desmanche esse casório ou eu quebro ela de pau
 
Mulher bonita, perna grossa e corpulenta
Até que assenta usando esta sainha
Principalmente ela não sendo nada minha

Mas mulher magra, perna fina é desaforo
Tem que levar couro pra poder entrar na linha. 
 
                               XXX

A música "Seu Reverendo", de Elias Soares, gravada  em 1971 pelo  alagoano Benedito Nunes  fez sucesso, porém estrondou na mídia  em 1986 com  Genival Lacerda.

Para não encompridar o texto, basta lembrar das Mulatas do Sargentele, Chacretes e Boletes.  Dos programas de humor da televisão brasileira  e das  diversas letras que coisificavam as morenas, as negras e as mulatas brasileiras.

Escutando bem os grandes artistas da época, é fácil enxergar as conotações dadas às mulheres. 

As bonitas mostravam os corpos semi-nus( nádegas, cinturas e peitos) e a sensualidade, as demais   eram motivos de MANGOFA. Todos  riam,  os maquiadores exageravam e a vida continuava como num circo, sempre a gargalhar.  

O Brasil mudou e as propriedades classificatórias da  sociedade também. Ficaram para trás o Gilberto Freyre com Casa & Senzala e o Sérgio Buarque de Holanda com Raízes do Brasil. 

Obras que deveriam ser obrigatórias para todos os brasileiros. Sem conhecer a história da formação social e cultural de um povo, nada se conhecerá do presente e nem do futuro.  

Todos os brasileiros são  iguais e em busca da sonhada  EQUANIMIDADE SOCIAL.

É dever do Estado,  sem agressões, com educação e respeito, mostrar  para toda a sociedade que os tempos mudaram. 

Demandas que desqualifiquem quaisquer cidadãos ou comunidades são proibidas, notadamente  os tratamentos e preconceitos que eram considerados normais  em épocas pretéritas. Na atualidade constituem crimes . 

Que não as apaguem da história e  que sejam  citadas para as novas gerações, sempre ancoradas na Constituição Federal e em todas as novas conquistas sociais. Frutos dos moveimentos das mulheres, iniciados em 1970 e sedimentados com o reforço do Movimento de Mulheres Negras em 1980. Uma articulação política autônoma no Brasil que combate o racismo, o sexismo e a desigualdade de classe, unindo raça e gênero em sua pauta central.    

Não pode cair no esquecimento e nem renascer das cinzas. 

Este assunto é sério e tem que ser levado a sério por uma SOCIEDADE SADIA.                      

                    Iderval Reginaldo Tenório 

                                                    

Da literatura musical brasileira do passado.

1. "O Teu Cabelo Não Nega"

De autoria de Lamartine Babo e Irmãos Valença, essa marchinha de 1931, um dos maiores clássicos do Carnaval, é considerada racista: "O teu cabelo não nega, mulata/Porque és mulata na cor/Mas como a cor não pega, mulata/Mulata, eu quero o teu amor".

2. "Fricote"

De autoria de Luiz Caldas e Paulinho Camafeu, e gravada por Luiz Caldas, essa canção de 1985, marco do Axé Music, é também associada ao racismo: "Nega do cabelo duro/Que não gosta de pentear/Quando passa na calçada/O negão começa a gritar".

3. "Se Te Agarro Com Outro, Te Mato"

Gravada por Sidney Magal em 1977, esse sucesso é visto hoje como uma apologia ao feminicídio. "Se te agarro com outro te mato/Te mando algumas flores e depois escapo".

4. "Minha Nega na Janela"

De autoria de Germano Mathias e Doca, essa faixa de 1957 traz temas sensíveis como racismo e violência doméstica. "Êta nega tu é feia/Que parece macaquinha/Olhei pra ela e disse/Vai já pra cozinha/Dei um murro nela/E joguei ela dentro da pia".

5. "Amor de Malandro"

Gravado por Francisco Alves em 1929, esse samba é criticado por romantizar a violência contra a mulher. "O amor é o do malandro, ó, meu bem/Melhor do que ele ninguém/Se ele te bate é porque gosta de ti/Pois bater-se em quem não se gosta/Eu nunca vi".

6. "Mulata Assanhada"

De autoria de Ataulfo Alves, a canção é considerada racista. "Ai, meu Deus, que bom seria/Se voltasse a escravidão /Eu comprava essa mulata/E prendia no meu coração".

7. "Faixa Amarela"

De autoria de Zeca Pagodinho, Jessé Pai, Luiz Carlos e Beto Gago, e gravada por Zeca Pagodinho em 1997, esse pagode traz na letra ameaças de agressão física contra a mulher: "Mas se ela vacilar/Vou dar um castigo nela/Vou lhe dar uma banda de frente/Quebrar cinco dentes e quatro costelas".

8. "Lôraburra"

De autoria de Gabriel, o Pensador e gravado por ele em 1993, esse rap é criticado por seu teor misógino e machista: "O lugar dessas cadelas era mesmo no puteiro
Só se preocupam em chamar a atenção/Não pelas ideias mas pelo burrão/Não pensam em nada/Só querem badalar".

9. "Robocop Gay"

Gravada com sucesso pelos Mamonas Assassinas em 1995, é vista por uma corrente de críticos como uma música homofóbica. "Abra sua mente/Gay também é gente/Baiano fala oxente/E come vatapá".

10. "Pequena Raimunda (Ramona)"

Versão da música dos Ramones, essa canção gravada pela banda Raimundos em 1997 é considerada misógina: "Quando eu a vejo, eu vou correndo pro bar/Encher a cara e conseguir encarar/Ela de quatro, fica maravilhosa/Essa bundinha, ela vai ter que virar".

11. "Sambas de Roda e Partido-Alto"

Gravada por Martinho da Vila em 1972, esse samba é criticado por exaltar a violência doméstica: "Se essa mulher fosse minha/Eu tirava do samba já, já/Dava uma surra nela/Que ela gritava, chega!".

12. "Maria Chiquinha"

Famosa nas vozes de Sandy & Junior, essa faixa é considerada problemática por sugerir feminicídio: "Então eu vou te cortar a cabeça, Maria Chiquinha/Então eu vou te cortar a cabeça/Que c'ocê vai fazer com o resto, Genaro, meu bem?/Que c'ocê vai fazer com o resto?/O resto? Pode deixar que eu aproveito".

13. "Aula de Piano"

De autoria de Vinicius de Moraes e Toquinho, a canção é criticada por normalizar e romantizar a relação entre a aluna (uma criança) e o professor de piano (um adulto): "A quatro mãos em concertos de amor/Mas na verdade tinham saudade/De quando ele era seu professor/E quando ela, menina e bela/Abria o berrador/Ai, ai, ai lá sol fá mi ré, tira a mão daí, dodó ré do si, assim não dá pé, mimi fá mi ré, e agora o sol fá para a lição acabar".

14. "Sambalelê"

De domínio público e gravada por diversos artistas infantis ao longo das décadas, essa cantiga retrata uma violência doméstica: "Sambalelê tá doente/Tá com a cabeça quebrada/Sambalelê precisava/É de uma boa lapada".

15. "Cabocla Tereza"

De autoria de Raul Torres e João Pacífico, esse clássico da música sertaneja de 1940 que ficou famosa na versão da dupla Tonico & Tinoco romantiza um feminicídio: "Agora já me vinguei/É esse o fim de um amor/Esta cabocla eu matei/É a minha história, dotor".

sábado, 25 de julho de 2026

O ANO DA DISCORDIA QUE CONTINUARÁ POR MUITO TEMPO

 

Artigo: Vai todo mundo perder 

                              Para brigarem até a morte, cães eram privados de alimentação e água, diz  delegado | Tribuna da Região                       

 Para 40% dos eleitores, há grandes chances de haver atos de violência no dia das eleições, diz Datafolha

Ranking - Começam hoje as campanhas eleitorais para as eleições municipais. Receita para não cair em roubada: - Conheça as atribuições de cada cargo e não se deixe enganar por promessas que

Artigo: Vai todo mundo perder 

O ANO DA DISCORDIA QUE  CONTINUARÁ POR MUITO TEMPO.

O ano de 2026 recepcionado com boas vindas, saúde, alegria, união e prosperidades, parece  que não será tão florido.

O que se enxerga para este ano, é um trajeto de discórdias, desentendimentos e inimizades, inclusive entre  amigos, parentes, colegas, sócios, irmãos, pais, filhos, esposas, esposos, entidades constituídas e nas redes sociais. 

Uns por possuírem desonestos e perigosos  de estimação e outros por aceitarem a roubalheira como normal neste país. Independente da corrente política, enxergam os seus adorados como salvadores da Pátria e isentos de demandas espúrias. 

"Os meus desonestos são desonestos confesso, porém os seus são mais desonestos do que os meus". Idólatra politico

O comum é que  esquecem dos fatos espúrios praticados pelos seus e resgatam  do fundo do poço os fatos espúrios praticados pelos adversários. Em resumo, os idólatras sofrem de amnésia.

Os políticos, com o intuito de forjar idólatras, contratarão marqueteiros  virados para as mentiras, como também  informantes.

Retirarão as  tampas  das caixas sujas  dos adversários e  o que for  bom  será descartado,  o  ruim publicizado tempestivamente.

A população será bombardeada de fatos escabrosos  para humanos sérios,  e que serão   encarados como   normais para os adoradores, mesmo sendo fatos de grande periculosidade.

Serão formados dois grupos de idólatras, que  brigarão a ferro e fogo  a defender os seus adorados. 

Um idólatra é um idólatra,   independe do nível social, cultural, econômico, religião, gênero e  sexo, ele  faz tudo pelo  ídolo.  

A campanha eleitoral será  um curso de imersão. Qual será  o mais corrupto, desonesto,  mentiroso, o politicamente correto e que falará o que o idólatra quer ouvir.

Reforçará o mais  camuflado, o que menos desviou o erário público, uma vez que todos desviaram e estão sendo adorados. 

Os marqueteiros enfatizarão a indução do ódio,  desentendimento e a polarização. Não pense diferente  da sua tribo,  pois será  excluído, chamado de burro, imbecil e Maria vai com as outra,  será um párea, um inimigo de si próprio, do grupo, do povo, notadamente do líder maior.

A campanha revelará o lado sujo e de desonestidade de cidadãos que pousam como os arautos da verdade, vergonha e  da justiça.   Na verdade são vazios e de personalidade escravizada.

Nesta campanha serão reveladas  palavras de baixo calão que existe dentro de cada eleitor de ambos os lados.  

Os desejos   embutidos na mente serão revelados nos momentos quentes das discursões. 

Serão  comuns as palavras: vagabundo, moleque, safado, escroque, mentiroso, corrupto, criminoso, miliciano, traíra, covarde, preconceituoso,  assassino,  meliante, vendido,  voto de cabresto,  ladrão,  vá tomar no ... e por aí vai,. É o  Eu verdadeiro a se expressar.

A campanha  será bruta, impiedade e destrutiva.  Os políticos  falarão o corretamente político, aquilo que o  idólatra  sonha e quer ouvir. Prometerá o que for da vontade do povo, porém sem as mínimas condições de serem cumpridas .

Será uma campanha com duas cabeças, a primeira para mostrar os podres  do opositor, a segunda  para mentir e enganar o seguidores.

O ano de 2026 será  duro de  roer. Quem viver verá. Pobre Brasil, pobre povo, sempre refém da mentira.

Muitos além de  idolatras, são  verdadeiros fanáticos.

                                               SSa, 25.07.2026 

Iderval Reginaldo Tenório

 

Um mês após terremotos, Venezuela admite até 10 mil mortos e tem relatos de 30 mil desaparecidos

 

Por Redação g1

 

  • Nesta sexta-feira (24) as buscas por desaparecidos continuam na Venezuela. A reconstrução das áreas afetadas tem custo estimado em US$ 19,6 bilhões.

  • Os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram o país em 24 de junho. Para ajudar na recuperação, o governo sacou US$ 346 milhões do FMI.

  • Uma investigação apontou falhas e falta de planos na resposta inicial ao desastre. Há mais de 20 anos, o Japão alertou sobre riscos na região.

  • A jovem Fabiana Blanco, de 12 anos, foi resgatada após 30 horas. O cão de busca Tsunami, de 9 anos, também ajudou a localizar sobreviventes.

Terremotos na Venezuela completam um mês

Terremotos na Venezuela completam um mês

Equipes de resgate e familiares continuam procurando vítimas entre os escombros deixados pelos terremotos que devastaram o norte da Venezuela. Nesta sexta-feira (24), um mês após a tragédia, centenas de pessoas continuam desaparecidas. Enquanto isso, organizações preveem um custo bilionário para reconstruir as áreas mais afetadas.

▶️ Contexto: Os dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o país em 24 de junho e provocaram o terremoto mais mortal da Venezuela desde 1812, além do pior desastre natural da história recente do país.

  • Segundo o balanço oficial, mais de 5 mil pessoas morreram e cerca de 17 mil ficaram feridas.
  • Por outro lado, o governo admite que o número final de vítimas fatais pode ultrapassar 10 mil.
  • Dados oficiais apontam que 190 edifícios desabaram completamente, enquanto quase mil construções sofreram danos estruturais.
  • Ao menos 20 mil pessoas continuam vivendo em abrigos temporários.

O número de desaparecidos ainda é incerto. O governo venezuelano não divulga um balanço oficial, mas uma plataforma pública criada para reunir informações sobre vítimas aponta que quase 30 mil pessoas seguem sem contato com familiares ou amigos.

Pessoas se abraçam enquanto as buscas continuam após o terremoto de 24 de junho em La Guaira, Venezuela — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

Apesar de a chance de encontrar sobreviventes seja considerada praticamente nula, equipes de resgate e voluntários continuam trabalhando, principalmente em La Guaira, a área do país mais afetada.

Em algumas regiões, familiares fazem as buscas por conta própria na esperança de encontrar algum sinal ou os corpos de parentes desaparecidos.

O governo também criou um cemitério de emergência, onde dezenas de corpos foram sepultados sem que parentes pudessem se despedir. Várias vítimas foram enterradas sem serem identificadas.


Vista aérea dos caixões no dia do enterro das vítimas do terremoto, após os tremores de 24 de junho, no Cemitério La Esperanza , em La Guaira, Venezuela — Foto: REUTERS/Adriano Machado

Enquanto isso, o governo da presidente interina Delcy Rodríguez afirma que já iniciou os trabalhos de recuperação e reconstrução dos imóveis danificados. Segundo as autoridades, a atividade comercial nas regiões mais afetadas começa a voltar aos poucos.

💰 Uma avaliação preliminar do Banco Mundial estima que os terremotos causaram US$ 19,6 bilhões (R$ 100 bilhões) em danos físicos diretos, destruindo moradias, hospitais, escolas, estradas e outras estruturas essenciais. Segundo a instituição, o custo para o país pode ser ainda maior.

  • O cálculo considera apenas o valor necessário para reconstruir o que foi destruído.
  • Se forem incluídas melhorias estruturais, remoção de escombros e obras de prevenção, o custo total pode chegar perto de US$ 50 bilhões (R$ 255 bilhões).

O Banco Mundial afirma que a situação foi agravada porque a Venezuela já enfrentava um cenário de fragilidade econômica e social antes da tragédia. Segundo o relatório, mais de 76% da população vive na pobreza.

Ainda não está claro como o país fará todas as obras de reconstrução. Na semana passada, o governo anunciou que sacou US$ 346 milhões (R$ 1,7 bilhão) de recursos próprios junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para auxiliar na recuperação.

Venezuela não tinha um plano


Homem usa capacete com a bandeira da Venezuela em La Guaira, em 18 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

A resposta do governo venezuelano ao desastre foi alvo de críticas de especialistas e da própria população. Moradores relataram falta de apoio das autoridades e precisaram agir por conta própria. Hospitais também ficaram sobrecarregados pela alta procura.

🔎 Uma investigação da Reuters, baseada em relatos de militares, diplomatas e pessoas envolvidas na resposta à tragédia, apontou que a demora na emissão de ordens, a falta de equipamentos e a ausência de um plano prejudicaram o início das operações de resgate.

  • Segundo os relatos, civis lideraram boa parte dos resgates nas primeiras 48 horas, usando pás, picaretas e ferramentas improvisadas para retirar sobreviventes dos escombros.
  • Equipes internacionais chegaram ao país ainda nos primeiros dias, mas também enfrentaram dificuldades por causa da falta de coordenação das autoridades.

Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que diferentes órgãos receberam atribuições semelhantes, gerando dúvidas sobre quem comandava efetivamente a operação.

"Não agimos por conta própria. Recebemos ordens diretas", disse um militar à Reuters, sob condição de anonimato.

"Não posso dizer à minha unidade: 'Vamos ajudar em La Guaira', se não tiver recebido ordens para isso. Não tínhamos um plano como os que existem para a defesa da nação. Não havia nenhum plano para lidar com algo assim."

"Não havia um plano e a cadeia de comando era frágil. Muitas pessoas simplesmente não sabiam o que fazer", afirmou outra fonte.


Miliares dos EUA e da Venezuela trabalham ao lado de voluntários durante buscas por vítimas dos terremotos de 24 de junho — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

As críticas se somam ao fato de que, há mais de 20 anos, uma agência governamental do Japão já havia alertado a Venezuela para o risco de um terremoto de grandes proporções provocar milhares de mortes.

O estudo, encomendado pelo próprio governo venezuelano, recomendou o reforço estrutural de cerca de 180 mil edifícios, a instalação de sistemas de alerta precoce, a criação de um centro de comando para emergências e o reassentamento de moradores de áreas de risco.

  • Os técnicos japoneses estimavam que a adoção dessas medidas reduziria em quase 90% o número de mortes em um terremoto semelhante ao que atingiu a região em junho.
  • Especialistas afirmam que a precariedade de muitas construções e anos de baixa fiscalização ajudaram a explicar o elevado número de edifícios destruídos.

A presidente interina Delcy Rodríguez negou os relatos de lentidão na resposta ao desastre e afirmou que a atuação do governo foi imediata. Ela também disse que não houve desorganização por parte das autoridades.

Histórias que rodaram o mundo

Menina é resgatada com sorriso no rosto na Venezuela

Menina é resgatada com sorriso no rosto na Venezuela

Além dos números da tragédia, histórias de sobreviventes, voluntários e equipes de resgate repercutiram em diversos países e se tornaram símbolos do desastre.

Uma delas foi a da venezuelana Fabiana Blanco, de 12 anos. A menina foi resgatada com vida depois de passar cerca de 30 horas sob os escombros de um prédio em La Guaira.

Durante toda a operação, ela permaneceu consciente, conversou com os bombeiros e sorriu quando percebeu que os socorristas estavam prestes a alcançá-la. As imagens do resgate viralizaram e foram reproduzidas por veículos de comunicação de todo o mundo.

"Fiquei surpresa em como essa imagem deu a volta ao mundo", afirmou em entrevista alguns dias após o resgate. "Quero agradecer aos socorristas, a Deus e a minha mãe".


Tsunami é um cão de resgate que atua na Venezuela — Foto: Redes sociais

Outro personagem que ganhou fama foi Tsunami, um border collie especializado em buscas. O cão se tornou um herói nacional após ajudar equipes de resgate a localizar vítimas com vida sob edifícios destruídos.

Resgatado de uma situação de maus-tratos ainda filhote, Tsunami já havia participado das missões internacionais de resgate após os terremotos da Turquia e da Síria, em 2023.

Durante as buscas na Venezuela, o cão, que tem 9 anos, precisou ser acompanhado de perto por um veterinário para conseguir manter o ritmo das operações. Segundo seus treinadores, esta foi sua última missão antes da aposentadoria.

"Ele se aposenta no auge, demonstrando sua coragem e dando tudo de si até o fim."