domingo, 17 de maio de 2026

O CACHORRO, O TIGRE E O MACACO

 


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O CACHORRO, O TIGRE E O MACACO


Um pequeno e magrelo cachorro, faminto e aos pedaços, procura algo na floresta para matar a fome. Anda, perambula e nada encontra, quando  já estava para se entregar ao fracasso, tropeça numa carcaça ressecada de um tigre, quase sem nenhum recheio, mesmo assim, põe-se a roer os últimos nacos que ainda recobriam os envelhecidos e ressecados ossos. 

Nesta mesma floresta,  próximo à velha carcaça,  encontrava-se trepado num desidratado umbuzeiro, um encrenqueiro macaco a observar os passos e os movimentos do maltratado cão. 

Ao saborear as migalhas da carcaça, o pequeno cachorro, de soslaio,  nota  o vulto de um ansioso tigre à procura de algo para saciar a fome.  O cão de imediato e a espera do bote, enche os pulmões e em voz alta pronuncia:

"Que tigre gostoso termino de saborear, me falaram que existe outro nesta mesma floresta e só me contento quando pegá-lo e  triturá-lo nos dentes,  para saberem quem é  rei desta área".

O Tigre recuou.  Trêmulo e cabisbaixo saiu devagarinho para não importunar o valente cachorro. O Safado do Macaco, que ouvia a tudo, balançou a cabeça desaprovando a atitude do cachorro, correu até o tigre que se afastava  silenciosamente da cena  e lhe disse:
 
"Comadre Onça deixe de ser besta, aquilo foi bravata, o cachorro encontrou aquela velha carcaça já em fase de ressecamento, e estava era roendo para não morrer de fome, a senhora foi enganada pelo magrelo cão."
 
O Tigre pegou corda, acreditou no Macaco e deu meia volta para sacrificar o cachorro. O Macaco que queria vê o circo pegar fogo, acompanhou por cima os passos do faminto tigre. 

O pequeno cão, que se encontrava deitado no tronco do umbuzeiro, mais uma vez sentiu e viu o Tigre se aproximar, não contou conversa. Numa atitude de argúcia, sabedoria e espírito de sobrevivência, levantou o tórax, equilibrou a cabeça, abriu os olhos, insuflou os pulmões na carga máxima, escangalhou os dentes e num tom seguro e de correção, abriu a bocarra e bradou em voz alta.

"Por onde anda aquele macaco safado, este sujeito  que  contratei para arranjar mais uma onça que não aparece, se não aparecer,  farei dele a  minha próxima refeição, triturarei nos dentes e nunca mais ele vai comer banana."

O velho e amedrontado Tigre ficou mais assombrado com o pequeno cão e tomou o caminho da floresta para nunca mais aparecer. 
 
                                Iderval Reginaldo Tenório

São atitudes como esta, que o homem tem que tomar para enfrentar as dificuldades da vida. Muitos são os tigres e numerosos os macacos. Agora a inteligência é a principal arma do homem.

           Esta Lenda é de domínio  popular e foi reescrita nesta versão simples e descontraída por este mortal. Iderval Reginaldo Tenório

Belchior - Populus

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YouTube · Alfredo Pessoa · 2 de out. de 2010

O HOMEM DO SERTÃO

 

Raça de Cachorro Africana | Basenji Africano

 

cachorro com tatu|Pesquisa do TikTok

 

O HOMEM DO SERTÃO      

 Ao ouvir o latido da cadela   Piaba, seu Joaquim, aos 76 anos, tomou o caminho da capoeira.

Animal de  latido forte, respiração ofegante e grunhido  estridente. Fungava desgovernadamente.     Ao lado as duas filhas, Baleia  e Peixinha,  abaixo do seu focinho um tatu peba prestes a escapar.

A presa brigava ferozmente pela vida, esperneava desesperadamente, não estava ali para morrer, três  contra um, era uma briga hercúlea, uma contenda desigual.

Piaba, a anciã,   estava cansada e  sem forças, Peixinha a caçula, uma cadela branca,   magra e  preguiçosa,  mal tinha coragem para latir, e quando latia, era um latido fino, curto, incompleto e sem expressão,  um latido sem identificação, sem força e sem coragem.  Peixinha era a retratação fiel do insucesso e da indiferença,  o seu latido não ecoava, não foi  registrado na mente dos racionais ou dos  irracionais da região.

Peixinha recebia  tudo nas mãos, sem  esforços, era uma voraz consumidora.  Na linguagem sertaneja, nascera sem faro, latia amiudado para tudo e para todos, no primeiro grito que levava, botava o rabo entre as pernas, baixava a cabeça,  transformava-se num pacote e saia sorrateiramente medindo os passos, apesar de nova, dormia muito e não tinha iniciativa.

Baleia,  a filha mais velha, era uma  cadela musculosa, dentes afiados, pontiagudos, amolados, língua grande e molhada, olhar fixo, pele sem defeito, focinho preto, patas largas, rabo comprido, branco com rajas  alaranjadas.  O seu latido era forte, latido de uma guerreira e  que todos os  cachorros da redondeza  respeitavam. 

Quando  Baleia latia, os outros cães escutavam com respeito.  A cadela tinha uma  inteligência aguçada, latia pouco e nunca se deitava dentro de casa, sempre  no oitão,  nos fundos ou na frente da morada. De  olhos abertos e  narinas dilatadas, sempre de prontidão e a observar a redondeza.

 No mato, quando saia para caçar, deixava o capiau junto à fogueira. Orelhas atentas e  narinas abertas, sondava o ambiente por todos os lados, qualquer balançar de  arbusto, estava lá Baleia a averiguar.  Com relação a caça,  primeiro deixava a presa cansar, exauridas  as forças, Baleia  aplicava o golpe final, sacrificava o animal. Herdara da mãe  todas as qualidades. Foi assim que a  cadela se comportou diante de sua mãe  no encalço do tatu peba.  A caça  não media esforços para escapar das garras da velha cadela. Disputava com a senil, a loteria da vida, todo o esforço é pouco para conquistar a ameaçada vida.   

Peixinha, a magrela,  latia para dentro, com medo e sem rumo, latia por latir.  Piaba exausta, ofegante, coração acelerado estava  entregando os pontos. Diante da cena, dos fatos e da luta,  a cachorra Baleia  tomou a dianteira. 

O tatu peba desorientado, cansado e acuado estava prestes a entrar na toca, e uma vez  emburacado, só sai quando se sente seguro. 

Muitas vezes a toca tem duas bocas, ele entra por uma e sai pela outra, e  deixa os caninos a latir, fuçar e farejar a boca de entrada até desistir.  Na maioria das vezes, só vira comida se o caçador cavar à sua procura, a cachorra sabe muito bem destes detalhes, nasceu vendo a sua mãe  caçar. 

A nova líder não titubeou, ficou frente a frente com a caça, mirou a sua cabeça, fixou as patas trazeiras no banco de areia  e fincou as presas no valente tatu, foi a gloria de seu Joaquim, foi o golpe final, mais uma etapa no ciclo da sobrevivência.

Ciclo da lida diária dos seres vivos, que fazem de tudo para  escapar da fome e permanecer vivo   nos esquecidos  sertões do Nordeste.

Os irracionais brigam entre si pela sobrevivência, os maiores eliminam os menores, lutam pela boia diária, mas não contribuem para o desequilíbrio da natureza, já os homens, em busca do pão de cada dia, abandonados pelos  poderosos,   lutam entre si e contra os animais, muitos em processo de extinção.

Os capiaus, num salvem-se quem puder, com as suas peixeiras, espingardas, enxadas, facões  e foices propiciam pequenas  devastações da fauna e da flora, numa luta desigual e desumana, brigam pela subsistência.   

 Neste dia, seu Joaquim, esposa e  filhos tiveram  carne para comer. Foi assim por muitos anos a vida dos Nordestinos natos da Serra do Araripe. Homens  da Caatinga, mãos grossas, voz gutural, tez esturricada, dentes falhos,  pensamento curto e mente limitada. Nordestinos  dos currais, dos roçados, das coivaras, das miragens, das crenças, da dependência e da    subserviência. 

Salvem-se quem puder, continua sendo o lema do árido Nordeste, regado pelos trovões da desinformação, da exploração  e da inexistência das chuvas de  cidadania .

 

                             Salvador, 17 de Abril de 2023

                                  Iderval Reginaldo Tenório

 

ESCUTEM ESTES DOIS SAMBAS ENREDO SOBRE O HOMEM DO NORDETSE.

A composição de Edeor de Paula foi interpretada na avenida por Nando e Baianinho[5].

Entre os cantores que regravaram o samba estão Mestre Marçal e Dudu Nobre[6]

 



Em Cima Da Hora 1976 - OS SERTÕES (SAMBA+LETRA)
YouTube Arthur Sambista
24 de ago. de 2018

MOCIDADE Carnaval 2023 - Sambas de Enredo - Clipe Oficial

www.youtube.com › watch
Assista agora o Clipe Oficial do samba enredo da Mocidade para o ... NORDESTINO, “RETIRANTE DA SAUDADE” MAIS UM FILHO DESSE SOLO PIONEIRO ...
YouTube · Rio Carnaval · 9 de fev. de 2023
 

 


O CORONÉ E A LUA DE MÉ

 


                                              O CORONÉ E A LUA DE MÉ

Este texto faz parte de minha trajetória e a minha entrada na SOBRAMES.  Lá encontrei ILDO SIMÕES, meu colega pneumologista e que me presenteou com esta poesia que já  publiquei  mais de 500mil cópias.

Um abraço ao meu colega da sobrames .

Ildo Simões um craque no que faz.

Do amigo

     Iderval Reginaldo Tenório





  

O CORONÉ E A LUA DE MÉ
  ILDO SIMÕES
 
Um certo doutor Tinoco
Já chegado nas idades
Paquerô menina nova
Uma verdadeira beldade
Mas em matéra de janero
Só tinha dele a metade.

Viajaram pra Paris
Pra passar lua de mé
Todo mundo comentava
Da menina e o Coroné
Sete dias de passeio
Sendo cinco no moté

No começo aquele fogo
Verdadeira patuscada
Dava três em cada tarde
E mais cinco por noitada
No quinto dia o vexame
Começou a fraquejada.

Cuidou da alimentação
Mas cada dia pió
Apelou pra bruxaria
Nem assim ficou mió.
Foi correndo ao celular
E pediu vaga no incó.

O coroné tomou o vôu
Lá pro  incó de sun Palo
Dispois de muitos ixames
Na barriga acharam um calo
O coração disparado e
O sangue muito ralo.

Juntaro os especialistas
De Jatene ao Diretor
E fizeram o veredicto
Sem ninguém se contra pôr
A sua doença é esclerose
Cum estravagança de amor.

É doença passagera
Pió se fosse maleita
Fique Carmo e confiante
Brochada nunca é disfeita
Vá correndo a Sarvador e
Mande aviá esta receita.

Um litro de catuaba
Nós moscada e pixulim
Vinte grama de castanha e
Um quilo de  amedoim
Erva de são Cipriano
Da feira de São Joaquim


Hoje em dia o coroné
Miorô  seu furunfá
Aprendeu que mingau quente
Só se come devagá
E fogo de mué nova
Tem que saber apagá.

Ildo Simões 
Médico, poeta e escritor