O MENINO
Zezinho,7 anos de idade, mora no campo e ainda não frequenta as escolas do imaginário humano. Sonha com este dia, porém é escolado na linguagem da natureza: A terra, a chuva, o sol, a lua, a noite, o dia, as águas, os ventos, as plantas, os animais domésticos, os silvestres, os pássaros, os insetos e até os répteis.
O Sol traz as queixas dos RIOS
O Sol, o líder do grupo AQUI NA TERRA, traz diversas queixas dos seus comandados. Os mares, as abelhas, as florestas, as montanhas e todo os que estão ao seu comando.
Os Rios andam assombrados e perplexos com o futuro, encontram-se exaustos e não aguentam as atrocidades praticadas pelos humanos. Cortam as árvores das suas margens, constroem habitações nos seus trajetos, desviam aleatoriamente as suas águas e jogam dejetos de todos os tipos nos seus leitos, lixos orgânicos, químicos, metais e os tóxicos. Reclamam que um dia poderão não suportar tais agressões e poderão perecer antes do tempo. Alertam que a promoção da vida é tarefa de todos.
Lembram que nas suas águas, vivem diversos tipos de vidas e por onde passam, alimentam milhares de outras vidas, tanto vegetais como animais e são as artérias da terra.
Transportam muitos nutrientes na suas águas e juntos aos oceanos, lagos, córregos, lagoas, açúdes, aquíferos e outros trajetos subterrâneos levam vida para todos.
Enfatizam que a Terra é viva e nunca para de se transformar, vive em metamorfose, depende das suas águas e dos nutrientes que nelas se encontram.
Apontam um grave crime que os humanos praticam contra os peixes, os seus principais moradores. Os peixes vivem felizes nas suas águas, suprem a cadeia alimentar, inclusive para os humanos. São peças importantes para todas as espécies que habitam a terra.
O que é inadmissível e sem defesa, é o fato dos humanos pescarem para o entretenimento, dizem que pescam pelo lazer, isto não é ético. Enquanto divertem-se e riem, maltratam os inocentes peixes e vangloriam-se das atrocidades praticadas. Um grande percentual dos peixes pescados e soltos morrem pelas as avarias sofridas. Os Rios não entendem, como um homem pode se sentir feliz em prender um peixe pela boca. Isto confirma o aforismo de que o homem é sanguinário e pensa que é o dono do planeta.
Veja um trecho do relato vivido por um dos rios:
“Os homens usam anzóis de metal camuflados com fragmentos de carne ou falsos peixes pequenos. O peixe pensa que é alimento e tenta engolir para matar a fome ou levar para as suas crias.
O pontiagudo ferro encrava na sua boca, o animal passa horas brigando para se livrar e não consegue. Sem forças, exausto e com ferimentos é vencido, os homens ficam felizes, pulam de contentamento por este satânico e criminoso ato, não se resignam e nem se comovem com as dores, o sofrimento e o pânico que passa aquele animal. Depois o expõem ao público, moralmente destruído, ridicularizado, envergonhado e como um troféu quase sem vida. Em seguida o solta na mesma água com avarias nos ossos e cartilagens da cabeça; boca, olhos, barbatanas, queixo, brânquias e garganta mortalmente feridas. É uma afronta à vida e um ato inescrupuloso, estes peixes morrerem pelos ferimentos sofridos.
O Rio pede ao Sol:
"Fale para os homens que carcaça de peixe não boia, afunda."
Diga que :
"Os Homens são criminosos e perversos ."
"Pesque e coma, não pesque como esporte e entretenimento, 90% dos peixes soltos morrem"
" Os homens são praticantes do SADISMO"
Salvador, 06 de Abril de 2026
Iderval Reginaldo Tenório


