Dr. Estácio Ferreira Ramos .

Maria Lúcia Ramos, Professora UFBA, 97 anos
Dr. Estácio Ferreira Ramos .

O blog foi criado para a cultura. Mostra o quanto é importante o conhecimento.Basta um click no artigo. Centro Médico Iguatemi,310.CLINICA SÃO GABRIEL LTDA- 33419630 33425331Participe ,comente, seja seguidor. DR IDERVAL REGINALDO TENÓRIO , 1954 , JUAZEIRO DO NORTE -CEARÁ. 08041988lgvi.1984 CHEGOU EM SALVADOR COM 18 ANOS , MEDICINA NA UFBA. CIRURGIÃO GERAL. driderval@bol.com.br ACESSEM DO AMIGO E RADIALISTA PERFILINO NETO O SEU SITE DE MUSICA eradoradio.com.br
Dr. Estácio Ferreira Ramos .

Maria Lúcia Ramos, Professora UFBA, 97 anos
Dr. Estácio Ferreira Ramos .

Dr.Estácio Ferreira Ramos .

ZEZITO, O PAI E A MÃE.
Diálogo 1
____Mamãe cadê papai?
____Não sei por onde ele anda. Deve está na rua tomando cachaça.
É só o que sabe fazer, além de covitar as descaradas da rua. As bandoleiras que ganham a vida se vendendo. Seu pai meu filho é um moleque, um desonesto, mentiroso e um mulherengo. É um escroque.
____Tá mamãe, tá bom.
Diálogo 2
___Papai, quem vai na minha escola falar com a professora hoje?
___Deveria ser a sua mãe, porém se ela for nada vai resolver. Não estuda, não trabalha, não sabe falar, não cuida bem da casa, é um zero à esquerda, você pode passar vergonha. Quem vai sou eu.
É assim que se forja um cidadão sem referências. Qual o cidadão que pode sair deste comportamento misógino do pai para com mãe e desta alienação parental da mãe para com o pai.
Muitos brasileiros, independente da classe social, vêm deste formato familiar. Crescem mergulhados em demandas psiquicas maléficas.
Iderval Reginaldo Tenório
Alienação parental?
Ao longo dos anos, a Psicologia ganhou grande importância para com o Direito e seus vários ramos.
No Direito de Família a relação entre a Psicologia e o Direito se intensificou em razão de problemáticas vividos pelas famílias. O divórcio e guarda geram processos entre os genitores e abalam a convivência e os vínculos familiares.
A síndrome de Alienação Parental (SAP), também conhecida pela sigla em inglês PAS, é o termo proposto por Richard Gardne, psiquiatra estadunidense, em 1985, para classificar uma grave situação dentro das relações de família. Demandas onde as crianças ou adolescentes são induzidas a destruir seus vínculos com um dos genitores ou com ambos.
São três conceitos que estão interligados e sustentam a ocorrência da violencia contra a mulher. A Misoginia é um sentimento de aversão patológico pelo feminino, que se traduz em uma prática comportamental machista, cujas opiniões e atitudes visam o estabelecimento e a manutenção das desigualdades e da hierarquia entre os gêneros, corroborando a crença de superioridade do poder e da figura masculina, induzindo ao Machismo, descendente direto do patriarcalismo doentio dos tempos das trevas sociais.
Da Justiça Brasileira.
Iderval Reginaldo Tenório
MUSICA DE FUNDO .
José de Assis Valente (Santo Amaro, Bahia 1911 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1958). Desenhista, protético e compositor. Nascido em 19 de março de 1911, separa-se dos pais muito cedo. Segundo ele, é roubado dos pais, José de Assis Valente e Maria Esteves Valente, e entregue a outra família para ser criado. A família adotiva força-o a realizar...
Pesquisem . abraços fortes .
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Como surgiu o São João, segundo seu Zé Totô
Relata seu
Zé que anos atrás, três irmãos: Toinho, Joãozinho e Pedrinho, na Serra do Araripe, inventaram uma brincadeira e deram o nome de Noite de São João.
Trabalhavam
o dia inteiro na roça de segunda a sexta e no sábado iam para a vila fazer compras. Domingo era dia de descanço.
Num belo domingo ensolarado
tiveram uma ideia e inventaram uma brincadeira.
Carregaram lenha o dia inteiro, o pai providenciou carnes, batatas e milho verde, a mãe e as irmãs fizeram bolo, aluá, café e chá. Foram até um sítio no Exú, pois lá morava um agricultor que tocava sanfona Pé de Bode, chamado Januário e o convidaram para tocar, ele trouxe a família inteira, montada numa tropa de jumentos.
Todo o povoado
tomou conhecimento. Á noite
ascenderam uma fogueira e começou o fuzuê até amanhecer o dia.
Muitos foram os casamentos e os batizados na redondeza. Devido a inteligência do Pedrinho, todos ficaram conhecidos na região. A festa foi tão boa que todos os anos era realizada.
Os comentários invadiram toda a região e depois todo o Nordeste. Escolas, clubes, fazendas e até as residências comuns passaram a fazer a festa. Muitos queriam aprender a tocar sanfona. Tocador tinha cartaz e arranjava muitas namoradas. A juventude e a igreja aguardavam o ano inteiro e a cada ano a festa foi aprimorada.
Jackson do Pandeiro que não é besta, falou com os três irmãos e solicitou o direito de compor e cantar uma música com este tema, prontamente permitido.
Diz seu Zé Totô que neste dia estava na festa, dançou a noite toida, foi batizado e ficou compadre de seu Januário. Comeu bolo de puba com café e aluá de abacaxi, não era permitido cachaça, a festa era de família.
Conheceu Zefinha, a irmã dos meninos, o casamento foi celebrado por Toinho, os batizados por Joãozinho e o Pedrinho fazia as cobranças. Hoje é pai de 18 filhos, uma ruma de netos e bisnetos.
Lembra como se fosse hoje uma história contada por Dona Santana, a esposa do velho Januário. Foi contada na última festa na casa do vaqueiro Raimundo Jacó, seu sobrinho, em Serrita.
Dona Santana contou que tem um filho que toca sanfona e que fugiu de casa por causa de surra que ela deu nele.
O bicho queria matar um grande amigo e professor do Exu por causa de um namoro. Falei braba com ele: " Nossa famia não pode ter assassino cabra safado" e baixei o reio de couro cru no seu espinhaço, ele correu e na saída pensava que Januário ia defender, o velho emendou e ele saiu catando ficha, neste dia dormiu nas capoeiras.
No outro dia mentiu dizendo que tinha achado um samba para tocar no Crato. Saiu cedinho, nós o abençoamos, vedeu a sua sanfona, pegou um caminhão que passava na Serra, se escafedeu no mundo e não mandava noticias. Só apareceu numa madrugada 20 anos depois. Safonona bonita, vestido na casimira, gordo que só um major, dirigindo um carrão.
Bateu na porta, Januário com um candeeiro aceso na mão não reconheceu. Ele disse que era o seu filho que tinha fugido. Januário não contou conversa e falou: "Isso é hora de chegar em casa seu corno".
O velho acordou todo mundo, era noite de lua, filhos como diabo. Foi uma madrugada de alegria e festas durante 15 dias. Aquele menino amarelo, zaroe, buchudo, franzino, zambeta, cabeça de papagaio, feio pra peste, era o agora Rei do Baião, o homem que deu alma e identidade ao povo nordestino.
Não sabe precisar a data, acha que foi por volta de 1947, pois tem lembranças que naquela época, acontecia uma guerra política muito grande por causa do Getúlio Vargas, que foi exopulso do governo pelo exécito.
Assim contou seu Zé Totô. Disse também que na Serra do Araripe todo mundo sabe desta história.
Zé Totô foi um grande contador de historias e leitor de Horóscopos da Serra do Araripe. Lia todos os Almanaques impressos no Brasil dos anos 50 e 60. Trabalhava com Papai, era um faz tudo e de tudo. Só contava histórias verídica e falava: "Não sou homem de mentira", só conto o que vi. Era a enciclopédia da região. Sabia ler mão, quando ia chover, quando aconteceriam os eclipses e se iria ter fartura, seguia literalmente o ditado:" Numa terra de cego, quem tem um olho é rei". Iderval Reginaldo Tenório
A Asa Branca em quatro etapas
PARTE I- 1947.
A ARRIBADA
HUMBERTO TEIXEIRA E LUIZ GONZAGA
O Nordeste Brasileiro, esquecido e vilipendiado por mais de quatro séculos, guarda segredos culturais, humanos e riquezas para o mundo.
Caatinga escaldada, desidratada, queimada pelo causticante sol, sacudido pelas lufadas dos ventos quentes e que reflete os raios solares como miragens, mimetizando espelhos de lagoas e tendo o céu azul cristalino como teto.
Bioma documentado por Raquel de Queiroz, em o Quinze e Graciliano Ramos, em Vidas Secas.
Ecossistema que guarda mistérios, como reverberaram o carioca Luiz Carlos Pereira de Sá, o Sá, e o baiano, da cidade de Barra, Guttemberg Nery Guarabyra Filho, o Guarabyra, em 1977, no clássico, O Sertão Vai Virar Mar, vaticinado pelo cearense de Quixeramobim, Antônio Conselheiro, líder da Guerra de Canudos, que aconteceu de 1896 a 1897, na Bahia, estraçalhada pelo Exercito Brasileiro no governo de Prudente de Moraes.
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, os genitores do baião, fizeram parceria para documentar o Nordeste.
Queriam um símbolo fidedigno, que representasse a alma de um povo sofrido, e que o orientasse na seca, fome, cheias e farturas. Estavam comprometidos e jurados, pelo destino, a compor uma obra musical irretocável.
Pensaram qual seria a figura viva nordestina, que poderia ser o seu símbolo e quais os acordes a serem entoados.
Não foi difícil para os dois gênios. Num estalo celestial, o predestinado pernambucano da Serra do Araripe, da cidade do Exu, Luiz Gonzaga, explanou para o experiente advogado, o cearense de Iguatu, Humberto Teixeira.
Assim se manifestou o iluminado sanfoneiro, filho de Santana e Januário, aquele que tirou o Nordeste da invisibilade.
" Dos seres vivos, da fauna nordestina, é o pássaro ASA BRANCA, o animal que prevê e foge da seca, e sabe quando ela terminará.
Foge do sertão nas épocas do estio e volta nas grandes aguadas. Foge da fome, do tédio e da tristeza, retorna nas chuvas, na alegria e na fartura, é o maior orientador deste povo".
Foi prontamente aceito, e com os olhos a marejarem, se abraçaram.
Ao mesmo tempo, Humberto matutava o outro tema, os acordes, a melodia. Fechou os olhos, apurou o cérebro, foi fundo, puxou pela mente e falou para o predestinado.
"Existe uma música folclórica, de domínio popular, cantada há mais de 200 anos e que a melodia continua viva na memória do povo, e é transmitida de geração em geração".
Cantarolou, de boca fechada, o gemido encravado na mente, e lá do fundo, guturalmente, veio brotando e aflorando com toda a força da natureza, a melodia regional, plantada e replantada de geração em geração, e que, recuperada e com refinamentos nos acordes, seria plantada em solo fértil para toda a nação.
O Luiz cerrou os olhos e viajou no tempo. Foi fundo na memória, resgatou da seca de 1918, quando estava com 06 anos de idade, os episódios hibernados na mente, quando saboreava mingau da massa da mucunã, reforçada com massa do jatobá para saciar a fome.
O abraço foi reforçado e os lenços insuficientes para enxugarem as lágrimas dos dois sobreviventes, genuínas Asas Brancas.
A ASA BRANCA foi oficializada, como a representante do nordeste e a centenária melodia, o seu lamento. Juntos, criaram a música Asa Branca, considerada a alma e o hino do Nordeste.
Em pleno ano de sofrimento e dificuldades, 1947, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, autores de Baião, Juazeiro, Respeita Januário e Meu Pé de Serra conseguiram documentar o êxodo do Nordestino para o Sul, utilizando como símbolo a Asa Branca e as suas propriedades meteorológicas.
Foram ao âmago de cada um, e aos prantos, documentaram com fidedignidade um povo, com a pérola ASA BRANCA.
Ali nascia um mistério real, mostrando para a eternidade o sofrimento, o labutar, a coragem e o quanto é forte o homem do Nordeste brasileiro.
Iderval Reginaldo Tenório
Posfácio
Luiz Gonzaga e os seus parceiros foram os maiores documentadores dos fatos brasileiros, o país está retratado nas suas obras.
Mais de 1000 músicas gravadas, mais de 100 LPs próprios, participação em mais de 1000 de outros artistas.
Cada episódio, cada cidade, cada amigo, cada momento e cada povo está pinçado, ovacionado, registrado, imortalizado e reverberado na mais autêntica voz do Brasil, LUIZ GONZAGA DO NASCIMENTO, o imortal rei do baião, um gênio que nunca desafinou.
" Vai, boiadeiro, que a noite já vem
Guarda o teu gado e vai pra junto do teu bem"
Klecius Caldas / Armando Cavalcante
Asa Branca
Compositores: Humberto Teixeira / Luiz Gonzaga
Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por falta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Hoje longe, muitas légua
Numa triste solidão…
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar ai pro meu sertão
Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração
.
Para onde vai a sociedade brasileira?
O que mudou?
Na formação com os nossos pais ouvíamos que o homem tinha que ser honesto, solidário e verdadeiro.
Hoje prega-se a mentira, desonestidade, ódio e maledicência.
A mulher, esta pérola, atuava com tanta lisura, que os filhos seguiam os seus ensinamentos sem pestanejar, uma vez que, é a mulher o bastião moral de uma família e leva enfileirada todas as suas gerações. Ao homem, além formação moral, cabia a propriedade laboral para sustentar a família.
Trabalhos mostram que a mãe é o espelho mor da família. Sendo ela exemplar, o comportamento duvidoso do pai pouco influenciará na formação ética dos filhos. Sendo os dois examplares, só a excessão tomará rumo deletério à sociedade.
O que mudou?
Mudou o modelo das famílias e que muitos ainda não entenderam.
A mulher se profissionalizou e passou a assumir outras propriedades. Uma das mais importantes foi o sustento da família, muitas vezes sozinha, o que levou ao afrouxamento da educação dos filhos. Estes passaram a ser da responsabilidade do Estado Laico, da sociedade desastida, dos gestores e menos da mãe.
Aos poucos foram perdendo a ligação com a mãe e ganhando propriedades artificiais dos códigos disciplinares, todos do imaginário humano e sob os ditames das leis, inclusive nos primeiros anos de vida com as creches. A formação e a família passaram para a seára cartorial.
A mulher ganhou independência financeira, cognominada de crescer na vida e perdeu a autonomia na família. Tudo foi terceirizado. A familia ficou sem rumo, sem prumo e sem raízes.
Os heróis deixaram de ser os genitores de primeira, segunda e terceira geração. Hoje esses heróis são os artistas, os influenciadores e gestores públicos. Os consaguineos passaram a ser conservadores e arcaicos.
A mãe ganhou na pecúnea e perdeu a liberdade, isto é, o direito sublime de educar as crias.
Hoje o importante não é a honestidade, a verdade e nem o respeito. As maiores virtudes são: dinheiro, enganação, mentira e o poder.
É uma sociedade doente. É uma ode a Lampião, Robin Hood, Chi Jin Ping, Maduro, Ortega, Mao Tse Tung, Kim Jong-un, Putin, Khamenei e semelhantes.
É o fim. É o sepultamento da Democracia. É a existência de muitos forjadores de idólatras que possuem técnicas infalíveis para fabricá-los, independente do nível financeiro, cultural e social, uma vez que mais de 80% dos seres humanos são influenciáveis.
Tem mais: na balança política, o Brasil está se aproximando demais dos regimes DITATORIAIS.
LEMBREM-SE DOS KAMIKAZES DO JAPÃO E DOS SUICÍDAS DO AFGANISTÃO.
Iderval Reginaldo Tenório.
A Asa Branca em quatro etapas
Gonzaga, Humberto Teixeira, Zé Dantas, João
Silva e Marcolino.
PARTE
I- 1947.
A ARRIBADA
HUMBERTO TEIXEIRA E LUIZ GONZAGA
O Nordeste Brasileiro, esquecido e
vilipendiado por mais de quatro séculos, guarda
segredos culturais, humanos e riquezas para o mundo.
Caatinga escaldada, desidratada, queimada pelo causticante sol, sacudido pelas
lufadas dos ventos quentes e que reflete os raios solares como miragens,
mimetizando espelhos de lagoas e tendo o céu azul cristalino como teto.
Bioma documentado por Raquel de Queiroz, em o Quinze e Graciliano Ramos, em Vidas Secas.
Ecossistema que guarda mistérios, como reverberaram o carioca Luiz Carlos Pereira de Sá, o Sá, e o baiano, da cidade de Barra, Guttemberg Nery Guarabyra Filho, o Guarabyra, em 1977, no clássico, O Sertão Vai Virar Mar, vaticinado pelo cearense de Quixeramobim, Antônio Conselheiro, líder da Guerra de Canudos, que aconteceu de 1896 a 1897, na Bahia, estraçalhada pelo Exercito Brasileiro no governo de Prudente de Moraes.
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, os genitores do baião, fizeram parceria para documentar o Nordeste.
Queriam um
símbolo fidedigno, que representasse a alma de um povo sofrido, e que o
orientasse na seca, fome, cheias e farturas.
Estavam comprometidos e jurados, pelo destino, a compor uma obra
musical irretocável.
Pensaram qual seria a figura viva nordestina, que poderia ser o seu símbolo e quais os acordes a serem entoados.
Não foi difícil para os dois gênios. Num estalo celestial, o predestinado pernambucano da Serra do Araripe, da cidade do Exu, Luiz Gonzaga, explanou para o experiente advogado, o cearense de Iguatu, Humberto Teixeira.
Assim se manifestou o iluminado sanfoneiro, filho de Santana e Januário, aquele que tirou o Nordeste da invisibilade.
" Dos seres vivos, da fauna nordestina, é o pássaro ASA BRANCA, o animal que prevê e foge da seca, e sabe quando ela terminará.
Foge do sertão nas épocas do estio e volta nas grandes aguadas. Foge da fome, do tédio e da tristeza, retorna nas chuvas, na alegria e na fartura, é o maior orientador deste povo".
Foi prontamente aceito, e com os olhos a marejarem, se
abraçaram.
Ao mesmo tempo, Humberto matutava o outro tema, os acordes, a melodia. Fechou os olhos, apurou o cérebro, foi fundo, puxou pela mente e falou para o predestinado.
"Existe uma música folclórica, de
domínio popular, cantada há mais de 200 anos e que a melodia
continua viva na memória do povo, e é transmitida de geração em
geração".
Cantarolou, de boca fechada, o gemido
encravado na mente, e lá do fundo, guturalmente, veio brotando e aflorando com toda a força da natureza, a melodia regional, plantada e replantada de geração em geração, e que, recuperada e com refinamentos nos acordes, seria plantada em solo fértil para toda a nação.
O Luiz cerrou os olhos e viajou no tempo. Foi fundo na memória, resgatou da seca de 1918, quando estava com 06 anos de idade, os episódios hibernados na mente, quando saboreava mingau da massa da mucunã, reforçada com massa do jatobá para saciar a fome.
O abraço foi
reforçado e os lenços insuficientes para enxugarem as lágrimas dos dois
sobreviventes, genuínas Asas Brancas.
A ASA BRANCA foi oficializada, como a
representante do nordeste e a centenária melodia, o seu lamento. Juntos, criaram a música Asa Branca, considerada a alma e o hino do Nordeste.
Em pleno ano de sofrimento e dificuldades, 1947, Luiz
Gonzaga e Humberto Teixeira, autores de Baião, Juazeiro, Respeita Januário e Meu
Pé de Serra conseguiram documentar o êxodo do
Nordestino para o Sul, utilizando como símbolo a Asa Branca e as
suas propriedades meteorológicas.
Foram ao âmago de cada um, e aos prantos, documentaram com fidedignidade um povo, com a pérola ASA BRANCA.
Ali nascia um mistério real, mostrando
para a eternidade o sofrimento, o labutar, a coragem e o quanto é
forte o homem do Nordeste brasileiro.
PARTE
II -1950- O RETORNO
A VOLTA DA ASA BRANCA
JOSÉ DANTAS E LUIZ GONZAGA
O tempo passou, as chuvas voltaram, o capim e as babujas
renasceram, os pássaros cantaram, os sapos e as rãs coaxaram, e a
Asa Branca ouvindo o ronco do trovão, retornou ao seu lar, numa salva de
alegrias, bucho cheio, água em abundância e muita esperança.
Com este cenário, o médico pernambucano, de Carnaíba e
dos sertões do Pajeú, José Dantas, autor de Xote das Meninas, Acauã,
Sabiá, Riacho do Navio, Samarica Parteira e Vozes da Seca
escrevinhou A VOLTA DA ASA BRANCA.
Tudo verde, tudo belo e muita fartura na Chapada do
Araripe, da Borborema, nos sertões do Pajeú, do Seridó, no
Cariri Cearense, no Cariri Paraibano e em todos os recantos nordestinos.
Isto foi em 1950, para 02 anos depois, a
Asa Branca anunciar mais um período de seca, mais um
período para esturricar o sertão e iniciar mais um êxodo
à procura do DICOMÊ.
Sabe o sertanejo, que um ano de seca, consome dez
anos de fartura, está aí a segunda fase do Rei Luiz a cantar o seu sofrido povo
e a sua esturricada terra.
PARTE III-
1983- O PROJETO ASA BRANCA
A IRRIGAÇÃO, A ÁGUA PARA O
NORDESTE.
JOSÉ MARCOLINO E LUIZ GONZAGA
Em 1978, indicado pelo Presidente Ernesto Geisel, o
Dr. Marcos Maciel conduziu o Estado de
Pernambuco, como governador biônico. Este prometeu ao Luiz Gonzaga,
água para o povo sofrido da Chapada do Araripe e criou o Projeto Asa
Branca.
Para homenagear e documentar o fato, o
Luiz, junto ao paraibano de Várzea Paraíba, distrito de São
Tomé, hoje município de Sumé, José Marcolino Alves, autor de
Numa Sala de Rebôco, Cacimba Nova, Quero Chá, Cantiga do Vem-vem e Pássaro Carão lançaram
em 1983 a música PROJETO ASA BRANCA.
PARTE IV. 1984 -A RODOVIA
ASA BRANCA
UMA ESTRADA ASFALTADA PARA O EXÚ, BODOCÓ E OS SEUS
SERTÕES.
JOÃO SILVA E LUIZ GONZAGA
João Silva, pernambucano de Arcoverde, autor
de Nem se despediu de mim, Tá Danado de Bom, Pagode Russo, De fiá
Pavi e Viva meu Padim, o maior parceiro do Luiz da era
moderna, o período pós êxodo.
O João que vivia ao lado do rei, como vivia
o Dominguinhos, resolveu, junto ao Rei, documentar a chegada do
asfalto na terra de seu Luiz.
Dos anos de 1984 a 1986, o Governador do Ceará, LUIZ GONZAGA DA FONSECA MOTA e
o Governador de Pernambuco, Roberto Magalhães
Melo resolveram pagar uma dívida ao maior símbolo musical do
Nordeste.
Para este intento decidiram asfaltar o trecho que
vai da Cidade do Crato, no Ceará, ao Exu em Pernambuco, mais
de 80 quilômetros, cortando a Chapada do Araripe, hoje patrimônio da
humanidade.
A esta estrada deram o nome- RODOVIA ASA BRANCA e
coube a João Silva compor a música Rodovia Asa Branca, imortalizada na voz mais
nordestina dos nordestinos, o filho de seu Januário e de dona Santana, Luiz
Gonzaga do Nascimento.
Estes episódios mostram, que a arte é
uma das melhores maneiras de documentação desde os primórdios do mundo. É
de alvitre saber que foram os cordelistas, os repentistas e os pequenos
escritores que documentaram mais de mil anos da história da humanidade. Vide o
cangaço, o Padre Cícero, as grandes batalhas e os diversos fatos que hoje são
resgatados com precisão, no Brasil e no mundo.
Conheça o Rodolfo Coelho Cavalcante, Otacílio Batista, Geraldo Amâncio,
Patativa do Assaré, Pedro Bandeira de Caldas, Bule
Bule, Ivanildo Vila Nova e outros monstros do
repente, pulverizados em todo o Nordeste.
Luiz Gonzaga foi o maior documentador e documentarista
dos fatos brasileiros. O Brasil está retratado nas suas obras. Cada
episódio, cada povo, cidades, amigos e costumes estão pinçados
e reverberados na mais equilibrada e suave voz do Brasil, a do imortal
LUIZ GONZAGA DO NASCIMENTO.
Cinco imortais de peso. Luiz Gonzaga, Zé Datas, Humberto
Teixeira, João Silva e José Marcolino. Dentre eles, um gênio, filho
das cidades do Exu, Crato e de Juazeiro do Norte, terra do
Padre Cícero, meu Padim, o santo dos sertões. Gênio que resgatou a
cidadania de um povo, o tirando da invisibilidade da vida, Luiz Gonzaga do
Nascimento, o pernambucano do século.
Um pássaro, uma chapada, a seca, a chuva, uma estrada e
depois a irrigação. Estes fatos, acontecidos no Nordeste Brasileiro, foram
documentados com o nome ASA BRANCA por cinco nordestinos de valor,
considerados pelos mesmos, verdadeiros sobreviventes.
Iderval Reginaldo Tenório
Posfácio
Luiz Gonzaga e os seus parceiros foram os maiores
documentadores dos fatos brasileiros, o país está retratado nas suas
obras.
Mais de 1000 músicas gravadas, mais de 100 LPs próprios,
participação em mais de 1000 de outros artistas.
Cada episódio, cada cidade, cada amigo, cada momento e
cada povo está pinçado, ovacionado, registrado, imortalizado e reverberado na
mais autêntica voz do Brasil, LUIZ GONZAGA DO NASCIMENTO, o
imortal rei do baião, um gênio que nunca desafinou.
" Vai, boiadeiro, que a noite já vem
Guarda o teu gado e vai pra junto do teu bem"
Klecius Caldas / Armando Cavalcante
Asa Branca
Compositores: Humberto Teixeira / Luiz Gonzaga
Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por falta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Hoje longe, muitas légua
Numa triste solidão…
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar ai pro meu sertão
Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração
Luiz
Gonzaga - Asa Branca (Rei do Baião) - YouTube
www.youtube.com/watch?v=cWiJL0_yj9c
A VOLTA DA ASA BRANCA -
Zé Dantas e Luiz Gonzaga
Já faz três noites
Que pro norte relampeia
A asa branca
Ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas
E voltou pro meu sertão
Ai, ai eu vou me embora
Vou cuidar da prantação
A seca fez eu desertar da minha terra
Mas felizmente Deus agora se alembrou
De mandar chuva
Pr'esse sertão sofredor
Sertão das muié séria
Dos homes trabaiador
Rios correndo
As cachoeira tão zoando
Terra moiada
Mato verde, que riqueza
E a asa branca
Tarde canta, que beleza
Ai, ai, o povo alegre
Mais alegre a natureza
Sentindo a chuva
Eu me arrescordo de Rosinha
A linda flor
Do meu sertão pernambucano
E se a safra
Não atrapaiá meus pranos
Que que há, o seu vigário
Vou casar no fim do ano.
Compositores: Luiz Gonzaga / Ze Dantas
www.youtube.com/watch?v=whKGCQiD7iY
Rodovia Asa Branca
Eu vi um dia
Dois homens fazer um trato
De ligar Exu ao Crato
Pernambuco ao Ceará
O homem de cá
Trabalhou chegou primeiro
E o de lá também ligeiro
Num dançou eu chego lá
Olha o homem aí
É gente da gente
Olha o homem aí
Alegre e contente
Olha os homen aí
É o povo que diz
Olha os homen aí
Juntos com Luiz
Roda, rodada
Rodando, roda rodeia
Rodovia, Asa Branca
Tá todinha prá você
Olha o homem aí....
www.youtube.com/watch?v=NHkL54Gugjc
Projeto Asa Branca
Luiz
Gonzaga/ ZÉ MARCOLINO
Ainda não temos a cifra desta música. Contribua!
Louvado seja Deus
Abençoada a canção
Louvado seja o homem
Que dá água pro sertão
Bendito foi o momento
De divina inspiração
Quando feita a conclusão
De um grande planejamento
Dia onze de dezembro
Do ano setenta e nove
Vem à tona e se promove
Uma idéia rica e franca
Marco Antonio Maciel
Criou o Projeto Asa Branca
Dia vinte e um de março
Data marcante, ano oitenta
Maciel num tempo escasso
Prevendo a seca cruenta
Na cidade de salgueiro
Promoveu o lançamento
Para o engrandecimento
Da terra em sua mensagem
Consagrou esse projeto
Pra salvação da estiagem
Parabéns sertão e agreste
Pela graça que hoje alcança
Com a cor da esperança
Toda a região se veste
Tantas obras preventivas
Por ele realizadas
Açude, barragem, estrada
Para comunicação
Prendendo as águas dos rios
Pela perenização