Morre Angelita Gama, médica
pioneira da coloproctologia no Brasil
ela foi a primeira mulher
professora titular de especialidade cirúrgica da USP
Por O Globo — Rio de
Janeiro
31/05/2026 08h57 Atualizado há
uma hora
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Morre Angelita Gama, médica pioneira da coloproctologia no Brasil e referência
mundial no tratamento do câncer de reto, aos 94 anos — Foto:
Reprodução/Instagram
A Prof.ª Dra. Angelita Habr-Gama,
uma das principais referências da medicina brasileira e pioneira da
coloproctologia no país, morreu no sábado (30), informou o Hospital Alemão
Oswaldo Cruz em nota divulgada neste domingo. A médica estava internada na
instituição desde 6 de maio
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Superação aos 88 anos: Médica
passou 50 dias intubada em UTI, se curou da Covid-19 e voltou a fazer cirurgias
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Veja lista: Os
10 melhores hospitais públicos do Brasil em 2026
Professora, pesquisadora e
cirurgiã coloproctologista, Angelita atuava no Centro Especializado em Aparelho
Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e construiu uma trajetória marcada
por pioneirismo acadêmico, reconhecimento internacional e contribuições
decisivas ao tratamento do câncer de reto.
Angelita era reconhecida no meio
médico como uma das mais brilhantes cirurgiãs do país. Integrante do corpo
clínico da instituição desde 1980, sua presença era motivo de orgulho para
colaboradores e equipes médicas.
Quem foi Angelita Gama?
Nascida em 25 de julho de 1931,
Angelita Habr-Gama foi a primeira mulher a tornar-se professora titular de uma
especialidade cirúrgica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
(USP), na área de coloproctologia. Posteriormente, tornou-se também a primeira
mulher a ingressar como membro honorário da American Surgical Association,
sociedade cirúrgica centenária dos Estados Unidos.
A médica Angelita Gama, pioneira
da coloproctologia no Brasil — Foto: Arquivo pessoal
Ao longo da carreira, criou a
disciplina de Coloproctologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina
da USP e atuou no Instituto Angelita & Joaquim Gama de Coloproctologia e
Cirurgia Digestiva, onde exerceu papel de mentora e orientou inúmeros
especialistas.
Sua atuação extrapolou a prática
clínica e acadêmica. Angelita fundou e presidiu a Associação de Prevenção do
Câncer de Intestino e teve o nome incluído na lista dos 2% de cientistas mais
influentes do mundo, ranking atribuído à Universidade Stanford.
Entre as honrarias recebidas estão
o “Mérito Santos-Dumont” e a “Medalha do Pacificador”, concedida em 1998 pelo
então presidente Fernando Henrique Cardoso. A médica também foi eleita uma das
mulheres mais influentes do Brasil pela revista Forbes.
Protocolo mudou tratamento do
câncer de reto
Um dos principais legados de
Angelita Habr-Gama está associado ao desenvolvimento e à difusão do protocolo
“Watch and Wait”. O método permite o tratamento com preservação do reto em
pacientes selecionados com câncer e já beneficiou milhares de pessoas no mundo,
tornando-se referência em diretrizes internacionais da especialidade.
A médica Angelita Gama, pioneira
da coloproctologia no Brasil — Foto: Arquivo pessoal
A médica é descrita pelo Hospital
Alemão Oswaldo cruz como uma líder acadêmica e formadora de gerações de
cirurgiões. Segundo a instituição, sua trajetória a transformou em um ícone da
coloproctologia e em exemplo de dedicação à ciência, à docência e à vida
humana.
Em manifestação conjunta, o
conselho de administração, a direção, o corpo clínico, a equipe assistencial e
os colaboradores do hospital lamentaram a morte da médica e afirmaram estar
"profundamente consternados com esta perda irreparável para medicina
brasileira".
"Perdemos uma grande
profissional e uma colega de quem sempre iremos nos lembrar com respeito,
gratidão, carinho e admiração", diz a nota.
O hospital também manifestou
solidariedade à família: "Nos solidarizamos com a família neste momento de
grande dor".
Sobreviveu à Covid-19 e voltou
ao centro cirúrgico aos 88 anos
A trajetória de Angelita Habr-Gama
também foi marcada por uma batalha pessoal contra a Covid-19. Em 2020, aos 88
anos, a médica ficou internada por 50 dias no Hospital Alemão Oswaldo Cruz após
desenvolver quadro grave da doença.
Internada em 18 de março daquele
ano, Angelita teve comprometimento pulmonar, precisou ser intubada e permaneceu
sedada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Em entrevista à BBC News Brasil
após a recuperação, relembrou a gravidade do quadro:
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Superação aos 88 anos: Médica
passou 50 dias intubada em UTI, se curou da Covid-19 e voltou a fazer cirurgias
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10 melhores hospitais públicos do Brasil em 2026
Professora, pesquisadora e
cirurgiã coloproctologista, Angelita atuava no
Centro Especializado em Aparelho
Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
e construiu uma trajetória marcada por
pioneirismo acadêmico, reconhecimento internacional
e contribuições decisivas ao tratamento do
câncer de reto.
Angelita era reconhecida no meio
médico como uma das mais brilhantes
cirurgiãs do país. Integrante do
corpo clínico da instituição desde 1980,
sua presença era motivo de orgulho
para colaboradores e equipes médicas.
Quem foi Angelita Gama?
Nascida em 25 de julho de 1931,
Angelita Habr-Gama foi a primeira mulher
a tornar-se professora titular de
uma especialidade cirúrgica da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo
(USP), na área de coloproctologia. Posteriormente,
tornou-se também a primeira mulher a ingressar
como membro honorário
da American Surgical Association,
sociedade cirúrgica centenária dos Estados Unidos.
A médica Angelita Gama, pioneira
da coloproctologia no Brasil —
Foto: Arquivo pessoal
Ao longo da carreira, criou a
disciplina de Coloproctologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina
da USP e atuou no Instituto Angelita & Joaquim Gama de Coloproctologia
e Cirurgia Digestiva, onde exerceu
papel de mentora e orientou inúmeros especialistas.
Sua atuação extrapolou a prática
clínica e acadêmica. Angelita fundou e presidiu
a Associação de Prevenção do
Câncer de Intestino e teve o nome incluído
na lista dos 2% de cientistas mais
influentes do mundo, ranking atribuído à Universidade Stanford.
Entre as honrarias recebidas estão o “Mérito Santos-Dumont” e a “Medalha do Pacificador”,
concedida em 1998 pelo
então presidente Fernando Henrique Cardoso.
A médica também foi eleita uma das
mulheres mais influentes do Brasil pela revista Forbes.
Protocolo mudou tratamento do
câncer de reto
Um dos principais legados de
Angelita Habr-Gama está associado ao
desenvolvimento e à difusão do
protocolo “Watch and Wait”. O método
permite o tratamento com preservação do reto
em pacientes selecionados
com câncer e já beneficiou milhares de pessoas
no mundo, tornando-se
referência em diretrizes internacionais da
especialidade.
A médica Angelita Gama, pioneira
da coloproctologia no Brasil — Foto:
Arquivo pessoal
A médica é descrita pelo Hospital
Alemão Oswaldo cruz como uma líder acadêmica e formadora de gerações de
cirurgiões. Segundo a instituição, sua trajetória
a transformou em um ícone da
coloproctologia e em exemplo de dedicação
à ciência, à docência e à vida humana.
Em manifestação conjunta, o
conselho de administração, a direção, o corpo
clínico, a equipe assistencial e os
colaboradores do hospital lamentaram
a morte da médica e afirmaram estar "profundamente consternados com esta perda
irreparável para medicina
brasileira".
"Perdemos uma grande
profissional e uma colega de quem sempre
iremos nos lembrar com respeito,
gratidão, carinho e admiração",
diz a nota.
O hospital também manifestou
solidariedade à família:
"Nos solidarizamos com a
família neste momento de grande dor".
Sobreviveu à Covid-19 e voltou
ao centro cirúrgico aos 88 anos
A trajetória de Angelita Habr-Gama
também foi marcada por
uma batalha pessoal contra a Covid-19. Em
2020, aos 88 anos,
a médica ficou internada por 50 dias no
Hospital Alemão Oswaldo Cruz após
desenvolver quadro grave da
doença.
Internada em 18 de março daquele
ano, Angelita teve comprometimento pulmonar,
precisou ser intubada e permaneceu
sedada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Em entrevista à BBC News Brasil
após a recuperação, relembrou a gravidade do quadro:
— Não achei que resistiria. Era um
quadro muito grave — relatou, na época.
A médica havia retornado ao Brasil
dias antes, após viagem à Europa e
participação em congresso internacional em
Jerusalém. Embora acreditasse
ter sido infectada durante a
viagem, não descartava a possibilidade de
contágio em um evento de lançamento de sua
biografia, realizado
em São Paulo.
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