A HOMOSSEXUALIDADE, A NATUREZA E OS CONCEITOS SOCIAIS
Ultimamente, o mundo tem vivido momentos inusitados, ora machista, ora homofóbico, e instantaneamente vem na mente das pessoas o que diz o livro sagrado. De imediato surgem discriminatórias interrogações: É você contra ou a favor do relacionamento gay?
Do ponto de vista genético, econômico, social e político a humanidade atravessa uma fase de transformação.
Nos seus conceitos, os cientistas demonstram nas pesquisas, que a homossexualidade não é uma doença, não é homossexualismo, o fator principal é inato e involuntário e que nenhum cidadão ou cidadã tem culpa em apresentar esta tendência, da mesma maneira que não tem culpa de ser heterossexual.
Os termos curado ou recuperado, como alguns apregoam, não cabem e nem devem ser usados, uma vez que não é doença e não se trata de crime, pois não comete ilícito o ser humano que descobre a sua orientação sexual por pessoas do mesmo sexo.
A vida demonstra que ao assumir a sua orientação sexual, o ser humano retira das costas muitas amarras e progride em todos os seus desejos sociais, seja familiar, ético, de cidadania, religioso ou profissional; o homossexual passa a ser realmente um cidadão com todos os direitos e deveres pertinente a todos os seres humano, ele abandona a performance de camuflagem.
No estudo etológico, sendo a conduta animal um modelo para o homem, foi demonstrado que nos irracionais esta é uma das maneiras de os animais preservarem as suas vidas.
Cardumes inteiros de algumas espécies de peixes são constituídos na sua maioria de fêmeas, uma vez que muitos machos se feminizam ou neutralizam-se na presença dos machos ou fêmeas condutores ou dominantes.
Os lobos, involuntariamente, baixam as suas guardas, botam a calda entre as pernas e oferecem o traseiro ao lobo alfa, num gesto de obediência e de submissão, em troca de comida e da vida.
Atitudes semelhantes, e mais evidentes, acontecem com os. golfinhos, os Chimpanzés, os Macacos, as Girafas, as Baleias, os Cisnes, os Bisões e outros animais. Quem manda e comanda é a liderança: tudo pela sobrevivência da espécie.
Nos seres humanos o fenômeno existe, porém de outra maneira, não pela submissão e nem pela defesa à vida. O fenômeno humano emana dos regimentos culturais, sociais, filosóficos, políticos e econômicos.
As sociedades mais evoluídas, mais cultas, mais sociáveis político e economicamente independentes, têm uma tendência a se desligarem dos entraves impostos pela sociedade machista, desde as primeiras civilizações. Eles circulam sem atritos no universo dos antigos conservadores bíblicos, dos arcaicos conceitos e vivem com ou sem o menor grau de preconceitos. Muitos, sexualmente, se descobrem e se revelam definitivamente da terceira à quinta década da vida, quando estão bem profissionalmente, adultos e sem amarras familiares, tanto os masculinos como os femininos.
Aliado a este fenômeno, o crescimento sociopolítico econômico das mulheres e a revolução feminina num crescente, vêm ocupando espaços antes capitaneados pelos homens, consequentemente surgem grupos de mulheres que assumem os comandos e as lideranças, algumas, ajudadas pela elevada taxa da testosterona endógena, naturalmente presente em todas as mulheres numa taxa baixa. É a testosterona, acoplado à ocitocina, endorfina, dopamina e a serotonina, o hormônios do prazer e do misterioso orgasmo, enquanto o estrógeno, o da preparação, elasticidade e lubrificação vaginal.
A elevação natural ou artificial de 10% da testosterona nas mulheres proporciona maior desempenho das atividades físicas, força muscular, desejo sexual e robustez na voz, passando à interlocutora firmeza e segurança. É o que esperam as mulheres dos seus parceiros sexuais. Com estas propriedades, muitas passaram a ser os pontos de referências e de convergências dos seus grupos, de suas comunidades ou das sociedades das quais fazem parte. Para este tipo de mulher, ouve uma escassez de homem à altura.
Na sociedade atual, as mulheres cresceram e crescem, enquanto os homens estacionaram ou regridem do ponto de vista social, sumindo do universo feminino; deixaram de atrair mulheres e são quase indiferentes ao sexo oposto. Com estas propriedades, as mulheres alfas passaram a conquistar a confiança, a simpatia e o amor das pessoas do mesmo sexo. Como as amarras, o atraso e o arcaísmo foram e estão sendo eliminados, o fenômeno natural da homossexualidade passou a fluir normalmente, como ocorre na natureza com todas as espécies, e não seria diferente com os humanos, de modo que, de diferente, apenas o modus operandi, que em vez da submissão, no humano, predominam a inteligência e a revelação da orientação sexual.
Hoje se discute o sexo dos seres humanos, se masculino ou se feminino, como fatos do passado: Gênero sexual é uma coisa e orientação sexual é outra.
O sexo refere-se aos aspectos anatômicos, morfológicos e fisiológicos (genitália, cromossomos sexuais, hormônios), enquanto gênero remete aos significados sociais, culturais, históricos e associados aos sexos, é a homoafetividade. Pode haver uma atração por pessoas do mesmo sexo ou inexistir atração por qualquer um dos sexos.
A identidade do gênero sexual refere-se ao gênero com o qual a pessoa se identifica, homem ou mulher ou fora do convencional. Esta identidade é formada até os três primeiros anos de vida e é muito difícil de se mudar, sofre influência da família, da religião, da etnicidade e do trabalho. Esta identidade dita o modelo das roupas, do cabelo, a entonação da voz, a maneira do andar e os costumes, e pode estar ligada ou não à orientação sexual.
A neurociência mostrou que a orientação sexual do ser humano é inata, é determinada biologicamente até mesmo antes do nascimento.
Interessar-se sexualmente por homens ou mulheres é algo que seu cérebro faz automaticamente, orientação não é opção, o ser não opta, ele já nasce com a orientação. A descoberta é apenas questão de tempo. Assume publicamente, abraça e curte ou tenta abafar, esconder, ou mesmo ir contra ela.
A orientação sexual não se muda, não se escolhe, ela é inata, o indivíduo no decorrer da vida descobre e assume ao decretar a sua independência. É o fulcro principal do respeito que a sociedade deve aos homossexuais, ao vir ao mundo a orientação sexual faz parte do Eu de cada cidadão.
Para a sociedade atual, o importante é o cérebro, isto é, a inteligência, a profissão, a ética, o humano politicamente falando.
O importante é ser cidadão ou cidadã alforriados. São as propriedades que interessam à sociedade, a orientação sexual é um fenômeno íntimo, particular e que só interessa ao Eu de cada um. O lado íntimo tem pertinência com ele mesmo; pesam mais a independência e a contribuição do indivíduo para o engrandecimento da humanidade.
Vaticino que na maioria, o homem é um elemento hormonal. O gênero e o sexo, masculino e feminino, dependem da interação da vida social, cultural e genética, é organizacional.
A sua orientação afetiva e amorosa tem vários vetores e fatores, vai depender, naturalmente, da taxa de testosterona, da ascendência cultural, política, social e filosófica.
A sociedade do futuro será livre, tudo passará por um período de amadurecimento, o mundo caminhará desvencilhando-se das amarras, dos preconceitos e das agressões gratuitas vividas hoje pelas minorias.
O mundo é laico em todos os sentidos, o homem é apenas o seu condutor. O masculino e o feminino são dualidades seculares e classificatórias, hoje e para o amanhã o gênero sexual caminhará no paralelo ou embutido em cada um dos habitantes da ciranda social que é a vida.
Seja coerente e deixe os outros viverem, o mundo é de todos. O homem tem por obrigação respeitar a individualidade de cada ser humano, o gênero sexual é anatômico, é concreto, enquanto a orientação sexual circula no mundo do abstrato.
Todos são cidadãos, vivem dos seus trabalhos e não podem viver performando-se Ad Eterno, tem que tirar a capa da camuflagem para viver em paz com a sua orientação sexual.
Iderval Reginaldo Tenório
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