Conheçam
a obra do grande José de Alencar.
José Martiniano de Alencar (Fortaleza, 1.º de maio de 1829
— Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 1877)
foi um jornalista, advogado, político, ensaísta e escritor brasileiro. É considerado o principal e o
mais importante escritor do romantismo no
Brasil, sendo identificado com a primeira geração do movimento e
popularmente alcunhado como "pai da literatura brasileira".
José de
Alencar nasceu em maio de 1829 em Messejana,
na província do Ceará. Sua avó paterna Bárbara de Alencar
consagrou-se heroína da revolução de 1817 em
Pernambuco.
Bárbara Pereira de Alencar foi uma comerciante e revolucionária brasileira. Primeira presa política do Brasil, é considerada uma heroína da Revolução Pernambucana e da Confederação do Equador. Era avó do escritor José de Alencar e Barão Leonel Martiniano de Alencar.
Em
1817, aos vinte e três anos, seu pai, José
Martiniano Pereira de Alencar, estudou no Seminário de Olinda,
onde presenciou a Revolução; sendo preso e injuriado, aportou à Bahia,
para ser julgado. Passados três anos, tendo, pois, sido destruídos os
documentos relativos à rebelião do Crato impossibilitando o julgamento, José
Martiniano Pereira de Alencar, anistiado, retornou para o Ceará.
Iderval Reginaldo Tenório
Iracema
José de Alencar
I
Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba;
Verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros;
Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas.
Onde vai a afouta jangada, que deixa rápida a costa cearense, aberta ao fresco terral a grande vela?
Onde vai como branca alcíone buscando o rochedo pátrio nas solidões do oceano?
Três entes respiram sobre o frágil lenho que vai singrando veloce, mar em fora
Um jovem guerreiro cuja tez branca não cora o sangue americano; uma criança e um rafeiro que viram a luz no berço das florestas, e brincam irmãos, filhos ambos da mesma terra selvagem
A lufada intermitente traz da praia um eco vibrante, que ressoa entre o marulho das vagas:
—Iracema !
O moço guerreiro, encostado ao mastro, leva os olhos presos na sombra fugitiva da terra; a espaços o olhar empanado por tênue lágrima cai sobre o jirau, onde folgam as duas inocentes criaturas, companheiras de seu infortúnio.
Nesse momento o lábio arranca d'alma um agro sorriso
Que deixara ele na terra do exílio?
Uma história que me contaram nas lindas várzeas onde nasci, à calada da noite, quando a lua passeava no céu argenteando os campos, e a brisa rugitava nos palmares.
Refresca o vento.
O rulo das vagas precipita. O barco salta sobre as ondas e desaparece no horizonte. Abre-se a imensidade dos mares, e a borrasca enverga, como o condor, as foscas asas sobre o abismo.
Deus te leve a salvo, brioso e altivo barco, por entre as vagas revoltas, e te poje nalguma enseada amiga. Soprem para ti as brandas auras; e para ti jaspeie a bonança mares de leite!
Enquanto vogas assim à discrição do vento, airoso barco, volva às brancas areias a saudade, que te acompanha, mas não se parte da terra onde revoa
Jose de Alencar em, IRACEMA.
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