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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL, SUA FORMAÇÃO E METAMORFOSE

 


A  LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL, SUA FORMAÇÃO E METAMORFOSE

Preconceito linguístico 

Fale e escreva sem entraves. 

Aprenda o Oficial, a Norma culta, porém não despreze a sua regionalidade.

 

 CAPÍTULO I 

 Preconceito linguístico

As línguas dos autóctones, as indígenas,  mescladas  com as  da  mama África e infiltradas por línguas invasoras (Inglês, Francês, Italiano, Espanhol, Português, Holandesa, Asiáticas e Orientais) forjaram o Português Brasileiro.  

Os  urbanos e os escolarizados  têm diariamente a  atualização do português.  As gerações   mais velhas, oriundas  da zona rural, ainda trazem muitas palavras seiscentistas,  não foram informadas das mudanças e falam o original,  o  português mesclado, que não é errado, é apenas arcaico, é  o PORTUGUÊS raiz. 

Espanhóis, italianos, holandeses,  orientais e americanos contribuíram com muitas palavras e expressões  na antiguidade,  ainda hoje ativas, notadamente nos sertões e nos grotões do país.

Quem pratica  o português  atualizado, estranham muitas palavras usadas pelas gerações anteriores devido a  metamorfose linguística.

1)"Pregunta é sinônimo de  PERGUNTA, é um dos resquícios do espanhol.  

2)Leis  atuam no uso do s e do z, do x e do ch, da vírgula e do ponto e vírgula, e de muitas expressões como pegadinhas para demonstrar o nível social, econômico,  cultural e  a casta da qual veio cada falante, é uma manobra excludente.    

O Marquês de Pombal oficializou a língua portuguesa, como o único idioma obrigatório no Brasil e em Portugal por meio de decretos na década de 1775, proibindo o uso das línguas indígenas, chamada "língua geral" (como o tupi) e as demais que se infiltraram  no país. 

Iderval Reginaldo Tenório

 

                                                    CAPÍTULO II

O Português é uma língua  em contínua  formação, agrega diariamente influências  de línguas da Europa, EUA, Oriente, África, Ásia,  Japão e de dialetos regionais. Dialetos encrustados na mente do povo e que revelam as suas origens regionais, como os  Brasilienses, Caipiras, Cariocas,  Gaúchos, Mineiros, Nordestinos, Nortistas, Paulistanos e os Sertanejos.  Estas propriedades enriquecem o Português Brasileiro, o português do dia a dia, o português difundido pela oralidade. 

Chamo a atenção  para que conheçam a história de cada região difundida  pelos  repentistas, que documentaram a história brasileira pela oralidade, uma vez que até o século XIX,  apenas 3% da população sabiam ler e escrever. 

O português seiscentista é uma mistura de vários idiomas. Aos poucos os gramáticos e os linguistas, por decreto, foram excluindo palavras arcaicas, palavras das classes baixas, principalmente as que as chamam de incultas, como as dos indígenas, dos africanos e a dos grotões deste país continental, as substituíndo por novas palavras. Com estas atitudes criaram e continuam a criar  uma língua MODERNA E EXCLUDENTE, classificada como   NORMA CULTA . 

Norma que gera o famigerado preconceito linguístico e aponta que o português brasileiro é propriedade das castas altamente letradas, e que   rouba do povo o direito de falar e escrever, norma que desvaloriza a oralidade de um povo miscigenado. 

Adendo importante: 

Depois de 2002, com a ascensão do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, muitos linguistas procuraram e procuram atropelá-lo, o tiro saiu pela culatra, uma vez que a sua oralidade  conseguiu unir e dar vida aos brasileiros excluídos.  Muitos cultos e letrados  calaram-se e estão silentes.

Um povo que perde a sua língua, perde a nacionalidade e a cidadania. A língua é um ato político, o amálgama e a  alma de um povo.    A sua originalidade deve ser respeitada, deixando a Norma Culta para documentos oficiais em todas as instancias de comunicação, notadamente no mundo jurídico: Escolas, política, transações econômicas, atos oficiais e no mundo da escrita.

O escritor Marcos Bagno faz uma sugestão classificando a língua brasileira. (Livro  A norma culta, pg.68, Parábola Editora)

"1-Norma Padrão", a falada pelos brasileiros de alto nível de educação, curso superior e os escolarizados.

"2-Norma  Prestigiada", a falada pelos intelectuais, pelo mundo jurídico e pesquisadores.

"3-Variedade estigmatizada, a Popular", falada pelo povo em todo o país, notadamente os aprisionados até o  curso médio. Subliamento de minha lavra. 

Na atualidade  mais de 20% das novas palavras vêm dos  EUA, a língua forte das transações econômicas em todo o mundo, a língua do império contemporâneo. Como vírus, chegam   embutidas nos produtos, propagandas, internet,  modas, cinema, livros, jornais, programas televisivos universais, viagens e  outras formas  forçadas pelo poderio hegemônico. 

Nos dias atuais, a  juventude brasileira, os profissionais de todas as áreas e a população em geral    são bombardeadas pelos meios de comunicação com novas palavras sem tradução,  e que,    automaticamente são incorporadas à língua  pátria. 

Lembrem-se de  onlaine, apigreide, estandebai, chequim, delei, checaute, booque, fastefude, baipasse, uaifai, uatzape, email e outras.   

Como o português brasileiro tem  pouca importância  mundial no comércio,  indústria, música, literatura,   turismo, história da humanidade  e não é de uma nação de peso, sofre preconceitos em todo o globo terrestre e  dentro do seu próprio povo, por ser uma nação continental. 

Afirma-se   que a alma de uma nação é o seu idioma. Embasado nesta propriedade, Portugal matou a língua nativa brasileira quando invadiu as terras de Vera Cruz em 1500, deixando-a sem alma e sem identificação. 

 

                                             CAPÍTULO III 

No século XVI eram mais de 800 línguas nativas, destacavam-se  o  Guarani Kaiowá, Xavante, Yanomami, Guajajara,  Terena,  Tukano, Kayapó,  Tupinambá  e o Tupi-guarani. 

No final do século XVIII, por volta de 1775, de uma só canetada, o Marquês de Pombal proibiu  o uso das  línguas nativas, as africanas  e as embarcadas  pelos  estrangeiros, sendo oficializada o Português de Portugal

Esta  medida culminou com o batismo linguístico da nação chamada Brasil. Uma Pátria sem língua e evidentemente sem alma, tendo que renascer das cinzas  como um milagre. Em 1850 quase todas as línguas autóctones praticamente estavam em desuso.

O genocídio aos habitantes da terra, pejorativamente chamados de  INDÍGENAS, o genocídio aos seus idiomas, costumes e cultura, juntos à transferência de  riquezas minerais, vegetais e animais para a Europa, foi o suficiente para emplacar  anos de atrasos à nação em nome da civilização colonialista.  Isto  gerou,  alimentou  e alimenta  até os dias de hoje  preconceitos aos nativos e aos africanos  traficados durante  três séculos.  Ambos os povos  foram tratados  como coisas, não humanos, objetos de  valor insignificante e que vivem apenas para o trabalho braçal.   

Para os Europeus colonizadores, os negros e os nativos não tinham alma e não eram considerados humanos. 

Nos Estados Unidos da América   eram considerados   caças, inclusive  pelos poderes públicos até 1900, onde  foram dizimados mais de 20 milhões de nativos em 100 anos de invasão inglesa. 

Na América Latina, invadida pelos espanhóis,  como   no Brasil pelos  portugueses  não foi diferente.

Foram criados no Brasil  os Bandeirantes( caçadores de indígenas para trabalhar na agricultura da colônia).  Estes   capturavam e  comercializavam os indigenas   e dizimavam os que se recusavam à escravização, os resistentes. 

Foi implantado no Brasil por séculos, em busca de mão obra humana,  uma verdadeira  NECROPOLÍTICA, milhões de vidas indígenas e africanas foram ceifadas.

No Brasil,  um verdadeiro continente, o português sofre preconceitos  de classes sociais, nível educacional, etnias, posicionamento político, gêneros   e  do regionalismo.

Na sociedade brasileira, o idioma  foi fatiado em diversos segmentos:  O culto que é o oficial, regido por leis,  criado e praticado pelos intelectuais, letrados, filólogos e os gramáticos  que ocupam o cume da pirâmide linguística,  tornando  uma língua excludente para os  que ocupam a base da pirâmide social, possuidora de no máximo 800 palavras para a comunicação. 

O objetivo é  sedimentar nas mãos das elites o poder da dominação  e  de subordinação para as demais classes sociais. 

Pregam que o certo e o correto é o praticado por esta casta, que se autodenomina de classe  superior. O errado e  rasteiro, o praticado pelas  demais classes sociais, principalmente nos rincões do país e nas regiões esquecidas. Estes são  denominados de QI baixo, analfabetos, invisíveis e  excluídos da civilização. Quando na verdade não existe um  Português errado, a língua é uma só e depende do  nível social, econômico, cultural,  qual região pertence o cidadão e como o se vê na contemporaneidade.

É primordial entender, que o português tem uma coluna, o de consumo diário, aquele que constitui o DNA  da língua; o popular e  praticado em toda a nação e que todos compreendem, considerado  o Português Universal e o elo entre todas as classes sociais.

 

                                         CAPÍTLO IV 

O português culto e clássico, como um veículo moderno, com os seus diversos assessórios como direção hidráulica, portas elétricas, marcha automática, sensores, wifi orientados por satélites e  câmeras são privilégios de poucos e às vezes  supérfluo. 

O importante é viver sem atropelar a coluna central e respeitar o regionalismo. Mastigar o feijão  com arroz, as misturas proteicas e  gordurosas     sem se esquecer que nos documentos oficiais é o Português  culto,   o utilizado. 

O português falado está na alma de cada cidadão e vem das suas raízes, das suas entranhas e ancestralidades.

A  Língua é patrimônio da sociedade, isto é,  do povo em todos os níveis sociais e em todos os recantos do país. Não deve ser uma ferramenta de inibição aos que não  praticam a língua  culta, a língua daqueles que ocupam  o ângulo superior da pirâmide sócio cultural, econômica e literária, uma vez que, mesmo os mais cultos,  estudados e que leem com frequência,  muitas vezes são ignorantes  no repertório jurídico, da matemática, da química, da física  e  da  medicina.

Fale e pratique a sua língua sem preconceitos ou inibição, contudo continue aprendendo a língua culta, da mesma maneira que se aprende a andar, nadar, dirigir e como se aprende uma profissão.

Somos eternos aprendizes, todos os dias se aprende algo novo. Gratidão às escolas, aos professores, aos filólogos, aos  gramáticos, aos historiadores, aos analfabetos, aos regionalistas   e à natureza, eternos orientadores.

Estudante, viva sem quaisquer  tipos de preconceitos,  não se iniba na escola, pergunte e participe das oficinas de aprendizados. 

O português está sendo forjado e não deve sofrer avarias nesta fase da vida. 

Aprenda com os cultos, os   letrados e os não letrados, porém não se enclausure no aprendizado do imaginário dos intelectuais. Não anule as suas origens, mescle todos os modos da língua e os utilizem nos momentos adequados, a depender dos interlocutores.

Tenha orgulho dos seus pais, de sua região, de todos os da sua convivência  na   infância e até dos animais não humanos  do seu arrebol, isso é cultura.

Poucos no Brasil utilizam a Norma Culta no cotidiano e na oralidade,  na escrita fazem muitos esforços para não deslizarem, mesmo assim todos deslizam. 

                          Iderval Reginaldo Tenório

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