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CENA DO COTIDIANO DO PAÍS DOS IDÓLATRAS.
Fim de tarde. Protegidos por duas paredes que cercavam um terreno baldio, CAIÃ, 12 anos de idade e a irmã CAIANA, 14 foram abordados por dois policiais. Roupas comuns e coletes com a insígnia de um tipo de polícia do seu país.
Perguntaram o que estavam fazendo e o que tinham dentro das surradas morchilas. A menina falou que não sabia e o menino complementou que também não sabia, apenas estavam esperando dois motoqueiros para receberem vários pacotes que guardavam e cada um recebia alguns trocados. Pouco, mas eram para os seus sustentos.
Os policiais continuaram as indagações: Quem eram os motoqueiros, onde arranjaram os pacotes, por onde andavam os seus pais e os porquês desta atividade.
Falaram que não conheciam os motoqueiros, eles vêm com os rostos cobertos. Os pacotes são entregues pela manhã, na sua casa, por outros motoqueiros, que também não conhecem e só recebem a recompensa à tarde, ao entregar a mercadoria.
Quantos aos pais, ambos estão presos há mais de 2 anos, este trabalho era feito pelos dois. Como somos pobres não tem que os soltem. Minha vó morreu e não temos avô, os irmãos do meu pai também estão presos e nós temos dois irmãos menores para alimentar.
As perguntas foram prolongadas. Onde estudam e o que fazem além desta função.
O menino de 12 anos falou que joga bola naquele mesmo campinho e a sua irmã fica com o seu namorado na sua casa. Ele também trabalha, na mesma função, para outros motoqueiros no outro lado da rua.
Os dois policiais, o mais velho com 28 anos e o mais jovem com 25 ficaram estarrecidos, de boca aberta e sem saber o que fazer.
O menino chamou os dois policiais e perguntou o que estava de errado, pois os motoqueiros disseram que quem manda eles fazerem o que estão fazendo são pessoas grandes e nada acontece com eles.
A menina pediu a palavra e falou que os homens la de cima fazem tudo que é errado e nada acontece, todos ricos. São empresários, políticos e vivem bem. Alguns são presos por horas ou dias, depois são soltos, brincam com a cara do povo e ainda se candidatam a cargos políticos ou nomeados pelos gestões.
Enquato isto, os meus pais estão presos, minha vó morreu, meus tios estão presos, não tenho avô, não tenho escola e nem emprego, já fiz um aborto e quase que morro.
Os dois policiais saíram devagarinho sem mais nada falar. Entraram na viatura e nunca mais voltaram ao pequeno campinho de várzea, onde as crianças se entretem. Ora com a bola e outras com bolas. Assim matam a sua fome e fazem estágio para o futuro sujo que lhes espera, se chegarem aos 25 anos de idade.
Este é o país de milhões de famílias que vivem sob a tutela dos seus nababescos gestores, que muitos idólatras apoiam.
Salvador, 12 de Junho de 2026
Iderval Reginaldo Tenório
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