domingo, 12 de julho de 2026

Demografia Médica no Brasil 2023- RESUMO DA MATÉRIA

 

Demografia Médica no Brasil 2023- RESUMO DA MATÉRIA

             

Aumento recorde no total de médicos no País pode ser cenário de risco para  a assistência, avalia Conselho Federal de Medicina | Portal Médico 

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  Número de médicos sem especialização cresce em 6 anos no Brasil | CNN Brasil

Faculdade de Medicina da Bahia da Universidade Federal da Bahia –  Wikipédia, a enciclopédia livre 

Lançada a Demografia Médica no Brasil 2023

Número de médicos especialistas no país cresce 84% em 10 anos, e mulheres serão maioria na profissão já em 2024

Demografia Médica no Brasil 2023, produzida em parceria entre a Associação Médica Brasileira e a Faculdade de Medicina da USP, também projeta que país chegará em 2035 com mais de 1 milhão de médicos; médicas declaram renda 36% anual inferior que os colegas homens

            O número de registros de médicos com título em alguma especialidade cresceu 84% nos últimos 10 anos no Brasil. 

            A DMB 2023, coordenada pelo pesquisador Mário Scheffer, professor livre-docente do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP, foi formulada a partir de três eixos principais: estudos demográficos da população médica, estudos sobre formação e profissão médica e inquéritos sobre Residência Médica e trabalho médico no Brasil.

   

Em abril de 2025, o Brasil contava com aproximadamente
635,7 mil médicos. Este número inclui cerca de 353 mil especialistas e 244 mil generalistas. A densidade de médicos no país é de aproximadamente 2,9 por mil habitantes, mas a distribuição é desigual, com maior concentração nas regiões Sul e Sudeste

 

 

            *Médicos especialistas e especialidades médicas*

 Em 2022 o Brasil possuía 321.581 médicos com ou mais títulos de especialistas, o que representa 62,5% dos profissionais em atividade no país. Os demais 37,5% eram médicos generalistas, ou seja, sem titulação em nenhuma especialidade.

O número total de registros de médicos titulados no país chega a 495.716, o que representa 84% a mais em relação aos 268,2 mil registros existentes em 2012. 

Um mesmo médico pode ter título ou ter concluído Residência Médica em mais de uma especialidade e, por isso, o número de títulos em especialidades é maior que o número de indivíduos especialistas.

 As especialidades com maior número de registros de especialistas são Clínica Médica, com 56.979 médicos, Pediatria (48.654), Cirurgia Geral (41.547), Ginecologia e Obstetrícia (37.327), Anestesiologia (29.358), Ortopedia e Traumatologia (20.972), Medicina do Trabalho (20.804) e Cardiologia (20.324). 

 Um segundo grupo, de cinco especialidades – Oftalmologia, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Psiquiatria, Dermatologia e Medicina de Família e Comunidade, soma 14,4% do total de especialistas.

 No período entre 2012 e 2022, algumas especialidades como Clínica Médica, Medicina de Família e Comunidade, Radiologia e Diagnóstico por Imagem, Medicina Legal e Perícia Médica, Cirurgia de Mão, Medicina de Tráfego, Angiologia, Geriatria, Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Neurologia, Genética Médica e Mastologia pelo menos dobraram o número de especialistas.

Os homens são maioria em 36 das 55 especialidades médicas e as mulheres predominam em 19 delas. As especialidades mais “femininas” são Dermatologia, Pediatria, Alergia e Imunologia, Endocrinologia e Metabologia e Genética Médica. As especialidades mais “masculinas” são Urologia, Ortopedia e Traumatologia, Neurocirurgia, Cirurgia Cardiovascular e Cirurgia do Aparelho Digestivo.

A especialidade com maior número de mulheres é a Dermatologia: são 8.236 médicas, o que representa 77,9% dos dermatologistas do país. Outras especialidades com grande proporção de mulheres são Pediatria (75,6%), Alergia e Imunologia e Endocrinologia e Metabologia, ambas com 72,1%.

Em 34 das 55 especialidades médicas existentes no Brasil, a média de idade dos médicos especialistas é inferior a 50 anos.

No Sul do país, 68% dos médicos possuem alguma especialidade. Já no Centro-Oeste 63,4% dos profissionais são médicos especializados, enquanto no Sudeste são 63,3%, no Norte, 57,2% e no Nordeste, 52,3%.

O Distrito Federal possui a maior proporção de médicos especialistas em relação ao total de profissionais (72,7%), enquanto o Amapá registra a menor (40,4%).

Em relação à Força de Trabalho Cirúrgica – que inclui cirurgiões, anestesiologistas e obstetras, a Demografia Médica aponta que, no Brasil, há uma densidade de 66 especialistas por 100.000 habitantes, mais do que o triplo do recomendado pela Lancet Commission On Global Surgery, que é de 20 por 100 mil.

*Aumento de médicos no Brasil*

Nos últimos 13 anos, de 2010 a 2023, mais de 250 mil novos médicos (251.362) entraram no mercado de trabalho no Brasil, resultado direto da abertura de cursos e de vagas de graduação em medicina.

Em janeiro de 2023 o país contava com 562.229 médicos inscritos nos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), o que corresponde a uma taxa nacional de 2,6 médicos por 1.000 habitantes. Na mesma data, o total de registros médicos chegava a 618.593.

Essa diferença entre o quantitativo de indivíduos médicos e o de registros se refere aos profissionais que possuem inscrições em mais de um CRM, seja porque trabalham em cidades de diferentes estados ou porque se deslocam temporariamente a outro estado.

No ano 2000 o Brasil contava com 239.110 médicos. Enquanto o número de profissionais mais do que dobrou até 2023, a população geral do país cresceu em torno de 27%.

Duas regiões do país possuem número de médicos em relação à população inferior à média nacional. No Norte há 1,45 médico por 1.000 habitantes e, no Nordeste, 1,93.

 Já as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil possuem razões de 3,39, 3,10 e 2,95 médicos por 1.000 habitantes, respectivamente.

 Os estados brasileiros que possuem maior densidade de médicos por 1.000 habitantes são o Distrito Federal (5,53), Rio de Janeiro (3,77), São Paulo (3,50) e Santa Catarina (3,05). As menores densidades são encontradas no Pará (1,18 médico por 1.000 habitantes), Maranhão (1,22) e Amazonas (1,36).

Os dados da Demografia Médica ainda mostram que os médicos se concentram nas capitais brasileiras que, somadas, reúnem 312.246 médicos de todo o país, o que representa uma razão de 6,13 profissionais por 1.000 habitantes.

Já o grupo de regiões metropolitanas do Brasil (excluindo capitais) possui 44.824 médicos, o que significa 1,14 médico por 1.000 habitantes. Na somatória das cidades que compõem o interior do Brasil, são 225.996 médicos ou 1,84 profissional por 1.000 habitantes.


            *Projeção da oferta de médicos no Brasil nos próximos anos*

            Uma das projeções inéditas feitas pela nova edição da Demografia Médica no Brasil 2023 é referente à oferta de médicos em atividade no país nos próximos anos.

            Em dois cenários analisados – de eventual “congelamento” na abertura de cursos de graduação e vagas de medicina entre 2023 e 2029 ou de manutenção dos efeitos da legislação vigente em 2022 em que a abertura de cursos e vagas é regulada e não seria interrompida nos anos seguintes -, a projeção é de que em 2035 haverá entre 1.016.121 e 1.032.753 médicos no Brasil.

            “Haverá acirramento das disparidades de concentração de médicos. Das 27 unidades da Federação, 18 delas irão apresentar densidade de profissionais por mil habitantes abaixo da média nacional, estimada em 4,4 em 2035

            *Mais mulheres na profissão*

            O fenômeno da “feminização” da profissão médica já vinha sendo observado desde 2009 entre os recém-graduados, mas ainda havia, no total da profissão, 59,5% de homens e 40,5% de mulheres. Em 2022 a proporção foi de 51,4% de médicos e 48,6% de médicas. Para 2024 a projeção é de que 50,2% do total de médicos no país sejam mulheres.

            Entre 2010 e 2022 o número de mulheres médicas quase dobrou, passando de 133 mil para 260 mil. Entre os homens o crescimento foi mais lento, com acréscimo de 43%.

            O estudo também demonstrou desigualdade de renda entre os gêneros. Conforme dados obtidos por meio de declarações junto à Receita Federal referente ao ano-base de 2020, as médicas brasileiras declaram rendimento médio anual 36,3% inferior que os profissionais do sexo masculino.

 Ainda de acordo com a projeção do estudo da Demografia Médica, a idade média do médico brasileiro vai cair e, em 2035, mais de 85% dos profissionais terão entre 22 e 45 anos. Também em 2035 haverá 56% de profissionais de medicina do sexo feminino contra 44% do sexo masculino.

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            *A expansão dos cursos de medicina no Brasil e o perfil dos estudantes*

 Segundo a Demografia Médica, de 2013 a 2022 foi registrada a maior expansão do ensino médico da história do Brasil.

Em 2013, o Brasil possuía aproximadamente 180 escolas de medicina. Até 2014, esse número havia dobrado em relação ao início dos anos 2000, chegando a cerca de 216 escolas.

 

Em um intervalo de apenas 20 anos , o número de faculdades de Medicina no país mais que triplicou , passando de 143 para 448 — um aumento superior a 200% . 

 

  Em 2022 o Brasil contava com 389 escolas médicas que, juntas, ofereciam 41.805 vagas de graduação. Desse total, 23.287 novas vagas foram abertas de 2013 em diante. O aumento foi quase quatro vezes maior do que o registrado entre 2003 e 2012, quando foram autorizadas 5.990 vagas.

Uma das principais características da expansão da oferta de graduação médica nos últimos 20 anos no Brasil foi a abertura de vagas predominantemente no setor privado de educação.

Nesse período, enquanto as novas vagas de medicina em universidades públicas passaram de 5.917 em 2003 para 9.725 em 2022 (aumento de 64%), as vagas em escolas médicas do setor privado subiram de 7.001 para 32.080 (crescimento de 358%).

As mulheres foram maioria entre os alunos do primeiro ano de medicina no período analisado pela Demografia Médica, representando 54,9% do total de estudantes em 2010 e 61,4% em 2019.

A Demografia identificou um aumento da população negra – soma de alunos que se declararam pretos e pardos -, de 1.483 estudantes de medicina em 2010 para 9.326 em 2019.

Além disso, cresceu a participação de estudantes de medicina entre aqueles que cursaram o ensino médio em escolas públicas, de 25,9% do total em 2010 para 29,8% em 2019.

            *Oferta e distribuição de Residência Médica*

 Em 2021, 4.950 programas de RM estavam credenciados no Brasil. Naquele ano, os 41.853 médicos que cursavam Residência Médica representavam cerca de 8% do total de médicos em atividade no país.

O estado de São Paulo concentra 33,3% de todos os residentes, seguido por Minas Gerais (11,1%), Rio de Janeiro (10%) e Rio Grande do Sul (7,1%). 

O Distrito Federal é a unidade federativa com maior densidade de médicos residentes por 100.000 habitantes (44,92), seguido por São Paulo (29,86), Rio Grande do Sul (25,84) e Rio de Janeiro (24,06). No outro extremo, o estado do Maranhão apresenta a densidade mais baixa (4,57), seguido por Amapá (5,13) e Pará (7,10).

Em 2021, cerca de 43% dos médicos residentes cursavam programas em quatro especialidades: Clínica Médica (14,2%), Pediatria (10,87%), Ginecologia e Obstetrícia (9,15%) e Cirurgia Geral (9,08%).

Entre 2018 e 2021 o número de médicos que cursavam Residência Médica no Brasil passou de 38.681 para 41.853.

A maioria dos residentes (55,7%) pretende, um ano após a formação, manter exercício profissional de dupla prática, dividindo a atuação profissional entre os serviços público e privado. 

 

Matéria completa na íntegra..

  

Demografia Médica: CFM | CRMs


Conselho Federal de Medicina.
https://demografia.cfm.org.br

Com a Demografia Médica 2023, o CFM introduz nova abordagem dentro desse projeto. Em lugar de publicação impressa, os dados agora estão reunidos em ...

 


Assista à cerimonia de lançamento no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=Bk4OR1fUrdc

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ZEZINHO E O PAI AUSENTE

 

                                                             Blog do Mendes & Mendes: A VISTA ESQUERDA DE LAMPIÃO

 ZEZINHO E O PAI AUSENTE 

A sua escola organizou uma palestra para explicar   o que era um pai presente. 

Algumas definições  mexeram com  a cabeça das crianças. A  do Zezinho ficou  marcada por definições, que   o levou a concluir,  que o seu maior ídolo, o seu herói,  o  seu  pai, era um pai ausente. A criança ficou entediada após a  palestra. 

Assim a psicóloga Dra. Alarmina encerrou a palestra.

 --Pai presente é aquele que anda de bicicleta, joga bola, brinca todos os dias com os filhos, viaja, presenteia os filhos nos seus aniversários e no natal. Para socializá-los,  leva-os aos  restaurantes, cinema, shopping e futebol.    Este é o verdadeiro pai presente, não tendo este perfil, é um pai ausente.


O menino contou esta história à sua mãe, de imediato ela contou-lhe  outra versão, uma vez que, o seu pai vivia da lavoura e sempre estava no trabalho. 

O menino estranhou a definição da psicóloga e concluiu que o seu  pai era  um ausente, porém, atentamente escutou a versão de sua  mãe.

A sua mãe   falou que o  pai citado pela psicóloga é aquele que teve a chance de estudar,  possui  emprego com carga de trabalho padronizada, direitos trabalhistas, férias, licenças remuneradas, feriados e fins de semana livre.

Muitos    exercem cargos importantes  conquistados por concursos, seleções curriculares, nomeações  políticas ou de  amigos,  outros  são   empresários ou já nasceram bem financeiramente. Estes pais  não dependem  das chuvas, não trabalham com a terra e nem com os animais. Quando envelhecem têm garantido uma  aposentadoria. Chova ou faça sol  receberão os seus salários, mesmo nas fases de crises.

A vida do seu pai é diferente.  Acorda cedo, trabalha  diariamente  debaixo do sol causticante, chuvas, poeira e outros riscos. Pode  levar  picadas de animais peçonhentos, o que pode levá-lo à morte, tudo  para propiciar melhores dias aos filhos.  

Labuta de segunda a sábado,  aos  domingos vem para a cidade vender a produção, comprar os utensílios  e produtos para o sítio, só neste dia tem a chance de ficar com a família, veja que até   o domingo  é  dia de trabalho. 

O seu pai não teve a chance de estudar, não entende de futebol, piscina, circos, shoppings, parques, cinema, teatro,  todos  os  dias são dias de trabalho, não tem nem o direto de adoecer.

Diferente de um  pai ausente,  o seu pai está presente em toda a sua vida.  O que você come, bebe,  veste e   calça. Está presente na escola,  livros, cadernos, lápis e os sabonetes usados no banho.

Está presente   no que  falei e noutras propriedades,  como   a honestidade, ser um  trabalhador incansável, guardar  fidelidade para com a família, ser responsável, ético, justo, respeitador,   solidário com  familiares, amigos e a comunidade.  

O seu pai é exemplo de um pai  presente.   Vive da terra e enfrenta todas as dificuldades.  Tudo na lavoura  depende da sua presença e são muitas as dificuldades que aparecem. 

Quando chove tem fartura, quando não chove ou  chove demais as coisas ficam ruins, o que produz não cobre as despesas, vende a preços baixos para o prejuízo  ser menor.

A lida  na lavoura Zezinho tem muitas incertezas, nada é garantido. O que se ganha em dez anos, a seca come  em apenas um.  A vida é dura, o trabalho e a responsabilidade falam mais alto. 

Os  brinquedos do seu pai são enxadas, do enxadecos,  foices e a lida com os animais. Zezinho não exija do seu pai mais do que moradia, escola, alimentação, vestimentas, vergonha, honestidade, a chance de um futuro melhor e a certeza que está  de olhos abertos para todos nós.

Muitos pais, Zezinho, mesmo com diplomas, profissões definidas e  morando nas cidades têm que seguir  esta  mesma trajetória. Trabalham todos os dias, inclusive aos domingos.  Muitos são funcionários de fábricas, farmácias, supermercados,  jornais,   rádios e de hospitais, que não fecham; outros são    ambulantes, motoristas de  ambulâncias, táxis, viaturas, bombeiros, policiais,  pequenos comerciantes   e dedicam a vida quase que obrigatoriamente ao trabalho, muitas profissões exigem que sejam assim. Mesmo que quisessem, jamais seriam iguais a este pai arquitetado pela psicóloga.  Existe várias maneiras de definir um pai presente,  é  um assunto complexo e não é fácil defini-lo.

O Zezinho então resolveu divulgar o fato para os seus colegas para desaguar as suas mágoas. Assim se pronunciou na sua escola: 

--Colegas,  meu Pai nunca  se ausentou da minha vida e está presente em todos os meus momentos. Minha mãe afirmou que ele nunca foi um pai ausente. Quando não está em casa, encontra-se  na labuta em busca do pão, da segurança, da saúde e da educação de sua prole e de todos os agregados que dependem do seu suor. 

Diz  minha mãe, que em tudo o meu pai está presente.  Está presente na mensalidade da escola,  livros,  cadernos,  lápis,  borrachas,  alimentos, roupas e nos calçados.  Está presente  nas redes, lençóis,  sabonetes, pasta de dentes e em  diversas contas que aparecem,  enfim,  tudo que consumimos tem o suor do meu pai. 

As vezes minha mãe pega uma colher,  raspa a pele do seu rosto, mostra aos seus filhos o suor que vem na sua ponta e complementa que aquele suor,  é fruto do seu trabalho, depois afirma  que em nossa casa, tudo que  nela  existe, é fruto do suor do  meu  pai e do seu suor, eles trabalham juntos para que os seus filhos tenham um futuro  promissor. 

Lembro-me de um dia, muito especial.  Estava eu saboreando um gostoso doce de leite, e no final da última colherada, olhei para a  minha mãe e falei : 

--Mamãe,  este doce está estranho, a senhora  acredita que no final desta última colherada, percebi um gostinho  de sal? Tenho certeza que foi colocado sal  neste  delicioso doce.

Minha mãe, de imediato falou:

--Meu filho, nunca se esqueça que este doce foi feito e temperado com o suor do seu pai, está aí este gostinho de sal no final da última colherada, o seu pai está presente em tudo. Tenha certeza que este sal não é um sal   qualquer,  é um sal  oriundo do  suor de seu Pai .

--Só depois de adulto, consegui decifrar as suas  palavras. Minha mãe ensinou a muitos naquela isolada Serra do Araripe. 

Era uma filósofa realista.

Abraços para todos

 Zezinho 

Iderval Reginaldo Tenório

Escute a música de  Marcondes Benedito Farias Costa  e Luiz Gonzaga 

ESCUTE  

 

 

Acordo Às Quatro

VOZ Luiz Gonzaga                 Compositor  Marcondes Costa

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Provided to YouTube by RCA Records Label Acordo Às Quatro · Luiz Gonzaga Luiz Gonzaga "Eu E Meu Pai" ℗ 1979 SONY MUSIC ENTERTAINMENT BRASIL ...
YouTube · Luiz Gonzaga - Topic · 10 de abr. de 2017

 

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O FILHO QUE NÃO PROSPEROU

                                                                 Blog do Mendes & Mendes: A VISTA ESQUERDA DE LAMPIÃO



                         

                             O FILHO QUE NÃO PROSPEROU

 Numa roda de amigos, foi abordado o quanto são importantes o olhar, o cheiro, os conselhos e a presença dos pais.

Num caloroso  momento, um dos amigos explanou um fato. 

Falou que  na sua cidade havia um bom senhor, oriundo de classe social baixa, que apesar do seu analfabetismo, a vasta cultura popular e o suor do seu próprio rosto educou os seus 14 filhos com maestria.

O tempo passou, os filhos cresceram, alguns galgaram postos importantes na nação e o bom senhor, à proporção que ganhava conhecimentos foi envelhecendo.

Envelhecendo com saúde, dignidade, cidadania e respeito de todos. Como é peculiar à família, todos os anos eles realizava  um encontro para mostrar ao pai, o seu incalculável valor, a importância e o quanto era cabal a sua existência para a sua prole. 

De todos os filhos, um havia voado alto e galgado postos estratégicos na sua República. O tempo passava e  dos filhos, aquele nunca estava presente devido À sua importância perante a nação. Muitas vezes nomeava irmãos, tios e amigos para lhe substituir. Jamais negara ajuda financeira, mesmo não sendo solicitado e  era influente nas questões decisórias da família.

O tempo passou, o ancião foi perdendo as forças, os músculos foram minguando, os cabelos ficaram ralos, a mente foi ficando curta, murchando e o bom homem foi paulatinamente perdendo a memória. Perguntava onde estava, muitas vezes perguntava até mesmo quem ele era,  e a grande e tradicional família continuava as suas comemorações ano após ano; e ano após ano, o filho que prosperou era representado por outros, até  o dia em que foi convocado, literalmente intimado a comparecer ao centésimo aniversário do patriarca,  um encontro marcante, um encontro com amigos, compadres, afilhados, agregados e toda a cadeia de descendentes.

Neste o importante filho compareceu. Ao chegar, entrou no quarto do seu genitor, se aproximou, olhou para o velho pai e falou.

__A bênção pai. O velho imobilizado nada respondeu, repetiu mais alto.

__ A bênção pai , a bênção pai,  o  velho abriu os olhos, mexeu com o pescoço, de um lado para o outro, fez esforço para levantar a cabeça, mirou o rosto do seu filho e com a voz trêmula balbuciou.

__Quem é você? de onde você veio ? onde você mora´? quem é o seu pai?

O filho parou, pensou, baixou a cabeça e disse

__ A bênção pai, eu, eu sou seu filho, o filho do meio, é que faz mais de 20 anos que não vejo o senhor, faz mais de 20 anos que não venho na nossa terra. O pai mais uma vez falou.

__Quem é você, de onde você veio, onde você mora, você é filho de quem, quem é o seu pai? Eu te abençoou mas não sei quem é você, se você diz que é meu filho é porque é o meu filho,  porém eu não me lembro de você. 

Desencantado pelo vasto tempo que havia visto o seu pai, com a amnésia paterna e decepcionado com o que presenciara, não conseguira entender o que se passava. Mais tarde, soube por intermédio dos outros irmãos, que o seu pai, num processo fisiológico, fora perdendo paulatinamente a capacidade de memorizar, de verbalizar e de locomoção.  Passando a lembrar dos fatos importantes da convivência, os fatos repetidos do cotidiano. Rostos dos funcionários, cuidadores, dos parentes que lhe visitam, o latido do cachorro, o tilintar do penico e do papagaio de aço inoxidável, utilizado para urinar, o grito dos vendedores de frutas e aqui e acolá umas nuvens dos fatos do passado.

Numa onda de culpa e de irresponsabilidade, entendeu  que o pai devido À sua ausência, havia apagado da mente quaisquer resquícios ou lembranças de sua existência,  até mesmo a legitimidade paterna. Entendeu também que foi a sua ausência, a sua distância e o seu descaso para com o velho e bondoso pai, que apagaram toda a sua existência como filho.

Desconfiado, deprimido e solitário partiu para a conquista, para luta, para a briga, se esforçou, porém, o velho e bondoso senhor aos poucos foi apagando da mente os dados e imagens vividas. Aos poucos foi esquecendo, esquecendo, esquecendo... até o dia em que não mais lembrava nem de si, até o dia em que entrou em vegetação.

Com os fatos presenciados, o filho passou a entender que o seu pai precisava era de abraços, carinho, respeito e de sua presença, não de ajuda financeira.

Foi-se o velho e com ele sepultadas todas as suas memórias e conhecimentos, restando as boas lembranças, seus ensinamentos e legados.

Para o filho ficou a certeza, que foi 20 anos atrás o último dia em que o seu pai lhe viu, ficou gravado na sua memória que os seus filhos não eram netos do seu pai e mais claro ainda, que o homem é a mente, a comunicação e  fruto de sua raiz. .

Conscientizou-se de  que, o núcleo familiar jamais perderá a sua importância, jamais será substituída e por mais longe que o homem vá, as suas raízes deverão continuar  fortes e presentes.

       Seja pai dos seus pais. 

Salvador, 24 de Janeiro de 1989.

REDIGIDO 12/07/2026

Iderval Reginaldo Tenório

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ENTREGAS EM TODO BRASIL Programa exibido em 11/11/2018 Rolando Boldrin Augusto Feres Rodrigo Garcia Daíra canta Belchior Amar e Mudar as ...

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YouTube · Vj. Marcos Sobradinho - DF · 10 de out. de 2019
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2016 - show AMAR E MUDAR AS COISAS Daíra canta Belchior Violão Rodrigo Garcia Guitarra Augusto Feres.
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