quarta-feira, 20 de maio de 2026

A DERROCADA DA MEDICINA BRASILEIRA

 

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A DERROCADA DA MEDICINA BRASILEIRA  

    
O cenário político e econômico vaticina   dias dificeis  para  os Esculápios brasileiros . 

Muitos foram, são e serão os eventos que os levarão  à  bancarrota.

1-A abertura indiscriminada de Escolas Privadas  desprovidas de  hospitais  que alberguem os seus acadêmicos, entidades criadas sem   estudos básicos, sem olhar para  a  proporcionalidade populacional,  professores  e a real necessidade.

2)A  chegada de milhares de médicos de toda a america do sul e latina, muitos sem o revalida.  

3) O abandono  das Escolas públicas, notadamente as Federais e   a desvalorização dos professores, dos assistentes e dos mestres. 

4)O sucateamento dos Hospitais Escolas e  o  fechamento de milhares de leitos SUS nos 5700 municípios brasileiros, inclusive fechando hospitais com menos de 50 leitos. 

5) A  entrega da medicina aos políticos e  aos grandes grupos privados, transformando-a em manobra eleitoreira e de enriquecimento   às custas dos enganados  pais, que pagam fortunas para educar um filho. 

6) A medicina Suplementar atuando como intermediária  entre o profissional e o  paciente, ambos sem força e sem  palavra.
 
7) O fechamento dos consultórios humanos e sendo substituídos  por  Empresas Médicas que têm a medicina literalmente como  comércio.
 
8) A  invasão  do  ato médico por outros profissionais em quase todas as especialidades. 
 
9) Os baixos salários, levando o médico a labutar cotidianamente  em vários empregos, inclusive  sendo uma das formas de óbitos de profissionais jovens, notadamente por acidentes automobilísticos nas estradas da morte de município em município  a  defender o pão. 

Estes modos trouxeram diversos malefícios.

 1) Os médicos perderam a prioridade nos cargos diretivos   tanto Municipais, Estaduais e Federais. 
 
2) Os Secretários de Saúde e o Ministro não precisam ser médicos, e quando médicos de formação, transformam-se em executivos tecnocratas   e políticos descompromissados com a medicina, focam o voto e o poder.  A intenção é uma cadeira parlamentar ou uma grande assessoria governamental. 
 
3) O afastamento dos cargos administrativos nas unidades hospitalares, no programa da família(PSF)( UPAS)(POLICLINICAS NO INTERTIOR) e nos demais serviços pertinentes à medicina .
 
Hoje  os médicos estão em segundo plano, forças contrárias aos interesses   dos médicos e da medicina  incutem na cabeça dos médicos  que o sistema  conselhal é obsoleto,  inerte e prejudicial à classe, é  apenas  um órgão punitivo.  Os médicos acreditam e passam a não    participar da sua mais importante instituição.
 
Caberia uma reflexão mais apurada e todos os médicos arregaçassem as mangas e partissem para ocupar  espaços nas suas entidades e na sua autarquia. 
 
Conselhos fracos categoria fraca. Na vacância dos Conselhos serão os leigos os seus julgadores. O prestígio de uma classe profissional  está ligado ao poder político(voto), econômico(poder aquisitivo), social(ações) e no  domínio dos conhecimentos .  
 
O médico e a  medicina humana estão em franca decadência.  A informática e a engenharia da imagem dominam nos médios e nos grandes centros(IA). Para um bom  atendimento, basta entrar numa máquina. O raciocínio na propedêutica encontra-se em desuso,  isto está empurrando a medicina para ser uma ciência exata, primeiro as máquinas  e por derradeiro a clínica, que era soberana. 
 
Não menosprezando a tecnologia, que é  importante e indispensável,  a fisiologia, fisiopatologia e a semiologia não deveriam ser nocauteadas pela IA,     levando-as literalmente ao solo.  Sobram máquinas sofisticadas  e faltam médicos médico.

A soberania da clínica, o toque  do médico, a semiologia aplicada, as cãs dos esculápios, a benevolência,  a beneficência e a generosidade da ética ficaram para trás.

Politicamente,  os médicos e a medicina, há muito que perderam os seus  postos, estão muitas frágeis . 

No setor financeiro, a medicina virou mercadoria e os médicos profissionais baratos, é mais um produto  no mercado. Muitas Prefeituras contratam médicos, geralmente jovens e do  sexo feminino, não proporcionam   segurança trabalhista e não honram suas dívidas, notadamente  na mudança dos titulares do executivo.  
 
Na medicina suplementar quem dita os valores são os contratantes e não os contratados. Hoje   é comum   grandes serviços diagnósticos, hospitais e cooperartivas serem os intermediários entre os  planos de saúde e os  médicos, que além de abocanharem uma boa fatia dos  seus proventos, muitos não honram o acertado, ficando os médicos  soltos sem saber para onde apelar e têm até medo de entrar na justiça em busca dos  seus direito, geralmente ações caras, demoradas e com incertezas. Estes profissionais, qualificados às custas de anos e anos de estudos,  ficam em desespero, ligam-se aos terceirizados,  voam em busca   de mais uma aventura, sentem-se vulneráveis  e caem  em  mais uma armadilha.  
 
O relacionamento dos médicos  com a sociedade é comercial, segue o código do consumidor com todas as suas  mazelas.  Enquanto os médicos  utilizam-se da ética, do  conhecimento, da compaixão e respeitam a autonomia do paciente,  os outros são partidários da  pecúnia .

Consumindo os   suspiros sociais da Medicina, os poderes (Municipal, Estadual, Federal e Judiciário) retiram vagarosa e continuamente as últimas gotas de sangue da velha medicina com taxas,  tributos, ditames  e impostos exorbitantes.

O Liberal autônomo,  devido a intermediação do sistema médico suplementar,  os grandes grupos empresariais da saúde, a pejotização e a terceirização do Sistema  Público   encontra-se  sem força, fraco e subserviente. 

A medicina e o médico caíram na vala comum, é  uma contenda entre a Medicina, a pecúnia e o poder,  na qual um dos lados tem como arma a ética, e esta   é mansa, educada, paciente, benevolente, caridosa, responsável  e respeitadora, enquanto os outros  têm a força, a truculência, a  política e a saga da enganação.  Devido a desinformação da população,  vencem os lados da pecúnia.
 
Apesar deste quadro, é a medicina um dos sonhos dos jovens e de todas as  famílias do país, fruto da lisura e da importância da profissão. 
 
A medicina é a mais sagrada das ciências, ela entra na vida de cada um dos cidadãos que vão em busca  da cura,  do remediar ou do  paliar os seus sofrimentos.
 
                                    O novo sempre vem.
 
Salvador 18 de Outubro de 2025

Iderval  Reginaldo Tenório

Um comentário:

Anônimo disse...

Esse é "A DERROCADA DA MEDICINA BRASILEIRA", de maio/2026. Iderval, como médico, larga o bisturi e faz uma autópsia da medicina brasileira. Pra ele, o cenário político e econômico já decretou: dias difíceis pros “Esculápios” — os médicos.Os 9 pontos que ele lista como causas da bancarrota:1. Fábrica de diploma sem hospitalAbertura indiscriminada de faculdade privada sem hospital escola. Sem estudo de necessidade, sem proporção populacional, sem professor qualificado. É formar médico no papel, sem paciente pra ver.2. Importação sem revalida“Chegada de milhares de médicos de toda a América do Sul e Latina, muitos sem o revalida”.Ele não critica o estrangeiro. Critica a entrada sem filtro de qualidade.3. Escola pública abandonadaFederais sucateadas. Professor, assistente e mestre desvalorizados. Quem forma bem é tratado como gasto, não investimento.4. Fechamento de leitos SUSHospital Escola sucateado. Fechamento de leitos SUS nos 5700 municípios. Hospital com menos de 50 leitos sendo fechado. Menos lugar pra internar, menos lugar pra aprender.5. Medicina virou moeda políticaEntrega da medicina aos políticos e grandes grupos privados. Vira “manobra eleitoreira e de enriquecimento às custas dos enganados pais, que pagam fortunas para educar um filho”.A faculdade vira produto. O aluno vira cliente. O diploma vira carnê.6. Plano de saúde manda no médico e no pacienteMedicina suplementar como intermediária. Médico e paciente sem força, sem palavra. Quem decide é a operadora.7. Consultório humano fechou, empresa médica abriuMédico virou CNPJ. A relação virou comércio. O doente vira “usuário”.8. Invasão do ato médicoOutros profissionais fazendo o que é privativo do médico em quase todas as especialidades. Ele não nega a equipe. Nega a substituição sem preparo.9. Salário baixo = médico zumbiSalários baixos obrigam a ter vários empregos. Resultado: médico jovem morrendo em acidente na estrada, de município em município, “a defender o pão”.A linha do Iderval aqui:Ele não tá defendendo reserva de mercado. Tá defendendo qualidade e dignidade. Quando você mistura:Faculdade sem hospital + Revalida frouxo + SUS quebrado + Política no meio + Plano mandando + Ato médico invadido + Salário de fome,o resultado é médico mal formado, cansado, e paciente mal atendido.“Estes modos trouxeram diversos malefícios”.E o maior deles: o Brasil tá formando médico pra quantidade, não pra salvar gente.Como isso conversa com os outros textos dele:"O país está perdido e enfermo": lá ele fala que a cura começa na primeira infância. Aqui ele mostra que quem deveria curar também tá doente."O engessamento político": a medicina foi engessada por regimento, política e lucro. Médico não raciocina, obedece protocolo."A Idolatria Política": muitos pais idolatram político que promete faculdade pro filho. Pagam caro, e o filho vira médico sem hospital pra treinar.Iderval fecha o diagnóstico sem dar receita, mas ela tá implícita: fecha escola ruim, valoriza professor, reabre leito SUS, tira político da gestão técnica, respeita ato médico, paga salário digno.Senão, “Esculápio” vai ser só nome de rua.Quer que eu pegue esse texto e cruze com dados reais de quantas escolas de medicina abriram de 2010 pra cá e quantos leitos SUS fecharam no mesmo período? A derrocada tem número.