quinta-feira, 3 de abril de 2025

ANA FRANCELINA -INDIA XUCURUS-ALAGOAS .

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Ana Francilina da Conceição

Nac. Palmeiras dos Indios, Alagoas 1879- Falec.Bodocó Pe, 1942.

Ana Francilina da Conceição,  India Xucurus-Kariri, mãe de Antonia Reginaldo da Silva, minha mãe.

Nasceu num distrito do  município de Palmeiras dos Indios, Alagoas,  em 1879, faleceu aos 73 anos de idade em 1952 na Chapada  do Ariripe, município de Bodocó no Estado de  Pernambuco.

 

                        Palmeira dos Índios 

Palmeira dos Índios ocupa terras que um dia foram aldeias dos índios Xucurus. Foi criada como freguesia em 1798 e transformada em vila em 1835.

Entre 1928 e 1930 a prefeitura foi exercida pelo escritor Graciliano Ramos (nascido na cidade de Quebrangulo, em Alagoas), que incluiu fatos do cotidiano da cidade em seu primeiro romance, Caetés (1933). 

 

Bodocó Pernambuco - PE

No início do século XX, em 1909, Antonio Peixoto de Barros fundou o povoado de Bodocó, em terras do Município de Granito. 

 A origem do nome do Povoado, conforme os estudiosos, há duas versões: Uma de que o nome veio de uma planta aquática muito abundante na região, denominada de Bodocó, versão mais correta para uns, a outra, do nome de uma tribo indígena que aqui habitou, chamada Bodorocos. 

Seu desenvolvimento foi rápido, graças à facilidade de acesso, o que ocorria para maior intercâmbio comercial, motivando a elevação do Povoado à categoria de Distrito em 1909. Com o decorrer de alguns anos, o Distrito crescia a cada dia, tornando-se mais importante que a sede do Município de Granito e    em 1924 Bodocó passou a ser a  sede do Município de Granito. 

A  situação  permaneceu até 1938, neste ano Bodocó passou a Município e Granito a Distrito de Bodocó.  Decreto-lei estadual nº 92, de 31 de março de 1938, rebatizou Granito de Bodocó.

Em 1942 na administração do prefeito Manoel Antônio Luna, 3º prefeito da cidade de Granito, o município  perdeu sua sede tornando-se  distrito de  Bodocó.

Permanecendo como distrito de Bodocó até o ano 1963, data em que por força da lei estadual nº 4972 de 20 de dezembro de 1963, Granito foi elevado novamente à categoria de cidade. 

Antonia Reginaldo da Silva, minha mãe,  nasceu em 1914 quando a sua mãe, a minha vó, estava com 35 anos de idade ainda no Estado de Alagoas.

Em Juazeiro do Norte, lá pelo ano de 1918, ao conversar com  o Padre Cícero Romão Batista, em Juazeiro do Norte, Ceará.  O Padre    orientou  a família a se transferir para a Serra do Araripe plantar feijão de pau(andú), feijão de corda, fava,  mandioca, macaxeira(Aipim)  e criar animais de pequeno porte. 

Em 1919, já na Serra do Araripe,  o seu esposo, o meu avô, José Reginaldo  da Silva, que não era indio, veio a falecer e dona Ana Francilina da Conceição assumiu a grande tarefa de  educar os seus filhos, quantro mulheres e um homem. 

Instituiu um forte sistema matriarcal, assessorada pelo filho mais velho, Antonio Reginaldo da Silva, à época com 19 anos de idade, irmão  de minha mãe que  estava com 5 anos de idade.  

Observação:  Conta a minha mãe, que nesta época, cantava uma música muito linda e de domínio popular, sem nome. Esta música, mais tarde,  o Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira gravaram, colocaram uma letra bonita, melçhoraram a melodia e a chamaram de  ASA BRANCA

Iderval Reginaldo Tenório

                                                  


                                DONA ANTONIA REGINALDO DA SILVA, MINHA MÃE

Exímia cantora do folclore, das músicas indigenas e religiosas. Guarda péssimaas memórias dos colonizadores da Europa, diz que a sua avó contava muitas atrocidades praticadas contra aos índios pelos homens brancos. 

Como Eu, não gostava das nações desenvolvidas, que exploraram os donos da terra, os seus parentes XUCURUS, com chicote, mão de ferro, falsas promessas e desonestidade. Falava também que tinha outro povo que não eram portugues, chamava-se  de  os NEDERLANDS( Holandeses). Dizia minha mãe que numa guerra muitos deixaram o Brasil, porém muitos  ficaram no Nordeste escondidos no interior  das Alagoas, Pernambuco, Ceará, Paraíba e Bahia  misturados com os índios.

Minha mãe só tinha o primário, porém um conhecumentos que muitos acadêmicos não possuem. A sua memória era de causar inveja. Minha mãe. um exemplo de Ser Humano, uma inteligencia invejável, sabia de tudo, não deixava os perguntadores sem respostas, era uma orientadora.

                                                   Iderval Reginaldo Tenório


 

Asa Branca

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 Asa Branca · Luiz Gonzaga Asa Branca e Humberto Teixeira

terça-feira, 1 de abril de 2025

A VIDA

 

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A vida dos seres vivos, os humanos  e os não humanos, corre em busca da felicidade e de realizações  que deem sentido à EXISTÊNCIA.  

Transcorre por  períodos de bonanças e outros  de fracassos, ora  é   circo ou  humor, onde se riem  de tudo e ora   pesadelos, os prolongadores de noites em despeiros  infindáveis e sem soluções.

Muitas   dificuldades do presente, são frutos das sementes plantadas no passado  à procura da felicidade naquele presente e   sem imaginar as consequências no futuro.

Muitas são as atitudes que levam o ser humano ao  fracasso e ao insucesso.

1)Um namoro desorganizado, sem mensurar as qualidades e os defeitos do pretendente. 

2)A  desatenção nos bancos escolares, do infantil ao universitário, perpassando pelo técnico ou o  aprendizado de um ofício com os mais experientes, oficios aprendidos  nas universidades da vida. 

3)O ciclo de amizades que prima por descontruir os bons costumes,  fragilizando a personalidade, o que leva a ser presas fáceis para os enganadores. 

4)A falta do senso para controlar o consumo desnecessário em busca de neutralizar o complexo do ter.  

5)A compulsão desenfreada do comprar, do destruir as poucas finanças para adquirir  produtos acima das possibilidades de consumo, levando ao endividamento desproporcional. 

6)A tendência de valorizar os de fora e desvalorizar os de dentro, principalmente olvidar os ensinamentos dos pais, notadamente dos zero aos dezoito anos de idade.   

7)O comportamento de  inferioridade, hoje chamado de: O Complexo Tupiniquim, no qual tudo que vem  de fora, da boca dos desenvolvidos  e do além mar tem mais valor,   considerado a verdade verdadeira e dominante, além de  outros, que só quem está vivendo sabe descrever.

Existe nos humanos  uma anomalia   que causa tristeza profunda, desânimo, falta de interesse, baixa da autoestima, culpa e outros sintomas, doença chamada de    DEPRESSÃO e que   nos  não humanos   de  BANZO, muitos morrem quando o seu tutor falece ou  o abandona. São momentos  difíceis, alguns  somem espontaneamente, outros são  persistentes e  necessitam de apoio externo,  são  os de alta complexidade e de múltiplos imbricamentos, são verdadeiros labirintos ou apertados nós. 

O importante é que tudo isto, deve  levar a um aprendizado e servir de profilaxia para as demandas do futuro. Sem este aprendizado funcionará como auto castigo, tende à repetição e  cada vez mais forte,  funcionará como destruidor da autoestima e desconstruidor da personalidade.

É a vida e os seus mistérios apontando e  ensinando as possíveis armadilhas que serão encontradas pela frente. 

É a vida e ninguém sabe conduzi-la com maestria e sem sofrer avarias no seu transcorrer.  

Cabe a cada ser, até o dia da transferência para o além, fazer tudo para digerir os  conhecimentos, seja  material, imaterial, mental e existencial para conduzi-la da melhor maneira.  

                             É a vida e os seus mistérios.

                               Iderval Reginaldo Tenório

Paulo Diniz - E AGORA JOSÉ -
 poema de Carlos Drummond
 de Andrade, musicado por Paulo Diniz. 
Álbum: Paulo Diniz - E Agora José.
YouTube · luciano hortencio 
· 21 de mar. de 2014

segunda-feira, 31 de março de 2025

OS HOMENS TAMBÉM SENTEM

             Nenhuma descrição de foto disponível.                                       UM SÍTIO COM GRANDE VARIEDADE DE ANIMAIS E FRUTIFERAS - MARIO PEGORARO

                 Galo grande na grama imagem de stock. Imagem de grande - 32798219

                               OS HOMENS TAMBÉM SENTEM

Nos meados dos anos 50, o Brasil ainda era uma nação rural, vivia-se da agricultura, da pecuária de subsistência e puramente da exportação de commodities. Foi perdendo esta característic depois de 60, sedimentando após a copa do mundo, na década de 70, e hoje, 2025, é uma nação urbana.

No decorrer desta transição, muitos hábitos rurais foram transplantadas e aplicadas  nas cidades em formação.

A procura dos direitos sociais como  saúde, educação, empregos e entretenimentos, atrelado aos  desejos dos pais, no setor educação, para os seus filhos, propiciou o êxodo rural, uma vez que se acreditava que só a educação poderia tirar o homem do campo do analfabetismo,  e a  sair do fosso do qual se encontrava, o esquecimento e o sofrimento na trabalhosa e desvalorizada agricultura.

É de bom alvitre entender, que esta prática ocorreu nos pequenos municípios, médios e nas grandes metrópoles, notadamente no Norte e Nordeste, como também nos Estados brasileiros responsáveis pelo agronegócio.

O mais comum era encontrar casas com criatórios de galinhas, patos, galinhas d'angola, porcos, bodes, carneiros, ovelhas, papagaios, cágados e pássaros engaiolados, além dos animais domésticos de origem nacional( pejorativamente chamados de Pé Duro, vira-lata), cães e gastos. Salvador não fugiu à regra, principalmente nos bairros periféricos, nos quais as casas eram construídas em terrenos devolutos e de grandes áreas, eram pequenas chácaras.

Naquela época, o ato de criar, apesar de cada animal ter um nome, não existia uma ligação familiar como nos tempos atuais(2025) mesmo escolhendo um dos membros da família para cuidar de tal animal.  Cada um tinha um tutor: O galo é de Maria, o porco baé de José, o carneiro de Chiquinho, a galinha Ximbica de Vicente e o bode de Toim, o importante era que cada animal tinha um dono responsável, mesmo sabendo que um dia iria virar comida. Cônscio deste desfecho, era comum o responsável apegar-se ao seu protegido.

Na minha cidade, em épocas de festas, um colega meu levava o seu galo "pinduquinha" para a casa da avó, da vizinha ou para a escola, para não virar assado no centro da mesa.

Ao assunto- Os homens também sentem

Numbairro suburbano da cidade de Salvador, um senhor tinha uma família de mais de 12 filhos, possuía muitos tipos de animais, cada um com o seu nome e um tutor.

 Estes animais eram as alegrias da família e no dia que entravam no cardápio, a tristeza do seu tutor. Tinha um galo de estimação, propriedade da quase caçula e o um carneiro de raça, propriedade do dono da casa, era o seu chamego. Não vendia, não emprestava e não alugava, inclusive dava banhos de quando em vez e usava uma tinta vermelho claro na sua lã, era um dos seus orgulhos. Quando um amigo chegava na sua casa, o dono chamava o seu carneiro  Colorildo e era assunto para o dia todo.

A casa não possuía muros, como era comum naquela época. As galinhas ficavam nos seus galinheiros de varas ou telas, os pássaros em grandes gaiolas, os porcos num chiqueiro bem distante da casa, os bodes e os carneiros eram amarrados num belo pé de manga que existia nos fundos, funcionava como um grande parque de diversão para toda a família.

Um belo dia de domingo, dia do banho, ao abrir a porta não encontrou o seu estimado carneiro, viu apenas  a corda. Caiu em depressão, botou os seus filhos para procurá-lo em toda a redondeza, não logrou sucesso, além do quadro inicial, ficou esquecido e agressivo por mais de uma semana, só recuperando a consciência um mês depois, falava para os amigos, que foi um dos maiores traumas de sua vida.

A quase caçula arranjou um noivo e inventou de se casar, os pais  e os irmãos concordaram. Veio o dia do casamento, todos foram à igreja e ao voltarem iriam saborear um festivo almoço. Mesa posta, toalha e guardanapos de linho brancos, pratos, talheres e copos nos seus lugares. No centro da mesa, numa bandeja de aço enfarofada e algumas azeitonas, um grande frango assado, mais de dois quilos, com duas grandes coxas, peitos estufados de tão gordo e um pescoço de mais de 20 centímetro, era um frangão mais de metro, pois comia do bom e do melhor no colo da tutora. A quase caçula com uma afiada faca e um garfo tridente ao iniciar o corte do animal, parou, pensou e em voz alta gritou e caiu no choro: " Não acredito que é o meu galo Girineudo", desmaiou no centro da sala e o almoço só teve o seu começo quando a noiva recuperou-se do trauma. 

A noiva não comeu o seu galo de estimação, o afeiçoamento a outro ser vivo, tem mostrado grandes mudanças nos paradigmas sociais.

O mais interessante é que o Galo Girineudo era valente para todos da casa, menos para a quase caçula, a noiva,  e o velho  dono do Carneiro Colorildo, o Girineudo era ajuizado.

Dizem que os homens não sentem.

Salvador, 31 de março de 2025

Iderval Reginaldo Tenório