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MOVIMENTO ESTUDANTIL PAULISTA PELO RESPEITO AOS ESTUDANTES DE VALOR
ALGOZES DO PASSADO.
A REPRESÃO AOS ESTUDANTES EM SP POR : Alkimim, Haddad, Alexandre de Moraes, Dilma e Temer em 2015. HOJE DÃO UMA DE BONZINHOS.
A MENTE HUMANA ESQUECE DAS MALDADES SOFRIDAS POR ALGOZES.
Em 2015, alunos do ensino médio em São Paulo, em protesto contra o "Plano de Reorganização Escolar" do governo estadual, realizaram um movimento de ocupação de escolas Públicas do Estado.
Este
plano previa, a reestruturação da rede escolar, com fechamento de
unidades e o remanejamento de alunos para os bairros periféricos e
distantes, gerando grandes impactos na vida dos estudantes.
O
movimento que se estendeu por mais de 40 dias, teve como objetivo
derrubar o plano e defender a educação pública em São Paulo e no
Brasil.
Mesmo
sob a tutela das baionetas, das chicotadas, dos tiros de borracha, de
gás lacrimogêneo, dos cassetetes e dos gritos ameaçadores das tropas, os
adolescentes, os seus pais e a população paulista venceram os
truculentos soldados e os gestores descompromissados com a povo
brasileiro e a juventude.
1-Geraldo Alkimim(Governador PSDB).
2-Fernando Haddad (Prefeito PT).
3-Dilma Rousseff (Presidente PT).
4-Michel Temer(Vice Presidente PMDB).
Alexandre
de Moraes( Secretário de Segurança Pública do ALKIMIM), Depois
Ministro da Justiça do Presidente Temer e Ministro do Supremo Federal
nomeado por Temer, até os dias atuais.
Os
estudantes ocuparam diversas escolas da rede estadual e em paralelo
ocorreram manifestações nas via públicas de São Paulo. Movimentos
legítimos e que os governos da época: o Municipal, o Estadual e o
Federal chamaram, literalmente, de tumultos e queriam jogar a
população contra os estudantes.
O tiro saiu pela culatra quando os jornais começaram a mostrar, em cadeia nacional, para todo o país.
Este
movimento estudantil, foi considerado o movimento educacional
secundarista mais bem-sucedido da história, foi uma aula de cidadania ao
Prefeito, ao Governador, ao Presidente da Republica, ao Secretario de
Segurança e ao mundo político brasileiro, os algozes dos jovens
paulistas e brasileiros.
O
movimento conseguiu impedir a implementação do plano escolar e teve um
impacto significativo na política educacional do país.
Poucos
foram os políticos que lá compareceram, uma vez que as três lideranças,
da época, eram os executantes do antidemocrático plano.
Foi a sociedade civil organizada quem apoiou e defendeu os homens do futuro, a juventude abandonada e descamisada do Brasil.
As
ocupações das escolas, foram consideradas o amadurecimento do movimento
estudantil, que surgiu nas Jornadas de Junho de 2013 naquele mesmo
estado e que foi abortado pelos mesmos governos.
Governador Geraldo Alckmin, do PSDB.
Prefeito Fernando Haddad, do PT .
Presidente Dilma Rousseff, do Partido PT.
Secretário de Segurança Pública do
Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes, depois Ministro da Defesa do
Temer, Ministro do Supremo Tribunal Federal, indicado pelo presidente
Temer.
O Secretário de Educação do Estado de São, oi Dr. Paulo Herman Voorwald, diante da brutalidade e truculência das forças estaduais, municipais e federais contra a sociedade, PEDIU DEMISSÃO.
Os chamados “direitos fundamentais do cidadão” são normas universais de Direitos Humanos insculpidas na Declaração Universal dos Direitos Humanos, reconhecida e subscrita pelo Brasil, que, uma vez incorporadas à Constituição Federal, revestem-se da natureza de “Direitos Fundamentais”, aos quais o Estado tem o rigoroso dever de cumprir e fazer cumprir, cuja efetividade de sua eficácia está, constitucionalmente, sob o manto da proteção do Supremo Tribunal Federal.
No caso da nossa Constituição Federal, os ditos “Direitos Fundamentais” são aqueles que, com cristalina clareza, estão descritos no seu artigo 5º, assim normatizados a partir do caput, e seguindo até o último dos seus incisos:
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
III - ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
Estes são “sagrados” direitos classificáveis, inclusive, como direitos naturais da pessoa humana, sobre os quais o Supremo Tribunal Federal parece vir, não somente tergiversando sobre o seu dever de proteção, mas, aparentemente, violando-os em decisões que desafiam a compreensão dos jurisdicionados. Isto parece aflorar quando se tenta compreender o famigerado “Inquérito das Fakes News”, em curso naquela Corte.
É que o conhecido “Inquérito das Fakes News”, inquérito de nº 4.781, para o qual é difícil se encontrar na ordem jurídica brasileira o amparo legal, constitui uma investigação que se arrasta por mais de sete anos, aberta pelo Ministro Dias Toffoli, de ofício, no Supremo Tribunal Federal em 14 de março de 2019, sob o pretexto de se apurar notícias tidas como falsas, ameaças e ataques contra aquela Corte e seus Ministros e familiares.
Extravagantemente, este incompreensível procedimento foi instaurado “de ofício”, vale dizer, por iniciativa própria de um Ministro, sem provocação da Procuradoria-Geral da República, iniciativa do então presidente do “STF”, Ministro Dias Toffoli, que, no mesmo estilo autoritário, designou o polêmico Ministro Alexandre de Moraes como relator do caso, sem passar pelo necessário sorteio prévio. Não se há negar tratar-se de uma grave aberração jurídica a macular a credibilidade do Poder Judiciário perante a sociedade e a confiança internacional na segurança jurídica do País.
Para a preservação continuada do questionado excepcional instrumento dessa investigação infindável, acresceu-se ao seu objetivo inicial o de investigar o chamado “gabinete do ódio” e “redes de desinformação coordenadas para deslegitimar o Tribunal”. Logo, então, o seu escopo foi se ampliando para incluir novos objetos com adjetivações a atos aleatórios como “ataques à democracia”, “atos antidemocráticos” e “investigações sobre vazamentos de dados de magistrados”, assim entendidos e classificados pelo seu Relator.
Neste caso particular, verifica-se, às escâncaras, que o Supremo Tribunal Federal atua simultaneamente como vítima, investigador e julgador, o que, flagrantemente, no mínimo, viola o sistema acusatório. Não existe absolutamente nada na ordem jurídica brasileira que lhe dê legitimidade para tanto; não tem competência, nem para a instauração, nem para a condução do inquérito extravagante aludido.
O famigerado inquérito tem sido prorrogado sucessivamente, não possuindo, sequer, uma data sugerida para o seu encerramento, já, coerentemente, recebendo a adjetivação de “inquérito sem fim”. Não restam dúvidas de que a sua continuidade constitui deliberado cerceamento do direito à crítica, inclusive da liberdade de imprensa.
Da mesma forma, absurdamente escandalosa, observou-se o julgamento dos “condenados do 8 de janeiro”!
O Supremo Tribunal Federal, por meio da sua Primeira Turma, condenou mais de 1.300 pessoas, sem o chamado “foro privilegiado”, envolvidas nos chamados “atos de 8 de janeiro de 2023”, inclusive pessoas que, ingenuamente, simplesmente permaneceram 70 dias (de 31 de outubro de 2022 a 9 e 10 de janeiro de 2023), em protesto, acampadas em frente aos quartéis do Exército, em um processo coletivo sem a necessária individualização das respectivas responsabilidades, se é que todos tinham alguma responsabilidade criminal.
Em princípio, sob a irregular acusação de “tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito”, ação de competência do Juízo criminal – Art. 359-L do Código Penal:“tentativa de golpe de Estado”; “dano qualificado”; “deterioração de patrimônio tombado” e “associação criminosa armada”.
Na tentativa de corrigir, em parte, os perniciosos equívocos perpetrados pelo Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional aprovou a Lei nº 15.402, de 08 de maio de 2026, denominada Lei da Dosimetria,uma legislação que altera o Código Penal e a Lei de Execução Penal, para modificar a forma como as punições são calculadas em crimes contra o “Estado Democrático de Direito”, como os ditos “atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023”. Um texto legal que visa impedir que as punições de crimes similares cometidos dentro de um mesmo contexto sejam somadas de forma integral, aplicando a regra do concurso formal para evitar penas acumuladas excessivamente.
Esta norma permite recalcular e diminuir significativamente o tempo de reclusão dos “condenados do 8 de janeiro”, mediante petição das defesas de cada condenado ou réu junto à Justiça, que deverá analisar os casos individualmente.
Todavia, recebendo um injusto pleito de radicais partidos políticos de esquerda, o Supremo Tribunal Federal sustou o cumprimento da referida norma legal e, até a presente data, vem protelando o julgamento da perversa demanda, impedindo a efetividade da eficácia da norma jurídica, em detrimento dos direitos constitucionais dos condenados: julgamento justo, público e transparente por meio do devido processo legal.
Esta conduta da Suprema Corte está a violar a norma do inciso VIII, do artigo 5º da Constituição Federal, que assegura: “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”.
Ainda mais, ao deixar de apreciar os requerimentos dos apenados, solicitando a adequação de suas penas aos termos da Lei nº 15.402/2026, está afrontando a norma do inciso XXXIV do aludido artigo 5º, em que o legislador constituinte estabeleceu que“são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder”, inclusive ao judiciário. Bem como está a violar a norma do inciso XXXV, que garante que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.
O que tem sido evidenciado é que o Brasil parece ter duas Constituições, uma escrita, que é a oficial, e outra abstrata, à disposição e sob o controle do Poder Dominante, cuja efetividade e orientações jurídicas são definidas para cada ocasião, ajustada aos respectivos fatos litigiosos, segundo a conveniência e interesse do órgão julgador. E neste estilo tem se verificado na postura de cada um dos outros dois poderes componentes da tríade do poder estatal, Executivo e Legislativo, quando não combinando entre ambos a consecução de um ato extravagante, em afrontosa traição à sociedade, ao povo, porque o “direito” existe em razão do povo, em razão do homem, da pessoa humana.
Esta concepção parece se evidenciar como a justificativa para que já tenhamos incorporadas à Constituição Federal brasileira de 1988, promulgada originariamente com 245 artigos, 138 Emendas Constitucionais ordinárias aprovadas até o final de 2025, e agora, com mais uma, a Emenda Constitucional nº 139/2026, conhecida popularmente como a “PEC da Essencialidade dos Tribunais de Contas”, promulgada pelo Congresso Nacional em 5 de maio de 2026, alterando o parágrafo 1º do artigo 31 e o artigo 75.
Apenas a título de esclarecimento, a nova norma constitucional dá aos Tribunais de Contas (da União, dos Estados e dos Municípios) o status de órgãos permanentes e essenciais ao controle externo da administração pública, como órgãos indispensáveis para o funcionamento do Estado, ao tempo em que proíbe uma possível extinção ou a criação de novos tribunais.
Voltando ao tema da “Constituição Federal abstrata”, alternativa de sustentação do Poder Dominante atual, é também de se observar que, de há muito tempo, o Poder Judiciário brasileiro vem, de forma um tanto ostensiva, tentando transformar a teoria tridimensional do direito: fato, valor e norma, em uma teoria quadrimensional do direito: fato, valor, norma epolítica, atribuindo primazia para o interesse político na fundamentação das decisões judiciais, daí a instituição normativa da “relevância da questão federal” como condição fundamental para a admissibilidade do Recurso Extraordinário e do Recurso Especial, respectivamente para o “STF” e para o “STJ”.
Nesta linha de atuação do Judiciário brasileiro, registrou-se, dentre tantos outros inúmeros casos extravagantes, uma Ação que tramitou na Justiça do Trabalho, no final da década de 1980, quando os funcionários do Banco do Brasil moveram uma ação judicial cobrando o cumprimento de um acordo de equiparação salarial com as tabelas do Banco Central. Ao julgar a questão (cujo trânsito em julgado ocorreu em 1999), o tribunal reconheceu a juridicidade da pretensão e a existência histórica das promessas e do pleito dos trabalhadores, mas barrou a equiparação salarial, alegando que o impacto econômico para o Banco seria “catastrófico”. Então, o Presidente do Tribunal Superior do Trabalho - TST, naquela oportunidade, Ministro Almir Pazzianotto, proferiu célebre afirmação, declarando formalmente que conceder a equiparação pleiteada, embora reconhecidamente legal, geraria um impacto financeiro tão avassalador que "quebraria o Banco do Brasil", “inviabilizando a instituição pública e comprometendo o sistema financeiro estatal”, e, assim, negou a equiparação salarial reivindicada, juridicamente reconhecida como de vida.
Quanto exagero para justificar a primazia do interesse político nas decisões judiciais!
Mais recentemente, julgando Processo Judicial no Tribunal Superior Eleitoral – TSE, a Ministra Cármen Lúcia manifestou seu entendimento durante o julgamento que determinou a desmonetização de canais de conteúdo político e a suspensão da exibição de um documentário da produtora Brasil Paralelo nas eleições de 2022, proferindo seu (inconstitucional) voto favorável à medida restritiva, com a seguinte fundamentação conceitual: “O ‘cala a boca já morreu’ Quem manda na minha boca sou eu. (...) Mas o que eu quero dizer é que não se trata de censura, o que é inconstitucional, mas de uma situação excepcionalíssima que, infelizmente, no momento, terá que ser admitida”.
Isto é humilhante para os jurisdicionados, para a Nação brasileira. É uma nódoa inapagável na honradez do Poder Judiciário. Os interesses políticos não podem nortear as decisões jurídicas.
Como “quem cala concorda”, estas perniciosas condutas de transformações antijurídicas e inconstitucionais vêm, solerteiramente, se incorporando ao nosso ordenamento jurídico, graças à acomodação das Academias e ao deliberado silêncio dos nossos juristas.
E agora, com este escândalo no Supremo Tribunal Federal (Banco Master/STF), talvez o mais grave já registrado em todo o mundo, com a maioria no Congresso envolvida em tantos outros escândalos de iguais dimensões, com um Poder Executivo moralmente esfacelado, escancara-se a urgente necessidade de uma nova ordem constitucional!
Somente uma constituinte e uma nova Constituiçãopoderão restaurar a segurança jurídica e a intangível honradez do Brasil, para reconquista do respeito internacional à soberania da Nação brasileira.
Advogado, Mestre em Administração de Empresas e Comércio Internacional, Especialista em Ciências Jurídicas - Pós Graduado em Direito Civil e Direito Cambiário, MBA Para Altos Executivos - USP - Curso de Atualização Gerencial Amana-Key (ACS), Ex-Coordenador do Curso de Direito da UCSAL.
Professor de Direito Processual Civil, Direito Internacional, e Direito Internacional dos Negócios; Membro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC, Conselheiro Certificado IBGC, Membro do Instituto dos Advogados da Bahia, Presidente do Instituto Baiano de Direito Empresarial, Presidente da Rede de Excelência Jurídica Internacional na Bahia, Ex-Presidente da Academia Maçônica de Letras da Bahia, Certificado pelo Conselho Superior da Advocacia de Excelência, em Coimbra – Portugal como Excelência Jurídica Internacional, Diploma de Excelência Jurídica Internacional conferido pela Rete Internazionale di Eccellenza Giuridica e Associazione Interparlamentare di Amicizia Itália/Brasil, Ex Chefe da Assessoria Jurídica Regional do Banco do Brasil na Bahia, Sócio Diretor do Escritório ANTONIO FRANCISCO COSTA Advogados Associados, em Salvador - BA.
Uma sociedade doente, desorientada, subserviente e parte apoiando a
desonestidade.
O que explica parte da sociedade brasileira apoiar com unhas
e dentes atitudes desonestas da cúpula governamental? O rombo do INSS, o rombo do Vorcaro e outros?
Como explicar MINISTROS do STF, que
se dizem HONESTOS apoiarem seus pares ENVOLVIDOS EM FALCATRUAS
VERGONHOSA?Homens de grandes
privilégios e que desavergonhosamente apoiam estes roubos?Como explicar?
Quais as duvidas que se tem do
STF que parte apoia todas as sujeiras de ministros e falam até em anular a verdade para livrá-los de escândalos e da prisão? Tem algo errado neste país.
Como explicar que parte da sociedade que se diz honesta, também
apoiar MINISTROS que se juntam a marginais, como
explicar esta contaminação? Quais as mensagens passadas aos filhos, netos e para a juventude? Quais?
O sociedade está doente e está contaminando os homens do amanhã, está plantando o que existe de pior para um povo, A DESONESTIDADE EM TUDO QUE SE PRATICA.
O Brasil está dilacerado, mais dilacerado a cabeça e o comportamento
de muitos brasileiros em apoiar todas estas sujeiras cometidas pela cúpula e que justificam comparando aos roubos dos outros. Se X rouba, os meus podem roubar, FALCATRUA virou o NORMAL.
São professores, médicos, comerciantes, funcionários públicos,
políticos, administradores e outrosque
cobrem a cara e apoiam homens desonestos.
O Brasil está doente. É uma nação governada pela DESONESTIDADE E PELAS FALCATRUAS com o apoio de parte da população, parte esta que se diz HONESTA.
Um visionário, obstinado em seus planos, não aceitava não progredir. Às vezes mexia com estruturas estáveis, sem interesse pessoal direto, mas que ele julgava o necessário para evoluir.
Brigava pelo aprimoramento do serviço que chefiava (a UCO do Hospital Português), pelo hospital, pela cardiologia baiana e brasileira (presidiu a SBC).
Além dos serviços, ajudou muitos cardiologistas baianos a se desenvolverem como profissionais e pessoas, dando oportunidades sem temer formar concorrentes.
Um líder e cardiologista exemplar. Deixa um grande legado e admiradores. E saudade entre amigos e familiares.
Que Deus o acolha!
JULIO BRAGA
🩶🩺 O Cremeb presta sua homenagem, com pesar, à memória do médico José Péricles Cruz Esteves, falecido no último domingo (6), aos 82 anos. Alagoano da cidade de Penedo, Dr. José Péricles Esteves formou-se médico na UFBA, na turma de 1967, e ganhou notoriedade internacional no exercício da cardiologia, sendo pioneiro no desenvolvimento e na pesquisa de diversos avanços da Medicina.
♻️📝 Em reconhecimento à trajetória construída ao longo de cinco décadas de exercício profissional, o Cremeb concedeu a Dr. José Péricles, em 2017, o Diploma de Mérito Ético-Profissional, por completar 50 anos de exercício ininterrupto da Medicina, honrando a profissão e sem ter sofrido sanções éticas.
👇🏼📰 Leia na íntegra a nota de pesar, que reúne os depoimentos da 1ª vice-corregedora do Cremeb e sobrinha do Dr. Péricles, Dra. Marília Fagundes; do presidente do Conselho, Dr. Antônio Azevedo; e do conselheiro decano, Dr. Jorge Cerqueira.
O Dr.
José Péricles Esteves é um médico cardiologista renomado em
Salvador, com atuação destacada como coordenador da Unidade Coronariana (UCO)
do Hospital Português da Bahia e ex-presidente da Sociedade
Brasileira de Cardiologia (SBC).
Dr. Péricles Esteves é o novo presidente da SBC / jan 2006
24 January 2006
A Sociedade Brasileira de Cardiologia é uma das mais importantes sociedades médicas brasileiras, que congrega 11 mil cardiologistas de todos os estados. A posse, que aconteceu no anfiteatro Alfredo Britto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, no Terreiro de Jesus, contou com a presença de grandes pesquisadores e cardiologistas do País, entre eles o Dr. Leopoldo Piega, Diretor do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Dr. José Antonio Ramires, Diretor do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo, e o Dr. Antonio Simão, atual Presidente da SBC.
A variação linguística é um interessante
aspecto da língua portuguesa. Pode ser compreendida por meio das
influências históricas e regionais sobre os falares.
A língua é um sistema vivo e pode ser modificada por seus falantes de acordo com a situação linguística
Você sabe o que é variação linguística?
A variação linguística é
um fenômeno que acontece com a língua e pode ser compreendida por
intermédio das variações históricas e regionais. Em um mesmo país, com
um único idioma oficial, a língua pode sofrer diversas alterações feitas
por seus falantes. Como não é um sistema fechado e imutável, a língua
portuguesa ganha diferentes nuances. O português que é falado no
Nordeste do Brasil pode ser diferente do português falado no Sul do
país. Claro que um idioma nos une, mas as variações podem ser
consideráveis e justificadas de acordo com a comunidade na qual se
manifesta.
As variações
acontecem porque o princípio fundamental da língua é a comunicação,
então é compreensível que seus falantes façam rearranjos de acordo com
suas necessidades comunicativas. Os diferentes falares devem ser
considerados como variações, e não como erros. Quando tratamos as
variações como erro, incorremos no preconceito linguístico que associa,
erroneamente, a língua ao status.
O português falado em algumas cidades do interior do estado de São
Paulo, por exemplo, pode ganhar o estigma pejorativo de incorreto ou
inculto, mas, na verdade, essas diferenças enriquecem esse patrimônio
cultural que é a nossa língua portuguesa. Leia a letra da música “Samba do Arnesto”, de Adoniran Barbosa, e observe como a variação linguística pode ocorrer:
O Arnesto nos convidou pra um samba, ele mora no Brás
Nós fumos não encontremos ninguém
Nós voltermos com uma baita de uma reiva
Da outra vez nós num vai mais
Nós não semos tatu!
No outro dia encontremo com o Arnesto
Que pediu desculpas mais nós não aceitemos
Isso não se faz, Arnesto, nós não se importa
Mas você devia ter ponhado um recado na porta
Um recado assim ói: "Ói, turma, num deu pra esperá
Aduvido que isso, num faz mar, num tem importância,
Assinado em cruz porque não sei escrever.
Samba do Arnesto, Adoniran Barbosa
Há, na letra
da música, um exemplo interessante sobre a variação linguística. É
importante ressaltar que o código escrito, ou seja, a língua
sistematizada e convencionalizada na gramática, não deve sofrer grandes
alterações, devendo ser preservado. Já imaginou se cada um de nós
decidisse escrever como falamos? Um novo idioma seria inventado,
aboliríamos a gramática e todo o sistema linguístico determinado pelas
regras cairia por terra. Contudo, o que o compositor Adoniran Barbosa
fez pode ser chamado de licença poética, pois ele transportou para a modalidade escrita a variação linguística presente na modalidade oral.
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As variações
linguísticas acontecem porque vivemos em uma sociedade complexa, na qual
estão inseridos diferentes grupos sociais. Alguns desses grupos tiveram
acesso à educação formal, enquanto outros não tiveram muito contato com
a norma culta da língua. Podemos observar também que a língua varia de
acordo com suas situações de uso, pois um mesmo grupo social pode se
comunicar de maneira diferente, de acordo com a necessidade de adequação
linguística. Prova disso é que você não vai se comportar em uma
entrevista de emprego da mesma maneira com a qual você conversa com seus
amigos em uma situação informal, não é mesmo?
A adequação é um tipo de variação linguística que consiste em adequar a língua às diferentes situações comunicacionais
A tirinha Calvin e Haroldo, do
quadrinista Bill Watterson, mostra-nos um exemplo bem divertido sobre a
importância da adequação linguística. Já pensou se precisássemos
utilizar uma linguagem tão rebuscada e cheia de arcaísmos nas mais
corriqueiras situações de nosso cotidiano? Certamente perderíamos a
espontaneidade da fala, sem contar que a dinamicidade da comunicação
seria prejudicada. Podemos elencar também nos tipos de variação
linguística os falares específicos para grupos específicos: os médicos
apropriam-se de um vocabulário próprio de sua profissão quando estão
exercendo o ofício, mas essas marcas podem aparecer em outros tipos de
interações verbais. O mesmo acontece com os profissionais de
informática, policiais, engenheiros etc.
Portanto, apesar de algumas variações
linguísticas não apresentarem o mesmo prestígio social no Brasil, não
devemos fazer da língua um mecanismo de segregação cultural,
corroborando com a ideia da teoria do preconceito linguístico,
ao julgarmos determinada manifestação linguística superior a outra,
sobretudo superior às manifestações linguísticas de classes sociais ou
regiões menos favorecidas.
Preconceito linguístico: o que é, exemplos e como combater?
O preconceito é considerado como o ato de formular uma opinião ou
julgar determinada pessoa ou situação, antes de conhecê-la na prática.
Há diferentes formas de preconceito, entre elas o preconceito linguístico, que se relaciona com o modo que a pessoa se comunica ou a língua falada por ela.
A representação caricatural de personagens brasileiros em conteúdos
audiovisuais, quando retratam a fala de nordestinos, por exemplo, é uma
demonstração de preconceito linguístico ainda pouco discutida, mas
presente em diferentes esferas da sociedade.
Para entender mais sobre o tema e quais são as melhores estratégias
de combate ao preconceito linguístico, vem com a gente. Continue a
leitura!
O que é preconceito linguístico?
O fenômeno conhecido como preconceito linguístico consiste na
discriminação de pessoas que falam ou escrevem de forma diferente
daquela estabelecida como padrão.
Quantas vezes você ou outras pessoas já viram a frase: “Eu não sei
falar português direito”? Essas palavras, que podem ser ditas por uma
pessoa que não teve pleno acesso à educação, são representativas do
fenômeno do preconceito linguístico.
Isso porque, ao afirmar não saber se comunicar direito com a língua
portuguesa, a pessoa utiliza como parâmetro a norma culta, traduzida por
gramáticas e manuais de língua portuguesa.
Dessa maneira, o preconceito linguístico utiliza como base a
gramática, em lugar de trazer o protagonismo para a língua, um organismo
vivo e em constante evolução.
Preconceito linguístico no Brasil
No Brasil, o preconceito linguístico acontece em razão de
determinados fatores, como tempo, espaço e classe social, manifestados
por meio do fenômeno conhecido como variação linguística.
A variação linguística se traduz nas diferentes formas de falar e se
expressar em sociedade. No Brasil, em virtude das dimensões continentais
do país, é possível observar inúmeras variações linguísticas, culturais e fonéticas.
É o caso de regiões com pronúncia mais acentuada da letra “r”, como
acontece no estado de São Paulo, ou o “s” em regiões do Rio de Janeiro.
No entanto, a caracterização dessa forma de falar como “feia”,
“bonita”, “certa” ou “errada”, está intimamente relacionada ao português
falado pela classe média e alta da zona urbana, que impõe a sua
linguagem como certa, em virtude do seu poder de influência.
Quem sofre preconceito linguístico?
Os principais alvos do preconceito linguístico são grupos que se
afastam dos modos de falar determinados pela norma culta e da linguagem
das classes urbanas.
Normalmente, se relaciona a grupos com alguma característica de
vulnerabilidade em razão de gênero, classe, raça, padrão de renda,
acesso à educação, deficiência e local de nascimento.
Sendo assim, pessoas com pouco grau de acesso à educação, que
nasceram em regiões mais afastadas da zona urbana ou dos grandes centros
urbanos, com baixo nível de renda, são os principais alvos do
preconceito linguístico.
O preconceito linguístico pode se manifestar na fala e na escrita e
sofrem influências da variação linguística associada à região de
nascimento de quem fala, o tempo, espaço e classe social em que a pessoa
se encontra inserida. Vamos analisar alguns exemplos?
Preconceito linguístico na pronúncia
Esse é uma forma de preconceito que está diretamente ligado à
pronúncia das palavras, relacionado intimamente com variações
regionais.
No Brasil, pessoas nascidas nas regiões norte e nordeste são alvo de
preconceito linguístico pela sua fala, cujo sotaque se difere das
regiões sul e sudeste (considerados grandes centros urbanos do país). A
xenofobia também se faz muito presente aqui.
Pronúncia mais acentuada da letra “t” em cidades do interior do
nordeste, verbos no gerúndio sem o “d”, como na Bahia e Minas Gerais e o
“s” com som de “x” de quem vive no Rio de Janeiro são alguns exemplos.
Na gramática, quando há erros na escrita, fala ou concordância das palavras, é quando o preconceito linguístico mais aparece.
“Menas”, “as casa”, “firmadeira”, “a gente vamos”, “fez mal para eu”,
“truce” entre outros, são exemplos de comunicação diferente do
estabelecido conforme a norma culta.
Isso é algo muito comum no preconceito linguístico, mesmo quando as
duas partes envolvidas na comunicação conseguem entender a mensagem.
Quais são as principais causas do preconceito linguístico?
A raiz principal do preconceito linguístico no Brasil está
relacionada à comunicação distinta de uma forma padrão utilizada por
milhões de habitantes do país.
Afinal, a linguagem é utilizada como instrumento de dominação e
diferenciação de pessoas. E quanto mais afastadas do padrão normativo
estabelecido, maior a marginalização e discriminação de certos grupos.
A seguir, veja os principais fatores que levam ao preconceito linguístico.
Preconceito regional
O Brasil é um país gigante, diverso, porém muito desigual. Portanto,
pessoas nascidas em regiões afastadas dos centros urbanos ou dos estados
mais ricos do país, costumam ser alvo de preconceito regional.
Falas carregadas de estereótipos sobre hábitos e costumes de pessoas
nascidas no Nordeste, por exemplo, são expressões do preconceito
regional, que tratam boa parte dos estados do Brasil como uma unidade
sem diferenciação e características próprias.
Em razão da desigualdade social no Brasil, pessoas com menor poder
aquisitivo não só possuem poucas oportunidades, como são vistas como
inferiores e culpadas pela sua situação econômica.
Desse modo, pessoas que vivem em periferias, usam transporte público e
não possuem amplo acesso a bens de consumo são alvo de preconceito
socioeconômico.
Preconceito cultural
Além do preconceito regional e socioeconômico está o preconceito
cultural ou intelectual, vivenciado por aqueles que por diferentes
fatores possuem pouco acesso à educação formal, viagens, livros e
visitas a museus e outros equipamentos culturais.
Por tal motivo, estimula-se a crença de que estas são pessoas
inferiores e até mesmo desinteressadas. Portanto, são colocadas em
segundo plano, o que impacta não só em oportunidades de trabalho, mas de
socialização.
Qual a relação entre preconceito linguístico e variação linguística?
O preconceito linguístico alimenta a ilusão de que, no Brasil,
fala-se apenas uma língua portuguesa: aquela ensinada nas escolas.
Assim, a norma culta estabelecida nas gramáticas é supervalorizada,
em detrimento da linguagem falada no cotidiano pelos milhões de
brasileiros. E é essa a principal relação entre preconceito linguístico e
variação linguística.
Enquanto a variação aborda as diferentes maneiras de comunicar uma
mesma palavra, na mesma língua, o preconceito linguístico diz que existe
um determinado jeito de comunicar a referida palavra.
Um exemplo pode ser a maneira de se referir a uma paquera. Se na
época de seus pais a palavra era pretendente, hoje é “crush”, “mina”,
“@”, entre outras variações, que também sofrem influência das mídias
digitais.
O mesmo acontece com os pronomes de tratamento. Há locais em que se
fala “você”, “ocê”, “tu”. E todos eles conseguem comunicar a mensagem
com exatidão.
Outro ponto importante a se considerar é a mudança que a língua sofre
ao longo do tempo, espaço, classe social, gênero e outros fatores.
Todas essas mudanças são representações da identidade cultural de quem
fala e, como tal, devem ser respeitadas.
Qual a relação entre norma culta e o preconceito linguístico?
A norma culta, linguagem padrão ou formal, se traduz nos modelos de
língua tidos como ideais a partir de livros de gramática, dicionários e
na própria forma de falar de grupos considerados como dominantes e
influentes.
Atenção às regras gramaticais, de concordância verbal, nominal,
regência, entre outros aspectos, estão ligados à norma culta da língua
portuguesa.
Por outro lado, o preconceito linguístico é justamente a
discriminação de pessoas que se afastam do modelo consagrado como único a
ser usado para efetuar a comunicação.
Ao fazer isso, a norma culta desconsidera o uso coloquial da
linguagem, em situações informais e sem a exigência da chamada linguagem
padrão, bem como as características e identidade cultural do falante.
Da mesma maneira, a norma culta despreza outras formas de comunicação
de linguagem, praticada por pessoas constantemente colocadas à margem
da sociedade por não estarem no padrão imposto pela comunidade.
Por que o preconceito linguístico deve ser combatido?
O preconceito linguístico deve ser combatido porque a língua não está
a serviço da gramática. Ela é um organismo vivo, em constante mudança e
evolução, com poder de representar a cultura e história de diferentes
povos e regiões.
Da mesma maneira, o preconceito linguístico deve ser combatido para
promover a inclusão de pessoas frequentemente discriminadas pela sua
origem, classe social, raça ou por apresentar alguma deficiência que, de algum modo, traga impactos para a linguagem e manifestação do pensamento.
Igualmente, combater o preconceito linguístico é desfazer a crença de
que há somente uma forma de se comunicar, caminho justo para promoção
da democracia e sociedade mais igualitária.
Consequências do preconceito linguístico
A principal consequência do preconceito linguístico é a
marginalização daqueles que não falam da forma padrão ou esperada pela
maioria e são alvos de piadas, comentários repletos de estereótipos e a
falta de acessibilidade em diferentes espaços.
Isso porque, quando se fala em preconceito linguístico, não é só os
falantes de língua portuguesa que são atingidos. Pessoas que fazem uso de Libras
também são inclusas no preconceito e rejeição social. Você já deve ter
se deparado com vídeos em que pessoas tentam imitar intérpretes ou
pessoas surdas fazendo mímicas ou usando expressões pejorativas por aí.
Portanto, o preconceito linguístico reforça concepções culturais que
estimulam a estigmatização de pessoas na sociedade e colocam certos
grupos como superiores a outros, apenas pelo fato de não se utilizarem
dos mesmos instrumentos para se comunicar.
Como acabar com o preconceito linguístico?
Para acabar com o preconceito linguístico, o conhecimento deve ser o
primeiro passo em direção a uma sociedade mais justa e inclusiva.
Assim, estimular o ensino da língua portuguesa a partir da
perspectiva de diversidade linguística deve ser o ponto de partida de
educadores para incentivar a aceitação e respeito às diferentes formas
de falar o idioma.
Em seguida, o reforço à ideia de adaptação linguística deve ser
inserido pelos educadores, a fim de mostrar que existem línguas
indicadas para cada situação do cotidiano, como entrevista de emprego e
conversa com amigos.
O ideal é estimular a linguagem como identidade cultural do
indivíduo, em lugar de colocá-la como algo a ser consertado ou ajustado.
Toda língua se relaciona com o sujeito, sua história e diferenças.
Conclusão
O preconceito linguístico acontece a todo momento e em qualquer lugar
e é nosso dever agir não só para conhecer e evitar práticas
discriminatórias, mas para promover a inclusão daqueles colocados à
margem na sociedade.
Para conhecer ainda mais sobre preconceito linguístico, capacitismo e diferentes conteúdos sobre acessibilidade, diversidade e inclusão, confira o nosso blog e mergulhe ainda mais nesse universo.
Preconceito linguístico
abril 26, 2021
O que é preconceito linguístico? Entenda seu significado, exemplos e como está presente em nosso país.
Preconceito linguístico: o que é, exemplos, resumo e redação!
Preconceito linguístico
é um tema que vale a pena ser discutido, especialmente por quem está se
preparando para o vestibular, já que pode aparecer em questões na prova
de Língua Portuguesa ou mesmo na Redação do Enem.
Se você ainda não sabe o que é preconceito linguístico
ou tem apenas uma vaga ideia sobre o assunto, continue a leitura e
entenda como ele ocorre no Brasil e de que forma o tema pode ser tratado
nas provas! Traremos ainda um resumo do livro Preconceito linguístico, exemplos práticos da manifestação desse mal na sociedade e um projeto de redação para você desenvolver. Prepare-se!
O que é preconceito linguístico?
Preconceito linguístico é uma forma de discriminação social que consiste em julgar o indivíduo pela forma como ele se comunica, seja oralmente, seja por escrito. O parâmetro desse julgamento é a chamada norma culta: quanto mais distante dela, mais criticado (e rebaixado) é o falante.
Dizemos que o preconceito linguístico é social porque, no país, educação e renda estão interligadas. Se a criança não frequenta a escola, geralmente porque sua família vive em condições de extrema pobreza, ela não terá acesso às ciências nem a essa norma culta, o que a deixará ainda mais afastada de exercer plenamente sua cidadania.
Preconceito linguístico no Brasil
Nosso país é rico em cultura, e as variantes linguísticas
são prova disso. Para além dos sotaques — o modo de falar de cada
região —, que configuram as diferenças geográficas, existem as variações
socioculturais e situacionais.
É aceitável que haja diferenças. O que não deve ocorrer é a escolha de uma dessas variantes como sendo a “certa” e todas as outras serem consideradas erradas ou de menor prestígio.
Como essa “língua correta” é a ensinada nas escolas e utilizada nos
centros de maior importância econômica, você pode imaginar como o
preconceito vai muito além da língua.
No livro Preconceito linguístico, cujo resumo você vai ler abaixo, Marcos Bagno constata que, no Brasil, a discriminação e a exclusão em relação a “negros, nordestinos, pobres, analfabetos etc.” são acentuadas.
Por
isso, ele escolheu usar, na capa de sua obra, uma foto de seus sogros,
os quais representam essa parcela da população, como forma de
homenageá-los e de difundir a luta pelo fim de todo tipo de preconceito.
Quem deseja conhecer mais sobre o tema precisa conhecer a obra Preconceito linguístico. Marcos Bagno, um importante linguista brasileiro, professor da UnB e colunista da revista Caros Amigos, escreveu esse pequeno livro em 1999. Hoje, já está em sua 56ª edição e foi lido por mais de 300 mil pessoas. Vale a pena saber um pouco sobre essa obra!
Preconceito linguístico: resumo
O livro de Marcos Bagno, Preconceito linguístico: o que é, como se faz, está dividido em três partes.
I. A mitologia do preconceito linguístico
O
autor constata a presença desse tipo de preconceito na sociedade, fruto
“da ignorância, da intolerância ou da manipulação ideológica”. Para
ele, meios de comunicação e a própria escola são responsáveis por disseminar e intensificar o preconceito linguístico quando valorizam a gramática normativa em detrimento da língua realmente falada pela população.
Bagno apresenta, então, oito mitos sobre a língua portuguesa em que as pessoas acreditam e comprova a falsidade de cada um. Entre eles, destacam-se:
“A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente”: esse é o mito da língua única, que desconsidera a existência de variedades e diversidades linguísticas no país;
“Português é muito difícil”: os estudantes, principalmente, utilizam essa afirmação (falsa!) para se referirem às regras da modalidade linguística aprendida na escola, e não ao uso real que fazem do português. Afinal, eles se comunicam usando essa língua, não é mesmo?;
“O certo é falar assim porque se escreve assim”: esse é um mito muito fácil de derrubar. Basta pensar em como a fala nossa de todo dia é distante da escrita, e nem por isso é “errada”.
II. O círculo vicioso do preconceito linguístico
O linguista fala, nessa segunda parte do livro, que os mitos são propagados pela gramática tradicional, pelos livros didáticos e pelo próprio ensino nas escolas, em um círculo vicioso difícil de ser quebrado.
Dessa forma, perpetuam-se os mitos, e a população mais carente, que, muitas vezes, não têm acesso à educação, é discriminada por não falar a variante padrão da língua.
III. A desconstrução do preconceito linguístico
Para quebrar essa corrente, Bagno propõe atacar três problemas básicos:
o pouco contato com a norma culta (na leitura e na escrita) mesmo para os alfabetizados;
a idealização de uma norma culta.
A partir do momento em que reconhecermos que existe uma crise nesse setor, teremos mais “autoestima linguística” e saberemos valorizar, por exemplo, a fala de habitantes da zona rural como uma variante, nem certa nem errada.
Essa mudança de atitude se dará aos poucos, com o auxílio dos professores e com a tomada de consciência de cada brasileiro.
Exemplos de preconceito linguístico
Quer ver, na prática, como ocorre o preconceito linguístico em diferentes aspectos?
Na pronúncia
Em Minas Gerais e na Bahia, verbos no gerúndio costumam ser pronunciados sem o “d” final e substituindo o som de “o” pelo de “u”: pensanu, sentinu, fazenu,
por exemplo. Sem alteração na grafia, essa forma de comunicação é
facilmente entendida pela comunidade e não há por que humilhar quem fala
assim.
Outro caso ocorre com o “r”:
ele pode ser pronunciado mais seco, como o dos cariocas, ou mais
“puxado”, como o dos goianos. Ambas as formas estão corretas e
configuram uma variação fônica.
Na gramática
Um dos pontos que mais são notados com relação a erros gramaticais
é a concordância, tanto verbal como nominal. Falar “menas” gente, “nós
vai” e “os livro”, por exemplo, é motivo de desmerecimento da pessoa,
principalmente se ela estiver ocupando cargo de responsabilidade.
Outra questão refere-se ao uso da preposição com pronome relativo, que, na fala, quase nem existe mais, mas é cobrado na escrita:
O carro (de) que eu gosto é azul.
O shopping (em) que eu estava pegou fogo.
Portanto,
antes de ridicularizar alguém pela forma como fala ou escreve, procure
entender o que houve linguisticamente para que aquela palavra ou
expressão fosse utilizada, por que uma variante foi escolhida e não
outra… Enfim, há uma razão para aquilo que chamamos de “erro”.
Preconceito linguístico redação: como fazer?
Como esse é um tema que deixa os ânimos alterados, é bem provável que uma redação sobre preconceito linguístico seja cobrada no Enem. Por isso, trouxemos um esboço de redação com essa proposta para que você possa desenvolvê-la.
Preconceito linguístico: redação
Introdução
É importante começar o texto demonstrando que você compreendeu o tema. Fale sobre a presença e a manifestação do preconceito linguístico no Brasil e posicione-se de forma a combatê-lo.
Desenvolvimento
Apresente exemplos de preconceito
mostrados pela mídia (programas humorísticos), dados referentes à
educação e comprove a existência do preconceito. Fale também de causas
históricas e socioculturais. Este é o momento de você exibir seu
repertório (seus conhecimentos) de forma coesa e articulada, com argumentos hierarquizados.
Conclusão
Além
de fechar a discussão, a conclusão traz uma proposta solução para o
problema. Indique quem, como, por que e de que forma o preconceito pode
ser amenizado ou, até mesmo, extirpado da sociedade.
Desenvolva
cada tópico em um parágrafo, mantendo conexão entre eles. É claro que o
enfoque da proposta pode sofrer alterações, por isso é importante ler
as instruções completas para fazer o texto da forma como foi pedido,
certo?
Agora, você amadureceu sua reflexão sobre o tema e aprendeu mais sobre preconceito linguístico, coloque em prática essa ideia!
Preconceito linguístico: o que é, exemplos e como combater?
O preconceito é considerado como o ato de formular uma opinião ou
julgar determinada pessoa ou situação, antes de conhecê-la na prática.
Há diferentes formas de preconceito, entre elas o preconceito linguístico, que se relaciona com o modo que a pessoa se comunica ou a língua falada por ela.
A representação caricatural de personagens brasileiros em conteúdos
audiovisuais, quando retratam a fala de nordestinos, por exemplo, é uma
demonstração de preconceito linguístico ainda pouco discutida, mas
presente em diferentes esferas da sociedade.
Para entender mais sobre o tema e quais são as melhores estratégias
de combate ao preconceito linguístico, vem com a gente. Continue a
leitura!
O que é preconceito linguístico?
O fenômeno conhecido como preconceito linguístico consiste na
discriminação de pessoas que falam ou escrevem de forma diferente
daquela estabelecida como padrão.
Quantas vezes você ou outras pessoas já viram a frase: “Eu não sei
falar português direito”? Essas palavras, que podem ser ditas por uma
pessoa que não teve pleno acesso à educação, são representativas do
fenômeno do preconceito linguístico.
Isso porque, ao afirmar não saber se comunicar direito com a língua
portuguesa, a pessoa utiliza como parâmetro a norma culta, traduzida por
gramáticas e manuais de língua portuguesa.
Dessa maneira, o preconceito linguístico utiliza como base a
gramática, em lugar de trazer o protagonismo para a língua, um organismo
vivo e em constante evolução.
Preconceito linguístico no Brasil
No Brasil, o preconceito linguístico acontece em razão de
determinados fatores, como tempo, espaço e classe social, manifestados
por meio do fenômeno conhecido como variação linguística.
A variação linguística se traduz nas diferentes formas de falar e se
expressar em sociedade. No Brasil, em virtude das dimensões continentais
do país, é possível observar inúmeras variações linguísticas, culturais e fonéticas.
É o caso de regiões com pronúncia mais acentuada da letra “r”, como
acontece no estado de São Paulo, ou o “s” em regiões do Rio de Janeiro.
No entanto, a caracterização dessa forma de falar como “feia”,
“bonita”, “certa” ou “errada”, está intimamente relacionada ao português
falado pela classe média e alta da zona urbana, que impõe a sua
linguagem como certa, em virtude do seu poder de influência.
Quem sofre preconceito linguístico?
Os principais alvos do preconceito linguístico são grupos que se
afastam dos modos de falar determinados pela norma culta e da linguagem
das classes urbanas.
Normalmente, se relaciona a grupos com alguma característica de
vulnerabilidade em razão de gênero, classe, raça, padrão de renda,
acesso à educação, deficiência e local de nascimento.
Sendo assim, pessoas com pouco grau de acesso à educação, que
nasceram em regiões mais afastadas da zona urbana ou dos grandes centros
urbanos, com baixo nível de renda, são os principais alvos do
preconceito linguístico.
O preconceito linguístico pode se manifestar na fala e na escrita e
sofrem influências da variação linguística associada à região de
nascimento de quem fala, o tempo, espaço e classe social em que a pessoa
se encontra inserida. Vamos analisar alguns exemplos?
Preconceito linguístico na pronúncia
Esse é uma forma de preconceito que está diretamente ligado à
pronúncia das palavras, relacionado intimamente com variações
regionais.
No Brasil, pessoas nascidas nas regiões norte e nordeste são alvo de
preconceito linguístico pela sua fala, cujo sotaque se difere das
regiões sul e sudeste (considerados grandes centros urbanos do país). A
xenofobia também se faz muito presente aqui.
Pronúncia mais acentuada da letra “t” em cidades do interior do
nordeste, verbos no gerúndio sem o “d”, como na Bahia e Minas Gerais e o
“s” com som de “x” de quem vive no Rio de Janeiro são alguns exemplos.
Na gramática, quando há erros na escrita, fala ou concordância das palavras, é quando o preconceito linguístico mais aparece.
“Menas”, “as casa”, “firmadeira”, “a gente vamos”, “fez mal para eu”,
“truce” entre outros, são exemplos de comunicação diferente do
estabelecido conforme a norma culta.
Isso é algo muito comum no preconceito linguístico, mesmo quando as
duas partes envolvidas na comunicação conseguem entender a mensagem.
Quais são as principais causas do preconceito linguístico?
A raiz principal do preconceito linguístico no Brasil está
relacionada à comunicação distinta de uma forma padrão utilizada por
milhões de habitantes do país.
Afinal, a linguagem é utilizada como instrumento de dominação e
diferenciação de pessoas. E quanto mais afastadas do padrão normativo
estabelecido, maior a marginalização e discriminação de certos grupos.
A seguir, veja os principais fatores que levam ao preconceito linguístico.
Preconceito regional
O Brasil é um país gigante, diverso, porém muito desigual. Portanto,
pessoas nascidas em regiões afastadas dos centros urbanos ou dos estados
mais ricos do país, costumam ser alvo de preconceito regional.
Falas carregadas de estereótipos sobre hábitos e costumes de pessoas
nascidas no Nordeste, por exemplo, são expressões do preconceito
regional, que tratam boa parte dos estados do Brasil como uma unidade
sem diferenciação e características próprias.
Em razão da desigualdade social no Brasil, pessoas com menor poder
aquisitivo não só possuem poucas oportunidades, como são vistas como
inferiores e culpadas pela sua situação econômica.
Desse modo, pessoas que vivem em periferias, usam transporte público e
não possuem amplo acesso a bens de consumo são alvo de preconceito
socioeconômico.
Preconceito cultural
Além do preconceito regional e socioeconômico está o preconceito
cultural ou intelectual, vivenciado por aqueles que por diferentes
fatores possuem pouco acesso à educação formal, viagens, livros e
visitas a museus e outros equipamentos culturais.
Por tal motivo, estimula-se a crença de que estas são pessoas
inferiores e até mesmo desinteressadas. Portanto, são colocadas em
segundo plano, o que impacta não só em oportunidades de trabalho, mas de
socialização.
Qual a relação entre preconceito linguístico e variação linguística?
O preconceito linguístico alimenta a ilusão de que, no Brasil,
fala-se apenas uma língua portuguesa: aquela ensinada nas escolas.
Assim, a norma culta estabelecida nas gramáticas é supervalorizada,
em detrimento da linguagem falada no cotidiano pelos milhões de
brasileiros. E é essa a principal relação entre preconceito linguístico e
variação linguística.
Enquanto a variação aborda as diferentes maneiras de comunicar uma
mesma palavra, na mesma língua, o preconceito linguístico diz que existe
um determinado jeito de comunicar a referida palavra.
Um exemplo pode ser a maneira de se referir a uma paquera. Se na
época de seus pais a palavra era pretendente, hoje é “crush”, “mina”,
“@”, entre outras variações, que também sofrem influência das mídias
digitais.
O mesmo acontece com os pronomes de tratamento. Há locais em que se
fala “você”, “ocê”, “tu”. E todos eles conseguem comunicar a mensagem
com exatidão.
Outro ponto importante a se considerar é a mudança que a língua sofre
ao longo do tempo, espaço, classe social, gênero e outros fatores.
Todas essas mudanças são representações da identidade cultural de quem
fala e, como tal, devem ser respeitadas.
Qual a relação entre norma culta e o preconceito linguístico?
A norma culta, linguagem padrão ou formal, se traduz nos modelos de
língua tidos como ideais a partir de livros de gramática, dicionários e
na própria forma de falar de grupos considerados como dominantes e
influentes.
Atenção às regras gramaticais, de concordância verbal, nominal,
regência, entre outros aspectos, estão ligados à norma culta da língua
portuguesa.
Por outro lado, o preconceito linguístico é justamente a
discriminação de pessoas que se afastam do modelo consagrado como único a
ser usado para efetuar a comunicação.
Ao fazer isso, a norma culta desconsidera o uso coloquial da
linguagem, em situações informais e sem a exigência da chamada linguagem
padrão, bem como as características e identidade cultural do falante.
Da mesma maneira, a norma culta despreza outras formas de comunicação
de linguagem, praticada por pessoas constantemente colocadas à margem
da sociedade por não estarem no padrão imposto pela comunidade.
Por que o preconceito linguístico deve ser combatido?
O preconceito linguístico deve ser combatido porque a língua não está
a serviço da gramática. Ela é um organismo vivo, em constante mudança e
evolução, com poder de representar a cultura e história de diferentes
povos e regiões.
Da mesma maneira, o preconceito linguístico deve ser combatido para
promover a inclusão de pessoas frequentemente discriminadas pela sua
origem, classe social, raça ou por apresentar alguma deficiência que, de algum modo, traga impactos para a linguagem e manifestação do pensamento.
Igualmente, combater o preconceito linguístico é desfazer a crença de
que há somente uma forma de se comunicar, caminho justo para promoção
da democracia e sociedade mais igualitária.
Consequências do preconceito linguístico
A principal consequência do preconceito linguístico é a
marginalização daqueles que não falam da forma padrão ou esperada pela
maioria e são alvos de piadas, comentários repletos de estereótipos e a
falta de acessibilidade em diferentes espaços.
Isso porque, quando se fala em preconceito linguístico, não é só os
falantes de língua portuguesa que são atingidos. Pessoas que fazem uso de Libras
também são inclusas no preconceito e rejeição social. Você já deve ter
se deparado com vídeos em que pessoas tentam imitar intérpretes ou
pessoas surdas fazendo mímicas ou usando expressões pejorativas por aí.
Portanto, o preconceito linguístico reforça concepções culturais que
estimulam a estigmatização de pessoas na sociedade e colocam certos
grupos como superiores a outros, apenas pelo fato de não se utilizarem
dos mesmos instrumentos para se comunicar.
Como acabar com o preconceito linguístico?
Para acabar com o preconceito linguístico, o conhecimento deve ser o
primeiro passo em direção a uma sociedade mais justa e inclusiva.
Assim, estimular o ensino da língua portuguesa a partir da
perspectiva de diversidade linguística deve ser o ponto de partida de
educadores para incentivar a aceitação e respeito às diferentes formas
de falar o idioma.
Em seguida, o reforço à ideia de adaptação linguística deve ser
inserido pelos educadores, a fim de mostrar que existem línguas
indicadas para cada situação do cotidiano, como entrevista de emprego e
conversa com amigos.
O ideal é estimular a linguagem como identidade cultural do
indivíduo, em lugar de colocá-la como algo a ser consertado ou ajustado.
Toda língua se relaciona com o sujeito, sua história e diferenças.
Conclusão
O preconceito linguístico acontece a todo momento e em qualquer lugar
e é nosso dever agir não só para conhecer e evitar práticas
discriminatórias, mas para promover a inclusão daqueles colocados à
margem na sociedade.
Para conhecer ainda mais sobre preconceito linguístico, capacitismo e diferentes conteúdos sobre acessibilidade, diversidade e inclusão, confira o nosso blog e mergulhe ainda mais nesse universo.
Os diversos falares regionais – um olhar curioso
Por Vânia Maria do Nascimento Duarte
As variações linguísticas revelam o perfil dinâmico da língua
Olhemos, pois, em direção às palavras retratadas por Oswald de Andrade em uma de suas brilhantes criações:
Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
http://www.revista.agulha.nom.br/oswal.html#vicio
O discurso ora proferido revela a não uniformidade da língua, em que os
“telhados” vão sendo construídos a partir das relações sociais
demarcadas por diversos fatores, entre eles os regionais, culturais,
sociais e, por que não dizermos, contextuais. Quantos “mios”, miós”,
“piós”, “teias” e “teiados” não compartilham do cotidiano linguístico de
muitos usuários por esse Brasil afora, sobretudo em se tratando daquele
linguajar caipira, cuja enunciação caracteriza tão somente um baixo
nível de escolaridade, muitas vezes por falta de oportunidade em
adquiri-la, mas que nem por isso a interlocução deixou de ser
materializada. Outro aspecto, também digno de nota, refere-se à
contextualização outrora mencionada (fatores contextuais), visto que se
restringe ao que denominamos de adequação vocabular, mesmo tendo em
vista que estamos submetidos a um padrão que nos é convencional.
Assim, “entrecortados” pelo viés da Sociolinguística, prestemo-nos ao
exercício de enfatizar um destes fatores que exercem suas influências
para tamanha diversidade – o fator regional. Ora, não precisamos ir
muito além para percebermos a amplitude de termos típicos de cada região
brasileira, todos com significados específicos. Desse modo, no intuito
de norteamos nosso conhecimento no que a isso se refere, conferiremos a
seguir alguns casos representativos, tendo em vista algumas regiões.
Ei-las, portanto:
Expressões típicas da região Nordeste:
Expressões oriundas da região Sul:
Expressões relativas ao Norte brasileiro:
1- Abajur: do francês abat-jour, que significa “abater o dia”