domingo, 17 de maio de 2026

O CORONÉ E A LUA DE MÉ

 


                                              O CORONÉ E A LUA DE MÉ

Este texto faz parte de minha trajetória e a minha entrada na SOBRAMES.  Lá encontrei ILDO SIMÕES, meu colega pneumologista e que me presenteou com esta poesia que já  publiquei  mais de 500mil cópias.

Um abraço ao meu colega da sobrames .

Ildo Simões um craque no que faz.

Do amigo

     Iderval Reginaldo Tenório





  

O CORONÉ E A LUA DE MÉ
  ILDO SIMÕES
 
Um certo doutor Tinoco
Já chegado nas idades
Paquerô menina nova
Uma verdadeira beldade
Mas em matéra de janero
Só tinha dele a metade.

Viajaram pra Paris
Pra passar lua de mé
Todo mundo comentava
Da menina e o Coroné
Sete dias de passeio
Sendo cinco no moté

No começo aquele fogo
Verdadeira patuscada
Dava três em cada tarde
E mais cinco por noitada
No quinto dia o vexame
Começou a fraquejada.

Cuidou da alimentação
Mas cada dia pió
Apelou pra bruxaria
Nem assim ficou mió.
Foi correndo ao celular
E pediu vaga no incó.

O coroné tomou o vôu
Lá pro  incó de sun Palo
Dispois de muitos ixames
Na barriga acharam um calo
O coração disparado e
O sangue muito ralo.

Juntaro os especialistas
De Jatene ao Diretor
E fizeram o veredicto
Sem ninguém se contra pôr
A sua doença é esclerose
Cum estravagança de amor.

É doença passagera
Pió se fosse maleita
Fique Carmo e confiante
Brochada nunca é disfeita
Vá correndo a Sarvador e
Mande aviá esta receita.

Um litro de catuaba
Nós moscada e pixulim
Vinte grama de castanha e
Um quilo de  amedoim
Erva de são Cipriano
Da feira de São Joaquim


Hoje em dia o coroné
Miorô  seu furunfá
Aprendeu que mingau quente
Só se come devagá
E fogo de mué nova
Tem que saber apagá.

Ildo Simões 
Médico, poeta e escritor

sábado, 16 de maio de 2026

Pedro, o cachorro leão e a onça pintada.

 

120 ideias de Onças pintadas | animais selvagens, gatos selvagens, felinos

 

TRAILER - Esperas - Caçadas e Caçadores no Interior do Brasil - YouTube

14 cachorros baratos para quem quer ter um de raça e está sem dinheiro |  Raças | iG

 


CRÔNICAS DO NORDESTE.

Lendas e Causos

Pedro, o cachorro leão e  a onça pintada.

Pedro,  de dona Zefinha,   acordou  pela madrugada, o clarão do sol começava a esconder a luz da lua.

Manhã fria de um azul profundo,  sem uma nuvem no céu.

Pedro foi ao terreiro, se espreguiçou, com uma raspa  da casca do Juazeiro limpou os dentes  e passou água no rosto.

Cuidou das 3 cabras e dos cabritos, ordenhou a vaca mãezinha, botou água no pote da cozinha, sentou para tomar seu café, com cuscuz  e charque assada na brasa.

Pedro vivia para a sua mãe, tudo que fazia era  em benefício da genitora. Rapaz bonito, sertanejo forte, sadio, trabalhador ao extremo, gentil e muito educado, homem pacato e de muita coragem.

Era  sábado, dia de feira livre no povoado de Pedra Preta, confins do alto sertão nordestino.

Perguntou  a sua mãe o  que queria da  feira. Pegou o bizaco de caçador, a velha  lazarina, o chapéu de palha, o facão e arribou para Pedra Preta, distava  légua e meia do sítio.

Chegou à  feira, comprou os mantimentos e  duas bacias de  flandres,  uma Alpercata, chumbo, bucha, pólvora e espoleta. Foi tomar uns tragos com uns amigos,  pois ninguém é de ferro e  também era filho de Deus. Dizem que, quando o diabo não vem, manda o secretário, parece que isso é verdade.

O môço após três lapadas  de cana,  das boas, estava um pouco alegre. Deu de vista com uma cabocla, cor de jambo, muito bonita,  corpo bem feito e um lindo sorriso, os olhares se cruzaram,  Pedro ficou animado.

Tomou mais  duas cachaças e de butuca na morena,  quando sentiu um grande murro nas costas, que o jogou ao chão. De pronto levantou pra brigar. Notou que o desafeto estava armado de faca, deu um passo para trás e se preparou para o pior, só não ia correr do pau,  pois era macho, caboclo paraibano dos bons.

O cabra correu pra cima  e ele revidou, se atracaram.  Pega e fura ali, murro aqui e acolá, Pedro foi ferido pela faca no braço, caíram um por cima do outro, ouviu-se um grito forte e depois o  silêncio…

O problema é que,  quando o namorado da morena, eis aí o motivo da briga,  caiu, o representante do diabo fez a sua estripulia, a faca virou a afinada ponta  e penetrou profundamente no peito do desafeto, atingiu o coração, o mesmo morreu na hora.

Pedro se apavorou, pegou seus piqualhos, sua lazarina  e caiu no ôco do mundo caatinga  adentro  por cima de pau, pedra,  espinho e o mais que tivesse pela frente. Só não queria ser preso. Preso não, isso nunca...

Andou na mata fechada o resto da tarde e um bom pedaço da noite,  evitando as moradias  esparsas  do sertão. Se embrenhou o mais que pode no carrasco sertanejo, tinha o sertão na palma da mão.

Parou exausto, já tarde. Bebeu a água da cabaça, escorou-se  em uma pedra e adormeceu profundamente, ali ninguém ia lhe procurar.

Acordou cedo, como sempre, e deu de cara com uma vista muito bonita. Tinha dormido perto de um córrego e um verde vale  ao pé da Serra. Fez uma pequena fogueira, pegou água na bacia de flandres, ferveu e fez o café.

Quando aconteceu o ocorrido, já tinha comprado os mantimentos. Explorou os arredores e decidiu fazer acampamento no local, assim o fez.  Com o passar dos tempos fixou residência.

Depois de anos, trouxe a sua mãe, construiu uma pequena casa de taipa  e ocupou o vale.  Ninguém apareceu para reclamar a posse das terras. Casou com uma moça da vizinhança,  porém não teve filhos.

Possuía um cachorro e  se encheu de amores pelo bicho… era seu companheiro, guarda costa, ajudante, tudo enfim, o fiel e corajoso amigo,  o nome era Leão, eram verdadeiros irmãos.

Pedro progrediu no seu arraial,  era um incansável trabalhador.  Tinha no curral meia dúzia  de vacas, alguns bezerros,  um bode, uma trinca de cabras e dois cabritos. A sua mulher  era prendada, criava galinhas caipiras, perus, patos e galinhas-d'angola.

Numa bela noite, acordou com o latido  do cachorro Leão ecoando para as bandas do curral, levantou, pegou a lazarina e foi ver o que estava acontecendo.

No curral leão estava indócil,  porém no escuro não deu para enxergar o que tinha acontecido, acalmou o cachorro e voltou para casa.

Ao amanhecer, foi ao  curral e deu de cara com o acontecido…uma onça pintada apareceu e levou uma bezerrinha. Ficou louco da vida e resolveu de imediato  caçar a bicha, poderia inclusive perder todos os seus animais.  Dali para frente, a onça poderia fazer morada no seu aconchego. A onça foi condenada á morte para o bem dos seus animais.

No outro dia, preparou todos os apetrechos, chamou Leão e bateram um longo papo sobre o ocorrido na noite anterior, diga-se de passagem, ele gostava de trocar ideias com seu  amigo.

O dia era  sexta feira, todavia tinha um detalhe, era sexta feira santa, um dia sagrado para todos os sertanejos nordestinos. A sua   mulher falou para ele não ir naquele dia, fosse no sábado, era melhor. Pedro estava irredutível, chamou Leão  e partiram para a caçada.

Andou toda a manhã e nada de Leão dá sinal de ter farejado algo. Ao meio dia parou em uma sombra, comeu o farnel que dona  Rita preparou, deu de comer ao amigo e saiu à  procura da pintada.

Andou pouco,  o cachorro deu o sinal de ter farejado algo…foi pé ante pé, ele e leão, e por trás de uma  pedra estava a onça dando de mamar aos dois filhotes. Parou, mirou a espingarda na cabeça da bichana e ao puxar gatilho, preparando-o para o disparo, o estalido da engrenagem despertou   a onça e   Pedro ouviu um  grito de socorro.

"Pelo amor de Deus meu senhor, não me mate não, tô dando de comer aos meus filhos".

Menino, Pedro largou a lazarina no chão, virou-se e deu uma  carreira   por mais de uma légua, tão em disparada que perdeu as alpercatas e Leão nos seus calcanhares. Ambos  caíram  prostrados debaixo de uma moita  por mais de duas horas.

Quando  Pedro despertou  e ainda ofegante,  olhou para  o cachorro Leão e falou…

"Minha nossa senhora Leão, pelos poderes de Deus, nunca vi onça falar".

E Leão de pronto respondeu:

"Nem eu"!

Eita nordeste bom. Tem cada "causo" né?

 

Marcos Sales e Iderval Tenório

SSA, 02/09/2021

 

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24 de abr. de 2013 · Vídeo enviado por J