sexta-feira, 8 de maio de 2026

O REBENTO, A MINHA VIDA E OS ERUDITOS

 

O REBENTO


                                                                             
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O REBENTO, A MINHA VIDA E OS ERUDITOS.

CAPITULO I

          Ao sentir a vibração das ondas do mar no qual  mergulhava,  pressenti que não estava só, senti que além do escuro casulo, das rajadas que sopravam o meu corpo e do baticum sempre tum tum Tum que encantava o meu mergulho, existia algo diferente, coisas sublimes, existia outro mundo muito distante do meu, juro que me sentia muito seguro no meu pequeno , quente e aconchegante  ecossistema.

          Senti também,  que diariamente o meu mundo ia ficando menor ou eu estava crescendo, notei que algo sobrenatural , no meu vê,  afagava o meu dorso, o meu abdômen, a minha face, o meu corpo e o meu esboço de cérebro. 

          Notei algo novo  com o passar do tempo, já decifrava ruídos, depois passei a decifrar os  sons, os das cordas vocais noturnos e que eram sempre os mesmos, como também os sons de cordas vocais diurnos, mais de um som, muitas vezes múltiplos e  diferentes, eles viraram rotina, depois passei a sentir ,  decifrar e saborear  outros sons, eram sons misturados, sons de cordas não humanas, sons de metais, de tambores, de pratos,  de surdos , de sopros e de vozes, todos revelados e compreendidos pelas ondas que geravam nas águas do meu pequeno e escuro oceano no qual me encontrava mergulhado e que aos poucos foram apurados pelos meus ouvidos e impregnados na minha tênue massa cinzenta. 

         O mais interessante é que eles só ou em conjunto  faziam bem ao meu neófito encéfalo, eles organizavam os meus pensamentos ,  traziam tranqüilidade e acho até que contribuíram e  influenciarão  para o resto da minha trajetória de vida .

         Num  belo e estranho dia estes sons sumiram , o meu mar secou, abriram as cortinas dos céus e uma claridade invadiu o meu novo mundo, os baticuns tum-tum-tum emudeceram, silenciaram,  as rajadas de ventos desapareceram, cessaram  e lá estava eu todo envolvido em macias e fofas plumas, de olhos semi fechados e as narinas a captar os odores dos dois principais gestores, dos dois que cederam os seus DNA e que , com muita felicidade e alegria me acolheram.

         A voz noturna ,  que me acompanhou por 9 meses,  estava agora ao meu lado, os baticuns tum tum tum de outrora e que nunca me abandonaram, agora encostados aos meus baticuns tum tum tum . Circulando no meu claro casulo  diversas vozes e  para a minha surpresa  as minhas velhas , constantes e conhecidas    sintonias de Bach, Beethoven,  Heitor Villa-Lobos e as vozes Gonzaga, Gil, Belchior, Ivone Lara, Kathleen Battle, Bob Dylan, e  Nana Mouskouri  e outros a encherem os meus ouvidos, o meu encéfalo  e a minha consciência. 

Neste dia mudei de casulo, continuei no mesmo mundo, porém  noutro ecossistema, no mesmo planeta,  sistema, galáxia e universo, neste dia consolidei a minha vida junto a minha família, neste dia eu nasci.
Nascimento Feliz Natural da Silva
( O REBENTO)

Iderval Reginaldo Tenório

quinta-feira, 7 de maio de 2026

O alto grau de desonestidade dos ícones midiáticos do Brasil.

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 AMIGOS BRASILEIROS

O alto grau de desonestidade dos ícones midiáticos do Brasil.

  O assunto é desumano, vergonhoso, desonesto e desprovido de ética. 

     Os últimos 12 meses vem revelando o alto grau de desonestidades de muitos ícones do país.

    Ícones do teatro, do cinema, da televisão, da música, do esporte e até mesmo da medicina.

    É de fazer vergonha o alto grau de descompromisso com os pobres brasileiros, aqueles que não têm perspectivas palpáveis e  procuram maneiras de realizar os sonhos.  Um grupo por intermédio dos jogos de azar e outro em se transformar num consumidor contumaz, extrapolando o seu poder de compra e adquirindo produtos supérfluos e dispensáveis.

    O primeiro grupo atua jogando o parco dinheiro que dispõe em jogos de azar e o segundo se endividando com empréstimos consignados e o resgate da única poupança segura, o FGTS, criado para não deixar o cidadão perdido logo após o desemprego.

  Não citarei nomes para não gerar problemas com a justiça, peço apenas que olhem pelo retrovisor os últimos anos.

     Apresentadores de televisão e até padres induzindo o povo a  pedir dinheiro emprestado, a tais e tais  financeiras, camuflando  os altos juros.

2   Artistas de novelas e grandes cantores, de massa, praticando as mesmas ações noutras financeiras desonestas, inclusive incentivando grandes viagens com pagamento em dezenas de prestações, em empresas que muitas vezes não honram o prometido. Muitas dessas viagens são engodos, pois os especialistas sabem que o turismo está dentro da cabeça de cada um, é  um sonho, e que num belo dia poderá realiza-lo, mesmo que estraçalhem a sua economia. 

3    Narradores esportivos incentivam apostas nas BETS como também grandes atletas da ativa e ouros aposentados praticando os mesmos atos. Todos estão cometendo crimes oficializados, apenas com o intuito de aumentar a sua conta bancária e o seu patrimônio, são verdadeiros enganadores. 

                                          O apelo.

  Ícones que influenciam a população, só aceitem participar de uma peça publicitária após avaliar, pesar, sopesar e se aconselhar com pessoas éticas para fundamentar a sua mensagem publicitária.

   Não sendo assim, estarão prejudicando as finanças das famílias pescadas por suas palavras, uma vez que,  para os fãs, vocês estão falando a pura  verdade.

   Nunca se esqueçam que estão contribuindo para o empobrecimento do povo e para manter em ação o capitalismo leonino e que deveria ser um capitalismo justo. 

   Peço também ao governo: Não seja conivente com estas demandas em todas as suas etapas, seja rigoroso em todas as etapas, dos empresários, aos meios de comunicação, perpassando pelos produtos, os  publicitários, os ícones e aos destinatários.

  Não praticando estas propriedades também atua como inimigo do povo e prejudicando a ECONOMIA DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS.

  Não façam o povo de bobo, o brasileiro merece respeito,  não endividem a população para tocar o mercado.

    Iderval Reginaldo Tenório

O alto grau de desonestidade dos ícones midiáticos do Brasil.

 

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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Zé Dantas, Luiz Gonzaga e Samarica Parteira,

 


 zé dantas

Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei Luiz.

Um fenômeno da Natureza

O Nordeste, os costumes e os seus paradigmas.
Zé Dantas, Luiz Gonzaga e Samarica Parteira, uma viagem à ancestralidade Nordestina.

 
Quem na Caatinga  nasceu, cresceu e arribou para outras plagas, em busca de melhores dias, conhece muito bem os sertões e os seus mistérios. 

José de Souza Dantas Filho, conhecido como Zé Dantas, nasceu em 1921, na cidade de Carnaíba,  Pernambuco e faleceu em 1962, aos 41 anos de idade no Rio de Janeiro. 

Considerado um dos principais compositores deste país, um dos alavancadores  do Rei Luiz Gonzaga. Maestralmente documentou os costumes dos sertões. 

Registrou o afloramento dos hormônios sexuais na adolescência do ser humano, em Xote das meninas; a lida diária do povo sofrido, o nascimento de nobres e de desconhecidos nordestinos em Samarica parteira. 

Registrou a hierarquia pétrea dos homens rústicos,  o Vale do Pajeú, o Rio Riacho do Navio, o Pajéu e o São Franbcisco, perpetuando os episódios peculiares aos catingueiros do Brasil.

Na região do Pajeú, nos sertões pernambucanos, os seus pais eram considerados ricos. Eram pecuaristas e agricultores, tinham influências políticas, inclusive o seu pai foi prefeito da cidade de Flores, município do qual, o   distrito de Carnaíba se desgarrou,  elevado-se  a cidade em 1953. Nesta época  o Zé estava com 32 anos de idade, residia  no Rio de Janeiro e trabalhava no Hospital do IPASE, onde chegou a ser Vice-Diretor da Maternidade.

No ano de 1936, aos 15 anos de idade, foi morar no Recife para  cursar  Medicina. Era considerado um jovem culto, estudioso do folclore, dos problemas ambientais, humanos, sociais e dos costumes regionais. Tanto que em 1937, aos 16 anos, escrevia sobre os costumes e as coisas do sertão. As suas crônicas eram publicadas nos jornais da escola, em periódicos regionais  e da capital pernambucana.

Em 1947, quando o Rei  Luiz Gonzaga, já famoso, iria realizar diversas apresentações no Recife, o Zé foi até o  hotel onde se hospedava e conseguiu mostrar-lhe algumas de suas composições. 

O visionário sanfoneiro gostou e não deu outra, gravou duas que se transformaram em pérolas do cancioneiro brasileiro: “O forró de Mané Vito” e “Vem morena”, que estrondaram no Sul e depois em todo o território nacional, ali nascia uma profícua parceria com o Rei do Baião.

Em resposta à pérola "Asa Branca", de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, gravada em 1945, considerada o hino do Nordeste, que documentava a seca, o êxodo rural, o sofrimento  e o anonimato dos homens do campo, Zé Dantas apresentou ao Rei Luiz  a “Volta da Asa Branca”, gravada em 1950. 

Em, A Volta da Asa Branca, o Zé documenta o retorno do nordestino aos primeiros lampejos de chuva. 

A música mostra a alegria, o orgulho de ser do Nordeste, a vontade de voltar ao seu torrão e ao seu povo, é uma injeção de valorização e autoestima. Afirma e reafirma, que basta chover para o sertão virar riachos, barreiros, lagoas, açúdes, mar, pomar, fartura, vida, casamentos e novos rebentos. O cinza muda para o verde, os pássaros cantam, os sapos coaxam, os homens renascem e realizam os seus sonhos. É sublime quando tem certeza da fartura e  afirma sem ter medo de errar: 

" E se a safra não atrapaiá meus planos, que quer há senhor vigáro, vou casar no fim do ano"

“A Volta da Asa Branca”, de Zé Dantas, é considerada, tal qual a “Asa Branca”, mais um hino do Nordeste, porém repleto de autoestima, felicidade e fidelidade.  Traz alegria, esperança, prosperidade, expectativas, sonhos e o nascimento de milhares de nordestinos.

Em 1949, aos 28 anos,  o filho de Carnaíba colou grau em Medicina em Recife-Pe; em 1950 migrou para o Rio de Janeiro para fazer residência em Ginecologia e Obstetrícia. 

Na capital do país aproximou-se mais ainda de Luiz Gonzaga e de Humberto Teixeira, a ponto de apresentarem um programa radiofônico, no qual o trio contava e cantava coisas do Nordeste.

Segundo Luiz Gonzaga, o Zé Dantas se instruiu com esmero e virou Doutor da Medicina, porém não despregou os pés da caatinga. Mesmo com todo o polimento educacional, continuou com a autenticidade do Vale do Pajeú. 

O homem era um trovão, um caipira, um capiau, um rupestre, um grande médico repleto de sabedorias e experiências de vida. 

Sabia  escrever, compor, cantar e  contar causos como também tudo de sua especialidade médica: Cuidar da saúde das mulheres e da família brasileira.  

"O homem ainda cheirava a bode apesar de ser médico e morar na capital do país, o homem era autêncitico, trazia dentro de si o cheiro, a voz e os costumes  do Pajeú."  Palavras do Luiz Gonzaga

Zé Dantas era uma enciclopédia nordestina mesclada nas ciências humanas, sociais, psicológicas, antropológica e geopolítica. Era um ser humano do mais alto quilate, era  de extrema sinceridade e leal à suas raízes.

Luiz Gonzaga conta que um dia Zé Dantas apareceu com duas composições musicais. A primeira, uma peça científica que versava sobre a transição feminina da adolescência para a fase adulta; falava dos desejos femininos com o desabrochar dos hormônios sexuais e que a batizou com o nome de “Xote das Meninas”, a segunda, batizada  de “Samarica Parteira”, gravada em 1973, onze anos após a sua  morte, documentava os encantos, os segredos, as práticas e as crenças na realização dos partos nos mais longínquos grotões brasileiros. Frisava os mistérios, os costumes e as diligências aplicadas por mulheres parteiras, verdadeiras lendas, num dos  momentos mais  sublime da vida, lendas estas  que  durante toda a vida, o nordestino   as transformavam na segunda  mãe, tal era a gratidão de vir ao mundo por suas mãos. Milhares eram  as  mães Samaricas   por estes sertões  governandos por coronéis e abandonados pelo Estado: Mãe Manuela, mãe Maria, mãe Totonha, mãe Nenzinha, mãe Francisca, mãe Zefinha, mãe Dodó e outras milhares de mães. Ainda hoje chamo a minha parteira de mãe Manoela, que me trouxe ao mundo, numa noite chuvosa,  em 1954 no topo da Chapada do Araripe.

No “Xote das Meninas” Zé Dantas aplica os conhecimentos fisiológicos e psíquicos; relata as metamorfoses e os desejos na formação de uma mulher, depois de ensopadas pelos hormônios estrógeno e progesterona. 

Em “Samarica parteira”, descreve as diligências, os costumes, as crenças e o papel de cada ser no universo da caatinga, dos coronéis às parteiras, perpassando pelos diversos tipos de ajudantes; dá voz aos animais e ao solo, com destaque aos sons das cancelas( paaaà, paaaaà ao bater no mourão), dos lajedos (teteque-totoque, teteque-totoque,  piririco-ticotico, piririco-ticotico, patataco-pataco ao serem pisados pelos cascos dos animais ) e às vozes dos sapos nas lagoas e riachos ( quage qui cae).

No seu relato registra a geografia, a história, as congratulações e as interações de um povo  com a terra, os animais, as águas, o sexo e as tradições, até mesmo os costumes dos animais: 

" Lula o meu  cavalim é  magro e sua égua é gorda, eu vou na frenteSamarica.

Pra gente não chegá hoje, já viu cavalo andar na frente de égua, Samarica"Gonzaga

Zé Dantas nada mais fez do que documentar, letra por letra, ponto por ponto, o falar, o viver e o comportar dos verdadeiros catingueiros autóctones do País. Foi sublime na documentação, no recado e na autenticidade de um povo. 

O Zé foi o Zé de corpo e alma. Ressuscitou  os ancestrais cariris, tapuias e tupiniquins. Trouxe à baila o trabalho de parto e as heranças dos indígenas brasileiros, nossos ancestrais. Foi assim que todos os catingueiros nasceram, inclusive o fenomenal médico compositor. 

Zé Dantas mostrou que os sertanejos são frutos das secas e das chuvas; das alegrias e das tristezas; dos ventos e das calmarias; da lua prateada e do sol causticante; das terras e dos céus, são todos componentes de um rebanho de esperanças; são verdadeiras Asas brancas.

São todos Zés, Luízes, Humbertos e sertão, são retirantes sobreviventes,  são gentes nordestinas, geneticamente oriundos  dos cariris, tapuias, pataxós, potiguares, xucurus, tupinambás e coremas, são frutos da terra. 

São gemas brasileiras e brasileiros da gema.

 

Salvador, 25 de novembro de 2024

Iderval Reginaldo Tenório

1-

"Assim fala o pobre do seco nordeste, com medo da peste e da fome feroz" 

Antônio Gonçalves, o PATATIVA DO ASSARÉ  em  A Triste Partida, gravada em 196419 estrofes, cada uma com 8 versos, cantada em  08 minutos e 51 segundos. Segundo o prórpio Luiz, a mais importante múscia de sua trajetória.

 

2-

Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de plantação
Por falta d'água, perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse: Adeus, Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas légua
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

 Humberto Teixeira, em ASA BRANCA, 1947

 

3-

"Já faz três noites
Que pro norte relampeia
A asa branca
Ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas
E voltou pro meu sertão
Ai, ai eu vou me embora
Vou cuidar da plantação

A seca fez eu desertar da minha terra
Mas felizmente Deus agora se alembrou
De mandar chuva
Pra esse sertão sofredor
Sertão das muié séria
Dos homes trabaiador"

José de Souza Dantas, em A VOLTA DA ASA BRANCA, 1950   

4-

"De tardezinha quando eu venho pela estrada
A filharada tá todinha a me esperar
São dez filhinho é muito pouco é quase nada
Mas não tem outros mais bonitos no lugar

Vai boiadeiro, que o dia já vem
Levo o teu gado e vai pensando no teu bem.

E quando eu chego na cancela da morada
Minha Rosinha vem correndo me abraçar
É pequenina é miudinha é quase nada
Mas não tem outra mais bonita no luga"

Klécius Caldas / Armando Cavalcante, em Boiadeiro gravada em 1950


 

  • Sabiá
  • O Xote das Meninas
  • Riacho do Navio
  • Vozes da Seca
  • Forró de Caruaru
  • A Dança da Moda
  • Samarica Parteira
  • O forró de Mané Vito  
  • A Volta da Asa Branca
  • Vem morena e outras do mesmo quilate.

Luiz Gonzaga, Miguel Lima, Humberto Teixeira, José Dantas, Patativa do Assaré, José  Marcolino, Onildo Almeida, João Silva e outros gênios do cancioneiro brasileiro.

 

 Escutem esta pérola sociologica

Luiz Gonzaga - Samarica Parteira - YouTube