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sábado, 25 de julho de 2026

Um mês após terremotos, Venezuela admite até 10 mil mortos e tem relatos de 30 mil desaparecidos

 

Por Redação g1

 

  • Nesta sexta-feira (24) as buscas por desaparecidos continuam na Venezuela. A reconstrução das áreas afetadas tem custo estimado em US$ 19,6 bilhões.

  • Os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram o país em 24 de junho. Para ajudar na recuperação, o governo sacou US$ 346 milhões do FMI.

  • Uma investigação apontou falhas e falta de planos na resposta inicial ao desastre. Há mais de 20 anos, o Japão alertou sobre riscos na região.

  • A jovem Fabiana Blanco, de 12 anos, foi resgatada após 30 horas. O cão de busca Tsunami, de 9 anos, também ajudou a localizar sobreviventes.

Terremotos na Venezuela completam um mês

Terremotos na Venezuela completam um mês

Equipes de resgate e familiares continuam procurando vítimas entre os escombros deixados pelos terremotos que devastaram o norte da Venezuela. Nesta sexta-feira (24), um mês após a tragédia, centenas de pessoas continuam desaparecidas. Enquanto isso, organizações preveem um custo bilionário para reconstruir as áreas mais afetadas.

▶️ Contexto: Os dois tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o país em 24 de junho e provocaram o terremoto mais mortal da Venezuela desde 1812, além do pior desastre natural da história recente do país.

  • Segundo o balanço oficial, mais de 5 mil pessoas morreram e cerca de 17 mil ficaram feridas.
  • Por outro lado, o governo admite que o número final de vítimas fatais pode ultrapassar 10 mil.
  • Dados oficiais apontam que 190 edifícios desabaram completamente, enquanto quase mil construções sofreram danos estruturais.
  • Ao menos 20 mil pessoas continuam vivendo em abrigos temporários.

O número de desaparecidos ainda é incerto. O governo venezuelano não divulga um balanço oficial, mas uma plataforma pública criada para reunir informações sobre vítimas aponta que quase 30 mil pessoas seguem sem contato com familiares ou amigos.

Pessoas se abraçam enquanto as buscas continuam após o terremoto de 24 de junho em La Guaira, Venezuela — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

Apesar de a chance de encontrar sobreviventes seja considerada praticamente nula, equipes de resgate e voluntários continuam trabalhando, principalmente em La Guaira, a área do país mais afetada.

Em algumas regiões, familiares fazem as buscas por conta própria na esperança de encontrar algum sinal ou os corpos de parentes desaparecidos.

O governo também criou um cemitério de emergência, onde dezenas de corpos foram sepultados sem que parentes pudessem se despedir. Várias vítimas foram enterradas sem serem identificadas.


Vista aérea dos caixões no dia do enterro das vítimas do terremoto, após os tremores de 24 de junho, no Cemitério La Esperanza , em La Guaira, Venezuela — Foto: REUTERS/Adriano Machado

Enquanto isso, o governo da presidente interina Delcy Rodríguez afirma que já iniciou os trabalhos de recuperação e reconstrução dos imóveis danificados. Segundo as autoridades, a atividade comercial nas regiões mais afetadas começa a voltar aos poucos.

💰 Uma avaliação preliminar do Banco Mundial estima que os terremotos causaram US$ 19,6 bilhões (R$ 100 bilhões) em danos físicos diretos, destruindo moradias, hospitais, escolas, estradas e outras estruturas essenciais. Segundo a instituição, o custo para o país pode ser ainda maior.

  • O cálculo considera apenas o valor necessário para reconstruir o que foi destruído.
  • Se forem incluídas melhorias estruturais, remoção de escombros e obras de prevenção, o custo total pode chegar perto de US$ 50 bilhões (R$ 255 bilhões).

O Banco Mundial afirma que a situação foi agravada porque a Venezuela já enfrentava um cenário de fragilidade econômica e social antes da tragédia. Segundo o relatório, mais de 76% da população vive na pobreza.

Ainda não está claro como o país fará todas as obras de reconstrução. Na semana passada, o governo anunciou que sacou US$ 346 milhões (R$ 1,7 bilhão) de recursos próprios junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para auxiliar na recuperação.

Venezuela não tinha um plano


Homem usa capacete com a bandeira da Venezuela em La Guaira, em 18 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

A resposta do governo venezuelano ao desastre foi alvo de críticas de especialistas e da própria população. Moradores relataram falta de apoio das autoridades e precisaram agir por conta própria. Hospitais também ficaram sobrecarregados pela alta procura.

🔎 Uma investigação da Reuters, baseada em relatos de militares, diplomatas e pessoas envolvidas na resposta à tragédia, apontou que a demora na emissão de ordens, a falta de equipamentos e a ausência de um plano prejudicaram o início das operações de resgate.

  • Segundo os relatos, civis lideraram boa parte dos resgates nas primeiras 48 horas, usando pás, picaretas e ferramentas improvisadas para retirar sobreviventes dos escombros.
  • Equipes internacionais chegaram ao país ainda nos primeiros dias, mas também enfrentaram dificuldades por causa da falta de coordenação das autoridades.

Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que diferentes órgãos receberam atribuições semelhantes, gerando dúvidas sobre quem comandava efetivamente a operação.

"Não agimos por conta própria. Recebemos ordens diretas", disse um militar à Reuters, sob condição de anonimato.

"Não posso dizer à minha unidade: 'Vamos ajudar em La Guaira', se não tiver recebido ordens para isso. Não tínhamos um plano como os que existem para a defesa da nação. Não havia nenhum plano para lidar com algo assim."

"Não havia um plano e a cadeia de comando era frágil. Muitas pessoas simplesmente não sabiam o que fazer", afirmou outra fonte.


Miliares dos EUA e da Venezuela trabalham ao lado de voluntários durante buscas por vítimas dos terremotos de 24 de junho — Foto: REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

As críticas se somam ao fato de que, há mais de 20 anos, uma agência governamental do Japão já havia alertado a Venezuela para o risco de um terremoto de grandes proporções provocar milhares de mortes.

O estudo, encomendado pelo próprio governo venezuelano, recomendou o reforço estrutural de cerca de 180 mil edifícios, a instalação de sistemas de alerta precoce, a criação de um centro de comando para emergências e o reassentamento de moradores de áreas de risco.

  • Os técnicos japoneses estimavam que a adoção dessas medidas reduziria em quase 90% o número de mortes em um terremoto semelhante ao que atingiu a região em junho.
  • Especialistas afirmam que a precariedade de muitas construções e anos de baixa fiscalização ajudaram a explicar o elevado número de edifícios destruídos.

A presidente interina Delcy Rodríguez negou os relatos de lentidão na resposta ao desastre e afirmou que a atuação do governo foi imediata. Ela também disse que não houve desorganização por parte das autoridades.

Histórias que rodaram o mundo

Menina é resgatada com sorriso no rosto na Venezuela

Menina é resgatada com sorriso no rosto na Venezuela

Além dos números da tragédia, histórias de sobreviventes, voluntários e equipes de resgate repercutiram em diversos países e se tornaram símbolos do desastre.

Uma delas foi a da venezuelana Fabiana Blanco, de 12 anos. A menina foi resgatada com vida depois de passar cerca de 30 horas sob os escombros de um prédio em La Guaira.

Durante toda a operação, ela permaneceu consciente, conversou com os bombeiros e sorriu quando percebeu que os socorristas estavam prestes a alcançá-la. As imagens do resgate viralizaram e foram reproduzidas por veículos de comunicação de todo o mundo.

"Fiquei surpresa em como essa imagem deu a volta ao mundo", afirmou em entrevista alguns dias após o resgate. "Quero agradecer aos socorristas, a Deus e a minha mãe".


Tsunami é um cão de resgate que atua na Venezuela — Foto: Redes sociais

Outro personagem que ganhou fama foi Tsunami, um border collie especializado em buscas. O cão se tornou um herói nacional após ajudar equipes de resgate a localizar vítimas com vida sob edifícios destruídos.

Resgatado de uma situação de maus-tratos ainda filhote, Tsunami já havia participado das missões internacionais de resgate após os terremotos da Turquia e da Síria, em 2023.

Durante as buscas na Venezuela, o cão, que tem 9 anos, precisou ser acompanhado de perto por um veterinário para conseguir manter o ritmo das operações. Segundo seus treinadores, esta foi sua última missão antes da aposentadoria.

"Ele se aposenta no auge, demonstrando sua coragem e dando tudo de si até o fim."

Dra.Maria Lúcia Ramos, Professora UFBA, 97 anos , Abraços e gratidão.

Dr. Estácio Ferreira Ramos .

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Maria Lúcia Ramos, Professora UFBA, 97 anos

Dr. Estácio Ferreira Ramos .

Minha mãe, 97 aninhos, sentada aqui comigo, acabou de fazer esse poema.
 
 
Reflexão
Maria Lúcia Ramos, Professora UFBA, 97 anos , Abraços e gratidão.
 
Alegra-me o sorrir alheio!
De infortúnio e males
O mundo está cheio.
Tanto quanto a dimensão do mar!
Imensurável!
Impossível de se contar!
Esvai-se o tempo, em seu passo
largo, imponente;
Como se cavalgado
Em corcel árabe
Genuíno, invejado,
Fizesse inveja à gente...
Da pré-história ao hoje
Tudo igual.
Acaso é diferente o essencial?
 
                         Maria Lúcia Ramos, Professora UFBA, 97 anos , Abraços e gratidão

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Reflexão. Dra. Maria Lúcia Ramos. Nossa eterna professora da UFBA.

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Dr.Estácio Ferreira Ramos .

Minha mãe, 97 aninhos, sentada aqui comigo, acabou de fazer esse poema:
 
 
Reflexão
 
Alegra-me o sorrir alheio!
De infortúnio e males
O mundo está cheio.
Tanto quanto a dimensão do mar!
Imensurável!
Impossível de se contar!
Esvai-se o tempo, em seu passo
largo, imponente;
Como se cavalgado
Em corcel árabe
Genuíno, invejado,
Fizesse inveja à gente...
Da pré-história ao hoje
Tudo igual.
Acaso é diferente o essencial?
 
Maria Lúcia Ramos 

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ZEZITO, O PAI E A MÃE. Alienação parental e misogenia .

 

             ZEZITO, O PAI E A MÃE. Alienação parental e misogenia .


A matemática é simples: para um pai estar "leve" e tranquilo, provavelmente tem uma mãe sobrecarregada nos bastidores. A conta não fecha. ❌ #sobrecargamaterna #maternidadereal #maesolo #paternidadeativa #divisãodetarefas #vidademae #cargamental

Alienação Parental: quem será que sofre mais?

Ele nunca te amou!" Alienação parental afeta autoestima e cria filhos insegurosAlienação Parental praticada pela Mãe - Marcello Benevides | Escritório de Advocacia RJ 

ZEZITO, O PAI E A  MÃE.

 

Diálogo 1

____Mamãe cadê papai?

____Não sei por onde  ele anda. Deve está na rua tomando cachaça. 

  É só o que sabe fazer, além de covitar as descaradas da rua. As bandoleiras  que ganham a vida se vendendo. Seu  pai meu filho é um moleque, um desonesto, mentiroso  e um mulherengo. É um escroque.

____Tá mamãe,  tá bom.

 

Diálogo 2

___Papai, quem vai na minha escola falar com a professora hoje?

___Deveria ser a sua mãe, porém se ela for nada vai resolver.   Não estuda, não trabalha, não sabe falar, não cuida bem da casa, é um zero à esquerda, você pode passar vergonha. Quem vai sou eu.

É assim que se forja um cidadão sem referências. Qual  o cidadão que pode sair deste comportamento misógino do pai para com mãe  e desta alienação parental da mãe para com o pai.

Muitos brasileiros, independente da classe social,  vêm deste formato familiar. Crescem mergulhados em demandas psiquicas maléficas. 

Iderval Reginaldo Tenório


 

Alienação parental?

Ao longo dos anos, a Psicologia ganhou grande importância para com o Direito e seus vários ramos. 

No Direito de Família a relação entre a Psicologia e o Direito se intensificou em razão de problemáticas vividos pelas famílias. O divórcio e guarda geram  processos entre os genitores e abalam a convivência e os vínculos familiares.

A síndrome de Alienação Parental (SAP), também conhecida pela sigla em inglês PAS, é o termo proposto por Richard Gardne, psiquiatra estadunidense, em 1985,  para classificar uma grave situação dentro das relações de família. Demandas onde as crianças ou adolescentes são induzidas  a destruir seus vínculos com um dos genitores ou com ambos. 

Misoginia x machismo x sexismo:

São três conceitos que estão interligados e sustentam a ocorrência da violencia contra a mulher.   A Misoginia é um sentimento de aversão patológico pelo feminino, que se traduz em uma prática comportamental machista, cujas opiniões e atitudes visam o estabelecimento e a manutenção das desigualdades e da hierarquia entre os gêneros, corroborando a crença de superioridade do poder e da figura masculina, induzindo ao Machismo, descendente direto do patriarcalismo doentio dos tempos das trevas sociais. 

O sexismo, por sua vez, pode ser definido como um conjunto de atitudes discriminatórias e de objetificação sexual que buscam estabelecer o papel social que cada gênero deve exercer, para isto são utilizados estereótipos de como falar, agir, pensar e até mesmo o que vestir

 Da Justiça Brasileira.

Iderval Reginaldo Tenório

 

 MUSICA DE FUNDO .

José de Assis Valente (Santo Amaro, Bahia 1911 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1958). Desenhista, protético e compositor. Nascido em 19 de março de 1911, separa-se dos pais muito cedo. Segundo ele, é roubado dos pais, José de Assis Valente e Maria Esteves Valente, e entregue a outra família para ser criado. A família adotiva força-o a realizar...

Pesquisem . abraços fortes .

Boas Festas Assis Valente - YouTube

COMO SURGIU O SÃO JOÃO, SEGUNDO SEU ZÉ TOTÔ

 

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Reviva a Magia do São João na Roça

           Como surgiu o São João, segundo seu  Zé Totô

Relata seu Zé que anos atrás, três irmãos: Toinho, Joãozinho e Pedrinho,  na Serra do Araripe, inventaram uma brincadeira e deram o nome  de Noite   de São João.

Trabalhavam o dia inteiro na roça de segunda a sexta e no sábado iam para a vila fazer  compras. Domingo era dia de descanço.

Num belo domingo ensolarado tiveram uma ideia e inventaram uma brincadeira.

Carregaram lenha o dia inteiro, o pai providenciou carnes, batatas e milho verde, a mãe e as irmãs fizeram bolo, aluá, café e chá. Foram até um sítio no Exú, pois lá morava um agricultor que tocava sanfona Pé de Bode, chamado Januário e o convidaram para tocar, ele trouxe  a  família inteira, montada numa tropa de jumentos.  

Todo o povoado tomou conhecimento. Á  noite ascenderam uma fogueira e começou o fuzuê até amanhecer o dia. 

Toinho inventou  a brincar de casamento, o Joãozinho de batizado e o Pedrinho é que mandava o povo entrar pra brincar. Foi assim que surgiu o São João.

Muitos foram os casamentos e os batizados na redondeza. Devido a inteligência  do Pedrinho,  todos ficaram conhecidos na região. A festa foi tão boa que   todos os anos era realizada.  

Os comentários invadiram toda a região e depois  todo o Nordeste. Escolas,  clubes,  fazendas  e até as residências comuns passaram a fazer a festa. Muitos queriam aprender a tocar sanfona. Tocador tinha cartaz e arranjava muitas namoradas. A juventude e a igreja aguardavam o ano inteiro e a cada ano a festa foi aprimorada.  

Jackson do Pandeiro que não é besta, falou com os três irmãos e solicitou o direito de compor e cantar uma música com este tema, prontamente  permitido. 

Diz seu Zé Totô que neste dia estava na festa, dançou a noite toida,  foi batizado e ficou compadre de seu Januário. Comeu  bolo de puba com café e aluá de abacaxi, não era permitido cachaça, a festa era de família. 

Conheceu Zefinha, a irmã dos meninos, o casamento foi celebrado por Toinho, os batizados por Joãozinho e o Pedrinho fazia as cobranças. Hoje é pai de 18 filhos,  uma ruma de netos e bisnetos. 

Lembra como se fosse hoje uma história contada por Dona Santana, a esposa do velho Januário. Foi contada na última festa na casa do vaqueiro Raimundo Jacó, seu sobrinho, em Serrita. 

Dona Santana contou que tem um filho que toca sanfona e que fugiu de casa por causa de  surra que ela deu nele. 

O bicho queria matar um grande amigo e professor do Exu por causa de um namoro.  Falei braba com ele: " Nossa famia não pode ter assassino cabra safado" e baixei o reio de couro cru no seu espinhaço, ele correu e na saída  pensava que Januário ia defender, o velho emendou e ele saiu catando ficha, neste dia dormiu nas capoeiras. 

No outro dia mentiu dizendo que tinha achado um samba para tocar no Crato. Saiu cedinho, nós o abençoamos, vedeu a sua sanfona, pegou um caminhão que passava na Serra,   se  escafedeu no mundo e não mandava noticias. Só apareceu  numa madrugada  20 anos depois. Safonona bonita, vestido na casimira, gordo que só um major, dirigindo  um carrão. 

Bateu na porta, Januário com um candeeiro aceso na mão não reconheceu. Ele disse que era o seu filho que tinha fugido. Januário não  contou conversa e falou: "Isso é hora de chegar em casa seu corno". 

O velho acordou todo mundo, era noite de lua, filhos como diabo. Foi  uma madrugada de alegria  e festas durante 15 dias. Aquele menino amarelo, zaroe, buchudo, franzino, zambeta,  cabeça de papagaio, feio pra peste, era o agora  Rei do Baião, o homem que deu alma e identidade ao povo nordestino.

Não sabe precisar a data, acha que foi por volta de 1947, pois tem lembranças que naquela época,  acontecia uma guerra  política muito grande por causa do Getúlio Vargas, que foi exopulso do governo pelo exécito.     

Assim contou seu Zé Totô. Disse também  que na Serra do Araripe todo mundo sabe desta história.  

Iderval Reginaldo Tenório                

Zé Totô foi um grande contador de historias e leitor de Horóscopos  da Serra do Araripe. Lia todos os Almanaques impressos no Brasil dos anos 50 e 60. Trabalhava com Papai, era um faz tudo e de tudo. Só contava histórias verídica e falava: "Não sou homem de mentira", só conto o que vi. Era a enciclopédia da região. Sabia ler mão, quando ia chover, quando aconteceriam os eclipses e se iria ter fartura, seguia literalmente o ditado:" Numa terra de cego, quem tem um olho é rei". Iderval Reginaldo Tenório


Provided to YouTube by The Orchard Enterprises Acenderam a Fogueira · Jackson Do Pandeiro São João Autêntico ℗ 1980 Jackson Do Pandeiro ...
YouTube · Jackson do Pandeiro - Topic · 9 de abr. de 2025


quinta-feira, 23 de julho de 2026

A Asa Branca 1947. HUMBERTO TEIXEIRA E LUIZ GONZAGA

                                                            




                                                    


                                                         A Asa Branca em quatro etapas

       

                                                          PARTE I- 1947. 

                                                           A ARRIBADA        

                                     HUMBERTO TEIXEIRA E LUIZ GONZAGA

O Nordeste Brasileiro,   esquecido e vilipendiado por mais de quatro séculos, guarda  segredos culturais, humanos  e riquezas  para o mundo. 

Caatinga   escaldada, desidratada, queimada pelo causticante sol, sacudido pelas  lufadas dos ventos quentes e que reflete os raios solares como miragens, mimetizando espelhos  de lagoas e tendo o céu azul  cristalino  como teto.

Bioma documentado por   Raquel de Queiroz, em o Quinze e Graciliano Ramos, em Vidas Secas. 

Ecossistema que   guarda  mistérios, como reverberaram   o carioca Luiz Carlos Pereira de Sá, o Sá, e o  baiano, da cidade de Barra, Guttemberg Nery Guarabyra Filho,  o Guarabyra, em 1977, no clássico,  O Sertão Vai Virar Mar, vaticinado pelo cearense de Quixeramobim,  Antônio Conselheiro, líder da  Guerra de Canudos,  que aconteceu de  1896 a 1897, na Bahia, estraçalhada pelo Exercito Brasileiro   no governo de Prudente de Moraes.

Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, os genitores  do baião,  fizeram  parceria para documentar o Nordeste. 

Queriam um símbolo fidedigno, que representasse a alma de um povo sofrido, e que o orientasse  na seca,  fome,  cheias  e  farturas. Estavam  comprometidos e jurados, pelo destino,  a compor uma obra musical irretocável. 

Pensaram  qual seria a figura viva  nordestina,  que poderia ser o seu símbolo e quais os acordes a serem  entoados.  

Não foi difícil para os dois gênios. Num estalo celestial, o predestinado   pernambucano da Serra do Araripe, da cidade do Exu, Luiz Gonzaga, explanou para o experiente advogado, o cearense  de Iguatu, Humberto Teixeira.  

Assim se manifestou o  iluminado sanfoneiro, filho de Santana e Januário, aquele que tirou o Nordeste da invisibilade.

" Dos seres vivos, da fauna nordestina,  é o pássaro ASA BRANCA,  o animal que prevê e foge da seca, e sabe quando ela terminará. 

Foge do sertão nas épocas do estio e volta nas grandes aguadas.  Foge da fome, do tédio e da tristeza, retorna nas chuvas, na alegria e na fartura, é o maior orientador deste povo".  

Foi prontamente aceito, e com os olhos a marejarem,  se abraçaram. 

Ao mesmo tempo,  Humberto matutava o outro tema, os acordes, a melodia. Fechou os olhos, apurou o cérebro, foi fundo, puxou pela   mente  e falou para o predestinado. 

"Existe uma música  folclórica, de domínio  popular, cantada  há mais de 200 anos e que  a melodia  continua viva na memória do povo, e é transmitida de geração em geração". 

Cantarolou,  de boca fechada, o gemido encravado na mente, e  lá do fundo, guturalmente, veio brotando e aflorando com toda a   força da natureza, a melodia regional, plantada e replantada  de geração em geração, e que, recuperada e com  refinamentos nos acordes, seria plantada em solo fértil  para toda a nação. 

O Luiz cerrou os olhos e viajou no tempo. Foi  fundo na memória,  resgatou  da seca de 1918, quando estava com 06 anos de idade, os episódios hibernados na mente, quando saboreava  mingau  da massa da mucunã, reforçada com massa do jatobá para saciar a fome.  

O abraço foi reforçado e os lenços  insuficientes para enxugarem as lágrimas dos dois sobreviventes, genuínas  Asas Brancas.

A  ASA BRANCA  foi oficializada, como  a representante do nordeste e a centenária melodia, o seu lamento. Juntos,  criaram a música Asa Branca, considerada a alma e o hino  do Nordeste.

Em pleno ano de sofrimento e dificuldades, 1947, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, autores de Baião,  Juazeiro, Respeita Januário e Meu Pé de Serra  conseguiram documentar o  êxodo do Nordestino  para o Sul, utilizando como símbolo a Asa Branca e as suas propriedades meteorológicas.  

Foram ao âmago de cada um, e aos prantos, documentaram com fidedignidade um povo, com  a pérola  ASA BRANCA. 

Ali nascia um mistério real, mostrando para a eternidade  o sofrimento, o labutar, a coragem e o quanto é forte  o homem do Nordeste brasileiro.

 

           Iderval Reginaldo Tenório

 

                                                 Posfácio

 

Luiz Gonzaga e os seus parceiros  foram os maiores documentadores dos fatos brasileiros, o país está retratado nas suas obras.  

Mais de 1000 músicas gravadas, mais de 100 LPs próprios, participação em mais de 1000 de outros artistas.  

Cada episódio, cada cidade, cada amigo, cada momento e cada povo está pinçado, ovacionado, registrado, imortalizado e reverberado na mais autêntica voz do Brasil, LUIZ  GONZAGA DO NASCIMENTO, o imortal rei do baião, um gênio que nunca desafinou.

" Vai, boiadeiro, que a noite já vem

Guarda o teu gado e vai pra junto do teu bem"

Klecius Caldas / Armando Cavalcante

 Luiz Gonzaga - Asa Branca (Rei do Baião) - YouTube

Vídeo para asa branca▶ 2:56▶ 2:56

 

Asa Branca

Compositores: Humberto Teixeira / Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga

Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação 

Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de prantação
Por falta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão 

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas légua
Numa triste solidão…

Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar ai pro meu sertão

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração

Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu voltarei, viu
Meu coração