terça-feira, 16 de setembro de 2014

Poder, crime e sexo.



Poder, crime e sexo.
Luiz Holanda

O título não poderia ser mais sugestivo. Tanto em reportagens postadas na internet como em revistas de grande circulação (sem mencionar os jornais que, diariamente, denunciam as falcatruas do PT e de seus aliados ao longo desses doze anos de administração petista), o poder, o crime e o sexo caminham juntos nesta república da corrupção. É inegável que qualquer povo apresenta características particulares de temperamento. O nosso, em especial, tanto coletivacomo individualmente, é tido como tolerante e avesso a qualquer exigência que demande tempo para sua solução. Dotado de um temperamento cordial e festeiro, o brasileiro, na análise dos povos civilizados, chega a ser considerado irresponsável quando se trata de zelar pela coisa pública. Daí não ser nenhuma surpresa a tolerância com a criminalidade.

Não se vê nenhuma reação contundente diante das prováveis publicações de certos documentos que comprovariam a participação de alguns políticos num desfalque milionário nos cofres da Petrobrás e de outras estatais. Pessoas ligadas a essa gente ameaçam divulgar documentos que tumultuariam as eleições, caso não sejam devidamente remuneradas. A anestesia social, diante desses fatos, sequer indaga o que levou a aparecer em nosso país esse tipo de político, capaz de figurar, com distinção, em qualquer galeria de criminosos universais. Antes de essa gente chegar ao poder não se contava com tanta indiferença popular, mas as bolsas eleitoreiras, estimuladoras do consumo de drogas, conseguiram convencer o brasileiro de que a corrupção é um modelo normal de administração, justo e necessário.

Não é preciso muito esforço para se verificar que o crime é garantido pela frouxidão do nosso judiciário, que não pune nenhum poderoso.Indiferente para com a justiça e descrente na forma moral do direito, a maioria circunstancial existente em nossos tribunais garante a impunidade dos corruptos.Apático, o povo sequer protesta, submetido que está, durante anos, a uma propaganda que propaga o medo como forma de manutenção do poder.  Não é de estranhar, pois, que o povo, anestesiado, considere normais as notícias sobre a participação de alguns próceres do governo no desfalque de dinheiro público. Dizem que o ex-presidente Lula e o seu chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho podem ser citados se o doleiro Alberto Youssef falar.

Todo munda sabe que os corruptos são capazes de tudo quando ficam impunes. A liberdade dos mensaleiros comprova isso. Certos de que, passada a comoção, tudo volta ao normal, os corruptos acreditam que podem ser beneficiados como o foram os mensaleiros, premiados com as recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Daí confiarem na maioria circunstancial que o governo tem nesse tribunal. A universidade de Cambridge, que analisou 166 casos de corrupção ocorridos em 52 países nestas últimas três décadas, chegou a essa conclusão.

Entre os casos estudados pelos pesquisadores, o suborno foi maior nos países como o Brasil, onde a justiça e as instituições são mais tolerantes com o crime. O esquema denunciado é sempre o mesmo: uma empresa suborna políticos ou funcionários públicos para obter vantagens ilegais, como fechar contratos irregulares ou burlar uma licitação. E, em todos os casos, a empresa que pagou propina obteve um retorno financeiro equivalente a 1000% do dinheiro “investido”. Segundo um dos pesquisadores, “o risco de ser apanhado e condenado não é tão grande o suficiente para impedir as empresas de subornar”. E mesmo que sejam apanhadas, a impunidade garante o crime. No Brasil a garantia é maior: abrange, inclusive, o pagamento de passagens aéreas de dezenas de mulheres pagas para satisfazerem as taras de muitos de nossos políticos.

Sobre as ligações do mensalão com o assalto aos cofres da Petrobrás basta ler o depoimento de um empresário detalhando para a Polícia Federal o papel dos prisioneiros na Operação Lava Jato. Esse depoimento foi prestado em julho deste ano, envolvendo também partidos da base aliada do governo. Não é sem razão, pois, que o poder vale tanto quanto o crime, porque nem sempre o crime basta para garantir o poder, mas o poder sempre basta para garantir o crime. 

Belchior - Populus - YouTube


www.youtube.com/watch?v=RWOOxFEnOR4
02/10/2010 - Vídeo enviado por Alfredo Pessoa
Que saudade que eu tenho de minha infância, quando eu ouvia Belchior sempre! Agradeço ao meu pai 

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