terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A desigualdade entre os humanos, só a Educação salvará as classes sociais mais baixas.A geração de jovens brasileiros de 1940 abriram a caixa preta da educação nacional.


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CARTA AOS REAIS  DESBRAVADORES JOVENS  DOS RINCÕES DO BRASIL ,  QUE ABRIRAM AS PORTAS DAS UNIVERSIDADES PARA AS GERAÇÕES DA CLASSE MÉDIA BAIXA DE 1960 PARA CÁ.
ESTES JOVENS FORAM  FUNDAMENTAIS PARA O PAÍS, FORAM OS PIONEIROS.

A desigualdade entre os brasileiros . 
Só a Educação  salvará as classes sociais mais baixas.
A geração de jovens brasileiros de  1940 abriu a caixa preta da Educação Nacional. 

Durante cinco séculos as elites brasileiras  seguravam as rédeas da nação sem  olhar para as classes da base , até que,    nos últimos sessenta anos surgiu uma nova classe social composta  dos resilientes, esforçados, brigadores, corajosos ,  filhos de pequenos  agricultores, de pequenos comerciantes , de professores primários e de funcionários públicos:   Os Interioranos, os Matutos do Brasil.

 Jovens que nasceram nos mais longínquos rincões do país,  principalmente dos recantos  nordestinos , quebrando a hegemonia quatrocentista dos mineiros, dos paulistas  e dos gaúchos que mandavam no país  .  

 Esta classe deu origem a uma gleba de humanos que entenderam  que só a educação poderia  tirá-los do fosso no qual nasceram e que   permaneciam  isolados,   intocados e sem perspectivas   nos sertões, nas caatingas , nos grotões  e nos cerrados brasileiros longe da civilização sem participar das demandas do país 

Sem acanhamento , cheio de  força de vontade e muita garra  partiram para a batalha,  apesar de todas as dificuldades  impostas entraram  na  luta focados na educação e com um único objetivo: Vencer , tanto que  em todo o país  , dos anos 1950 ao 2000,  as Universidades Federais foram invadidas meritoriamente por jovens das classes média e baixa, estes jovens frequentavam a Escola Publica Fundamental  e Média  de Qualidade nas suas pequenas cidades  , migraram para as grandes cidades e ingressaram  na Universidade passando em vestibulares difíceis ,  com vagas limitadas em todas as capitais  e concorrendo com os jovens da capital que frequentavam as melhores escolas do país , a luta foi dura e concorrida,  o fulcro era  aproveitar ao máximo tudo que aprendiam nas escolas  com o pensamento no futuro e na melhoria da qualidade de vida de toda a comunidade, constituindo a primeira geração de uma família a possuir um diploma de nível superior, foram estes jovens as verdadeiras sementes do bem a brotar e gerar milhares de outras sementes melhorando progressivamente o perfil de toda uma família e de uma região.

Estes jovens  serviram  de espelhos, de exemplos e de  coragens para as próximas gerações de uma região ,  aproveitaram  a abertura de uma  janela e entraram  com toda a força que possuíam dando origem a atual classe média brasileira que vive do suor do próprio rosto .

Foi desta plêiade de cidadãos que nasceram  os milhares de profissionais liberais de curso superior egressos das universidades publicas federais e estaduais  , do direito à medicina, da sociologia  ao magistério, da arquitetura à todos os tipos de artes , principalmente a música . 

Foram estes ícones que incentivaram os irmãos mais novos, os parentes, os amigos  e os filhos  a ingressarem nas universidades e continuarem os seus legados, esta  geração, a  de 1940,   entendeu que só a escola salvaria as classes mais baixas da Pirâmide Social.

 Foi esta geração que abriu a caixa preta, abriu algumas janelas e propiciou a entrada de muitos brasileiros esquecidos nas Universidades e nos grandes  cursos profissionalizantes,  o país de rural passou a ser urbano e ocorreu uma verdadeira explosão no exercício da cidadania graças aos jovens guerreiros que enfrentaram estradas vicinais e  carroçais, verdadeiras veredas .   

Jovens que enfrentaram os  atascadeiros, atoleiros, brejos, charcos, lamaceiras, lameiros, lodaçais, marnéis, pantanais,  matas,  morros,   a falta de pontes  e de transportes , jovens que enfrentaram as grandes distancias à procura do conhecimento , jovens que  destravaram as herméticas tampas  e blindadas portas das Universidades Brasileiras, é incontestável que toda família brasileira possui um ou mais  destes baluartes e graça a eles muitos interioranos oriundo das classes menos privilegiadas  conseguiram um lugar nos bancos escolares, vide todos aqueles que entraram na faculdade de 1970 para cá  , principalmente os Autóctones das plagas catingueiras  do sofrido  e cáustico Nordeste, jovens  que ganhavam a vida no cabo da enxada, da foice , do enxadeco  e do facão colino, que labutavam nas capoeiras,  nas coivaras, no batimento do feijão , no carregamento da lenha , nos aviamentos de farinha e no manejo do gado pé duro,  jovens que conheciam a labuta rural debaixo do causticante sol, dos lancinantes ventos e dos misteriosos redemoinhos  , jovens que  adotaram a escola como a melhor  solução para as suas vidas e de suas famílias .  Estes sim foram realmente os desbravadores, foram eles que  abriram as   cortinas  paras as demais gerações oriundas dos mais distantes rincões do país e que ao mesmo tempo mandaram o seguinte recado:  

AVANTE, VOCÊ PODE, LUTE , ESTUDE , O CÉU É O LIMITE, NÃO DESANIME, NA RAÇA HUMANA TUDO DEPENDE DE VOCÊ, FILHO DE GATO NÃO PRECISA CONTINUAR SENDO GATO, SEJA UM LEÃO, FILHO DE LAMBARI PODE SIM  CHEGAR A SER UMA BALEIA, BASTA BOA ESCOLA , FORÇA, CORAGEM E   VONTADE DE VENCER.

Para  a população de baixa renda sair do fosso que se encontra só com  boa educação, com escola de qualidade e isonomia no ensino entre as classes sociais, primordialmente na fase infantil indo até os dezoito anos de idade   ,  só este modelo educacional  poderá  alavancar  a nação e propiciar um Brasil democrático para cada cidadão .

Iderval Reginaldo Tenório

8 de dez. de 2016 - Vídeo enviado por MZA Music
"O Pequeno Burguês" faz parte do álbum ao vivo "O Pequeno Burguês" de Martinho da Vila. "O ...
6 de dez. de 2009 - Vídeo enviado por Músicas de vinil
Um dos grandes sucessos de Martinho da Vila no seu primeiro Lp de 1969 pela RCA.
3 de abr. de 2013 - Vídeo enviado por Marcelo Sampaio
O Pequeno Burguês http://g1marcelosampaio.blogspot.com.br/ http://marceloaparecidosampaio

TSE libera assinaturas eletrônicas para criar partido

Tribunal Superior Eleitoral Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE
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Tribunal Superior Eleitoral Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

 

TSE libera assinaturas eletrônicas para criar partido

Mas será necessário primeiramente que a Corte regulamente a questão e que sejam desenvolvidas ferramentas tecnológicas


BRASÍLIA — Por quatro votos a três, o Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ) liberou o uso de assinaturas eletrônicas no processo de criação de um partido político. Porém, para que isso possa ocorrer na prática, será preciso primeiramente que a Corte regulamente a questão e que sejam desenvolvidas as ferramentas tecnológicas necessárias. O TSE não adentrou na discussão do uso de biometria para conseguir apoios, medida citada pelo partido " Aliança pelo Brasil", que ainda está colhendo assinaturas para obter registro e tem como principal integrante o presidente Jair Bolsonaro





— Agora eu acho, para espantar qualquer dúvida, nós estamos dizendo que pode. Em tese. Todavia, para que se possa efetivar essa possibilidade, nós precisaremos: 1) de regulamentação do TSE e; 2) do desenvolvimento de ferramentas tecnológicas — resumiu o ministro Luís Roberto Barroso , que ainda acrescentou: — Vai que a gente não consegue desenvolver essa ferramenta
Leia: Aliança deve pedir biometria ao TSE
— É um sim não, e um não sim — comentou a presidente do TSE, ministra Rosa Weber

A consulta sobre a possibilidade de uso do certificado digital, sem assinaturas físicas, foi feita no fim do ano passado pelo deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). Mas o julgamento atraiu o interesse de Bolsonaro e apoiadores, que querem criar um partido a tempo de disputar a eleição municipal do ano que vem. Posteriormente, porém, eles recuaram da estratégia ao constatarem que o instrumento seria muito caro. 

Eleições municipais: Sem partido, Bolsonaro reduz apostas para 2020
A assinatura digital é um mecanismo expedido pela Receita Federal e por outros órgãos autorizados. Cada um dos eleitores com a intenção de apoiar a criação do partido de Bolsonaro precisaria comprar um dispositivo que não sai por menos de R$ 150. Assim, os apoiadores do presidente passaram a citar outro meio de angariar apoios: a biometria. Mas isso também está longe de virar realidade, em razão de entraves tecnológicos, e não foi analisado nesta terça-feira pelo TSE.
 
 
O julgamento começou na semana passada, quando o relator, Og Fernandes, votou para "não conhecer" a consulta, ou seja, para que o tema não seja discutido. Um pedido de vista do ministro Luis Felipe Salomão interrompeu a análise, retomada nesta terça-feira. Ele e os demais ministros entenderam que o TSE deveria sim julgar a questão. Og então se pronunciou novamente, dessa vez para negar o uso de assinaturas eletrônicas. 

— A assinatura eletrônica é onerosa e inacessível para boa parte da população neste momento. É somente benefício para alguns, ao custo para todos, sem nenhum ganho para o sistema eleitoral — disse Og. 

Aliança: Novo partido de Bolsonaro se aproxima ideologicamente de siglas conservadoras estrangeiras
Salomão foi o primeiro a discordar. Para ele, o fato de a lei mencionar apenas as assinaturas manuais, mas não as eletrônicas, não impede seu uso. 

— O TSE sempre na vanguarda da tecnologia. E em linha com essa vanguarda da tecnologia é que eu me decidi por um caminho aqui pensando exatamente que sempre que o TSE esteve na encruzilhada, ele optou preferiu trilhar o caminho da tecnologia. Por quê? Por um motivo simples: conferir garantia, conferir segurança para a empreitada que se avizinhou — disse Salomão, acrescentando: — Não se prevendo específica ou exclusivamente a assinatura manual, não parece razoável estabelecer automática vedação à modalidade que, sendo célere e segura, pode conviver ou substituir o meio comumente adotado.
Três ministros seguiram Salomão: Tarcísio Vieira, Sérgio Banhos e Luís Roberto Barroso.
— Me parece que negar as assinaturas digitais quando a própria lei civil e a realidade social aceitam-na em profusão me parece um apelo demasiado a uma metodologia que me parece ultrapassada, para não dizer obsoleta — disse Tarcísio Vieira. 


Leia: Relator é contra TSE analisar uso de assinaturas eletrônicas para criação de partidos
Outros dois se alinharam a Og Fernandes: Edson Fachin e Rosa Weber. 


— Entendo que há uma grande possibilidade deste tribunal dar um salto no vazio jurídico sem um para-quedas normativo que dê um mínimo de segurança jurídica para tratar deste tema — disse Fachin, acrescentando: — A Justiça Eleitoral tem protagonismo no avanço tecnológico. Deve aceitar certamente a assinatura eletrônica, precedida todavia essa aceitação dessa normatização. Como hoje não há, aceitação hoje não pode haver.
Barroso desvinculou o julgamento desta terça-feira do partido de Bolsonaro. 


— Esta consulta é bem anterior ao fato político do dia. Não tem nada a ver com a criação de um partido político aparentemente sob a liderança do presidente da República. Essa é uma outra questão que em algum momento vai se colocar, embora haja algum tipo de conexão, estamos respondendo em tese a uma consulta — disse Barroso.
TSE: 'Expectativa favorável', diz Bolsonaro sobre julgamento de assinaturas eletrônicas
Por certificação digital, por biometria ou pelo método manual, os ministros do TSE avaliam que dificilmente haverá tempo hábil para o novo partido cumprir todas as exigências formais e participar das eleições municipais de 2020. Segundo a legislação eleitoral, a nova legenda tem até abril para conseguir 491 mil assinaturas de apoiamento, um número calculado a partir das eleições de 2018. Os apoiadores devem morar em pelo menos um terço dos estados brasileiro e somarem, no mínimo, 0,1% do eleitorado de cada um desses estados. Por fim, as assinaturas precisam ser checadas pelos cartórios eleitorais.
Em abril deste ano, a área técnica do TSE emitiu parecer favorável às assinaturas eletrônicas. Em contrapartida, o vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, manifestou-se de forma oposta. Para ele, a modalidade seria equivocada, excluiria a participação de uma camada da sociedade sem condições de arcar com os cursos da tecnologia

Anvisa aprova venda em farmácias de remédios à base de maconha, mas rejeita o cultivo


Cannabis medicinal Foto: PHILIPPE LOPEZ / AFP
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Anvisa aprova venda em farmácias de remédios à base de maconha, mas rejeita o cultivo

Segundo conselheiro, agência não realizou estudos profundos ou consultou adequadamente ministérios e autoridades sobre riscos de permitir o plantio.

Anvisa rejeita cultivo de maconha para fins medicinais

Proposta do relator foi rejeitada por três votos a um



BRASÍLIA — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa ) decidiu arquivar a proposta de resolução que previa autorizar o plantio de maconha por empresas para fins medicinais. A proposta do relator foi rejeitada por três votos a um. O único conselheiro a votar a favor foi o diretor-presidente William Dib.
Nesta terça-feira, mais cedo, a Anvisa aprovou o registro e venda de medicamentos à base de maconha em farmácias do país. 


Em linha com a posição do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Cidadania, Osmar Terra , o conselheiro da Anvisa Antonio Barra , indicado ao cargo pelo presidente, votou contra a autorização para que empresas façam o plantio controlado de maconha para fins medicinais. 


Em um voto de mais de duas horas, o conselheiro argumentou que o processo não foi conduzido devidamente na Agência. 


Segundo Barra, a Anvisa não realizou estudos profundos e tampouco consultou adequadamente ministérios e autoridades relacionadas ao tema, tanto na área de Segurança Pública quanto nas áreas da Saúde, Economia e Agricultura. 

Durante exposição, Barra argumentou que a forma como foi conduzida a discussão prejudica o processo e deixa o país vulnerável à ação de grupos criminosos e impactos no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Após a leitura de diversas consultas a pastas do governo, Barra foi taxativo: — Fica claro que órgãos protagonistas de segurança pública não foram adequadamente envolvidos nas discussões tratadas — disse Barra, acrescentando ao longo do voto: — Está claro que a Anvisa não pode decidir sozinha sobre assuntos tratados nesse voto.
— Na citada lei não consta atribuição da Anvisa no sentido de autorizar e regular o cultivo de plantas sujeita a controle especial. De forma geral, o ponto de partida são as drogas, os produtos prontos, e não os materiais e processos que geram esses insumos. Destaca-se que Anvisa está atuando como promotora de uma atividade nova no país, que, no mínimo, demandaria autorização de outros órgãos do governo. A agência tem objetivo claro que é regular e atuar em atividades que já existam, nas quais obviamente sejam identificado risco sanitário e consequente necessidade de atuação — afirmou durante o voto. 

  No início reunião de hoje, a agência, por unanimidade, decidiu regulamentar o registro de medicamentos à base de cannabis .  A norma entrará em vigor 90 dias após a publicação e deverá ser revista três anos após a publicação no Diário Oficial.

Anvisa rejeita cultivo de maconha para fins medicinais



Cannabis medicinal Foto: PHILIPPE LOPEZ / AFP
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Anvisa rejeita cultivo de maconha para fins medicinais

Proposta do relator foi rejeitada por três votos a um



BRASÍLIA — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa ) decidiu arquivar a proposta de resolução que previa autorizar o plantio de maconha por empresas para fins medicinais. A proposta do relator foi rejeitada por três votos a um. O único conselheiro a votar a favor foi o diretor-presidente William Dib.
Nesta terça-feira, mais cedo, a Anvisa aprovou o registro e venda de medicamentos à base de maconha em farmácias do país. 


Em linha com a posição do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Cidadania, Osmar Terra , o conselheiro da Anvisa Antonio Barra , indicado ao cargo pelo presidente, votou contra a autorização para que empresas façam o plantio controlado de maconha para fins medicinais. 


Em um voto de mais de duas horas, o conselheiro argumentou que o processo não foi conduzido devidamente na Agência. 


Segundo Barra, a Anvisa não realizou estudos profundos e tampouco consultou adequadamente ministérios e autoridades relacionadas ao tema, tanto na área de Segurança Pública quanto nas áreas da Saúde, Economia e Agricultura. 


Durante exposição, Barra argumentou que a forma como foi conduzida a discussão prejudica o processo e deixa o país vulnerável à ação de grupos criminosos e impactos no Sistema Único de Saúde (SUS). 


Após a leitura de diversas consultas a pastas do governo, Barra foi taxativo:
— Fica claro que órgãos protagonistas de segurança pública não foram adequadamente envolvidos nas discussões tratadas — disse Barra, acrescentando ao longo do voto: — Está claro que a Anvisa não pode decidir sozinha sobre assuntos tratados nesse voto.
— Na citada lei não consta atribuição da Anvisa no sentido de autorizar e regular o cultivo de plantas sujeita a controle especial. De forma geral, o ponto de partida são as drogas, os produtos prontos, e não os materiais e processos que geram esses insumos. Destaca-se que Anvisa está atuando como promotora de uma atividade nova no país, que, no mínimo, demandaria autorização de outros órgãos do governo. A agência tem objetivo claro que é regular e atuar em atividades que já existam, nas quais obviamente sejam identificado risco sanitário e consequente necessidade de atuação — afirmou durante o voto.

No início reunião de hoje, a agência, por unanimidade, decidiu regulamentar o registro de medicamentos à base de cannabis .  A norma entrará em vigor 90 dias após a publicação e deverá ser revista três anos após a publicação no Diário Oficial.

Anvisa vota hoje regulação da maconha medicinal

Cultivo da cannabis para fins medicinais está sendo discutida na Anvisa desde 2014 Foto: MICHAELA REHLE / Reuters
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Anvisa vota hoje regulação da maconha medicinal

Medida não tem apoio do governo Bolsonaro, que nomeou diretor da agência que pediu vista do processo e travou análise da questão; outro diretor pediu exoneração na última sexta-feira

BRASÍLIA — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária  (Anvisa)  deve votar nesta terça-feira a regulamentação do uso medicinal de produtos à base de  cannabis.  A medida não tem apoio do governo Bolsonaro. 

Na semana passada, o ministro da Cidadania, Osmar Terra , chegou a publicar em sua rede social um protesto contra o presidente da agência, William Dib

Terra escreveu que Dib estava acelerando a tramitação do tema porque está no fim de seu mandato na Anvisa.
"Ele tenta apressar em sintonia com o lobby de grandes empresas brasileiras e canadenses que cobram essa liberação. É o lobby da maconha funcionando a todo vapor!", escreveu Terra.
Na semana passada,  William Dib  tentou colocar em pauta a votação do tema após os dois conselheiros que tinham pedido vista da questão , Antônio Barra Torres (indicado por Bolsonaro) e Fernando Mendes, afirmarem que já estavam com o voto pronto. 

Dib, que é relator das medidas que propõem regulamentação da produção de produtos à base de  maconha,  como o  canabidiol,  e do plantio controlado de maconha, propôs uma inversão de pauta para que os votos fossem lidos há uma semana. 

O diretor Antonio Barra argumentou, no entanto, que a votação deveria ficar para hoje para dar "trasparência" ao tema e proteger a diretoria colegiada de críticas.
— Devemos primar pelo rito para que não haja nenhum arranhão — defendeu Barra.
O diretor Fernando Mendes, que também tinha pedido vista, afirmou que seu voto estava pronto, mas também votou pela leitura apenas esta semana. O colegiado acabou decidindo deixar a discussão para esta terça-feira.

Diretor favorável à regulação deixa a agência

Às vésperas da reunião de hoje, um dos diretores da Anvisa, cujo voto esperava-se que fosse favorável à regulamentação, deixou a agência. 

Renato Porto, que estava na agência desde 2005, anunciou na última sexta-feira sua renúncia ao cargo. Seu mandato terminaria neste mês, assim como o de Dib. 

Entenda:   As vozes por trás do debate na Anvisa sobre cannabis medicinal
Porto escreveu uma carta de despedida aos servidores da Anvisa, mas não detalhou suas motivações. Em entrevista ao G1 disse, no entanto, que sai por compromissos pessoais e que seria “pura especulação” estabelecer uma relação entre sua renúncia e a possível votação de hoje. 

A partir de janeiro de 2020, o presidente  Jair Bolsonaro  poderá ter maioria na  diretoria da agência  , que é composta de cinco integrantes. E já sinalizou que não deve indicar nomes entusiastas do cultivo da cannabis ou da venda de remédios derivados dela.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Esmaltes e cosméticos podem acelerar o processo da puberdade nas crianças



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Esmaltes e cosméticos podem acelerar o processo da puberdade nas crianças

A puberdade é um fenômeno fisiológico natural do corpo, no entanto, ela pode se manifestar precocemente em alguns indivíduos por fatores genéticos ou externos. Pais e responsáveis precisam ficar atentos aos sinais dessas transformações corporais das crianças para evitar as consequências diante do diagnóstico positivo e da falta de tratamento adequado.

A transição da fase infantil para a adolescência é um marco do desenvolvimento humano. Conhecido como puberdade, esse fenômeno inicia-se aos oito anos em meninas e aos nove em meninos. Porém, quando o começo se dá antes dessas idades é sinal de disfunção e, por isso, pais e responsáveis precisam estar atentos às mudanças físicas das crianças e buscar orientação médica.


"Esse fenômeno decorre da ação de hormônios sexuais que são produzido nas meninas, principalmente, pelos ovários e, nos meninos, principalmente, pelos testículos", explica a endocrinologista e professora do Departamento de Medicina Clínica da Universidade Federal do Ceará (UFC), Eveline Gadelha.
Aos seis anos, a estudante Inessa Maria, atualmente com 20, foi diagnosticada com puberdade precoce.

 O primeiro indício foi percebido por sua mãe ao sentir um cheiro forte nas axilas e o surgimento dos seios. Por estar atenta às mudanças corporais da filha, em seguida a mãe procurou a pediatra, a qual encaminhou a paciente ao endocrinologista.


Os sinais físicos observados pela mãe de Inessa são apenas algumas dessas mudanças. De acordo com Eveline, os pais e responsáveis precisam estar sempre atentos ao surgimento de pelos, crescimento das mamas femininas e o aumento do comprimento peniano nos meninos. Outras características, como a mudança na voz, crescimento acelerado da estatura, dos pés, das mãos e dos músculos também servem de alertas para os pais e responsáveis.

Causas

A puberdade precoce é multifatorial, além de questões genéticas, como no caso de Inessa. Agentes externos também costumam exercer influência nos níveis hormonais do indivíduo e podem elevar os riscos de desenvolvimento prematuro, entre eles estão a obesidade e a exposição a determinados compostos químicos, a exemplo do bisfenol A, presente em plásticos e embalagens, bem como os ftalatos e parabenos, comuns na composição de esmaltes, maquiagens, cosméticos e antitranspirantes.


"A absorção desses compostos pode ser por meio da pele, da ingestão ou do ar", explica Eveline. A endocrinologista ressalta ainda que o contato de crianças com mulheres em reposição hormonal, na versão gel, assim como com pessoas que manipulam o uso de anabolizantes, também podem desencadear o problema.


Outro composto apontado por Eveline como 'vilão' são os agrotóxicos, presentes na maioria dos alimentos. A médica cita ainda um estudo realizado no México que correlaciona a exposição a alguns pesticidas com o desfecho das gestações das trabalhadoras do campo. "Foi observado ainda que as gestantes, com maior exposição, no caso dos filhos do sexo feminino, tiveram a puberdade mais precoce e, os do sexo masculino, mais tardia", compara.


Aos nove anos, a mãe de Alice Santos percebeu sinais que indicavam o início da puberdade na menina. Apesar de ter começado no período considerado normal, a mãe da pequena foi orientada, pela endocrinologista que acompanhou o diagnóstico, a evitar o consumo de carne de frango e ovos provenientes de granja, optando pelas versões caipiras.


Ao notar esses sinais nas crianças, portanto, é imprescindível o acompanhamento médico, especialmente de um endocrinologista, responsável pelo estudo dos sistemas hormonais. Para obter o diagnóstico concreto, são realizados vários exames, como dosagem hormonal e de imagem, a exemplo do raio X de punho para verificar a idade óssea comparada à cronológica, além de consultar o histórico clínico individual do paciente.

Tratamento

Com o resultado em mãos, o próximo passo é tratamento, que varia de acordo com o origem do problema. A mais comum é feita à base de medicação para interromper o processo de maturação sexual, até que a criança tenha idade suficiente para esse desenvolvimento. "O tratamento é de, no mínimo, dois anos e pode realmente segurar a idade óssea", diz a médica.


No caso de Inessa, o tratamento foi iniciado alguns meses depois do diagnóstico e durou pouco mais de três anos, até ela atingir a primeira menstruação. A medicação é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no entanto, a estudante teve dificuldades até conseguir. "A fila de espera chegava a ser de dois anos, e a minha médica disse que se eu não começasse logo, eu iria menstruar aos oito anos, ou seja, quando chegasse minha vez o tratamento não serviria mais", relata.


Cada injeção custava, à época, R$ 600, e a dose precisava ser mensal. Pelo alto custo, a compra pela família de Inessa era inviável. Mesmo fazendo o tratamento, Inessa ainda sente as consequências da puberdade precoce. A jovem desenvolveu depressão e transtorno de ansiedade, atestada por um psiquiatra, além dos problemas hormonais, como o alto nível de prolactina no sangue, hormônio responsável por estimular a produção de leite materno na gravidez. Quando não há gestação, a menstruação da mulher fica desregulada e pode causar infertilidade.


A estudante também apresenta hipotireoidismo, disfunção na tireoide que afeta o metabolismo, causando fadiga, ganho de peso, alterações no humor, além do aumento de chances de ter doenças cardíacas. Doutora Eveline também aponta para a possível baixa estatura desses indivíduos, já que eles atingem um estirão do crescimento antecipado e param de crescer mais rápido.


"Outro efeito é o risco de abuso sexual pelo desenvolvimento precoce, além do encurtamento de uma fase tão importante para o amadurecimento do indivíduo. A criança, que tem uma infância mais curta, está mais vulnerável a ter problemas psicológicos", orienta a especialista.