quinta-feira, 7 de maio de 2026

O alto grau de desonestidade dos ícones midiáticos do Brasil.

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 AMIGOS BRASILEIROS

O alto grau de desonestidade dos ícones midiáticos do Brasil.

  O assunto é desumano, vergonhoso, desonesto e desprovido de ética. 

     Os últimos 12 meses vem revelando o alto grau de desonestidades de muitos ícones do país.

    Ícones do teatro, do cinema, da televisão, da música, do esporte e até mesmo da medicina.

    É de fazer vergonha o alto grau de descompromisso com os pobres brasileiros, aqueles que não têm perspectivas palpáveis e  procuram maneiras de realizar os sonhos.  Um grupo por intermédio dos jogos de azar e outro em se transformar num consumidor contumaz, extrapolando o seu poder de compra e adquirindo produtos supérfluos e dispensáveis.

    O primeiro grupo atua jogando o parco dinheiro que dispõe em jogos de azar e o segundo se endividando com empréstimos consignados e o resgate da única poupança segura, o FGTS, criado para não deixar o cidadão perdido logo após o desemprego.

  Não citarei nomes para não gerar problemas com a justiça, peço apenas que olhem pelo retrovisor os últimos anos.

     Apresentadores de televisão e até padres induzindo o povo a  pedir dinheiro emprestado, a tais e tais  financeiras, camuflando  os altos juros.

2   Artistas de novelas e grandes cantores, de massa, praticando as mesmas ações noutras financeiras desonestas, inclusive incentivando grandes viagens com pagamento em dezenas de prestações, em empresas que muitas vezes não honram o prometido. Muitas dessas viagens são engodos, pois os especialistas sabem que o turismo está dentro da cabeça de cada um, é  um sonho, e que num belo dia poderá realiza-lo, mesmo que estraçalhem a sua economia. 

3    Narradores esportivos incentivam apostas nas BETS como também grandes atletas da ativa e ouros aposentados praticando os mesmos atos. Todos estão cometendo crimes oficializados, apenas com o intuito de aumentar a sua conta bancária e o seu patrimônio, são verdadeiros enganadores. 

                                          O apelo.

  Ícones que influenciam a população, só aceitem participar de uma peça publicitária após avaliar, pesar, sopesar e se aconselhar com pessoas éticas para fundamentar a sua mensagem publicitária.

   Não sendo assim, estarão prejudicando as finanças das famílias pescadas por suas palavras, uma vez que,  para os fãs, vocês estão falando a pura  verdade.

   Nunca se esqueçam que estão contribuindo para o empobrecimento do povo e para manter em ação o capitalismo leonino e que deveria ser um capitalismo justo. 

   Peço também ao governo: Não seja conivente com estas demandas em todas as suas etapas, seja rigoroso em todas as etapas, dos empresários, aos meios de comunicação, perpassando pelos produtos, os  publicitários, os ícones e aos destinatários.

  Não praticando estas propriedades também atua como inimigo do povo e prejudicando a ECONOMIA DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS.

  Não façam o povo de bobo, o brasileiro merece respeito,  não endividem a população para tocar o mercado.

    Iderval Reginaldo Tenório

O alto grau de desonestidade dos ícones midiáticos do Brasil.

 

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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Zé Dantas, Luiz Gonzaga e Samarica Parteira,

 


 zé dantas

Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei Luiz.

Um fenômeno da Natureza

O Nordeste, os costumes e os seus paradigmas.
Zé Dantas, Luiz Gonzaga e Samarica Parteira, uma viagem à ancestralidade Nordestina.

 
Quem na Caatinga  nasceu, cresceu e arribou para outras plagas, em busca de melhores dias, conhece muito bem os sertões e os seus mistérios. 

José de Souza Dantas Filho, conhecido como Zé Dantas, nasceu em 1921, na cidade de Carnaíba,  Pernambuco e faleceu em 1962, aos 41 anos de idade no Rio de Janeiro. 

Considerado um dos principais compositores deste país, um dos alavancadores  do Rei Luiz Gonzaga. Maestralmente documentou os costumes dos sertões. 

Registrou o afloramento dos hormônios sexuais na adolescência do ser humano, em Xote das meninas; a lida diária do povo sofrido, o nascimento de nobres e de desconhecidos nordestinos em Samarica parteira. 

Registrou a hierarquia pétrea dos homens rústicos,  o Vale do Pajeú, o Rio Riacho do Navio, o Pajéu e o São Franbcisco, perpetuando os episódios peculiares aos catingueiros do Brasil.

Na região do Pajeú, nos sertões pernambucanos, os seus pais eram considerados ricos. Eram pecuaristas e agricultores, tinham influências políticas, inclusive o seu pai foi prefeito da cidade de Flores, município do qual, o   distrito de Carnaíba se desgarrou,  elevado-se  a cidade em 1953. Nesta época  o Zé estava com 32 anos de idade, residia  no Rio de Janeiro e trabalhava no Hospital do IPASE, onde chegou a ser Vice-Diretor da Maternidade.

No ano de 1936, aos 15 anos de idade, foi morar no Recife para  cursar  Medicina. Era considerado um jovem culto, estudioso do folclore, dos problemas ambientais, humanos, sociais e dos costumes regionais. Tanto que em 1937, aos 16 anos, escrevia sobre os costumes e as coisas do sertão. As suas crônicas eram publicadas nos jornais da escola, em periódicos regionais  e da capital pernambucana.

Em 1947, quando o Rei  Luiz Gonzaga, já famoso, iria realizar diversas apresentações no Recife, o Zé foi até o  hotel onde se hospedava e conseguiu mostrar-lhe algumas de suas composições. 

O visionário sanfoneiro gostou e não deu outra, gravou duas que se transformaram em pérolas do cancioneiro brasileiro: “O forró de Mané Vito” e “Vem morena”, que estrondaram no Sul e depois em todo o território nacional, ali nascia uma profícua parceria com o Rei do Baião.

Em resposta à pérola "Asa Branca", de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, gravada em 1945, considerada o hino do Nordeste, que documentava a seca, o êxodo rural, o sofrimento  e o anonimato dos homens do campo, Zé Dantas apresentou ao Rei Luiz  a “Volta da Asa Branca”, gravada em 1950. 

Em, A Volta da Asa Branca, o Zé documenta o retorno do nordestino aos primeiros lampejos de chuva. 

A música mostra a alegria, o orgulho de ser do Nordeste, a vontade de voltar ao seu torrão e ao seu povo, é uma injeção de valorização e autoestima. Afirma e reafirma, que basta chover para o sertão virar riachos, barreiros, lagoas, açúdes, mar, pomar, fartura, vida, casamentos e novos rebentos. O cinza muda para o verde, os pássaros cantam, os sapos coaxam, os homens renascem e realizam os seus sonhos. É sublime quando tem certeza da fartura e  afirma sem ter medo de errar: 

" E se a safra não atrapaiá meus planos, que quer há senhor vigáro, vou casar no fim do ano"

“A Volta da Asa Branca”, de Zé Dantas, é considerada, tal qual a “Asa Branca”, mais um hino do Nordeste, porém repleto de autoestima, felicidade e fidelidade.  Traz alegria, esperança, prosperidade, expectativas, sonhos e o nascimento de milhares de nordestinos.

Em 1949, aos 28 anos,  o filho de Carnaíba colou grau em Medicina em Recife-Pe; em 1950 migrou para o Rio de Janeiro para fazer residência em Ginecologia e Obstetrícia. 

Na capital do país aproximou-se mais ainda de Luiz Gonzaga e de Humberto Teixeira, a ponto de apresentarem um programa radiofônico, no qual o trio contava e cantava coisas do Nordeste.

Segundo Luiz Gonzaga, o Zé Dantas se instruiu com esmero e virou Doutor da Medicina, porém não despregou os pés da caatinga. Mesmo com todo o polimento educacional, continuou com a autenticidade do Vale do Pajeú. 

O homem era um trovão, um caipira, um capiau, um rupestre, um grande médico repleto de sabedorias e experiências de vida. 

Sabia  escrever, compor, cantar e  contar causos como também tudo de sua especialidade médica: Cuidar da saúde das mulheres e da família brasileira.  

"O homem ainda cheirava a bode apesar de ser médico e morar na capital do país, o homem era autêncitico, trazia dentro de si o cheiro, a voz e os costumes  do Pajeú."  Palavras do Luiz Gonzaga

Zé Dantas era uma enciclopédia nordestina mesclada nas ciências humanas, sociais, psicológicas, antropológica e geopolítica. Era um ser humano do mais alto quilate, era  de extrema sinceridade e leal à suas raízes.

Luiz Gonzaga conta que um dia Zé Dantas apareceu com duas composições musicais. A primeira, uma peça científica que versava sobre a transição feminina da adolescência para a fase adulta; falava dos desejos femininos com o desabrochar dos hormônios sexuais e que a batizou com o nome de “Xote das Meninas”, a segunda, batizada  de “Samarica Parteira”, gravada em 1973, onze anos após a sua  morte, documentava os encantos, os segredos, as práticas e as crenças na realização dos partos nos mais longínquos grotões brasileiros. Frisava os mistérios, os costumes e as diligências aplicadas por mulheres parteiras, verdadeiras lendas, num dos  momentos mais  sublime da vida, lendas estas  que  durante toda a vida, o nordestino   as transformavam na segunda  mãe, tal era a gratidão de vir ao mundo por suas mãos. Milhares eram  as  mães Samaricas   por estes sertões  governandos por coronéis e abandonados pelo Estado: Mãe Manuela, mãe Maria, mãe Totonha, mãe Nenzinha, mãe Francisca, mãe Zefinha, mãe Dodó e outras milhares de mães. Ainda hoje chamo a minha parteira de mãe Manoela, que me trouxe ao mundo, numa noite chuvosa,  em 1954 no topo da Chapada do Araripe.

No “Xote das Meninas” Zé Dantas aplica os conhecimentos fisiológicos e psíquicos; relata as metamorfoses e os desejos na formação de uma mulher, depois de ensopadas pelos hormônios estrógeno e progesterona. 

Em “Samarica parteira”, descreve as diligências, os costumes, as crenças e o papel de cada ser no universo da caatinga, dos coronéis às parteiras, perpassando pelos diversos tipos de ajudantes; dá voz aos animais e ao solo, com destaque aos sons das cancelas( paaaà, paaaaà ao bater no mourão), dos lajedos (teteque-totoque, teteque-totoque,  piririco-ticotico, piririco-ticotico, patataco-pataco ao serem pisados pelos cascos dos animais ) e às vozes dos sapos nas lagoas e riachos ( quage qui cae).

No seu relato registra a geografia, a história, as congratulações e as interações de um povo  com a terra, os animais, as águas, o sexo e as tradições, até mesmo os costumes dos animais: 

" Lula o meu  cavalim é  magro e sua égua é gorda, eu vou na frenteSamarica.

Pra gente não chegá hoje, já viu cavalo andar na frente de égua, Samarica"Gonzaga

Zé Dantas nada mais fez do que documentar, letra por letra, ponto por ponto, o falar, o viver e o comportar dos verdadeiros catingueiros autóctones do País. Foi sublime na documentação, no recado e na autenticidade de um povo. 

O Zé foi o Zé de corpo e alma. Ressuscitou  os ancestrais cariris, tapuias e tupiniquins. Trouxe à baila o trabalho de parto e as heranças dos indígenas brasileiros, nossos ancestrais. Foi assim que todos os catingueiros nasceram, inclusive o fenomenal médico compositor. 

Zé Dantas mostrou que os sertanejos são frutos das secas e das chuvas; das alegrias e das tristezas; dos ventos e das calmarias; da lua prateada e do sol causticante; das terras e dos céus, são todos componentes de um rebanho de esperanças; são verdadeiras Asas brancas.

São todos Zés, Luízes, Humbertos e sertão, são retirantes sobreviventes,  são gentes nordestinas, geneticamente oriundos  dos cariris, tapuias, pataxós, potiguares, xucurus, tupinambás e coremas, são frutos da terra. 

São gemas brasileiras e brasileiros da gema.

 

Salvador, 25 de novembro de 2024

Iderval Reginaldo Tenório

1-

"Assim fala o pobre do seco nordeste, com medo da peste e da fome feroz" 

Antônio Gonçalves, o PATATIVA DO ASSARÉ  em  A Triste Partida, gravada em 196419 estrofes, cada uma com 8 versos, cantada em  08 minutos e 51 segundos. Segundo o prórpio Luiz, a mais importante múscia de sua trajetória.

 

2-

Que braseiro, que fornalha
Nem um pé de plantação
Por falta d'água, perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse: Adeus, Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas légua
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim voltar pro meu sertão

 Humberto Teixeira, em ASA BRANCA, 1947

 

3-

"Já faz três noites
Que pro norte relampeia
A asa branca
Ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas
E voltou pro meu sertão
Ai, ai eu vou me embora
Vou cuidar da plantação

A seca fez eu desertar da minha terra
Mas felizmente Deus agora se alembrou
De mandar chuva
Pra esse sertão sofredor
Sertão das muié séria
Dos homes trabaiador"

José de Souza Dantas, em A VOLTA DA ASA BRANCA, 1950   

4-

"De tardezinha quando eu venho pela estrada
A filharada tá todinha a me esperar
São dez filhinho é muito pouco é quase nada
Mas não tem outros mais bonitos no lugar

Vai boiadeiro, que o dia já vem
Levo o teu gado e vai pensando no teu bem.

E quando eu chego na cancela da morada
Minha Rosinha vem correndo me abraçar
É pequenina é miudinha é quase nada
Mas não tem outra mais bonita no luga"

Klécius Caldas / Armando Cavalcante, em Boiadeiro gravada em 1950


 

  • Sabiá
  • O Xote das Meninas
  • Riacho do Navio
  • Vozes da Seca
  • Forró de Caruaru
  • A Dança da Moda
  • Samarica Parteira
  • O forró de Mané Vito  
  • A Volta da Asa Branca
  • Vem morena e outras do mesmo quilate.

Luiz Gonzaga, Miguel Lima, Humberto Teixeira, José Dantas, Patativa do Assaré, José  Marcolino, Onildo Almeida, João Silva e outros gênios do cancioneiro brasileiro.

 

 Escutem esta pérola sociologica

Luiz Gonzaga - Samarica Parteira - YouTube

 


 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Uma família nordestina do polígono da seca, Zezinho na caatinga.

 

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                                12, 09, 06 e 3,5 anos de idade

Uma família nordestina do polígono das secas, Zezinho na caatinga. Como são diferentes a infância de cada cidadão. É nesta fase que se forja  um verdadeiro homem.

Quando a  infância foi vivida com felicidades e amor, merece ser revivida em todas as outras fases da vida.

Muitos insistem em ministrar aulas sobre os nordestinos, sem nada saber das  variedades e das diversidades da vida, é preciso viver e sentir.

   

Seu José acordava às 4 h, ainda noite, fim da madrugada. Dona Maria, a matriarca, antes do galo carijó cantar e o jumento relógio zurrar,  já estava de pé. Café pronto, boas tapiocas e ovos estrelados na manteiga de garrafa.

O gato mimoso, a gata ceguinha, as cadelas baleia, piaba e a  peixinha a margearem a grossa porta da cozinha, ao ouvirem o bater dos trens(teréns), da retirada da tramela,  a voz  e o cheiro da matriarca.  

Enxada nas costas, chapéu de palha na cabeça, camisa branca, mangas compridas, calça de cáqui,  alpercata de couro cru, solado de pneu de caminhão, facão colino(collins) na cintura e uma cabaça cheia d’agua barrenta, o patriarca   tomava o rumo da roça de mandioca.

Quando  o sol entrava pelas brechas da janela, as crias  acordavam, uma por uma.  As mais novas precisavam de leves  balanços, no punho de sua  rede, para despertarem, mesmo recebendo lufadas de encanados  ventos frios e a grande claridade ao abrir as janelas.

Dobravam-se as redes, no seu miolo, o azul lençol de saco, lavado com pedra anil. Faziam-se  trouxinhas, como se enrola um cordão num carretel e ancoravam-nas abaixo dos armadores, cada cria respondia por sua rede. Lavavam o rosto , numa bacia de alumínio, e escovavam os dentes, cada um tinha direito a meio litro d'agua, este   precioso líquido escasso no Nordeste. A toalha era a mesma, daí a grande proliferação de uma doença ocular chamada tracoma. *1

Depois, tomavam  o café, semelhante ao do seu José, e a partir  daí, iniciava-se mais um  dia de labuta. 

Os maiores iam para a roça ajudar o genitor, tarefa produtiva, e os demais, tarefas mais leves, as reprodutivas, as domésticas.  Enchiam os potes, colhiam lenha, catavam o feijão, cortavam o toucinho, iam ao chiqueiro dos porcos,  levavam milho, farinha e  água para os animais; jogavam  milhos e enchiam  os velhos vasilhames, com água dos barreiros, para as galinhas soltas no quintal. Enquanto isso, dona Maria ia até a capoeira pegar ovos das galinhas-d’angola( GUINÉS), que sempre põem distante  da casa, para depois  pegar no  galinheiro do quintal os das galinhas carijós, comuns em todo o nordeste.   

Após cada um cumprir a sua tarefa, uns varriam o terreiro, outros pegavam as  suas baladeiras para caçar rolinhas,  fabricar os seus brinquedos ou brincar com os animais. As meninas inventavam de  fazer doce de leite e outras a remendarem calças, camisas, blusas, redes, calções e  lenções.

Sol a pique, perpendicular ao mourão de amarrar cavalos, vento quente e redemoinhos a varrerem o terreiro, o relógio da natureza, o sol,    marcava 12 h. Seu José voltava da roça com os dois ou três filhos maiores e todos iam sentar nos seus tamboretes redondos, ao redor duma mesa  de madeira de   10 lugares,  cadeiras só nas cabeceiras. 

Com seu José na cabeceira, vinha o almoço. Para os menores, dona Maria já trazia os pratos feitos, o feijão e a mistura  nos seus pratos esmaltados, para os maiores e o genitor, uma tirrina funda, bem cuidada, cheia de feijão no centro da mesa, a mistura noutro utensílio. 

Os pratos eram de porcelana, todos usavam  colheres. Era comum alguns perguntarem :   

“Mamãe, tem caldo? bote um pouquinho pra mim e tome farinha( HOJE, PRA EU)."   

Ao término, uma rapadura, um doce de leite, de banana ou gergelim e um copo d'água, era costume para todos, uma xícara de café para atiçar o cérebro, assim falavam os genitores.

Eram as melhores férias  depois de 04 meses de escola no CARIRI CEARENSE. 

Das 10  crias, 07 concluíram o curso superior, os demais, devido o casamento, um abandonou o curso de economia no primeiro ano e os outros dois  completaram o curso médio. 

Como seu José e dona Maria acreditavam muito  na escola,  das  suas dezenas de netos,  90% concluíram ou estão concluído o curso superior.   

A vida é a vida, viva seu José, viva dona Maria e viva as grandes roças de  mandioca para o fabrico da goma e da farinha. 

Estes ensinamentos eles passaram para os irmãos e todos os seus sobrinhos. São imortais. 

Viva a Chapada do Araripe, o meu Pernambuco e o meu Ceará.   

                        Assim se pronunciavam para todos :

"No futuro nem os animais pegaram peso. Estudem para que a caneta substitua a foice e a enxada; as capoeiras e as roças sejam trocadas pelos cadernos e livros, é o cérebro o grande comandante  a vida. Cuidem deste órgão pensante. São das ideias que os homens viverão com mais tranquilidade. Estudem,  cultivem e valorizem o  cérebro."  

                         Seu José e dona Maria.

       Salvador,03 de Maio de 2026

                             Iderval Reginaldo Tenório

O tracoma é uma infecção ocular crônica e contagiosa causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, sendo a principal causa infecciosa de cegueira evitável no mundo. Afeta principalmente crianças em áreas com saneamento precário e falta de água, causando conjuntivite e, se não tratada, cicatrizes que levam à cegueira

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