A LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL, SUA FORMAÇÃO E METAMORFOSE
Preconceito linguístico
Fale e escreva sem entraves.
Aprenda o Oficial, a Norma culta, porém não despreze a sua regionalidade.
CAPÍTULO I
Preconceito linguístico
As línguas dos autóctones, as indígenas, mescladas com as da mama África e infiltradas por línguas invasoras (Inglês, Francês, Italiano, Espanhol, Português, Holandesa, Asiáticas e Orientais) forjaram o Português Brasileiro.
Os urbanos e os escolarizados têm diariamente a atualização do português. As gerações mais velhas, oriundas da zona rural, ainda trazem muitas palavras seiscentistas, não foram informadas das mudanças e falam o original, o português mesclado, que não é errado, é apenas arcaico, é o PORTUGUÊS raiz.
Espanhóis, italianos, holandeses, orientais e americanos contribuíram com muitas
palavras e expressões na antiguidade, ainda hoje ativas, notadamente
nos sertões e nos grotões do país.
Quem pratica o português atualizado, estranham muitas palavras usadas pelas gerações anteriores devido a metamorfose linguística.
1)"Pregunta é sinônimo de PERGUNTA, é um dos resquícios do espanhol.
2)Leis atuam no uso do s e do z, do x e do ch, da vírgula e do ponto e vírgula, e de muitas expressões como pegadinhas para demonstrar o nível social, econômico, cultural e a casta da qual veio cada falante, é uma manobra excludente.
O Marquês de Pombal oficializou a língua portuguesa, como o único idioma obrigatório no Brasil e em Portugal por meio de decretos na década de 1775, proibindo o uso das línguas indígenas, chamada "língua geral" (como o tupi) e as demais que se infiltraram no país.
Iderval Reginaldo Tenório
CAPÍTULO II
O Português é uma língua em contínua formação, agrega diariamente influências de línguas da Europa, EUA, Oriente, África, Ásia, Japão e de dialetos regionais. Dialetos encrustados na mente do povo e que revelam as suas origens regionais, como os Brasilienses, Caipiras, Cariocas, Gaúchos, Mineiros, Nordestinos, Nortistas, Paulistanos e os Sertanejos. Estas propriedades enriquecem o Português Brasileiro, o português do dia a dia, o português difundido pela oralidade.
Chamo a atenção para que conheçam a história de cada região difundida pelos repentistas, que documentaram a história brasileira pela oralidade, uma vez que até o século XIX, apenas 3% da população sabiam ler e escrever.
O português seiscentista é uma mistura de vários idiomas. Aos poucos os gramáticos e os linguistas, por decreto, foram excluindo palavras arcaicas, palavras das classes baixas, principalmente as que as chamam de incultas, como as dos indígenas, dos africanos e a dos grotões deste país continental, as substituíndo por novas palavras. Com estas atitudes criaram e continuam a criar uma língua MODERNA E EXCLUDENTE, classificada como NORMA CULTA .
Norma que gera o famigerado preconceito linguístico e aponta que o português brasileiro é propriedade das castas altamente letradas, e que rouba do povo o direito de falar e escrever, norma que desvaloriza a oralidade de um povo miscigenado.
Adendo importante:
Depois de 2002, com a ascensão do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, muitos linguistas procuraram e procuram atropelá-lo, o tiro saiu pela culatra, uma vez que a sua oralidade conseguiu unir e dar vida aos brasileiros excluídos. Muitos cultos e letrados calaram-se e estão silentes.
Um povo que perde a sua língua, perde a nacionalidade e a cidadania. A língua é um ato político, o amálgama e a alma de um povo. A sua originalidade deve ser respeitada, deixando a Norma Culta para documentos oficiais em todas as instancias de comunicação, notadamente no mundo jurídico: Escolas, política, transações econômicas, atos oficiais e no mundo da escrita.
O escritor Marcos Bagno faz uma sugestão classificando a língua brasileira. (Livro A norma culta, pg.68, Parábola Editora)
"1-Norma Padrão", a falada pelos brasileiros de alto nível de educação, curso superior e os escolarizados.
"2-Norma Prestigiada", a falada pelos intelectuais, pelo mundo jurídico e pesquisadores.
"3-Variedade estigmatizada, a Popular", falada pelo povo em todo o país, notadamente os aprisionados até o curso médio. Subliamento de minha lavra.
Na atualidade mais de 20% das novas palavras vêm dos EUA, a língua forte das transações econômicas em todo o mundo, a língua do império contemporâneo. Como vírus, chegam embutidas nos produtos, propagandas, internet, modas, cinema, livros, jornais, programas televisivos universais, viagens e outras formas forçadas pelo poderio hegemônico.
Nos dias atuais, a juventude brasileira, os profissionais de todas as áreas e a população em geral são bombardeadas pelos meios de comunicação com novas palavras sem tradução, e que, automaticamente são incorporadas à língua pátria.
Lembrem-se de onlaine, apigreide, estandebai, chequim, delei, checaute, booque, fastefude, baipasse, uaifai, uatzape, email e outras.
Como o português brasileiro tem pouca importância mundial no comércio, indústria, música, literatura, turismo, história da humanidade e não é de uma nação de peso, sofre preconceitos em todo o globo terrestre e dentro do seu próprio povo, por ser uma nação continental.
Afirma-se que a alma de uma nação é o seu idioma. Embasado nesta propriedade, Portugal matou a língua nativa brasileira quando invadiu as terras de Vera Cruz em 1500, deixando-a sem alma e sem identificação.
CAPÍTULO III
No século XVI eram mais de 800 línguas nativas, destacavam-se o Guarani Kaiowá, Xavante, Yanomami, Guajajara, Terena, Tukano, Kayapó, Tupinambá e o Tupi-guarani.
No final do século XVIII, por volta de 1775, de uma só canetada, o Marquês de Pombal proibiu o uso das línguas nativas, as africanas e as embarcadas pelos estrangeiros, sendo oficializada o Português de Portugal.
Esta medida culminou com o batismo linguístico da nação chamada Brasil. Uma Pátria sem língua e evidentemente sem alma, tendo que renascer das cinzas como um milagre. Em 1850 quase todas as línguas autóctones praticamente estavam em desuso.
O genocídio aos habitantes da terra, pejorativamente chamados de INDÍGENAS, o genocídio aos seus idiomas, costumes e cultura, juntos à transferência de riquezas minerais, vegetais e animais para a Europa, foi o suficiente para emplacar anos de atrasos à nação em nome da civilização colonialista. Isto gerou, alimentou e alimenta até os dias de hoje preconceitos aos nativos e aos africanos traficados durante três séculos. Ambos os povos foram tratados como coisas, não humanos, objetos de valor insignificante e que vivem apenas para o trabalho braçal.
Para os Europeus colonizadores, os negros e os nativos não tinham alma e não eram considerados humanos.
Nos Estados Unidos da América eram considerados caças, inclusive pelos poderes públicos até 1900, onde foram dizimados mais de 20 milhões de nativos em 100 anos de invasão inglesa.
Na América Latina, invadida pelos espanhóis, como no Brasil pelos portugueses não foi diferente.
Foram criados no Brasil os Bandeirantes( caçadores de indígenas para trabalhar na agricultura da colônia). Estes capturavam e comercializavam os indigenas e dizimavam os que se recusavam à escravização, os resistentes.
Foi implantado no Brasil por séculos, em busca de mão obra humana, uma verdadeira NECROPOLÍTICA, milhões de vidas indígenas e africanas foram ceifadas.
No Brasil, um verdadeiro continente, o português sofre preconceitos de classes sociais, nível educacional, etnias, posicionamento político, gêneros e do regionalismo.
Na sociedade brasileira, o idioma foi fatiado em diversos segmentos: O culto que é o oficial, regido por leis, criado e praticado pelos intelectuais, letrados, filólogos e os gramáticos que ocupam o cume da pirâmide linguística, tornando uma língua excludente para os que ocupam a base da pirâmide social, possuidora de no máximo 800 palavras para a comunicação.
O objetivo é sedimentar nas mãos das elites o poder da dominação e de subordinação para as demais classes sociais.
Pregam que o certo e o correto é o praticado por esta casta, que se autodenomina de classe superior. O errado e rasteiro, o praticado pelas demais classes sociais, principalmente nos rincões do país e nas regiões esquecidas. Estes são denominados de QI baixo, analfabetos, invisíveis e excluídos da civilização. Quando na verdade não existe um Português errado, a língua é uma só e depende do nível social, econômico, cultural, qual região pertence o cidadão e como o se vê na contemporaneidade.
É primordial entender, que o português tem uma coluna, o de consumo diário, aquele que constitui o DNA da língua; o popular e praticado em toda a nação e que todos compreendem, considerado o Português Universal e o elo entre todas as classes sociais.
CAPÍTLO IV
O português culto e clássico, como um veículo moderno, com os seus diversos assessórios como direção hidráulica, portas elétricas, marcha automática, sensores, wifi orientados por satélites e câmeras são privilégios de poucos e às vezes supérfluo.
O importante é viver sem atropelar a coluna central e respeitar o regionalismo. Mastigar o feijão com arroz, as misturas proteicas e gordurosas sem se esquecer que nos documentos oficiais é o Português culto, o utilizado.
O português falado está na alma de cada cidadão e vem das suas raízes, das suas entranhas e ancestralidades.
A Língua é patrimônio da sociedade, isto é, do povo em todos os níveis sociais e em todos os recantos do país. Não deve ser uma ferramenta de inibição aos que não praticam a língua culta, a língua daqueles que ocupam o ângulo superior da pirâmide sócio cultural, econômica e literária, uma vez que, mesmo os mais cultos, estudados e que leem com frequência, muitas vezes são ignorantes no repertório jurídico, da matemática, da química, da física e da medicina.
Fale e pratique a sua língua sem preconceitos ou inibição, contudo continue aprendendo a língua culta, da mesma maneira que se aprende a andar, nadar, dirigir e como se aprende uma profissão.
Somos
eternos aprendizes, todos os dias se aprende algo novo. Gratidão às
escolas, aos professores, aos filólogos, aos gramáticos, aos
historiadores, aos analfabetos, aos regionalistas e à natureza,
eternos orientadores.
Estudante, viva sem quaisquer tipos de preconceitos, não se iniba na escola, pergunte e participe das oficinas de aprendizados.
O português está sendo forjado e não deve sofrer avarias nesta fase da vida.
Aprenda
com os cultos, os letrados e os não letrados, porém não se enclausure
no aprendizado do imaginário dos intelectuais. Não anule as suas
origens, mescle todos os modos da língua e os utilizem nos momentos
adequados, a depender dos interlocutores.
Tenha
orgulho dos seus pais, de sua região, de todos os da sua convivência
na infância e até dos animais não humanos do seu arrebol, isso é
cultura.
Poucos no Brasil utilizam a Norma Culta no cotidiano e na oralidade, na escrita fazem muitos esforços para não deslizarem, mesmo assim todos deslizam.
Iderval Reginaldo Tenório


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