O mundo ainda tem jeito, ainda tem solução, ainda existem boas sementes
Tem-se vivido dias tenebrosos, porém, parece que o mundo ainda tem jeito. Tempos atrás, Zezinho foi convidado para um almoço na casa de um amigo, fatos corriqueiros na sua trajetória de vida.
A casa fica num condomínio fechado, morada boa e de pessoas equilibradas. Ao chegar, o amigo já estava à sua espera, abriu o portão e 4 vizinhos fizeram uma bela recepção, era o aniversário do anfitrião, um deles já conhecia o Zezinho.
Ficou impressionado com o que viu: cães, gatos, galinhas, galos, patos, papagaios, perus, coelhos, pássaros diversos, camaleão, cágados, cabras, cabritos, galinha d'angola e até um casal de teiú, todos soltos na área verde da bela chácara, viviam em paz e em harmonia. A propriedade era de toda a comunidade, mais dos animais do que dos moradores, uma vez que a área verde, preservada, era entregue a eles. O anfitrião fez questão de falar que no condominio não existiam anaimais peçonhentos e nem ratos, ficasse tranquilo, os animais tomam conta e não se usa inseticidas.
Pomar constituído de coqueiros e de diversas árvores frutíferas. O que chamou a sua atenção foi duas mangueiras produtivas e carregadas, outras centenárias, a espanar os céus, alguns pés de cedros, de copas grandes e de um verde sadio, as moradas de muitos pássaros e Morcegos frugívoros.
A festa foi eclética e bem organizada. Acima dos 86 anos de idade, um belo casal, bem orientado e boa locomoção, os seus pais. Muitos senhores e senhoras entre os 30 e 70 anos, os demais na flor da idade, moças, rapazes e crianças. Foi inclusive montado um parquinho, os pequenos se esbaldavam de alegria.
Comidas variadas e para todos os gostos, da lavra do casal e dos vizinhos. Sucos naturais, refrigerantes e iguarias diversas. Bolos normais e bolos sem lactose, glútem e pouco açucar. Bebidas alcoólicas só para os adultos, e um lembrete: Se for dirigir não pode beber. Sobre a churrasqueira!? Boas carnes e um bom profissional, pratos de louça de mesa em mesa, o queijo coalho derretia na boca.
As músicas eram variadas, MPB, infantis e velha guarda. Xuxa, Nelson Gonçalves, Fagner, Belchior, Luiz Gonzaga, Gil, Roberto Carlos, Diana Pequeno, Milton, Pena Branca e Xavantinho e Helena Meireles. Volume baixo, macio e convidativo, as caixas distantes dos ouvidos dos convidados.
Os celulares para serem usados, só com extrema necessidade, quase ninguém utilizou, nem mesmo os mais jovens.
Veio a tarde. Próximo à boca da noite, um jovem falou:
" Peço desculpas aos convidados. Teremos que parar o som".
Uma pessoa falou:
" Toque mais um pouco"
O jovem respondeu:
" Não podemos. Vovó e vovô vão dormir um pouco, vamos abrir espaço para diálogos e nós vamos estudar, estamos decidido a passar no vestibular e no ENEM, a prova será daqui a 3 meses. Precisamos estudar para que no futuro possamos realizar festas deste quilate com a família. Todos estão convidados para o centenário dos meus avós"
Veios a noite, foi colocada a música Ave Maria de Bach/Gounod, com Nana Mouskouri. Os convidados foram se despedindo, sem antes não saborear uma bela xícara de café, biscoitos variados e um pequeno tablete de chocolate a 70%.
Zezinho viu, com esta festa, que o mundo ainda tem cura. Luzes brilham no início, meio e no fim do túnel, nem tudo está perdido.
Hoje, aqueles jovens estudam nas Universidades Federais, Estaduais e Cursos Técnicos de qualidade em todo o Brasil.
Dos convidados, muitos estão vivos e à espera do centenário dos seus avós. Espera o Zezinho, se Deus permitir, a comparecer a este belo encontro.
O mundo ainda tem jeito. O mundo ainda tem solução. Ainda existem muitas sementes boas, terrenos férteis, belos plantadores e exímios cuidadores.
Salvador, 20 de julho de 2026
Iderval Reginaldo Tenório
Que belo relato! Em meio a tantas notícias difíceis, histórias como essa renovam a esperança e mostram que a convivência harmoniosa entre pessoas, animais e natureza é possível. O mundo ainda tem jeito quando escolhemos cuidar, respeitar e fazer o bem.🙏
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